18 de dezembro de 2010

Feliz ano novo…

 

futuro

Adeus ano velho.

 

Final de ano costumava ser minha época favorita, seguida do ano novo. A familiaridade do natal, a festividade do ano novo, o sentimento de desapego, a limpeza na vida, o sentimento de novidade, de que nesse ano que vai chegar tudo é possível e então a vida vai ser melhor, seguir os planos e dar certo.

Digo costumava porque esse ano não sinto isso direito. Eu senti o sentimento de desapego, de limpeza e a expectativa pela novidade, mas parece que tudo se foi. Hoje o que eu estou sentido é medo. Parece repetitivo, dado que eu sou a pessoa mais medrosa que eu conheço, mas a verdade é que eu estou com medo desse ano que vem aí. Serão tantas mudanças, não importa o quão igual minha vida continua ela ainda vai ser diferente de tudo até aqui.

As compras no supermercado onde eu pegava o carrinho e na porta ele que começava a guiar, as guloseimas escondidas ou compradas só porque eu gostava. Lembro quando meu pai vinha para SP só nos fins de semana e sempre que eu ia até o carro dele tinha chocolate, sonho de valsa era o preferido dele. No hotel tinha uma caixa de chocolate e bolacha! E tinha também aquela estante perto do teto onde ele escondia algumas barras, em uma época foi barrinha de milka e em outra ele comprava uma caixa inteira de mundi só para mim. Quando ele ia embora aqui de sp ele sempre deixava na mesinha de cabeceira dele alguns chocolates, quando ele percebeu que eu roubava ele começou a deixar de propósito. Ele não sabia direito como me agradar mas se ele descobria alguma comida que eu gostava ele cozinhava ela até enjoar. Quando ele viu que eu gostava de suco de laranja, porque eu sempre comprava em caixinha, ele começou a fazer sempre. Uma vez eu era pequena e tinha ganhado uma barbie que se você desse um impulso no suporta ela voava, eu não estava conseguindo direito e ele pegou da minha mão para me ensinar e quebrou o suporte, ele ficou se sentindo tão culpado, que me pediu várias desculpas. E eu sempre dizia que queria uma piscina no hotel e uma casinha de bonecas e uma dia quando cheguei lá ele estava construindo uma para mim! Ele fez ela inteira!  Quando tive dificuldade em matemática ele tentou me ensinar nas férias, ele se esforçava para ter paciência, mas as vezes ele se estressava, eu nunca disse a ele que na verdade eu aprendi uma coisa muito importante naquelas aulas: que as vezes nós ficamos bloqueados e precisamos tomar um ar para poder resolver o problema. Ele nem gostava muito de bolo de chocolate, mas fazia porque eu gostava. E as vezes ele era grosso demais comigo, quando eu era pequena, e eu chorava e ele pedia desculpas e ele não sabia disso, mas ele pedir desculpas me deixava de coração partido, mais do que a bronca. Ele conheceu o príncipe de um paisico que eu adoro(lichteinstein), e presidentes e ex presidentes de países americanos. Ele colocava moedas em uma caixinha e eu e meu irmão roubávamos sempre. Quando eu estava meio entediada nas férias ele pegava o carro e nós andávamos sem destido ao longo de toda a costa da ilha. Ele me comprou meu primeiro celular e minha primeira bicicleta e toda vez que nós íamos a caragua ele passava no McDonald’s porque ele sabia que eu gostava. Quando nós íamos com ele para ilha ele também parava no Mc, pelo menos enquanto nós éramos crianças. Ele me deu uma prancha de surf porque eu gostava de brincar no pranchão e eu acho que usei aquela prancha umas duas vezes só.

Meu pai me daria o mundo se ele pudesse, mas ele não vai estar aqui para ver eu conquistando o mundo por mim mesma. E eu sei que devo parar de pensar nele todo dia, que devo deixar ele partir em paz, mas é tão involuntário! Quando eu vejo minha mãe com o Nikolas, eu lembro dele comigo, quando acontece alguma coisa eu lembro que meu pai não gostaria, ou quando eu vou no supermercado passo por comidas e besteiras que ele gostava… E eu tenho tanto medo de esquecer dele, sempre ouço nos filmes as crianças dizendo que não lembram direito e eu tenho medo, eu não quero esquecer o rosto do meu pai, os acessos de raiva dele que me davam medo, ou as demonstrações de carinho.

E nesse ano de 2011 vai ser tudo tão diferente, vai ser o meu primeiro ano sem ele e talvez eu mude para outra cidade, onde não conheço ninguém e eu sinto medo. Medo de toda essa mudança na minha vida, medo de esquecer meu pai, medo de sentir muita saudade, de lembrar demais e não deixar a alma dele em paz, se é que isso existe, medo de como minha mãe vai superar tudo, principalmente se eu não estiver por perto, tenho medo de que ele esteja me vendo neste exato momento, chorando por ele, e que ele se sinta culpado, porque ele não tem que sentir culpado, não é culpa de ninguém é só o fim do ano chegando, a ficha caindo e o medo e a saudade me dominando.

30 de novembro de 2010

Um mês

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Foi todo o tempo que demorou. E um dia acabou, mas não acabou só o mês, acabaram 19 anos de uma vida, 25 de outra e mais 60 de outra. Em uma mês se acabaram 70 anos e 11 meses de uma vida que muitos diriam ser bem vivida, mas que ninguém ousa dizer que não foi doída.

De repente todo mundo estava perguntando como eu estava, me dizendo para ser forte porque ainda teria que cuidar da minha mãe, me dizendo para chorar, me dizendo para ir até lá e ver o rosto dele. Eu não fui até lá, vi o rosto dele de relance; eu só estou sentindo vontade de chorar agora e não pretendo segurar; eu estou tentando ser forte, mas a verdade é que não sei direito o que fazer porque é a primeira vez que eu tenho que cuidar dela; e por último mas não menos importante eu não sinto raiva, alegria, alívio, saudade ou tristeza, só sinto um aperto no peito que às vezes até dificulta a respiração e agora também estou sentindo um nó na garganta. O nó chegou agora ouvindo Legião Urbana, uma música chamada vento no litoral, e esse nó incomodo e doloroso só chegou porque percebi que não sinto falta dele no presente, sinto falta dele no meu futuro e aí vem batando aquela saudade dos momentos bons que nós tivemos, porque os ruins nós fazemos questão de esquecer.

Eu não sei direito como devo me sentir, como devo reagir. Sei que deveria doer mais do que está doendo, que eu deveria estar mais desesperada do que estou, mas a verdade é que eu estou assustada e com um pouco de medo, como sempre. Mas dessa vez meu medo é pela minha mãe e como ela vai reagir(ela está sofrendo tanto!), e também medo de como vai ser nossa vida daqui para frente.

