14 de setembro de 2017

Tecnologia

A tecnologia nos aprisiona nela, mas também nos outros e, principalmente, no agora. Queremos respostas instantâneas, eu ligo você atende, eu mando mensagem e você responde. Cada vez que essas ações são frustradas causam mal estar, nos sentimos rejeitados, ou preocupados com o bem estar do outro, quando na verdade, na maioria das vezes, foi apenas o acaso.

Em outros momentos ela nos aprisiona nos levando de onde estamos para distante dali em um "beep". Quantas vezes estamos com os amigos e recebemos mensagens do trabalho, ou de outra pessoa, com problemas, ou histórias que não pertencem aquele momento que estamos vivendo? Deixamos de viver o aqui e somos transportados para o lá sem qualquer aviso prévio ou pedido de licença.

As vezes isso me parece tão invasivo... tão improdutivo... Eu entendo os benefícios, mas ainda é uma praticidade que, mais do que diversas outras, precisamos medir com muito cuidado para não sermos atropelados por elas.

10 de setembro de 2017

Insatisfação

Eu sinto que ao mesmo tempo em que minha vida está absolutamente completa, comigo trabalhando, juntando dinheiro para viajar com a minha mãe, para morar no exterior, fazendo pós, fazendo academia, estudando inglês, alemão e ainda vendo meu sobrinho a cada 15 dias e meus amigos em intervalos de tempo semelhantes, faço terapia e não ando tão cansada quanto na época pesada da faculdade, mas me falta alguma coisa. Eu estou fazendo tudo o que queria fazer quatro meses atrás, meu ambiente de trabalho é legal, meu chefe me deixa um pouco insegura, mas eu sempre entro e saio no horário combinado e acabei de dar um tapa na cara do câncer, mas ainda assim sinto que falta alguma coisa.

Sinto como se tivesse alguma coisa por aí que eu quero e não sei exatamente o que é, ou como se alguma coisa estivesse me incomodando, mas ainda não consegui descobrir o que. Eu costumo focar muito nos meus objetivos e esquecer o trajeto até eles, mas eu estou curtindo o trajeto. Eu estou bem, estou agradecida por estar como estou... mas esse sentimento de insatisfação não me abandona. Eu já nem sei mais se estou sentindo isso por hábito ou porque existe alguma coisa que me incomoda. Talvez seja porque eu quero descobrir logo que curso fazer no exterior e ir logo. Talvez seja aquilo de sempre... minha vontade de gostar de alguém, meu vício em me apaixonar, e o fato de que não tem ninguém na minha vida que poderia me trazer isso no momento.

As possibilidades aparecem e desaparecem tão rápido que nem tenho chance de tentar mergulhar, explorar meus limites como deveria estar fazendo, para no fim derrubar a minha barreira. As cartas também não dizem nada, ou passam mensagens confusas, não falam sobre o assunto, é o mal de se querer prever o futuro, as mensagens nunca são claras e objetivas.

E eu vou vivendo minha rotina, empurrando a insatisfação para o lado e tentando ter paciência, enquanto aguardo pelos próximos capítulos que o destino escreveu para mim.

5 de setembro de 2017

Uma criança nasceu

Eu nem sabia que a mãe estava grávida, então fiquei impactada, mas não surpresa, sabe? Eu já tinha cogitado essa possibilidade, de ela estar grávida, diversas vezes ao longo do último ano, era o passo natural para o relacionamento deles. E ainda assim fiquei triste.... na verdade fiquei nostálgica, pensando em como eu gosto deles dois e como é triste não poder compartilhar desse momento feliz deles, eu queria muito ser amiga deles, mas acho que a vida é assim mesmo e que não era para nós sermos amigos do peito, mas amigos distantes, ou talvez não era para ser Sempre, era para cada um deles fazer parte da minha vida em um momento e tudo bem esse momento ter acabado. Ainda assim fica a nostalgia.

