20 de outubro de 2009

Eu não quero um "eu te amo"

Não que no momento eu tenha alguém do tipo namorado para me dizer tal coisa, mas quando tiver um sério e que seja para casar, ou pelo menos que eu ame o suficiente para fazer alguma loucura do tipo, não quero ouvir dele "eu te amo" ou "você é o amor da minha vida".
Não sei porque mas essa coisa de amor para mim é uma apenas uma palavra, e uma palavra totalmente vazia. Talvez seja porque eu nunca realmente amei ninguém de todo meu coração, não para casar, mas por outro lado eu amor muito minha família e meus amigos e acho que mesmo assim nunca disse "eu te amo" para eles. Na verdade, pensando bem, agora eu acho que para eles eu nunca falei nada disso porque eu tenho pavor e vergonha de demonstrar meus sentimentos, mas mesmo depois dessa reflexão eu continuo sem querer um "eu te amo" do amor da minha vida. Faz tempo que eu penso assim, mas dizer isso em voz alta me faz uma menina muito mais...peculiar do que eu gostaria de admitir na época.
Eu sou fã de elogios espontêneos coisas bobas do tipo: "você é linda", "eu quero você", "eu preciso de você" ; para mim isso é muito mais significativo do que "eu te amo". Quanto a ser o amor da vida de alguém eu não vou muito com a cara dessa frase porque, venhamos e convenhamos, a vida é uma coisa longa, cheia de surpresas... se alguém me disesse antes de morrer que eu fui o amor da vida dessa pessoa aí sim eu ia acreditar, me comover e chorar feito um bebe com fome.

Acho legal como as palavras devem ser muito bem lapidadas para demonstrar afeto e tão pouco cuidadas para plantar a intriga. As pessoas que aderiram ao ditado "um olhar vale mais que mil palavras" são mais espertas, olhares significativos são muito mais eloquentes do que a boca mais sábia, ainda mais quando se trata de demonstrar afeto, ou medo que é o sentimento mais mudo. Os olhares significativos são mais justos e fáceis de interpretar, mas nada é mais bonito do que um olhar significativo acompanhado de palavras verdadeiras.

2 de outubro de 2009

Aqueles olhos azuis...

Escrevendo agora me parece bobo, exagerado, mas naquele momento não pareceu. Eu estava sentada no ônibus e era um assento reservado, pensei em levantar e ocupar outro pois o ônibus tinha parado em um terminal que sempre tinha muita gente entrando, mas desisti de ultima hora com preguiça, ou porque pensei que daquela vez não iria entrar tanta gente, ou as duas coisas. O ônibus saiu do terminal e seguiu seu trageto e eu sempre observando a tudo e a todos ao meu redor passei meu olhar sobre um garoto, um adolescente quase adulto... Um jovem, que seja, o importante não era a idade dele e sim que ele também olhou para mim de modo que nossos olhares se cruzaram. Ele estava de pé perto da porta e tinha olhos azuis, um azul inteiro, maciço, da cor do céu. O olhar dele penetrou em mim de uma maneira intensa que me fez desviar o olhar, logo depois voltei a olhá-lo e ele voltou a me olhar também, mas eu sempre desviava, fingi que não vi.
Me senti tão patética quando três pontos depois de vê-lo passei a pensar que ele flertava comigo, mas pior foi quando me imaginei mostrando ele para minhas amigas como um namorado, foi com esse pensamento que tomei conciencia do quão ridicula eu estava sendo. Patética, ridicula e ainda olhava para ele furtivamente, quando ele me surpreendia ficavamos uns dois milésimos de segundos nos olhando, os olhos dele me hipnotisando, então em desviava o olhar novamente, invadida pela timidez.
Quando me dei conta faltavam apenas tres pontos para chegar no meu, então abaixei o som do meu mp3 de modo que se ele falasse comigo eu pudesse escutar e levantei para ir até a porta. Fiquei parada ao lado dele, lhe lancei alguns olhares rápidos e timidos, os quais, tenho bastante certeza, devem ter lhe parecido olhares de desprezo. Tenho esse dom, parecer metida e arrogante quando na verdade sou apenas timida, insegura e medrosa. Quando o ônibus parou no meu ponto eu passei por ele de cabeça baixa e saí, tive a impressão de que ele iria descer ali também, mas não tive coragem de olhar para trás conferindo. Tirei o mp3 da orelha e guardei assim que desci, depois fiz o curto trajeto até minha casa com passos lentos e cheios de esperanças e platonismos. Cheguei em casa e saí cinco minutos depois andando pela mesma rua que tinha acabado de passar, só que no sentido contrário. Andei dois pontos e entrei em uma loja, de fato não tinha nada para compar ali, mas entrei e comprei uma bala de goma e um chiclete. Voltei para casa comendo a bala que acabou antes do meio do caminho, duas ou tres quadras, passei pelo ponto onde tinha descido e não tive coragem de olhar ao redor. Cheguei em casa e voltei a viver minha vida.
Isso aconteceu há apenas algumas horas e o olhar dele ainda esta grudado no meu pensamento. Ele não era bonito, também não era nada feio, nem baixo nem alto, alguns centimetros acima de mim. Mas aqueles olhos azuis eu nunca vi igual. Não foi o par mais bonito que já vi na vida, mas tinha alguma coisa neles que eu não sei o que é...
Talvez seja o fato deles estarem direcionados para mim, talvez a cor homogênea...
De qualquer modo esse episódio só foi mais uma comprovação de como eu sou amante do platonismo e do medo. Tentei lidar com o platonismo dizendo a mim mesma que estava sendo idiota e que ele se quer devia estar me olhando com segundas intenções, devia ser simples curiosidade como a que eu tenho e sacio observando as pessoas, mas eu gosto desse platonismo de inventar histórias, é um vício que eu não estou disposta a largar no momento. O ruim mesmo foi o medo porque assim que eu desci do ônibus eu senti arrependimento, se eu tivesse falado uma palavra ele teria respondido, eu sei que sim! Esse arrependimento que não tira o olhar dele da minha cabeça. É esse medo que eu tenho que combater, mas eu sei que para combater o medo eu teria que combater um pouco desse platonismo e isso me coloca em uma situação muito complicada, eu quero mudar e perder o medo, mas tenho medo de mudar e perder o platonismo e ficar infeliz. É quase como se eu tivesse que aceitar que estou virando adulta e ter de parar de viver nesse mundo de fantasias em que eu vivo e eu não quero isso... Qual o problema de ser Peter Pan?
Talvez eu não tenha perdido o medo, o platonismo e a criança dentro de mim (pois a meu ver esta tudo entreligado) porque ainda não chegou a hora certa para isso, por outro lado quem faz a hora certa para isso? As circunstancias ou você mesmo? Talvez constatar isso tudo já seja um modo de estar evoluindo e crescendo sem necessariamente perder tudo o que acho que posso perder.