Foi tão rápido. Em um dia ele estava com uma dorzinha na barriga e no fim do mês morto. E justamente no pior mês do mundo! No mês das minhas provas de vestibulares, do auge do stress. E ele morreu justamente no dia seguinte ao da fuvest, como se estivesse esperando a prova passar! Nas 36 horas seguintes a morte dele eu não chorei, só estou chorando agora, escrevendo isso. Porque ouvindo a música cai a ficha, porque escrvendo os sentimentos se liberam, porque sentada no escuro do meu quarto com ninguém me olhando, meu irmão fora e minha mãe dormindo, eu posso curtir minha dor em paz, sem incomodar ninguém, sem preocupar ninguém. Aqui eu posso ter medo do futuro, saudade do passado, posso me afogar em memórias boas e ruins porque a última coisa que eu quero é glorificar ele. Eu quero que ele permaneça na minha memória do jeito que era: Bom, ruim, irritante, carinhoso, preocupado, grosso…Quero que ele permaneça na minha memória sendo o pai que foi para mim. Um pai diferente do que foi para meus irmãos e de qualquer outro pai que eu conheço.

Acho que parte de mim,  quando eu estava no carro indo com ele para o hospital, sabia que ele não ia voltar e para falar a verdade eu acho que parte dele também. E acho que ele estava assustado e fico feliz que tenha sido rápido porque ele iria odiar ficar ir e vir do hospital o tempo todo, e talvez tenha sido melhor para ele assim, por mais que eu o amasse acho que ele estava deprimido e já não se sentia útil, ele chegou até a dizer que não tinha mais vontade de viver. Acho que o que o prendia aqui era o nosso amor, o amor dele por nós e se ele pudesse me ver agora estaria se sentindo culpado por me fazer chorar e pedindo desculpas como ele fez tantas vezes e eu iria acabar me sentindo culpada por fazê-lo se sentir culpado como eu sempre me sentia.

A verdade é que ele não foi um mau pai para mim, ele foi um bom pai. Tinha os arrombos dele, as injustiças, mas ele foi bom. Não teve nenhum exemplo a seguir, mas me criou bem, eu me saí bem. E eu o amava muito, talvez mais do que pensasse, afinal nós nunca sabemos o que temos até que perdemos. E eu vou sentir falta dele, e ainda vou chorar de saudade várias vezes, e lembrar dele bastante, porque ele é meu pai, ele foi meu pai e, por mais que ele esteja bem agora, eu talvez demore um pouco para ficar bem de novo.

8 de novembro de 2010

Não foi em vão.

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  No começo deste ano achei 2009 havia sido um ano em branco na minha vida. Não me esforcei para conquistar nada, percebi que fazer 18 anos não havia feito a mínima diferença na minha vida e ainda descobri que alguns dos meus melhores amigos simplesmente não valiam a pena e quando chegou o fim do ano achei que havia sido um ano perdido. Perdido porque eu amava aos amigos perdidos e me descobri não amada por eles; perdido porque não passei no vestibular e ainda consegui ir pior que no ano anterior e perdido porque não passar no vestibular significava, e ainda, significa não ter a vida de adolescente normal com baladas, namorados e diversão.

  Agora 2010 está chegando ao fim e o que eu percebi é que nada foi em vão.

  Os amigos que perdi não valiam a pena, os que valiam e ainda valem a pena ainda estão na minha vida e cada vez que falo com um deles percebo o quão bom é ter amigos verdadeiros como os meus, que não importando a distancia ou a correria do dia a dia ainda se oferecem para te ajudar, ou te mandar uma mensagem antes da prova, ou entender que sua vida não é igual a deles e não te culpar pelas coisas que você não pode fazer, nem pressionar para que você faça coisas que não são seu estilo. Em 2009 eu perdi alguns amigos, mas me aproximei de outros. E eu não estudei, em 2009 fui pior no vestibular do que no ano anterior, em consequência não saí para lugar nenhum, não festejei nada com ninguém. Mas eu não tinha idéia do que eu queria para meu futuro, ou de quem eu queria ser, eu só pude descobrir isso ao longo de 2010 e talvez não tivesse descoberto se tivesse passado. Em 2010 eu me tornei menos insegura em relação a opinião dos outros, me aproximei da minha família e me descobri. Hoje sei quem sou, quem quero ser, o que quero fazer.

  2010 está chegando ao fim e não foi em vão. 2009 veio e foi para dar lugar aos conhecimentos que eu só iria obter em 2010. Nada foi em vão.

16 de outubro de 2010

“Agora é fechar o livro e deixar essa história para trás”

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  Anos e anos, talvez não no ínicio, mas de algum ponto até os meus… Até hoje… 

  Me lembro de quando eu era muito pequena e você veio ver a mim e ao Nikolas, não era a primeira vez, mas não me lembro de nenhuma vez anteriormente, e nós três brincamos na praia do hotel, sob o olhar atento da minha mãe, minha e do Nikolas (e dessa vez o pronome possessivo é intencional), e eu me lembro de querer sua atenção e de competir com o Nikolas por ela, era final da tarde, eu joguei o bambolê que você me deu de presente muito alto e ele enroscou na árvore e foi difícil de pegar e eu me senti boba, como se aquilo fosse por algum motivo algo do qual eu devesse ter vergonha, um mico que eu paguei na sua frente. Eu não devia ter mais de seis anos e me lembro também de depois estar sentada ao lado da cama do papai e ele me perguntar quem estava comigo e o Nikolas na praia e eu ficar com medo de dizer que era você, não sabia que você era meu irmão, mas acho que foi ali que eu descobri, com o papai falando que tudo bem, que ele não se dava bem com você, mas que eu podia brincar com você. O segundo encontro que vem a minha memória também não está muito claro, eu devia ter no máximo oito anos e você nos levou para fazer uma trilha na cachoeira da água branca, dessa vez a Bia estava junto e eu lembro de que foi cansativo, mas que eu gostei, que eu achei a Bia legal, mas ainda não tinha total entendimento da situação, não tinha total entendimento de que você era meu irmão. O terceiro encontro que me vem a memória foi quando eu tinha dez anos, foi no final do ano, em novembro, eu acho, porque meu pai e o Nikolas tinham ido a São Paulo (naquele ano nós moramos na Ilha) porque ele foi prestar vestibular e quando a Elaine me passou o telefone dizendo que era meu irmão não pestanejei em brincar chamando a pessoa na outra linha de mala… Eu achei que era o Nikolas. Naquele dia você me chamou para tomar um sorvete e eu fui correndo pedir para minha mãe, eu estava tão ansiosa… Como uma amiga minha estava passando o dia comigo ela foi junto e você levou a Bia, depois fomos ao shopping ao lado e você me comprou uma caixinha de coisas para fazer pulseiras e quando você me deixou em casa a mamãe pediu para falar com você, fiquei com receio de te pedir para conversar com ela e você achar ruim, mas você foi enquanto a Bia ficou conversando comigo. Depois minha memória se enrolou um pouco, não sei se o Nikolas passou no vestibular e você foi jantar com ele e em outro dia comigo, ou se primeiro eu te achei no Orkut, mas sei que a partir daí nós passamos a nos ver mais, você me levou para almoçar uma vez depois da escola e eu fiquei a manhã toda ansiosa com o fato… Sei que foi em 2008/2009 que nós passamos a ter uma relação mais próxima, o Nikolas investiu muito nisso e a chegada do Henrique ajudou, mas tem uma coisa que você não sabe: Você sempre foi um fantasma na minha vida.

