7 de dezembro de 2008

O jogo

Eu queria falar, escrever, para todo mundo gritando em letras garrafais como eu me sinto. Mas eu não sei como fazer isso. Eu sei gritar, sei escrever, só não sei como eu me sinto. Tem um negócio aqui dentro de mim, ele esta me incomodando, acho que deve ser meu ego murchando. Antes eu estava com esse frio na barriga, um pouco de medo, um pouco de adrenalina, nada de culpa. Agora eu sinto culpa.

Eu entrei achando que não podia perder nada, ia jogar limpo, eu estava com medo de ganhar, mas nunca cogitei a possibilidade de perder. A derrota dói. Eu não deveria ter apostado, se eu ganhasse uma pessoa com quem eu me importo iria sofrer. Durante o jogo eu descobri que tinha perdido. Não queria ganhar, mas de repente doeu ver outra pessoa ganhar, me ver perder. Talvez o que tenha doído não tenha sido apenas a derrota, mas também a mentira, a outra mentira. Eu já devia saber e esse platonismo dos outros já não devia doer. O pior é que eu tento ser legal e ficar brava pela mentira ter afetado a ganhadora, mas é inegável eu estou assim porque a mentira me machucou. A mentira sempre machuca. Talvez mais uma vez eu esteja sendo uma cética e cínica em relação ao sentimento dos outros, egoísta também, mas não posso fazer nada. Por pior que eu seja essa coisa aqui dentro, que me faz perder a vontade de sorrir ainda ocupa um bom espaço.

O mais surpreendente é eu me importar tanto com quem ganha, quem perde, quem mente e quem sente. Eu estava com medo de ganhar, o que eu faria se ganhasse? Acho que só dói assim porque é inesperado, eu me sentia bem por estar acima e descobri que estou junto com todo mundo.

Sou só mais uma.

Eu queria ser especial, egoísmo meu eu sei, faz parte desse meu sistema narcisista. Narcisismo também é uma possibilidade, afinal eu descobri que não sou o centro do mundo, na minha concepção eu jamais poderia competir com quem é e nem sabe. Mas será que estou julgando certo?

Meu problema não é ver a ganhadora mais, afinal a ganhadora no meu julgamento doentio se quer ganhou. Ela ganhou para o publico, eu perdi para mim mesma, mas quem esta no topo de fato é quem nunca saiu e com isso acho que por mais platônico que seja ninguém pode competir.

Acho que esse negócio aqui dentro que eu nem sei o que é, é na verdade uma sensação de derrota. Eu perdi um jogo que eu achava estar ganhando, mas a verdade é que nunca houve jogo. É, acho que o que eu sinto aqui dentro é meu ego murchando, meu orgulho ferido e meu ciúmes gritando.

