25 de maio de 2018

Já é um passo

Eu tinha esquecido como é bom gostar de alguém. Não que esteja gostando agora, nem conheço o menino, é só interesse, mas me fez lembrar como é bom gostar de alguém. O frio na barriga, a vontade de impressionar, as olhadas furtivas, o querer saber se é correspondido.... É tudo tão cheio de magia.

E, conversando sobre a possibilidade de gostar desse menino, me apontaram o fato de que eu tenho um poder de sedução. Talvez todos tenham, mas eu nunca notei o meu. Para mim, sedução é sensualidade estavam diretamente ligados e como eu sou mais estilo clássico do que sensual, achava (inconscientemente) que não tinha nada que pudesse interessar os outros. Nunca me vi como uma pessoa desejável sexualmente e talvez isso tenha a ver com minhas concepções de sexualidade/sensualidade. Então me apontaram situações em que meu poder de sedução apareceu e eu não reparei, apontaram a possibilidade de seduzir e não ser sensual, apontaram que eu sou divertida... e eu lembrei que sou mesmo. Lembrei que até hoje, um ano depois, quando cruzo com o bonitinho do parque, ele me olha meio abobado, ele ficou sem fala quando falei com ele! Ele, que é um cara com um corpo incrível, que eu sempre achei que não teria interesse em mim, tentou me cumprimentar na rua outro dia, enquanto eu desviava o olhar e fingia que não vi, porque não sei dar fora.
Eu encantei um cara que eu tinha certeza que was way out of my league. Se isso não demonstra que eu tenho algo especial, não sei o que pode demonstrar.

Essa lembrança me deixou um pouco mais confortável em meio às minhas tantas outras inseguranças. Me deixou um pouco mais esperançosa, achando que, talvez, esse é seja o início de alguma mudança em mim e na minha vida. Sinto que ainda tenho um caminho longo a percorrer, mas que, cada vez mais, estou achando o caminho certo.

19 de maio de 2018

6 de maio de 2018

Receita de vida?

Eu sinto que estou voltando a mim mesma aos poucos. Primeiro meus sentimentos foram se amenizando, já não estava tão cansada, tão depressiva, sensível ou irritada. Agora ajustei meus hormônios de novo e me sinto mais disposta, mais sonhadora, voltei a pensar em histórias para escrever, voltei a sentir vontade de viver histórias e até a fica um pouco impaciente e ansiosa com meus planos, quando antes eles só me davam medo.

Eu sei que tem muita gente, talvez a maioria das pessoas, que teve toda uma vida difícil, acredito que cada um vive as dificuldades que lhe cabem, que o universo não lhe dá um peso maior do que o que você pode carregar, mas isso não significa que não posso sentir o peso que eu carrego. Tenho 27 anos e já vivi mais coisa do que a maior parte das pessoas que conheço, por isso tenho muito orgulho de mim, de todo meu crescimento e de simplesmente ter sobrevivido sem grandes cicatrizes.

Mas ao mesmo tempo em que me acho uma grande sobrevivente não me acho uma grande... vivente? Eu não sinto que eu vivi muitas experiências incríveis, que desfrutei da vida como ela foi feita para ser desfrutada. Vivi ótimos momentos, com pessoas maravilhosas e amo ter podido ter isso, mas não arrisquei muito... não arrisquei nada, eu nunca arrisco. Não falo de viver a vida perigosamente, com aventuras cheias de adrenalina, tem umas coisas legais de fazer e outras não e não acho que isso determina se você está vivendo a vida ou não. Falo de se arriscar emocionalmente, eu fiz poucos amigos ao longe desses 27 anos, amigos leais e incríveis, com quem posso sempre contar, mas não fiz amizade com ninguém que pudesse me convencer a fazer coisas que eu não faria normalmente. Eu nunca arrisquei emocionalmente, sempre vivo muito do lado seguro da vida e acho que isso é saudável, mas não é muito divertido, né?

Acho que é isso que espero ao ir para o exterior, viver uma vida mais solta, sem tanto medo do julgamento dos outros... eu ainda vou ser eu, como bem diz minha psicóloga, até eu ir talves consiga ser um eu menos medroso.