  Não sei exatamente quando começou, acho que foi depois do ano que morei em Ilhabela, depois que você me levou para tomar sorvete… É acho que é isso mesmo, depois desta ocasião você virou um fantasma. Eu pegava minha bicicleta e ia andando até a Vila e comprava um sorvete, dava uma volta, depois parava em frente a loja da sua sogra e ficava ali algum tempo fingindo observar o movimento, mas no fundo eu procurava você, esperava ver você passar ali e vir falar comigo ou algo do tipo. Aliás, acho que isso começou antes do sorvete, porque um dia no meu colégio encontrei a Bia, foi numa tarde que fiquei para fazer trabalho e ela foi fazer aula de natação ali, ela me viu e me cumprimentou e depois todas as tardes que eu ficava para fazer trabalho esperava te encontrar ali, ou encontrar ela. Depois que voltei para SP essa obsessão ficou ainda mais, porque então ouvi dizer que você tinha um Audi e toda vez que via um Audi na Ilha (onde sabia que você morava) tentava olhar dentro, sem que ninguém percebesse, tentando te achar. E o que mais dói é que eu nunca falei isso para ninguém, nunca contei para ninguém que você me decepcionou. Me decepcionou porque você não me busvaca do jeito que eu te busquei, e hoje eu te sinto um estranho e uso pronomes possessivos com você. Até hoje é difícil te sentir como meu irmão e durante muitos anos não usei a deisignação irmão para você e se você quer saber até hoje tenho dificuldades de usar. E quando você fica de ligar e não liga, como aconteceu algumas vezem durante meus 14/15/16 anos, eu ficava esperando dias, até hoje eu fico, sem ter coragem de te pressionar. 

Sabe de outros fatos interessantes? Eu só descobri seu nome inteiro quando tinha 15/16 anos e perguntei para mamãe com a idéia de te procurar no Orkut. Sua presença ainda me intimida e eu me sinto mais confortável na presença da Bia. Até hoje, quando sei que vou te ver sempre dou um jeito de me produzir mais. A mamãe carregou seu RG na carteira dela até dois anos atrás (ou seja até 17 anos depois de você ter saído de casa) e até hoje ela guarda uma cópia na pasta dela, junto com suas cartinhas de escola do dia das mães e um bilhete de desculpas por alguma malcriação besta. Quando perguntam quantos filhos ela tem ela fala três, e um netinho do mais velho. Quando mencionam seu segundo nome ela sempre comenta de você. E quando seu filho foi operado ela ficou desesperada atrás de noticias e aí quando ela pede para conhecer ele sua esposa tenta te convencer e quando nós chegamos na porta da sua casa você manda ela dizer que não, que prefere que seu filho não conheça a vó dele. Você não teve nem coragem de dizer isso você mesmo! E ela comprou até um presente para ele, sem motivos, quando eu perguntei o porque ela disse que era pelo dia das crianças, mas eu sei que se não tivesse esse feriado ela teria comprado a droga do presente de qualquer jeito. E se você quer saber você fez com ela exatamente o que fez comigo, elevou as expectativas, fez ela esperar e depois não permitiu. Ela foi até a droga do hospital para ficar ao seu lado durante a cirurgia do seu filho porque ela queria que tivesse alguém da sua família do seu lado, porque antes disso não houve nenhuma necessidade tão grande quanto essa. Equando você foi para angola ela que me mandou te ligar perguntando se você já tinha chegado e como estava, me mandou até te mandar um e-mail falando para você se cuidar! De boa? Ela se importa mais com você do que eu me importo. E ela pode não ter sido sua mãe, e pode não ser a melhor mãe do mundo para mim, mas ela tinha o direito de conhecer seu filho, ou pelo menos ouvir um não e uma explicação de sua boca. Já está na hora de para com essa mania nossa de simplesmente ignorar os assuntos desconfortáveis e tentar lidar com as emoções que o assunto “Você” causa em todos nós.

Então eu realmente espero que esta noite quando você disse que agora a história está encerrada e que é hora de fechar o livro você tenha se referido as mágoas e memórias ruins, e espero também que quando você disse que estava na hora de começar um novo você se refira a um livro que tenha o título “Perdão e esquecimento”. Você pode não ter se dado conta, porque eu não disse nada e fui covarde demais para ir embora, mas quando dispensou minha mãe eu perdi toda a vontade de tentar te entender. No fundo acho que só fiquei porque queria ver o Henrique.

13 de outubro de 2010

Fugindo do padrão.

  Meus textos/desabafos neste blog seguem um padrão, em relação aos assuntos: Amores platônicos não correspondidos, falta de criatividade, medo do futuro e problemas familiares. Triste é ter que admitir que minha vida não vai muito além disso. Mas hoje quero fazer algo diferente, quero liberar essas vontade de escrever dentro de mim e postar aqui um texto fictício, tentarei fazer isso outras vezes, exercitar minha criatividade, liberar minhas idéias para o mundos. Cenas…está é uma delas:

  O calor humano, as pessoas dançando e falando ao seu redor, o som da música alta em seus ouvidos… Tudo isso a sufocava. Ela queria paz, silêncio, tranqulidade. Queria poder chorar todas as suas mágoas e não fingir que estava tudo bem sorrindo para seus amigos e fingindo empolgação para se juntar a massa na pista de dança. Nunca havia se sentido assim antes, nunca havia sentido aquela ânsia por solidão, mas também nunca havia havia tido seu coração despedaçado antes, talvez nunca tivesse se quer o entregado por inteiro a alguém. Foi até o bar, pediu outra bebida, não costumava beber, mas decidiu fazer daquela noite uma exeção. Pegou a taça e virou engolindo tudo de uma só vez, sentiu o álcool bater e voltou para a posta de dança, desta vez mais disposta e alegre. Se deixou levar pelo som de uma ou duas músicas, esqueceu-se de tudo, do calor, da ânsia, da dor… Até que uma de suas amigas pediu para irem tomar ar fresco, elas foram até um corredor no fundo da balada, onde se podia ver o céu e as estrelas e sentir a brisa fria da noite. Ficaram as quatro ali, rindo e brincando como se não houvesse se passado nada, para as três mais risonhas de fato não havia se passado nada, aquela dor era só de uma delas. Da que se forçava a sorrir, da que agiu como se o verão que se passou houvesse sido apenas mais um, da que não contou nada para ninguém tentando assim fugir da melancolia, tentando assim tornar aquela dor que doía em lugar nenhum menos real. Uma de suas amigas chamou a atenção das outras para um homem que caminhava na direção delas. Mariana se virou com cuidado, tentando ser discreta, as outras três já tinham namorado, um era até noiva, mas ela, até onde as outras sabiam, nunca havia se quer se apaixonado. Por um segundo ficou completamente estática, pensou estar alucinando, mas quando se deu conta de que era real se deu conta também de que não tinha para onde fugir. Elas estavam no fim do corredor e o único jeito de sair dali seria passando por ele e tudo o que ela mais queria era distância. Sentiu os olhos azuis dele queimarem os seus, sentiu as borboletas em seu estômago levantarem vôo, sentiu seu coração bater mais rápido e um nó se formar em sua garganta. Sentiu vontade de correr em sua direção e o beijar, sentiu vontade de esperar ele se aproximar e lhe dar um tapa, sentiu vontade de se enterrar debaixo da terra e sumir, de fingir que não o conhecia. Mas não fez nada disso, ficou parada esperando ele chegar até ela e té se esqueceu das amigas. Quando ele finalmente chegou até elas parou em frente a Mariana e sorriu educadamente para as outras três moças de quem tanto tinha ouvido falar, então segurou no queixo de Mariana e o levantou forçando-a a olhar para ele e não para o chão como estava fazendo. Tomada por uma súbita onda de coragem e orgulho ela o passou a encará-lo ferozmente, deixando transparecer em seus olhos castanhos toda sua raiva, toda sua dor.

