5 de março de 2008

Confuso sonho meu



Voar em sonho?
Sou sonhadora
Ver igreja?
Boa sorte jogadora
Amar sem conhecer?
Há. Nem eu sei essa.

Nos arredores de uma igreja, vejo uma um rosto conhecido. Família. Vou cumprimentar. Alguém chega primeiro. Reconheço. Fujo. Ando rápido em direção ao amigo que vem ao meu encontro. Não deu tempo.
- Hey! Você! – uma voz as minhas costas me chama.
Na verdade não tenho idéia de que voz era aquela, mas sabia que era a dele. Só ele que iria me chamar naquele sonho. Só em sonho. Não me viro. Olho para meu amigo, ele esta sentado agora e me olha com ternura. Faço uma careta dizendo sem voz:
- Não! Não! Não!
Ele da os ombros e sorri. Um sorriso bonito. Mas aquele não era sorriso do meu amigo. Não era o rosto do meu amigo. Nunca foi. Eu sabia que era ele, mas a aparência nem eu sabia de quem era. No sonho isso não me abalou. Sabendo não ter como fugir me viro fingindo a graciosidade que na verdade me falta naquele instante. O conhecido para perto de mim e me encara. Sim era ele, o alvo de minha paixão platônica consciente.
- Oi! – digo enquanto me viro para ele.
- Oi – então ficamos uns minutos nos encarando.
Era até bonito o modo que ele me dava “oi” sem nem imaginar que era o alvo dos meus sonhos. Parecia tão inocente com aquele sorriso doce. E eu estava totalmente nervosa perto dele. Depois de tanto tempo.
- Sabe? Agora que eu estou casado pensei em uma coisa maluca – eu tentava assimilar a coisa de estar falando com ele, não deu tempo de processar a palavra casado – te chamar para sair, para jantar – diz ele casualmente. Como se traísse a esposa dele sempre. Sair? Eu e ele?
- Você esta casado? – perguntei eu quando na verdade iria dizer algo como: Chama. Mas ele estava casado! Céus! Agora havia caído a ficha. Antes mesmo de eu perceber.
- É, a Maria e o Eduardo são casados – o casal aparece logo atrás dele, mas era ofuscado pelo sol forte.
Ele se quer conhece a Maria e o Eduardo na verdade. Ele não casou, não que eu saiba e se tivesse nunca faria aquilo. Talvez fosse um desejo inconsciente meu: que ele largasse tudo para ficar comigo. Mas no fundo aquele diálogo não tinha muito sentido e eu desisti de entender, depois de alguns dias.
De repente me vejo sentada no mesmo muro de meu amigo, ao lado do meu amigo. Minha paixão esta sentada logo a frente, creio eu que com alguns amigos e acho até que meu irmão estava no meio. Fico olhando para ele, para o alvo, como se esperasse ele vir falar comigo, como se quisesse ele mesmo que ele fosse proibido. Parecia até que o queria mais.
Do nada uma angustia se apodera da minha alma olho para os lados e vejo ele tão inalcançável também me encarando como se se divertisse com aquilo. Saio correndo tentando conter as lagrimas em busca do meu amigo, aquele que com certeza me consolaria, mas que eu não achava em lugar algum. Desespero. Procuro por todos os lados, precisava dele, queria distancia da minha paixão.
Ladrões, saqueadores. Figuras estranhas que queriam me fazer mal aparecem na minha frente. Olhos para os lados, tento fugir. Procuro meu amigo. Nada. Então de repente a minha paixão aparece e derrota os ladrões deixando o caminho livre para mim e sumindo tão rápido quanto apareceu.
Vejo-me caminhando sozinha, sentindo-me perdida sem meu amigo ali ao meu lado, como se o tivesse perdido para sempre. Meu peito doía e chamava por ele, sabia que havia machucado-o e isso me machucava. A ausência dele, a dor dele.
Mais adiante no caminho ainda procurando com os olhos tanto minha paixão quanto meu amigo, não vejo nenhum dos dois. Precisava do meu amigo, desejava minha paixão. Ao meu lado aparecem dois primos, quase irmãos, todos eles são. Continuo andando e agora a aparência do meu amigo no meu sonho é a do meu primo. Era a mesma pessoa sem de fato ser a mesma pessoa e eu sabia disso. Minha prima era a mesma e queria ir ao banheiro. Um carro passou, ele estava dentro e meu olhou, até falou algo que não pude ouvir. Sugeri o lugar dele, onde ele estava, minha paixão, para ela ir ao banheiro. Eu desejava apenas vê-lo, mesmo sabendo que aquilo muito provavelmente me faria mal. Continuamos a andar, eu e meus primos, eu não sabia se iria ver minha paixão, meu amigo ou se apenas iria para casa. Mas tudo bem porque eles estavam do meu lado, meus primos e amigos verdadeiros (mesmo que estes não estivessem fisicamente ali) e eu sabia que nunca iriam me abandonar.

3 de março de 2008

Depressivo tudo

Eu fui dormir e sonhei com os anjos.
Eu acordei e dei de cara com o final.

Quando você enxerga de repente o que há tempos evitava ver acaba descobrindo porque a final evitava ver. Eu evitei porque sabia da tristeza e do aperto que isso me daria. Dito e feito. Meu coração apertado se contorceu junto com meu corpo deitada no colchão macio e vazio. Doía muito e eu não podia fazer nada. Aquela descoberta aquela falta de tudo. Aquela situação que fez meus pés saírem do chão. Porque o chão não estava mais ali.

Quando você acorda e alguém lhe diz de maneira simples que outra pessoa acabou, mesmo uma pessoa não tão presente, você sobrevive, mesmo depois se perdendo. Eu acordei e vi que alguém tinha partido, era simples e previsível, na hora foi fácil lidar, mas doeu depois que pensei sobre isso. Ela que sempre foi simples e vivida, que sempre foi um exemplo a ser seguido. Doeu saber que ela nunca fez meu coração contorcer, mas fazia agora. Doeu saber que ela tinha acabado.

Quando você anda pensativa e vem a sua mente lembranças de um tempo feliz você sorri, não pelo tempo em si, mas pela maneira que se sentia ali, pela companhia que tinha lá.Essa companhia te traiu, você não devia sentir falta dela, mas sente. Eu andava e sorria sentindo o vento gelado no meu rosto e quase que querendo lembrei dela. Aquela que acreditava em mim, que fingia ou sinceramente fazia de tudo por um sorriso meu. Aquela que me traiu e que eu sinto falta porque ela me fazia bem e me conhecia. Meu coração doeu e minha mente sofreu quando ela me traiu. Justo eu.

Tudo de uma vez só tudo de um modo rápido. Tento achar felicidades em meio aos meus cacos jogados no chão. Esta difícil. Quero falar, mas não sai nada. Quero chorar, mas dói demais até para isso. Difícil saber o que se sobressai, mas tudo junto e sem resolução me faz...
Me faz...


Ai!