20 de agosto de 2009

Borboletas no meu estômago

...Algumas horas no meu ventre, outras vai subindo pela garganta.
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Não sei se o motivo é nervosismo de vestibulanda, ou o que meu irmão disse sobre eu ser medrosa demais, ou essa minha nova paixãozinha platônica pelo bonitinho. Claro, sempre tem a opção de ser apenas ansiedade, porque eu estaria ansiosa é que eu não sei.
Engraçado pensar que é nervosismo de vestibulanda, eu sempre fui tão calma nas provas por aí, só ficava nervosa quando começavam a estudar perto de mim e eu não sabia a matéria. Talvez eu só esteja nervosa porque a data de inscrição está chegando e eu estou com medo de não saber nada e ainda assim a inércia não me deixa fazer mais nada de mais. Hoje eu vi uma menina com a apostila de exercícios cheia de papéis presos com clipes e mostrando-se realmente usada. Meu coração deu um nó na minha garganta.
Logo depois disso o professor comentou algo sobre nunca desprezar um feio, de acordo com ele é melhor beijar um feio do que ver dois bonitos se beijando. Talvez ele tenha razão. Logo depois disso atrás de mim um menino, que eu sei ser amigo do meu bonitinho, comentou algo com outro amigo dele. Não ouvi tudo, pois as risadas da sala e a minha não permitiram, mas o que eu ouvi foi algo sobre umas pessoas, lembro dele dizer que era uma menina, mas acho que essa parte é só fruto da minha memória seletiva, de qualquer modo ele disse que umas pessoas pensavam que um amigo dele era gay e ele não sabiam de onde tiraram isso já que esse amigo dele não era gay. Eu tive que segurar o riso, uma vez que eu tenho bastante certeza, ainda mais agora, que o bonitinho já me ouviu comentar com um amigo meu sobre meu bonitinho ser gay. Eu acho que ele sabe que ele é o bonitinho e que eu acho que ele é gay. Só não sei se o amigo se referia a ele na conversa e/ou se a conversa foi proposital. Foi um pouco ruim isso, quer dizer, agora o problema não é ele e as escolhas de e sim eu e a minha falta de coragem para mostrar a ele uma de suas opções.
O que me lembra do meu irmão agora a pouco me dizendo que meu problema é medo. Medo de tudo, de dar a cara a tapa. Eu que sempre me julguei bastante corajosa, que vivo defendendo meus amigos e encrencando... Talvez ele tenha querido dizer que eu tenho medo de mostrar meus sentimentos, de ser errada e dar errado, de me mostrar e ser julgada do mesmo modo que eu julgo os outros. É, ele tem razão. Eu acho que ando trabalhando nisso, acho que esse ano tenho um pouco menos de medo da opinião alheia, mas que ainda morro de medo do julgamento dos meus pais. Acho que meu problema não é mostrar meus sentimentos e sim o medo de que eles não sirvam para nada, não demonstrem nada e acabem me traindo deixando meu ego ferido, minha auto estima abaixo de zero e minha insegurança acima de cem, o pior é que eu nem sei quando isso começou, se ela tem algo haver ou não.
Também pensou que esse friozinho pode ser ansiedade, parece que alguma coisa vai acontecer, eu não sei o que é, ou se vai mesmo acontecer. Talvez eu quero acreditar nisso porque minha vida anda muito parada e eu não quero sonhar tão alto e tão real como da ultima vez para mover ela um pouco.

Pode ser tudo junto, sempre pode. Pode ser porque eu vejo minha amigas vivendo a vida de faculdade delas enquanto eu fico nesse limbo, sabe-se lá por quanto tempo, o pior é que elas não entenderia porque nenhuma delas passou por aqui. As vezes penso em mudar de carreira, escolher uma mais fácil só para passar logo e acabar com isso, mas mais uma vez tenho medo de não gostar da escolha fácil. Eu não costumo dar valor as facilidades. Mas escrever acalma as borboletas, me da um nozinho na garganta...

...Estou começando a achar
...Que as borboletas estão a voar
...Querendo me recordar
...Que de vez em quando é bom chorar.

Eu sempre achei que as lágrimas lavam o corpo e limpam a alma. Me dê um motivo, só um e eu acho que me rendo as borboletas, acho que depois vou me sentir melhor