7 de novembro de 2008

Troca de olhares


O corredor como sempre estava com dois grupos distintos conversando. Um perto de cada ponta e haviam, é claro certos passantes. Ela conversava com duas amigas, perto de um dos grupos, na ponta do corredor oposta a sala dele. Ela já esperava que ele passasse por ali. Claro que já não era aquela criança com uma paixonite viciada, ela já estava desintoxicada e não estava no corredor para esperar ele passar. Não, ela estava no corredor porque sua sala estava muito gelada, então resolveu ficar na frente dela conversando com suas duas amigas. Apesar da circunstancia não ter sido favorecida para ela ver ele ela não conseguiu evitar o olhar rápido que lançou a outra ponta do corredor quando sua amigas disse:
- O Marcus – a amiga olhava para a sala dele.
Ela não pode evitar, lançou um rápido olhar de confirmação e resolveu se sentar na ponta do banco que havia ao seu lado. Sentou de frente para a sala dele. Ele vinha na direção dela, ela sabia disso, era sua rotina, ele passaria por ela nesta segunda vez.
Ela já havia visto ele naquela manha, um pouco mais cedo ela o viu entrar na sala antes da dela, observou que ele estava com a barba por fazer e reclamou, mas na verdade ela gostava. Viu também que ele estava de avental, mesmo que não estivesse ela podia ter adivinhado, era parte da rotina dele também. O avental de mangas compridas que lhe cobria quase todo o corpo, ele ficava bem naquele avental.
Enquanto ele caminhava pelo corredor ela fez alguma pergunta boba a sua outra amiga, apenas para disfarçar um pouco, mas quando ela terminou de responder foi que ele chegou perto o suficiente para reparar nela. Ela o mediu dos pés a cabeça, já não tinha aquela vergonha de menina, e quando chegou ao seu rosto o observou durante algum tempo, percebeu que ele a encarava e o encarou também, sustentando o olhar dele com coragem e agradecendo a deus por ter se maquiado melhor naquela manhã. A medida que ele chegou mais perto ele desviou o olhar e olhou para frente. Ela também desviou o olhar, mas não dele, subiu e desceu seus olhos pelo corpo dele mais uma vez e quando chegou ao rosto fixou seu olhar nos olhos dele, aqueles olhos negros e brilhantes, cheios de mistério, que ele tinha. Ele sustentou o olhar, seu olhar era divertido, e só parou de olhar para ela quando passou reto por ela. Mesmo que quisesse não poderia parar, além do mais parar para que?
Seu coração batia ligeiramente mais rápido, ou mais lento, havia alguma coisa nele, ela não queria sentir aquilo, no entanto... Ela acompanhou a passagem dele com a cabeça e depois se virou para as amigas dizendo:
- Desculpa não consegui disfarçar – as amigas riram – ok, não quis disfarçar – completou ela.
A amiga que lhe avisou da passagem dele lançou um olhar furtivo por cima da cabeça dela, com esse olhar ela teve certeza que ele ouviu o que ela disse em voz alta propositalmente, mesmo que ele já tivesse virado o corredor, ela sabia que ele ouviu.
Mas foi só quando entrou em sua sala e se sentou a sua mesa que ela começou a pensar. Ele tinha um sorriso nos lábios quando passou por ela, aquele sorriso que ele sempre tinha, mas desta vez não foi só uma suspeita, ele de fato olhou para ela com aquele discreto sorriso nos lábios e aquele olhar divertido. Ela não soube dizer se era um sorriso e um olhar de quem se diverte em ser observado daquela maneira, ou se era um sorriso e um olhar de deboche, mas para ela aquilo era a expressão de quem gosta de ser observado daquela maneira por aquela pessoa.

3 de outubro de 2008

[sem título]


Insegura. Talvez essa seja a palavra para me descrever. Medrosa também serve. Porque eu tenho medo de tudo, tenho medo da vida. E se eu não fizer a escolha certa? Colocar o nome da profissão errada naquela folha branca e cheia de quadradinhos? E se eu passar e não gostar? E se me formar e não der certo? Não arrumar emprego? E se eu não for boa o suficiente para me destacar? Tem milhares de outras pessoas com o mesmo sonho que eu, mais garra que eu, mais tempo de estrada e talvez elas sejam melhores, mais criativas, menos assustadas, mais confiantes. Melhores. Talvez elas tenham vivido mais que eu, elas te prendam mais, elas te convencem mais. O que eu posso te convencer? Eu sou só uma menina que nunca viveu nada, que tem o rei na barriga e que escreve narrações românticas. I.d.e.a.l.i.z.a.d.a.s. O que eu escrevo de real são lamentações chatas que ninguém quer saber; dúvidas da idade que todo mundo já teve; nada concreto, nada interessante. Céus! Eu nem sei acentuar minhas palavras e pontuar meus textos como posso querer passar naquela prova de final de ano e publicar livros?

Como eu posso duvidar de maneira tão ridícula de mim mesma?

Se eu escrever o curso errado naqueles quadradinhos tudo bem, são só letras. Se eu não passar tudo bem, prova tem todo ano, várias importantes e um dia eu passo. Se eu passar e não gostar não tem importância eu tento novamente, me informo melhor e faço o que eu gosto. Se eu não arrumar emprego? Eu vou arrumar emprego, eu sou inteligente e posso muito bem cair de cabeça no mundo real para viver que nem adulta, eu vou ter preparo, eu vou ter maturidade. Porque pensar neste futuro se eu não posso fazer nada antes de o presente virar passado? Deixe-me arrumar o que esta ao meu alcance com o futuro eu me preocupo quando chegar a hora.