- Eu pedi em casamento a mulher errada e a mulher certa acabou fugindo, você sabe onde eu posso encontrá-la?

6 de outubro de 2010

Pronomes Possessivos

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  Por mais que eu tente evitar o uso de pronomes possessivos com ele, não consigo. Eu não quero, mas meu subconciente sempre coloca um pronome possessivo na frente daqueles substantivos. Talvez seja a falta de proximidade, e em grande parte esta culpa é dele, porque eu sempre estive aqui, foi ele que foi embora. Mas eu não sou mais uma garotinha e desde que ele começou a trabalhar em uma reaproximação eu não fiz muito esforço, então também tenho culpa.

  Pretendo deixar os pronomes possessivos de lado, mas vai levar tempo. Tempo para me acostumar com a presença constante dele na minha vida; tempo para perder o medo de que não seja constante; tempo para ele se acostumar com a minha presença constante e deixar de lado a vergonha, o orgulho, o medo… E eu quero isso! Quero ser alguém com quem ele possa contar, para quem ele possa ligar, eu quero ser parte da família dele e sentir ele parte da minha.

  Acho que a semelhança dele com meu pai atrapalha um pouco esse querer todo, porque meu pai me intimida e ele acaba me intimidando também. Acho também que ele dificulta, a vida dele é agitada, mas ele adia ligações tanto quanto eu. Pode ser por vergonha do que já passou, ou culpa, ou orgulho para admitir qualquer um desses sentimentos, ou mesmo insegurança quanto a meus sentimentos em relação a ele. Talvez. Acho que a verdade eu nunca vou saber, não vou perguntar e ele não vai falar. Talvez não seja nada.

  Eu sei que é importante para ele! Eu sei que sim, porque eu vi os olhos dele brilharem e vi também o sorriso sem graça quando disse que ela desejava uma boa viagem e pedia que ele se cuidasse. Eu vi aquela expressão no rosto dele e aquela expressão indescritivel descrevia uma emoção boa. Por falta de palavra melhor eu coloco aqui “felicidade”.

  Eu vou parar de usar o pronome possessivo, vou ignorar o que já passou, vou zerar seu passado com os outros, vou esquecer que um dia eu esperei e você não me ligou, vou tentar me aproximar, te ligar e cuidar para que você faça parte da minha vida, mas você tem que me prometer que não vai nunca mais se afastar. Promete?

18 de setembro de 2010

Melancolia proposital.

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  Eu sei, eu que pedi pelo platônico. Estava com saudades. Agora percebi que não era o platônico que eu queria, era o real. Aquilo que eu nunca tive, aquilo que eu não sei quando vou ter, se vou ter.

  Eu sei, não sou do tipo ativa, tenho vergonha de falar com estranhos e sou uma das pessoas mais julgadoras que eu conheço quando se trata de gente que eu não conheço. Mas é pedir demais quando peço um amor? Uma paixão intensa, mas que seja verdadeira, ou um amor tranquilo, mas verdadeiro. É pedir demais? Será que existe? Essa paixão que eu busco, esse amor que eu espero, existe? Não peço um final feliz, estou nova demais para ter um final feliz, mas peço algo que eu possa viver, com o qual eu possa aprender e depois quem sabe possa até escrever.

  E quando percebo que estou idealizando e que não vou agir porque tenho medo de ser rejeitada começo a tentar achar defeitos, problemas, empecilhos. Eu sou uma negação com ponto de exclamação. Eu sou o medo em pessoa, quando se trata de coisas realmente importantes, eu sou o medo em pessoa e não faço absolutamente nada para mudar porque tenho medo. O medo me paralisa e aí eu fico assim, melancolica. 

20 de agosto de 2010

Um Sorriso Basta

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Para que eu caia ao seus pés.

Só um pouco de atenção, um leve sorriso, um olhar mais demorado e um comentário inocente já me deixam assim: Boba. Pensando nas possibilidades, sonhando com um futuro a dois que nunca vai existir, tentando decifrar atos e palavras que não passam de apenas atos e palavras planos, que não tem nada haver comigo.

E por mais que eu me policie eu acabo voltando ao platônico.

Porque por mais mal que ele me faça, ele também me inebria, me distrai, me faz sonhar comigo mesma. E por mais que eu odeie a dúvida e ás vezes até a distração eu senti falta dele. Eu gosto dele.

Sei o quão patético é.

Eu sonho com algo que não existe e possivelmente não vai existir, mas ao mesmo tempo posso sonhar com algo que venha a acontecer. Talvez essa seja a chave: fazer acontecer. Eu devia realmente tentar fazer acontecer.

Mas eu tenho medo.

Eu tenho medo de tudo. De estar errada, de passar vergonha, de ser rejeitada, de ficar me perguntando “se” para sempre. E mesmo que eu quisesse, eu não sei jogar esse jogo.

Sempre achei ridicula essa brincadeira.

Essa coisa de estar afim, de agir diferente para tentar impressionar, mesmo que seja inconsciente. Eu ria das meninas que passavam a mão no cabelo e riam, que tocavam no ombro do objeto de desejo. Eu ria dos meninos mentindo para demonstrar coragem, flexionando os braços para mostrar o muque.

Eu sou do tipo que fica no canto observando.

Que perde oportunidades, que na única vez que se declarou foi por manipulação e acabou em arrendimento. Sou do tipo que prefere o platonismo a arriscar a ser real.

31 de julho de 2010

Branco

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  Talvez seja falta de inspiração, talvez seja falta de história, material, talvez eu esteja pensando demais, forçando uma coisa que deve vir naturalmente, talvez seja falta de talento.

  Ultimamente, leia-se no ano que se passou, não consigo escrever. Sei que postei mais no blog nestes últimos seis meses do que no ano passado inteiro, mas histórias de verdade não tem mais saído de minha cabeça. Eu penso em uma, tento criar uma linha do tempo dela e quanto acho que já está pronta para ir para o papel, ou no caso Word, simplesmente não consigo passar de uma página, enjôo. Ou então começo a pensar em várias cenas, em várias histórias diferentes, talvez apenas um conto, mas tudo que me vem ao pensamento parece sem sentido, vazio, fútil, fraco.