11 de abril de 2018

Talvez já tenha falado sobre isso...

... mas as vezes, com a minha família, sinto que estou gritando em silêncio. Como se berrasse e ninguém escutasse uma palavra do que digo.


Hoje tive uma discussão com a minha mãe. Informei a ela sobre um processo e repeti o que o advogado falou sobre o caso, sou da mesma opinião que ele, mas o fato de eu ser filha dela e advogada deveria ser uma razão a mais para ela acreditar em mim, considerar minha opinião. Não. Ela não se conformou com a notícia e depois de tentar explicar algumas vezes o que significava ela simplesmente me fechou, parou de escutar e disse que não queria mais discutir, que iria falar com o advogado amanhã. Ela sempre faz isso quando brigamos, tento mostrar outro lado da questão para ela, propor outro ponto de vista e em um misto de não querer ver, porque não é a visão dela e porque quem está falando sou eu, ela encerra a discussão fechando os ouvidos.

Até hoje não tinha percebido como ter minha opinião ignorada me feria. Isso me deixa tão puta! Não é escutar uma opinião e depois se decidir por outra coisa, é simplesmente nunca levar nem em consideração essa opinião.

Me dar conta disso me fez pensar. Pensar em como me sinto desconfortável ao dar minha opinião em público ou para "autoridades", em fazer perguntas na frente da sala ou apresentar minhas ideias. Fiquei pensando se esse medo de parecer idiota na frente de pessoas que respeito e admiro não tem a ver com meus pais terem feito eu me sentir assim ao longo do meu crescimento. Eles sempre desmereceram minhas opiniões, principalmente quando não concordavam, eles diziam que eu era muito criança e não sabia de nada... minha mãe até hoje faz isso, de certa forma.

E não ter voz me incomoda, incomoda muito, eu nunca tinha percebido quanto. 

25 de março de 2018

The other shoe

Agora que a iodoterapia já passou não tem mais nada no meu caminho, nenhuma grande preocupação e eu fico inquieta com isso. Fico achando que quando eu menos esperar vai aparecer alguma coisa para me surpreender negativamente, como se as coisas nunca pudessem ficar bem na minha vida. É fato que não importa meus planos, a vida acontece como ela quer e ela sempre me surpreende de uma forma um pouco negativa, então fico com medo de qual vai ser o próximo desafio.

Eu ainda estou esperando o resultado dos exames pós tratamento, ainda estou tomando o cálcio e tentando acertar a dosagem do hormônio, meu paladar está esquisito desde que tomei o iodo e eu meu trabalho é algo que nunca tomo por garantido, porque o temperamento do meu chefe me impede de me sentir confortável. E ao mesmo tempo em que essas coisas não me impedem em nada em seguir em frente, sinto como se esses resultados dos exames e o meu chefe fossem impeditivos de desfrutar a vida.

É verdade que eu ainda não me recuperei totalmente da falta de hormônios, acho que ainda vai levar mais um mês para eu me sentir eu mesma de novo, mas ao mesmo tempo acho que a falta de hormônios dessa vez foi mais suportável e que ser feliz é possível. Estou com medo do resultado dos exames, não vou mentir. Medo de ainda não estar curada, de precisar fazer mais algum tratamento. Tenho medo de nunca mais ter meu paladar normal de volta também. E tenho medo do futuro. Agora não tem mais nada no caminho do meu futuro, nada me segurando, estou empregada, estou saudável (espero), estou pronta para fazer mais do que apenas juntar dinheiro. O IELTS está chegando, dá medo de não tirar uma nota boa, mas tenho esperanças de ir bem e depois poder estudar francês, me dedicar mais ao alemão, me inscrever nas faculdades... partir.

Esse futuro que por tanto tempo me pareceu tão inatingível está chegando e mesmo já tendo um plano traçado eu estou me sentindo um pouco perdida, meio que esperando a próxima notícia ruim que vai me impedir de seguir nessa viagem.