Eu sou boa, se tem outros com mais estrada, mais coragem, mais vivencia, mais enredo tudo bem. Não importa porque no fim quem tem mais futuro sou eu! Posso ser pouca coisa, mas o que eu já sou vai me levar muito mais adiante. A prática leva a perfeição, o estudo leva ao conhecimento. Eu vou conhecer, vou aprender, vou praticar e vou vencer.

13 de setembro de 2008

Fuga

Uma vontade que me consome, é como se eu precisasse fugir, então eu saio e começo a andar, não importa a direção, eu sinto como se precisasse andar sem parar, sem direção, mas eu sempre paro, volto, sempre vou a alguma direção conhecida, a algum lugar que fique por perto. É como se eu quisesse fugir dos meus problemas, mas eu não consigo e no fundo eu talvez nem tenha problemas, só sei que o que quer que eu tenha me incomoda e é por isso que eu tento fugir, só que não consigo, o que eu tenho me acompanha a cada passo que eu dou. Eu acho que é apenas alguma necessidade de parar de ouvir aquilo que ouço, aquela conversa que me incomoda, aqueles argumentos que eu sei como rebater, mas não posso ou não quero porque prefiro evitar uma briga, algo ainda maior do qual eu teria de fugir.

Andar me faz pensar e repensar o que estiver me incomodando, as vezes nem tem nada, mas aquela vontade de sair para andar me consome e eu não consigo fazer nada até começar a caminhar, então eu fico aliviada e até melhor. Penso eu para e sentar em qualquer lugar, apenas ficar ali pensando, como eu fazia na Praia, no Meu Canto Da Praia, mas aqui em São Paulo não há Praia, não há Canto distante, há Canto próximo, mas nem sempre é o que eu procuro e não é tão confortável quanto o Canto Da Praia. Eu saio para andar e nem sei por que, para pensar, mas não sei sobre o que,, é como quando eu quero escrever e paro em frente ao computador, mas não sei o que digitar, outras vezes as frases saem prontas, rapidamente e involuntariamente.

Talvez em meio a essa bagunça da vida paulista escrever, pensar e fugir seja a única maneira de me manter sã.

12 de setembro de 2008

Desabafo

Uma página em branco e no coração uma batida forte. Vontade de escrever, de tirar do peito essa sensação de querer falar e não conseguir. Mas as palavras não saem e a sensação de impotência aumenta. É como se eu não soubesse sobre o que falar. O que escrever? Um romance? Um desabafo? Escrever uma história sobre o que? Eu quero escrever algo real, mas ainda não vivi nada interessante o suficiente para por no papel. Desabafar o que se não vivi se quer algo notável o suficiente para me angustiar?

Talvez seja esse o problema, talvez eu apenas queira ter o que falar, o que escrever, talvez eu apenas queira viver.


~ ~ ~


Ás vezes me pego sonhando, nada romântico como de costume, um sonho real, um desejo, uma necessidade, um viagem. Longe, por todos os cantos, sair sem planejar nem olhar para trás, viver o que acontecer, sentir saudades, sentir a liberdade. Fugir.