  Ás vezes acho que estou forçando a barra, que estou querendo escrever minha grande história muito cedo, que ainda tenho tempo antes de ser capaz de escrever meu grande livro, e tento pegar mais leve, crio uma história simples, trabalho mentalmente nela e aí enjôo! Talvez eu deva parar de pensar nela, mas é uma coisa tão difícil, parar de pensar em uma história, é como se pensar em histórias fosse igual a parar de respirar, com a diferença de que eu gosto de pensar, é meu jeito de não sonhar com a vida que eu não tenho e evitar angústias. O problema é que pensar tem me trazido muitas angústias ultimamente.

  Eu tinha tanta facilidade em pensar em Fanfics. E se eu não fui feita para escrever histórias totalmente minhas? Só que dentro de mim eu acho que fui feita para escrever histórias totalmente minhas, tem alguma coisa dentro de mim que não me deixa desistir, que me dá um nó na garganta só de pensar na idéia de parar. Alguma coisa dentro de mim me manda insistir, continuar a pensar que um dia vai haver um click, na minha vida, na minha cabeça, e eu vou saber o que escrever.

  De fato eu não me importo em ter um grande livro publicado, em ser um best-seller, eu só quero ser capaz de escrever uma história totalmente minha, que me faça ter orgulho de ter escrito, se for publicado e virar um best-seller é um bônus bem-vindo, mas o que eu quero é ter um romance para chamar de meu. 

14 de julho de 2010

Um amor assim…

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Diferente, impossível, inexistente, de mentira, para sempre.

Ele é aquele que me conhece desde que eu me lembro, que me mimava, me pentelhava, me usava, me escutava… Foi aquele para quem eu mais fiz doce, aquele que quando o nome era citado em uma conversa e eu ficava roxa, aquele que eu provocava, que eu obedecia, em quem eu batia…

Ele foi meu primeiro amor e talvez tenha sido meu único amor de verdade.

Um amor sem malícia e que não é de irmão, de amigo, ou de adulto. Um amor de criança, que vive apenas no pensamento e nunca ganhará forma, nem nome, mas é um amor que existe e, nesse caso, sempre vai existir. Um amor proíbido, não admitido, um tabu não entendido, mas correspondido.

Um amor assim que é uma mistura de todos os amores, e mora escondido em um dos cantos do meu coração.

7 de junho de 2010

Fraterninade

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  Nessas últimas semanas tenho percebido que estou um pouco mais próxima do meu irmão. Apesar de sempre estarmos um ao lado do outro para tudo nós nunca fomos melhores amigos, mas últimamente tenho notado um maior interesse da parte dele em mim, tenho notado uma maior abertura para que eu faça mais parte da vida dele. Estou adorando, imagino o dia onde poderei sentir meus dois irmão como realmente irmãos, apesar de achar que sempre sentirei uma ligação mais forte com meu irmão do meio, por ter sempre morado comigo e fazer parte da minha vida de uma forma muito mais constante do que meu irmão mais velho.
É estranho como na minha família nós não temos essa intimidade entre nós. Nos amamos e tentamos nos estender o melhor possível, mas a vida pessoal do outro é uma coisa um pouco intocada. Acho que isso deve ter haver como o fato de meu pai nunca ter aprendido a compartilhar sua vida pessoal e demonstrar carinho, a mãe morreu quando ele nasceu e o pai era doente o suficiente para culpar o filho por isso. Mas minha mãe sempre foi carinhosa… Se bem que minha mãe passava a maior do tempo fora. Meu irmão mais velho passou a boa parte da infância sem ela, meu irmão do meio e eu tivemos que lidar com dias inteiros sem vê-la por causa do trabalho, assim como semanas passadas só com um deles devido a vida de “separados” que eles levaram durante 15 anos, de modo que por mais calorosa que ela fosse talvez não desse para nos passar muitos ensinamentos sobre isso, de qualquer maneira.
Acho que essa aproximação minha com meus irmãos se deve ao fato de estarmos nos permitindo demonstrar mais esses sentimentos que nutrimos uns pelos outros. Nós amadurecemos, aprendemos a lidar melhor com nós mesmos, começamos a entender a nós mesmos melhor, e com isso aprendemos a entender uns aos outros e descobrimos a importância uns dos outros. Sinto como se estivessemos virando uma família que um dia eu possa vir a denominar como sendo normal. 

4 de junho de 2010

Escrever

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Ultimamente tenho estado muito viciada em filmes, séries e livros, mais do que o normal, e hoje descobri o porquê. Ou pelo menos acho que descobri.

Faz uma semana que meu irmão me mostrou alguns textos que ele escrever, bons textos, quer dizer, eu gostei dos textos, não sei se pessoas com mais entendimento do assunto achariam os textos bons, mas eu achei. Hoje minha mãe veio me perguntar se eu ficava chateada com o fato de meu irmão estar começando a escrever, já que eu sempre fui a escritora da família, eu disse que não, que na verdade acho legal nós termos isso em comum. Ela disse que ele perguntou isso a ela e eu retruquei que achava que ele havia perguntado isso a ela porque ele pediu para ler textos meus e eu não mostrei porque na verdade não tenho.

A coisa é que eu sempre gostei de escrever, mas, e talvez vocês achem isso falta de auto-estima minha, mas eu acho que é auto-consciência, nunca escrevi nada totalmente inventado por mim que fosse digno. As minhas produções se dividem em duas categorias: Romances curtos(minhas primeiras criações) e Fanfics(minhas melhores criações). Os romances curtos não estão bons, não digo isso por ser perfeccionista, mas sempre que os releio sei que conseguiria fazer milhares de vezes melhor. As fanfics não são criações inteiramente minha, eu só mostrei a minha versão do futuro de personagens que já estavam prontos, sim, criei personagens também, mas é diferente, por isso apesar de ter orgulho dessa parte do meu trabalho não acho que deva mostrar para meu irmão como criação minha.

Ele, na verdade, sente como se estivesse me ofuscando e acho muito legal da parte dele que ele se preocupe comigo, ele é um irmão melhor do que muitos outros por aí, mas meu problema é outro. Acho que o que me falta é bagagem e repertório cultural. É por isso que estou tentando ler livros menos fúteis, ver filmes mais cults, mas a bagagem se ganha com a vivência e eu apesar de ter uma curta história de vida bastante diferencial sinto que a minha grande história ainda não aconteceu. É como se eu estivesse esperando por ela, esperando uma grande história para poder escrever. Tento buscar isso nos filmes, nos livros, nas séries, mas a cada coisa nova que vejo ou leio mudo de idéia sobre o que escrever e eu estou sempre pensando sobre minha próxima história.

Talvez essa crise de criatividade tenha haver com a minha falta de bagagem e cultura mesmo, talvez eu esteja muito mais perdida do que pensava. No fundo meu maior medo é nunca conseguir essa bagagem, essa cultura, é nunca conseguir me achar. Meu maior medo é nunca achar a grande história que está por aí esperando por mim.

17 de maio de 2010

Marriage echoes

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Domingo meu pai e eu conversávamos no café da manhã, ele estava comentando uma noticia de jornal e quando vi estávamos falando do alcoolismo e de internações, ele dizia que para de “beber não depende do meio e sim de uma decisão sua, uma força de vontade sua, eu parei de beber e era dono de um bar, comprava cerveja e todo tipo de bebida alcoólica e servia aos clientes! De fato até teria parado de beber antes, e não precisaria de três internações se não fosse sua mãe enchendo o saco dele o tempo todo! Ela era tão má e ambiciosa que eu tinha nojo, ainda tenho, mas naquela época era pior.” Não foram as palavras exatas dele, mas em síntese foram essas as palavras dele.

