30 de agosto de 2008

Sonhos reais



Eu me pego sem nada para fazer, resolvo pensar, mas então me pego sem saber o que pensar, com a mente vazia e logo começo a me analisar. É inevitável, faz parte de mim, me faz bem. Como sempre em poucos minutos de auto analise chego em uma resposta para minha condição e ela é mais simples e óbvia do que eu pensava. Meu problema é que eu cansei de sonhar. Toda minha vida vivi mergulhada em sonhos impossíveis que nunca vão se realizar, até agora nenhum se realizou, sonhos de criança, só sonhos. Eu quero mais! Eu preciso de mais! Eu tenho vontades, desejos, reais e medo, medo de que como meus sonhos esses desejos nunca se realizem. Tenho medo de parar de sonhar e olhar ao redor me sentindo uma adulta cética, como tantos outros adultos, que nunca realizaram seus sonhos, mas tem ótimas carreiras e famílias perfeitas. Isso sim é irreal, são apenas aparências. Eu quero viver, mesmo que só coisas tristes e imperfeitas, mas eu quero viver e ver meus sonhos se realizarem, meus desejos reais se realizarem. Quero entrar na faculdade que eu sempre sonhei, quero ter um romance cão e gato, quero achar alguém que me ame, quero fazer alguma loucura sem me arrepender depois. Mas aí vem o medo. Medo de não ter ninguém por aí que goste de mim como eu sou, medo de me arrepender das minhas maluquices, medo de não entrar na faculdade. Medo de que todos esses sonhos, que no vazio do desespero se tornaram desejos mais reais, e eu fique ali jogada no chão cheia de desilusões assistindo a felicidade alheia eternamente, por medo de ser feliz também. Eu precisava de um sonho, ou desejo real, realizado para me agarrar com todas as minhas forças a essa evidencia, de que tudo é possível, até para mim, para voltar a sonhar, e não mais desejar, sem medo. Preciso de algo real para parar de pensar besteiras ridículas e impossíveis, para parar de enlouquecer e definhar aos poucos. Para parar de sentir esse vazio, que no momento, enche minha cabeça e minha mente.

29 de agosto de 2008

A fé no ser


Talvez tudo aconteça por um motivo, nada de destino ou coincidência, é algo entre esses dois. Nunca fui de pensar muito nisso, nunca acreditei em destino, nem em coincidência, acreditava sim em sorte, mas comecei a repensar as coisas e cheguei à conclusão de que tudo acontece por uma razão.
As coisas sempre aconteceram na minha vida e eu nunca parei para me perguntar sobre as conseqüências, se aquilo era uma conseqüência ou se teria conseqüências. Quando parei para pensar sobre isso percebi que tudo esta interligado por uma linha. Essa linha esta crescendo, sobre o presente só saberemos no futuro, ou talvez até faça sentido por causa do passado.
Gosto de acreditar que se uma coisa boa que eu queria que acontecesse não me aconteceu é porque uma muito melhor esta por vir. O problema é que pensando assim eu acabo ficando na expectativa e apenas quando me desligo é que as coisas acontecem. É bom desligar e apenas sentir, já dizia Alberto Caeiro: viver é sentir e apenas sentir. Mas é difícil, somos humanos e nos humanos por mais simples que seja a pessoa ela pensa e esta sempre ligada, no meu caso eu me conecto direto aos 220 sem pausa para respiração entre um sonho e outro. Acho que é esse o ponto, eu acredito que se não aconteceu agora é porque virá com mais força depois para poder acreditar no depois, imaginar a coisa acontecendo de forma mais intensa no futuro. Eu acredito que tudo acontece por uma razão para alimentar meus sonhos.
E se as coisas não acontecerem por uma razão? E se elas acontecerem simplesmente por culpa do acaso? E se as coisas que não acontecerem agora simplesmente nunca venham a acontecer no futuro? Eu sei que já presenciei, já fiz coisas, que na hora não fizeram nenhum sentido, mas depois fez, e é por isso que eu acredito, mas acreditar não me faz cega e às vezes eu duvido. Quando demora demais, quando eu espero demais, quando eu não vejo e não esqueço.
É fácil duvidar das crenças quando elas não nos convêm e mais fácil ainda se apegas a elas com força quando precisamos, mas continuar ali, sempre acreditando, é uma prova de fé. Eu quero acreditar que há algo maior lá fora me esperando para me dar em dobro aquilo com que sempre sonhei, mas que nunca consegui conquistar, talvez tenha sido o medo ou a timidez que me impediu, talvez seja por isso que nunca conquistei. Talvez eu devesse parar de acreditar e sonhar e passar a agir um pouco mais. Sempre achei que esse fosse meu maior problema, ficar esperando e nunca agir. Acho que é uma boa hora para começar a agir, afinal não preciso duvidar das minhas crenças para agir. Sempre dei minha cara a tapa pelos outros, já me queimei e me aborreci por defender causas impossíveis, ou quem não merece e nunca me arrependi de nenhuma dessas defesas, nenhum desses tapas ou queimaduras, porque não posso fazer assim comigo? Porque não posso dar a minha cara a tapa por mim mesma? Afinal, vergonha do que eu tenho? Medo de quem? Da opinião alheia? Foda-se a opinião alheia, quem se importa com esse bando de juízes hipócritas que temos por ai? Não procuro justiça, procuro prazer se você quer me julgar por estar/ser feliz sendo eu mesma e fazendo o que eu quero boa sorte, eu não me importo.
Eu não me importo. Esse era meu mantra para com os outros sobre coisas chatas, porque não transformá-lo em um mantra para comigo sobre as coisas que vou fazer? As coisas podem acontecer por um motivo, mas elas tem que acontecer, não posso esperar elas acontecerem, não posso esperar que caia o dobro no meu colo sem fazer nada. Se as coisas acontecem por um motivo, vamos dar um bom motivo a elas.