30 de agosto de 2008

Sonhos reais



Eu me pego sem nada para fazer, resolvo pensar, mas então me pego sem saber o que pensar, com a mente vazia e logo começo a me analisar. É inevitável, faz parte de mim, me faz bem. Como sempre em poucos minutos de auto analise chego em uma resposta para minha condição e ela é mais simples e óbvia do que eu pensava. Meu problema é que eu cansei de sonhar. Toda minha vida vivi mergulhada em sonhos impossíveis que nunca vão se realizar, até agora nenhum se realizou, sonhos de criança, só sonhos. Eu quero mais! Eu preciso de mais! Eu tenho vontades, desejos, reais e medo, medo de que como meus sonhos esses desejos nunca se realizem. Tenho medo de parar de sonhar e olhar ao redor me sentindo uma adulta cética, como tantos outros adultos, que nunca realizaram seus sonhos, mas tem ótimas carreiras e famílias perfeitas. Isso sim é irreal, são apenas aparências. Eu quero viver, mesmo que só coisas tristes e imperfeitas, mas eu quero viver e ver meus sonhos se realizarem, meus desejos reais se realizarem. Quero entrar na faculdade que eu sempre sonhei, quero ter um romance cão e gato, quero achar alguém que me ame, quero fazer alguma loucura sem me arrepender depois. Mas aí vem o medo. Medo de não ter ninguém por aí que goste de mim como eu sou, medo de me arrepender das minhas maluquices, medo de não entrar na faculdade. Medo de que todos esses sonhos, que no vazio do desespero se tornaram desejos mais reais, e eu fique ali jogada no chão cheia de desilusões assistindo a felicidade alheia eternamente, por medo de ser feliz também. Eu precisava de um sonho, ou desejo real, realizado para me agarrar com todas as minhas forças a essa evidencia, de que tudo é possível, até para mim, para voltar a sonhar, e não mais desejar, sem medo. Preciso de algo real para parar de pensar besteiras ridículas e impossíveis, para parar de enlouquecer e definhar aos poucos. Para parar de sentir esse vazio, que no momento, enche minha cabeça e minha mente.

29 de agosto de 2008

A fé no ser


Talvez tudo aconteça por um motivo, nada de destino ou coincidência, é algo entre esses dois. Nunca fui de pensar muito nisso, nunca acreditei em destino, nem em coincidência, acreditava sim em sorte, mas comecei a repensar as coisas e cheguei à conclusão de que tudo acontece por uma razão.
As coisas sempre aconteceram na minha vida e eu nunca parei para me perguntar sobre as conseqüências, se aquilo era uma conseqüência ou se teria conseqüências. Quando parei para pensar sobre isso percebi que tudo esta interligado por uma linha. Essa linha esta crescendo, sobre o presente só saberemos no futuro, ou talvez até faça sentido por causa do passado.
Gosto de acreditar que se uma coisa boa que eu queria que acontecesse não me aconteceu é porque uma muito melhor esta por vir. O problema é que pensando assim eu acabo ficando na expectativa e apenas quando me desligo é que as coisas acontecem. É bom desligar e apenas sentir, já dizia Alberto Caeiro: viver é sentir e apenas sentir. Mas é difícil, somos humanos e nos humanos por mais simples que seja a pessoa ela pensa e esta sempre ligada, no meu caso eu me conecto direto aos 220 sem pausa para respiração entre um sonho e outro. Acho que é esse o ponto, eu acredito que se não aconteceu agora é porque virá com mais força depois para poder acreditar no depois, imaginar a coisa acontecendo de forma mais intensa no futuro. Eu acredito que tudo acontece por uma razão para alimentar meus sonhos.
E se as coisas não acontecerem por uma razão? E se elas acontecerem simplesmente por culpa do acaso? E se as coisas que não acontecerem agora simplesmente nunca venham a acontecer no futuro? Eu sei que já presenciei, já fiz coisas, que na hora não fizeram nenhum sentido, mas depois fez, e é por isso que eu acredito, mas acreditar não me faz cega e às vezes eu duvido. Quando demora demais, quando eu espero demais, quando eu não vejo e não esqueço.
É fácil duvidar das crenças quando elas não nos convêm e mais fácil ainda se apegas a elas com força quando precisamos, mas continuar ali, sempre acreditando, é uma prova de fé. Eu quero acreditar que há algo maior lá fora me esperando para me dar em dobro aquilo com que sempre sonhei, mas que nunca consegui conquistar, talvez tenha sido o medo ou a timidez que me impediu, talvez seja por isso que nunca conquistei. Talvez eu devesse parar de acreditar e sonhar e passar a agir um pouco mais. Sempre achei que esse fosse meu maior problema, ficar esperando e nunca agir. Acho que é uma boa hora para começar a agir, afinal não preciso duvidar das minhas crenças para agir. Sempre dei minha cara a tapa pelos outros, já me queimei e me aborreci por defender causas impossíveis, ou quem não merece e nunca me arrependi de nenhuma dessas defesas, nenhum desses tapas ou queimaduras, porque não posso fazer assim comigo? Porque não posso dar a minha cara a tapa por mim mesma? Afinal, vergonha do que eu tenho? Medo de quem? Da opinião alheia? Foda-se a opinião alheia, quem se importa com esse bando de juízes hipócritas que temos por ai? Não procuro justiça, procuro prazer se você quer me julgar por estar/ser feliz sendo eu mesma e fazendo o que eu quero boa sorte, eu não me importo.
Eu não me importo. Esse era meu mantra para com os outros sobre coisas chatas, porque não transformá-lo em um mantra para comigo sobre as coisas que vou fazer? As coisas podem acontecer por um motivo, mas elas tem que acontecer, não posso esperar elas acontecerem, não posso esperar que caia o dobro no meu colo sem fazer nada. Se as coisas acontecem por um motivo, vamos dar um bom motivo a elas.