E eu não falei nada, simplesmente fiquei muda, fui fraca e não tive forças para defendê-la. De fato nem sabia direito como, mas devia tê-lo feito. Eu tenho nojo de mim mesma por ter ficado em silêncio, assim como tenho nojo de mim mesma todas as vezes que o ouço xingá-la de burra para baixo e não faço nada. Eu tenho nojo de mim mesma pela minha passividade do mesmo modo que tenho nojo dele pela sua agressividade, do mesmo modo que ele diz ter nojo dela.  

Relembrando a cena lembrei do meu irmão mais velho dizendo que minha mãe foi muito forte por ter ficado ao lado do meu pai durante todo o alcoolismo dele, disse que qualquer outra teria pegado as coisas e nunca mais voltado e eu senti um orgulho súbito da minha mãe, porque ela foi forte, porque ela ajudou meu pai a largar a bebida. Eu sei que sim, que ela foi forte, ela ainda é forte por ainda aguentar ele, porque sinceramente eu quase não aguento e eu não o escolhi para passar o resto da minha vida, ela sim. Só que quando meu pai disse aquilo eu simplesmente passei a me perguntar se a mesma medida que ela foi forte ela foi chata. Ela consegue ser chata, irritantemente cega e todas aquelas coisas que irritam meu pai e que o levariam a beber de frustração pela droga de mulher que ele teria que aguentar, mas eu não consigo aceitar isso. Não consigo aceitar que ele a odeie tanto, que a despreze e realmente sinta nojo dela. Não consigo aceitar que minha mãe não é a salvadora, que talvez ela tenha sido o problema!

E eu odeio o modo como ela simplesmente tolera isso tudo, como ela não dá um basta! Gosto de pensar que eu não faço isso porque ele é meu pai, tem 70 anos e problemas de pressão alta, mas fui programada para pensar assim, ela me programou! Desde que eu me conheço por gente não posso responder para ele por isso, para ela tudo bem, ela grita, eu grito e tudo certo, mas ela não grita com ele! Ela ajuda quem nem se quer conhece direito, briga sempre que acha que tem razão, independente da outra parte ser o chefe dela ou o papa, mas como ele ela simplesmente releva. Ela revida, mas releva e continua ao lado dele. 27 ano aguentando isso, 27 anos de passividade. Para que?? Por quê???  Odeio a passividade dela quase tanto quanto odeio a minha, mas de mim sinto nojo, dela sinto pena. Não me pergunte porque, minha mãe não é digna de pena, mas sim de orgulho, mas sinto pena porquê acho que no fundo talvez ela ame ele de um modo que ele nunca amou a ela. Ele já disse para meu irmão mais velho que se casou com ela para que ele tivesse uma mãe. Talvez até ele ame minha mãe de um jeito que nunca foi amado e assim sendo não sabe como passar esse amor. mas isso eu penso depois e separadamente. 

Family echoes

 

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Nenhum filho quer ouvir o pai falando mal da mãe, ou a mãe falando mal do pai. Nenhum filho quer ver os pais brigando, independente do motivo. Nenhum filho quer ouvir o pai, ou a mãe, mostrando arrependimento pelo casamento. Nenhum filho quer ouvir os pais dizendo que o que os manteve juntos são os filhos, a falta de dinheiro, a falta de opção. Nenhum filho quer que um culpe o outro pelos problemas da família, da pessoa, da vida. Nenhum filho. Independente da idade, classe social, histórico de vida e etc…

Eu ouço todas essas coisas todos os dias. Meu pai é o problema, mas minha mãe nunca enxergou o problema, aliás ela enxerga os problemas que convém a ela. Tenho amigos que reclamavam da situação em casa, dos pais brigando, eu sempre achei certa graça, afinal de que eles estavam reclamando? Não era assim sempre? Para mim sempre foi assim, mas com o tempo descobri que não deveria estar acostumada com isso e hoje me incomodo por me incomodar com os gritos e xingamentos de ambos e não fazer nada. Sabe porque não faço nada? Porque se não quem sofre sou eu, tenho que ouvir mais pai me humiliando com os xingamentos xulos que ele está tão acostumado a lançar para minha mãe e minha mãe vez ou outra tirando sarro, fingindo que não se importa. O problema é que eu sei que ela se importa.Não leve a mal, não estou dizendo que meu pai é um monstro e minha mãe um anjo que veio a terra para sofrer, jamais diria isso. Minha mãe é uma das mulheres mais fortes e batalhadoras que eu conheço e meu pai um dos homens mais sofridos e inteligêntes de quem já ouvi falar, mas os dois tem sérios problemas. 

Eu não sei até que ponto esses problemas deles me influenciaram, não tenho estudo o suficiente para esse tipo de analise, mas eu sei que fui influenciada. Somos frutos do meio em que vivemos não é?

Ah cara! Eu devo ser a droga de um saco cheio de merda!

14 de maio de 2010

Turbilhão a enviar.

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Quando eu tinha uns 11/12 anos tive uma amiga com quem passei as férias umas duas vezes. Ela é argentina, mas fala português porque o pai é brasileiro. Agora há pouco entrei no facebook e vi que ela era amiga de uma outra menina, que esteve conosco nas férias, então fui ao perfil dessa minha amiga argentina e comecei a olhar as fotos. Enquanto fazia isso um monte de coisas passaram pela minha cabeça.

Deveria entrar em contato? Quer dizer, se ela quisesse entrar em contato comigo ela tivesse me procurado não é? Mas e se ela se quer lembrou que eu poderia ter um facebook? Assim como eu não lembrei da possibilidade de ela ter um facebook é possivel que ela não tenha se lembrado de mim também. Mas ela adicionou a nossa amiga em comum e que eu me lembro essa amiga em comum foi muito mais amiga minha que dela, ela(a argentina) foi muito mais amiga minha do que da em comum, não seria natural ela lembrar de mim? Por outro lado foi a menina em comum que tentou manter contato com a argentina, enquanto eu me esqueci, e depois que esqueci resolvi deixar ela no passado, quietinha, onde a lembrança da amizade e dos dias felizes ficaria em paz e imaculada. É tão esquisito ver que ela tem toda uma vida lá na argentina, tem outrar amigas e meu Deus! Ela é tão argentina! Fisicamente e o jeito que ela demontra nas fotos, as paisagens das fotos, as amigas das fotos! Acho que eu simplesmente achei que ela era virtual, ou algo do tipo, existia enquanto nos estávamos juntas e éramos amigas, mas depois desaparecia. De fato tenho a tendência de achar que muitas pessoas são virtuais: Professores, amigos do meu passado, alguns amigos da internet, de fato acho que todo mundo! Chega a ser ridículo eu sentir uma pontada de ciúmes dessas pessoas quando descubro que elas tem uma vida, uma que não me inclui. E depois veio o medo, medo de não existir mais aquela sintonia entre eu e a argentina, medo de ela ser muito mais madura, inteligente, culta, adulta… medo dela ser muito mais e melhor do que eu.