E o sentimento de solidão. Ver a foto do nascimento fez eu me sentir um pouco mais sozinha e eu nem sei porque. Fez eu me questionar se um dia vou ter uma família assim, alguém que me ame, alguém para amar. Eu sinto que tenho feito alguns avanços, mas ao mesmo tempo sinto que não fiz avanços o suficiente e isso me deixa nervosa. Eu sei que preciso de travar algumas coisas para poder viver um relacionamento, mas fico pensando se o processo para isso não poderia ser mais rápido, se eu não poderia fazer algo a mais. Bateu um desespero sabe?

Logo ele passa e eu esqueço, mas a solidão não vai embora, só fica guardada.

27 de agosto de 2017

O que você quer?


Eu sempre quis ser uma daquelas meninas de espírito livre das comédias românticas, aquelas que mudam a vida do mocinho com leveza e desapego. Acontece que eu sou nada desapegada, eu sou prática, eu resolvo problemas, eu me importo com os outros, eu  vivo dilemas sobre mim mesma, dou risada das minhas desgraças e o mistério desaparece logo depois de você me dar "oi", porque vou te contar minha vida toda assim que você deixar.

Eu me decepciono e sigo em frente, me deparo com muros e dou um jeito de derrubá-los, ou de mudar meu caminho, o que for mais vantagem. Dou risada depois de chorar porque não sou capaz de viver na tristeza, mas me preocupo como todo mundo, com todo mundo. Sempre vivi muito ligada nos outros, pelos outros e como os outros esperam, então agora que estou começando a viver por mim não tenho muita certeza do que fazer... vou sobrevivendo.

Mas não quero sobreviver. Quero saber meus gostos, encontrar paixões por coisas e pessoas, me sentir queimar de desejo, alegria, dor. Tenho me deparado muito com a pergunta "o que você quer" e minha resposta é sempre enrolada no meio de uma risada e pensando "essa é a pergunta de um milhão de dólares, não é mesmo?". Mas eu quero saber, comecei a perceber que eu quero descobrir essa resposta, mesmo sem saber direito como, sem ter ideia de por onde começar. 

Eu me conheço, mas ainda quero me entender melhor, me definir para mim mesma, se é que isso é possível. Quero decifrar meus desejos, determinar meus sonhos, traçar metas longas. Quero me descobrir como adulta, porque acho que como adolescente e jovem já me vivi. Quem sou eu agora? O que eu quero?

23 de agosto de 2017

Aquele sorriso de desdém



- Isso tem muito a ver com...

Lá vai ele de novo. Laura revirou os olhos fazendo as amigas rirem enquanto a sala escutava Bruno dar sua opinião sobre estratégia de marketing. Ela não revirou os olhos por ser má pessoa, ela apenas não gostava do tom de voz dele, de quem sabe tanto sobre a matéria que não tira dúvidas, mas sim discute os pontos controvertidos da matéria. E tinha aquele sorriso e aquele olhar também... era como se a expressão dele fosse permanentemente a de alguém que se acha melhor que todo o resto das pessoas naquele cômodo, expressão de quem é bom demais para estar ali, contemplem minha inteligência... Argh!

Ok, ela não era uma má pessoa, mas isso não quer dizer que ela era uma santa. Laura sabia que não era a aluna mais inteligente da sala, nunca foi e estava feliz com isso. Pelo menos até ter que escutar aquele tom de voz condescendente e encarar aquele sorriso recheado de desdém. Talvez ela simplesmente não gostasse do tom de voz dele, talvez ela não gostasse de todo conhecimento que ele claramente tinha e ela não, talvez até ela simplesmente não gostasse dele e ponto, mas ele claramente gostava dela. Pelo menos era isso que parecia para ela, já que toda vez que ela olhava na direção dele o via desviando o olhar desconfortável. 

Foi então que surgiu aquela vontadezinha, sabe? Aquela que a gente lê nos livros e vê nos filmes e acha bobagem, que na vida real não acontece... Isso, essa mesma, a vontade de arrancar aquele sorriso da cara dele... Ah que vontade! De fazer ele perder a fala, esquecer o que sabe e sorrir de verdade, ou não sorrir nada, tanta coisa boa para fazer com a boca ao invés de dar aquele sorriso de desdém, não é mesmo?