28 de junho de 2008

Mestres

Não é que não gosto, é que não vou com a cara, não acho nada demais, me da nos nervos que todos elogiem tanto algo tão sem graça.

Mas aí vem a época, vem as entrelinhas, vem a graça. Tudo aquilo que não enxerguei.

Aí eu me toco que é inveja!

Inveja dele que inovou de uma maneira revolucionaria numa época tão antiga, que tinha como objetivo não contar um conto, mas fazer uma critica, te botar para pensar. Eu não te boto para pensar. Inveja sim! Inveja de uma pessoa que se sobre saiu diante de todas as dificuldade que teve que enfrentar, que é ensinada, mas sem ser de fato entendida, por que era tão complexa que ninguém conseguiu realmente decifrar. Inveja dele que fazia sua arte e criticava numa época tão repressiva, mas que era tão sutil que nunca foi castigado. Que era tão perfeito que ninguém sabia se era real. Inveja dele que escrevia com tantos adornos que quase ninguém entende quase ninguém gosta. Inveja dele que escrevia sobre nada, mas descrevia um nada incrível.

Inveja de você porque eu sei que nunca chegarei aos seus pés.

Inveja de você Machado, de você Gil, de você José, de você Olavo, de vocês todos.

Uma homenagem a todos os autores da língua portuguesa que eu detesto admitir, mas são gênios como eu se quer tenho a ousadia de sonhar em ser.

14 de abril de 2008

Definindo o indefinivél



Eu mudo de idéia a cada minuto e sou uma pessoa diferente a cada segundo.
Eu ignoro minha infelicidade para alegrar os outros, mas também fico estranha só para chamar atenção.
Eu sou vaidosa, não sou obsessiva, sei o que é importante. Sou medrosa e odeio ouvir não, mas às vezes tomo coragem e engulo sem reclamação.
Eu sou infantil, risonha, mas sei brigar, ainda mais pelos outros, e sempre defendo o que acredito. Gosto de ter muitos amigos e tenho medo de perder o mais distante que seja, por isso às vezes sou obsessiva, mas acho que hoje em dia controlo melhor.
Eu adoro me apaixonar, mas agora meu coração esta branco, aprendeu a direcionar minha imaginação cheia de amores platônicos para meus contos lotados de romance e drama. A leitura anda atrasada e este ano só livro de vestibular e grandes nomes, claro quando não estiver estudando.
Eu adoro liberdade e independência, vejo com sofrimento e alegria este ultimo ano do colégio, vou crescer e deixar de ser a garota que brincava de barbie e lia Harry Potter para me tornar a moça que usa maquiagem e salto alto.
Eu vou estudar para fazer algo que quero, não que preciso, vou me tornar adulta!
Eu amo a sensação de ter isto chegando, mas sinto um aperto no coração de medo do futuro que se estende na minha frente.
Tão perto, tão longe.
Tão certo, tão nebuloso.
Eu sei que este ano é o fim.
Eu preciso que acabe.
Eu prefiro que continue.
Eu quero tudo, mas ainda não sei o que terei.

5 de março de 2008

Confuso sonho meu



Voar em sonho?
Sou sonhadora
Ver igreja?
Boa sorte jogadora
Amar sem conhecer?
Há. Nem eu sei essa.