Existem tantas pessoas assim na minha vida, pessoas mais do que eu, isso me incomoda porque eu sempre fui mais. Sempre fui lider, sempre fui a mais boazinha, mais pronta pra tudo, mais aquela que briga, mais aquela que está por perto. Pelo menos sempre achei que fosse. Agora vejo que não e é estranho. Todo mundo que eu conheço está em uma etapa da vida que eu no momento só sonho. Faculdade, festas, carta de motorista, trabalho, futuro! E eu aqui, na torcidinha, na fé de entrar na faculdade que eu quero esse ano e no medinho, no cagaço(com o perdão da palavra) de não entrar e ter que aguentar mais um ano de expectativa minha, dos outros, de invejinha da vida que todo mundo está levando enquanto a minha parece estagnada.

Então eu entro no facebook dessa minha amiga e percebo que ela não é virtual e sinto toda uma curiosidade para saber como é a vida dela e todo um medo de que ela seja tão melhor que eu que não queira a mim, não precise de mim. E as fotos que ela tira são tão melhores que as minhas, eu de fato poderia aprender muito com ela, quem sabe viajar para argentina ano que vem e deixar que ela me mostre o lugar? Ou ela viajar para cá e nós conhecermos juntas o meu lugar? Ou quem sabe os dois?! E aquela curiosidade, aquela indecisão… De fato, eu não tentei manter nossa proximidade, mas ela também não me procurou. Um pouco de ressentimento. Ela me jogou para escanteio. Um pouco de culpa, eu a joguei para fora do campo. Um pouco de perdão, se ela me jogou, eu joguei ela e o jogo empatou. E aquela vontade de ter essa amisade de volta. De conhecer essa cultura dela que quando eu era menor não soube apreciar. E o medo de não ser o suficiente pra ela. E essas fotos tão bem tiradas, tão bem editadas. E essa vontade de desafiar a mim mesma a aceitar mudanças em minha vida. E o clique: “Convidar está pessoa a ser minha amiga”. E a mensagem insegura: “Hey! Lembra de mim? Te encontrei no perfil da Angelica e bateu uma saudade…Me adiciona no msn: xxx Queria conversar com você!”.

Enviar.

29 de abril de 2010

Brincadeira de criança

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Fui criança até não poder mais. Brinquei de todas as brincadeiras possíveis e imagináveis, sozinha ou acompanhada. Lembro que adorava brincar de Barbie, fingindo ser uma adulta com muitos namorados e liberdade, coisas que nunca tive na vida real,e também gostava de brigar de “mamãe e filinha” fingindo que eu era uma filha rebelde e maluca, coisa que na vida real também nunca aconteceu. Mas eu trocava essas brincadeiras em um piscar de olhos por um faz-de-conta de ação. Mais do que tudo eu gostava de brincar do que eu chamava FBI. Naquela época essa sigla não passava de uma brincadeira onde eu tinha que prender bandidos, lutar, correr, me esconder, atirar... Nunca soube dizer se o mais legal para mim era criar o faz de conta ou as aventuras que ele me proporcionava, mas sempre gostei desse tipo de brincadeira mais do que tudo.

Hoje, já não dá para brincar o tempo todo, mas descobri na leitura e na escrita um modo de continuar a fantasiar e a criar como quando tinha sete anos. É uma válvula de escape, um hobby que me proporciona um prazer inigualável. Ás vezes penso que devo ter algum problema mental, outras que eu simplesmente consegui equilibrar a vida de adulta com a de criança e que isso é um dom. O que eu queria mesmo era pegar essas minhas brincadeiras de faz de conta e levar para outras crianças deixando que elas fantasiem como eu. Queria levar a magia da imaginação para todos, fazendo com que a tristeza de uns fosse mais suportável e a soberba de outros mais controlável.

E eu sei, eu sinto, que em algum lugar tem uma história pronta para ser escrita por mim, que vai me proporcionar esse prazer de levar a magia e fantasia a outros… Eu só preciso encontrar.

23 de abril de 2010

- Uma amizade colegial, por favor?!

 

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  É engraçado como no último ano de colégio nós achamos que as amizades feitas ali irão durar para sempre. Eu nunca achei isso. Sempre soube que iria manter contato com alguns amigos, mas sabia que com a maioria iria se perder. O mundo é grande demais para as amizades colegiais.

  Mesmo aqueles amigos com quem conseguimos manter o contato nos parecem longe, diferentes do que eram antes. Eu nunca pensei que amizade pudesse mudar, achei que fosse ser sempre igual, mas me enganei. O tempo é ingrato demais com as amizades colegiais.

  Aqueles amigos de colégio com quem falo são outros, vindos de novos tempos e com mais experiências, experiências estas que são diferentes das minhas, talvez seja isso que os faça tão distantes de mim. Não gosto dessa sensação. Todos nós precisamos ter conosco pessoas com as quais nos identificamos, foi isso que nos uniu no colegial…Oque nos une agora?

  Aqueles amigos que ficaram para trás também são outros. Uns ficaram para trás porque nunca estiveram muito perto. Outros ficaram para trás exatamente por serem outros, por terem mudado e não terem se dado ao trabalho de tentar manter a conexão com o passado… Mas e aqueles momentos compartilhados juntos? Não serviram para nada?

  Eu também mudei. Tive experiências diferentes de quaisquer outros. Ás vezes acho que eles não entendem, nunca poderiam. Quando me sinto assim, por uma razão ou outra, acabo me deparando com algum amigo colegial na rua e então percebo que apesar de todas nossas diferenças nós temos um passado em comum e mesmo não estando ao meu lado nessa nova vida meu amigo(a) colegial está do meu lado pronto para saber, para entender, para tentar compartilhar comigo os momentos em que ele não pode estar ali. Acho que essa é a difereça entre os amigos que ficaram e os que se foram: Interesse.

  As minhas amizades colegiais podem não durar para sempre, para falar a verdade eu sequer tenho essa pretensão, mas as que já duraram até aqui para acabarem precisarão de um bom motivo. E não se preocupe vou fazer de tudo para não te dar motivos, porque você, meu amigo(a) colegial, é a melhor lembrança que eu tenho e o único souvenir que pude trazer da melhor época da minha vida.

18 de abril de 2010

Eu quero um Amor.

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Assim mesmo, com A maiúsculo.

Um amor perfeitamente imperfeito.
Que faça com que eu me sinta três metros acima do céu.
Um amor que me faça feliz mesmo que a história tenha um final triste.

Quero sentir frio na barriga, saudade, medo, desejo, vergonha, segurança, raiva…
 Alguém que me tirem do controle, que me conheça e ainda se surpreenda.

Preciso de novas experiências. Amar seria uma boa expreriência, mesmo que depois doa, e mesmo que essa dor supere todos os momentos felizes, pelo menos eu vou estar sentindo a dor provocada pelo amor, pela primeira vez. A dor do primeiro amor.
Da primeira felicidade que não deu certo.

Preciso me sentir louca e apaixonada.