18 de agosto de 2009

Limbo

De repente um medo toma conta do meu peito e um desespero insano me domina.
A simples visualização de uma data faz com que eu perca o ar e comece a pensar no meu futuro incerto. Só depende de mim, todo um ano voltado para o fim do ano, voltado mais especificamente para um dia no fim de novembro, se não der certo não vai ser só um ano perdido, vão ter também as comparações com gigante logo acima, vai ter mais um ano no limbo, vai ter meu ego murcho, minha auto-estima abaixo de zero, meus sonhos cheios de desilusões.
Pensar nisso me dá um no na garganta, uma fraqueza nas pernas, eu não quero pensar que vai dar errado, mas é impossível não se perguntar: E se...? Meu estômago congela e as borboletas dentro dele alçam vôo a mil por hora.
Todo mundo já está lá, mas todo mundo que está lá não está onde eu quero estar. Por quê eu tenho que almejar aquilo que é mais difícil? Por que eu não posso simplesmente pensar no hoje e ser feliz agora? É tão cedo para pensar no futuro!
O que vou ser quando crescer? Pergunte para o "eu" crescido o que ele é!
Se ele der uma resposta e sorrir feliz e realizado, por favor, me conte. Quero seguir os caminhos dele, seria mais fácil levar o presente sabendo do futuro.
Poderia não ter a mesma emoção, mas pense bem comigo: Se você soubesse agora que lá na frente você seria uma advogada de sucesso, ou uma médica competente, você não teria muito mais facilidade em lidar com os seus 17/18/19 anos? Gostaria de ter uma bola de cristal para a qual eu diria as escolhas que eu vou fazer agora e ela me diria que resultados a longo prazo eu teria, se fossem bons eu seguiria este caminho, se fossem ruins eu mudaria de rumo.
A felicidade não teria segredo.
O mais engraçado é que nessas horas de medo você nem pensa em batalhar para conquistar seu sonho, você já entra correndo numa igreja, faz um monte de promessas, lembretes mentai para não esquecê-las mais tarde e vai para casa relaxar um pouco porque, afinal, você também é filha de Deus.
No meu caso eu até estou batalhando, mas fico com aquele sentimento constante no peito de que não é desse jeito que eu deveria batalhar e sim de outro, mas agora já esta tarde para mudar, não vai dar tempo, mas aí vem a insegurança de persistir desse modo e sabendo que não é certo e no fim não ser mesmo, mas não tenho abola de cristal então posso estar errada. Pode ser que nem ano passado que eu achava que ia dar tudo errado e no fim quase deu certo, se eu não fosse tão ambiciosa poderia até ter dado.
Ano passado eu tinha dentro de mim uma sensação invejável, para meu eu de agora, de que eu não ia passar, já tinha pensado em quantos pontos eu iria dizer que tinha feito caso fizesse muito poucos. Ah! O ano passado faltou dois pontos! Eu não tinha problema em fazer cursinho, não tinha pressão nem nada. Ah! O ano passado faltou dois pontos.
Esse ano eu comecei com uma sensação de que agora ia, não muito forte, mas presente, agora pensar em não passar me dá um desespero que me falta ar, me faz sentir vontade de chorar e me esconder envergonhada de mim mesma. Não sei se o que eu faço esta certo, poderia passar em muita coisa, mas a essa altura do campeonato eu estou me cagando de medo! Não quero por nada nesse mundo fazer cursinho ano que vem, experimentar essa angústia, culpa por achar que não estou dando o suficiente de mim em mim mesma. Principalmente raiva! Raiva daqueles que dizem que isso é normal, que é só insegurança, que eu deveria confiar mais em mim mesma, que só o tempo dirá.
Porra eu não quero esperar o tempo! O foda é que esse é o único jeito! Por mais simulados que eu faça, mais exercícios que eu resolva, mais duvidas que eu esclareça o único modo de saber se deu certo, se valeu a pena esse ano e tudo o mais é fazer a prova e ver o resultado, o tão temido resultado.
E é também engraçado que eu tenho todo esse medo, mas que também posso me ver perfeitamente cursando uma faculdade, a visualização é melhor quando eu me imagino em outra cidade, mas ainda assim ela existe de qualquer modo. Não é igual a sensação que eu tinha ano passado, talvez porque pensar que vai dar tudo errado é mais fácil, encarar a derrota com a certeza de ter uma segunda chance livre é fácil, mas encarar a derrota sem querer é mais difícil. Eu não sei se me visualizar na faculdade é só fruto dos meus sonhos e imaginação ou se é o mesmo tipo de certeza que eu tinha do ano passado, uma certeza quase certa de verdade.
Eu acho que o vestibular a forma mais verdadeira de formar caráter porque você tem que ser persistente, otimista, desavergonhado, é a verdadeira seleção natural porque só os mais aptos passam.
Até lá....

6 de agosto de 2009

Qualquer viagem

Agora sem ter nenhuma angústia, irritação ou qualquer coisa que me faça voltar desesperada a esse espaço para aliviar meu pensamento me lembrei de algo que de fato sempre me proporcionou momentos tranqüilos e lembranças boas. Acho que pela imagem e pelo título podemos adivinhar o que seja não?
Sim, Viagem, a qualquer lugar, de qualquer tipo. Não pelos lugares, não conheço quase nada, "malema" saí do estado umas duas ou três vezes. Eu me refiro ao trajeto até chegar ao destino, seja ele qual for, perto ou longe, mesmo aqui na cidade, que para ir a algum se chega a ficar horas no trânsito.
Talvez isso me ocorra por não ser a motorista, talvez porque na minha infância e uma boa parte da adolescência eu viajei bastante. Quando criança todo final de semana quatro horas de ida e quatro de volta, tudo isso para visitar meu pai que morava na praia, outra coisa que me faz muito bem independente do tempo, diferente da viagem, já que fico um pouco angustiada diante da neblina, chuva tudo bem, mas neblina me assusta um pouco, não se vê onde vai ou o que vem. De qualquer modo eu tenho a tendencia de me sentir bem durante uma viagem, eu gosto de viajar, especialmente de ônibus, é ruim fazer isso sozinha por não saber como será a companhia, e dependendo do ônibus pode ser desagradável, mas eu me sinto um pouco mais segura pela experiencia do motorista diante da estrada e por ver menos a estrada.
Gosto de viajar a noite, não sei porque, não olho muito para as estrelas, as vezes não acho lua, mas gosto de viajar a noites, especialmente sem nuvens. Gosto de ficar pensando na vida, pensando em uma possível história para um possível livro, gosto de ficar sonhando com um possível futuro, distante ou não, gosto de observar a paisagem, de ouvir a musica que sai do rádio, animada e leve, por favor, se não a viajem só fica mais cansativa. Gosto de parar no caminho, esticar as pernas e voltar pro carro, sento na frente ou atrás e não tenho problemas de ansia, pelo menos não no geral, mas se as curvas apertarem meu estomagos imita.
Acho que pela primeira vez eu escrevo aqui sobre algo que eu gosto sem saber porque, mas que me da essa paz, como se eu estivesse a caminho de um lugar onde meus problemas não existem, ou se for uma viagem de volta a paz de voltar e com calma para lidar com os problemas que me esperam.