Nos arredores de uma igreja, vejo uma um rosto conhecido. Família. Vou cumprimentar. Alguém chega primeiro. Reconheço. Fujo. Ando rápido em direção ao amigo que vem ao meu encontro. Não deu tempo.
- Hey! Você! – uma voz as minhas costas me chama.
Na verdade não tenho idéia de que voz era aquela, mas sabia que era a dele. Só ele que iria me chamar naquele sonho. Só em sonho. Não me viro. Olho para meu amigo, ele esta sentado agora e me olha com ternura. Faço uma careta dizendo sem voz:
- Não! Não! Não!
Ele da os ombros e sorri. Um sorriso bonito. Mas aquele não era sorriso do meu amigo. Não era o rosto do meu amigo. Nunca foi. Eu sabia que era ele, mas a aparência nem eu sabia de quem era. No sonho isso não me abalou. Sabendo não ter como fugir me viro fingindo a graciosidade que na verdade me falta naquele instante. O conhecido para perto de mim e me encara. Sim era ele, o alvo de minha paixão platônica consciente.
- Oi! – digo enquanto me viro para ele.
- Oi – então ficamos uns minutos nos encarando.
Era até bonito o modo que ele me dava “oi” sem nem imaginar que era o alvo dos meus sonhos. Parecia tão inocente com aquele sorriso doce. E eu estava totalmente nervosa perto dele. Depois de tanto tempo.
- Sabe? Agora que eu estou casado pensei em uma coisa maluca – eu tentava assimilar a coisa de estar falando com ele, não deu tempo de processar a palavra casado – te chamar para sair, para jantar – diz ele casualmente. Como se traísse a esposa dele sempre. Sair? Eu e ele?
- Você esta casado? – perguntei eu quando na verdade iria dizer algo como: Chama. Mas ele estava casado! Céus! Agora havia caído a ficha. Antes mesmo de eu perceber.
- É, a Maria e o Eduardo são casados – o casal aparece logo atrás dele, mas era ofuscado pelo sol forte.
Ele se quer conhece a Maria e o Eduardo na verdade. Ele não casou, não que eu saiba e se tivesse nunca faria aquilo. Talvez fosse um desejo inconsciente meu: que ele largasse tudo para ficar comigo. Mas no fundo aquele diálogo não tinha muito sentido e eu desisti de entender, depois de alguns dias.
De repente me vejo sentada no mesmo muro de meu amigo, ao lado do meu amigo. Minha paixão esta sentada logo a frente, creio eu que com alguns amigos e acho até que meu irmão estava no meio. Fico olhando para ele, para o alvo, como se esperasse ele vir falar comigo, como se quisesse ele mesmo que ele fosse proibido. Parecia até que o queria mais.
Do nada uma angustia se apodera da minha alma olho para os lados e vejo ele tão inalcançável também me encarando como se se divertisse com aquilo. Saio correndo tentando conter as lagrimas em busca do meu amigo, aquele que com certeza me consolaria, mas que eu não achava em lugar algum. Desespero. Procuro por todos os lados, precisava dele, queria distancia da minha paixão.
Ladrões, saqueadores. Figuras estranhas que queriam me fazer mal aparecem na minha frente. Olhos para os lados, tento fugir. Procuro meu amigo. Nada. Então de repente a minha paixão aparece e derrota os ladrões deixando o caminho livre para mim e sumindo tão rápido quanto apareceu.
Vejo-me caminhando sozinha, sentindo-me perdida sem meu amigo ali ao meu lado, como se o tivesse perdido para sempre. Meu peito doía e chamava por ele, sabia que havia machucado-o e isso me machucava. A ausência dele, a dor dele.
Mais adiante no caminho ainda procurando com os olhos tanto minha paixão quanto meu amigo, não vejo nenhum dos dois. Precisava do meu amigo, desejava minha paixão. Ao meu lado aparecem dois primos, quase irmãos, todos eles são. Continuo andando e agora a aparência do meu amigo no meu sonho é a do meu primo. Era a mesma pessoa sem de fato ser a mesma pessoa e eu sabia disso. Minha prima era a mesma e queria ir ao banheiro. Um carro passou, ele estava dentro e meu olhou, até falou algo que não pude ouvir. Sugeri o lugar dele, onde ele estava, minha paixão, para ela ir ao banheiro. Eu desejava apenas vê-lo, mesmo sabendo que aquilo muito provavelmente me faria mal. Continuamos a andar, eu e meus primos, eu não sabia se iria ver minha paixão, meu amigo ou se apenas iria para casa. Mas tudo bem porque eles estavam do meu lado, meus primos e amigos verdadeiros (mesmo que estes não estivessem fisicamente ali) e eu sabia que nunca iriam me abandonar.

3 de março de 2008

Depressivo tudo

Eu fui dormir e sonhei com os anjos.
Eu acordei e dei de cara com o final.

Quando você enxerga de repente o que há tempos evitava ver acaba descobrindo porque a final evitava ver. Eu evitei porque sabia da tristeza e do aperto que isso me daria. Dito e feito. Meu coração apertado se contorceu junto com meu corpo deitada no colchão macio e vazio. Doía muito e eu não podia fazer nada. Aquela descoberta aquela falta de tudo. Aquela situação que fez meus pés saírem do chão. Porque o chão não estava mais ali.

Quando você acorda e alguém lhe diz de maneira simples que outra pessoa acabou, mesmo uma pessoa não tão presente, você sobrevive, mesmo depois se perdendo. Eu acordei e vi que alguém tinha partido, era simples e previsível, na hora foi fácil lidar, mas doeu depois que pensei sobre isso. Ela que sempre foi simples e vivida, que sempre foi um exemplo a ser seguido. Doeu saber que ela nunca fez meu coração contorcer, mas fazia agora. Doeu saber que ela tinha acabado.

Quando você anda pensativa e vem a sua mente lembranças de um tempo feliz você sorri, não pelo tempo em si, mas pela maneira que se sentia ali, pela companhia que tinha lá.Essa companhia te traiu, você não devia sentir falta dela, mas sente. Eu andava e sorria sentindo o vento gelado no meu rosto e quase que querendo lembrei dela. Aquela que acreditava em mim, que fingia ou sinceramente fazia de tudo por um sorriso meu. Aquela que me traiu e que eu sinto falta porque ela me fazia bem e me conhecia. Meu coração doeu e minha mente sofreu quando ela me traiu. Justo eu.

Tudo de uma vez só tudo de um modo rápido. Tento achar felicidades em meio aos meus cacos jogados no chão. Esta difícil. Quero falar, mas não sai nada. Quero chorar, mas dói demais até para isso. Difícil saber o que se sobressai, mas tudo junto e sem resolução me faz...
Me faz...


Ai!

7 de fevereiro de 2008

Coragem, loucura, medo.

Doce e insano o desejo que corre escondido por minhas tantas veias.
Perigoso e saboroso: Jogar tudo para o alto e fugir sentindo no rosto a suave brisa da liberdade, fuga esta que me daria tudo o que não encontro aqui, mesmo que ainda não saiba o que é.
Tédio!
Talvez, coragem para fazer tudo o que minha educação rigorosa e meu medo, do perfeito logo acima, ou do desastroso logo abaixo, me impedem.
Vontade de fugir da vida de menina boa, mudar radicalmente e me tornar algo inimaginável.
Ser má só por diversão é pecado?
E o querer conta alguma coisa?
O já feito me deu gosto de quero mais, era doce, me deixava feliz. Talvez não seja pecado.
Rá! Isso não me importa. Fiz. Saboreei. Quero mais.
O pecado já não me assusta, que venha o inferno! Pior do que aqui? Provavelmente, mas não posso ir para um lugar que não acredito existir.
Bláh! Discussão religiosa nunca tem fim e agora estou sem paciência.
Olho dentro da minha consciência.
SOCORRO!
Ela me condena.
Ela é minha pior inimiga.
Não pequei quando fiz o desprezível, pequei quando senti um sorriso nos meus lábios e satisfação dentro de mim.Alguém aí sabe se somos capazes de viver sem consciência? Porque a minha já foi programada para me condenar e isso me impede de sair e me divertir.