Quero um Amor.
 Assim mesmo com A maiúsculo.
 A De Amor De Verdade.

4 de abril de 2010

Umbigo de ouro/Lembrete pessoal

 

Têm gente que está morrendo de fome. Têm gente que está morrendo de medo. Têm gente que está morrendo de frio. Têm gente que está morrendo por falta de informação.

Mas você só olha para seu próprio umbigo, só pensa nos seus problemas, só lembra das suas tristezas e ainda reclama da sua vida, ainda acha errado ter gente não sensibilizada com sua situação. Você por acaso tem umbigo de ouro?

É uma droga mesmo estar morando em uma cidade grande com água encanada, luz elétrica, acesso a transporte e a todo e qualquer tipo de bens de consumo. É uma droga ter que estudar, sentir a pressão e o medo de prestar vestibular e depois ainda ter que trabalhar.

Mas e se ao invés de medo de prestar vestibular você tivesse medo de que uma bomba caisse na sua casa por que seu país está em guerra? E se ao invés de morar na cidade grande você morasse em uma aldeia e tivesse que tirar água de um poço? E se você não soubesse o que é internet, televisão? Não tivesse acesso a livros e achasse que HIV se cura ao ter relações com mulheres virgens? E se ao invés dessa segurança tão falha da sua cidade você não tivesse segurança nenhuma e ainda fosse rechaçada caso algo de ruim te acontecesse? 

Têm gente que está morrendo de fome. Têm gente que está morrendo de medo. Têm gente que está morrendo de frio. Têm gente que está morrendo por falta de informação.

Mas eu só olho pro meu umbigo, pros meus medos, deveres, problemas e ainda reclamo. Reclamo se não se importam comigo, reclamo se se importam demais, reclamo se me pressionam para que eu tenha um futuro melhor, reclamo, reclamo, reclamo…

Meu umbigo não é de ouro.

29 de março de 2010

Intrudução a mim mesma

 

Desde pequena eu adorava novela mexicana, todas aquelas traições, filhos bastardos, mentiras, choro e amor incondicional me fascinavam, mas tinha outra coisa nas novelas mexicanas que  me fascinava:  assistir uma novela que minha mãe não deixava. De fato recordando isso não tenho certeza se ela não deixava por causa da baixaria nada exemplar para uma criança ou por que ela julgava a essas novelas como de “má qualidade”, aquele típico preconceito brasileiro. Não que as novelas sejam bem feitas, ou melhor produzidas, ou até mesmo tenham melhores atores que as nossas, na verdade as novelas brasileiras dão de 10 nas mexicanas em produção, direção e às vezes até em atuação, é que nós brasileiros temos essa incomoda mania de não gostar do que é nosso, em geral só gostamos do que os americanos produzem, ou, como no caso das novelas, gostar excessivamente do que é nosso. Esse comportamento radical é o que me irrita bastante, e minha mãe sempre foi bastante radical, assim como meu pai, e os dois também sempre foram extremamente controladores, tudo sempre tinha que ser do jeito deles… nas verdade ainda tem! Logo, eu cresci sendo do contra. Sou ponderada, tento ver todos os lados da questão e adoro desafiar autoridades, como meus próprios pais. Nas novelas mexicanas eu tinha a satisfação de ver todas aquelas histórias que até hoje adoro e ainda por cima desafiar minha mãe.

O que nunca me dei conta é que havia um motivo para eu gostar tanto dessas histórias proibidas e esse motivo é aquele passado que eu não vivi, mas existiu para todos os outros da minha família. Eu tenho um irmão que nasceu antes do casamento do meu pai com a minha mãe e ele saiu de casa alguns aninhos depois que eu nasci, depois de uma grande briga com meu pai, sendo que até hoje eles não se falam (de acordo com palavras dos dois “ele está morto para mim”). Tenho uma tia que foi traída, outra que é viúva, outra que foi a amante durante um pequenissimo tempo, tenho um primo adotado que nunca se aceitou, tenho uma prima que é filha de um caso e algns familiares agregados e… Ah! Não pensem que eu sou da parte sã da família porque eu não sou, defato devo ser da parte mais podre: Meu pai é alcoolatra, ele não bebe desde que eu me lembre, mas meus irmão tem memórias perturbadoras a respeito desse assunto e minha mãe também e essas memórias perturbadoras ainda me perturbam, mesmo não sendo minhas, aliás isso acarretou a saída do meu irmão mais velho de casa e ainda perturba bastante a gente que ficou por aqui. Minha família também tem inúmeros segredos que eu adoraria contar aqui, mas que prefiro não o fazer porque se não eles deixariam de ser segredos e perderiam toda a graça. Mas não se preocupem, eu prometo contar uma parte deles daqui em diante. Este blog vai ganhar uma carinha de diário daqui em diante, preciso descobrir algumas coisa e escrever aqui ajuda.

Se a televisa quiser comprar os direitos para fazer uma novela eu só tenho uma exigência: Eu escolho a atriz que vai me interpretar e quero o Herrera como meu futuro namorado.

4 de março de 2010

Continuo a tentar

 

  A porta do apartamento estava aberta, nenhuma novidade até aí, eu sei, a porta do nosso apartamento sempre estava aberta, a novidade foi que ao entrar, e eu fui a primeira do grupo a entrar, dei de cara com Henrique e Pedro, o problema foi identificar onde começava um e terminva o outro porque eles estavam entrosados de tal maneira que essa tarefa ficava quase impossivel. A única coisa que vi nitidamente foi quando Pedro olhou para o lado, percebendo que já não estavam sozinhos, e Henrique aproveitou a distração do adversário para lhe dar um gancho de direita. Segundos depois cada um estava sendo segurado por um par de braços, Henrique se debatia querendo se soltar e terminar a briga, mas Pedro parecia bem tranquilo. Eu simplesmente não me movia, não falava, até porque minha garganta estava seca demais, e não assimilava o que havia acabado de acontecer na sala do nosso apartamento. Por um segundo eu olhei ao redor tentando verificar se havia alguma coisa quebrada, Mayara iria me matar se tivesse, para minha sorte não tinha. Quando o segundo terminou me dei conta de que quase todos os rostos da sala estavam virados para mim, Felipe já havia soltado Pedro e os dois me encaravam, Felipe preocupado, Pedro irônico como sempre, André parecia incerto do que fazia e me olhava como que pedindo permição, mas soltava Henrique pois ele parecia ligeiramente centrado.

Henrique não me olhava, olhava para o chão. Foi assim que eu percebi que Pedro havia dito a ele a verdade, que na verdade foi tudo culpa minha. Fui eu que traí o Pedro, fui eu que fugi, fui eu que ometi esse passado para todos ali.

- O que aconteceu? – perguntei ignorando meu bom senso e instinto

- Ele não gostou muito de ouvir a verdade e me atacou, se você tivesse dito que essa – ele indicou o apartamento e as pessoas ao meu redor - era mais uma das suas mentiras eu teria tido mais cuidado – abri minha boca para falar, mas ele ainda não tinha terminado – se bem que eu quero mais é que você se foda, então eu ia falar de qualquer jeito.

- Que verdade? Que eu sou que menti pra você, te traí e fugi? Essa verdade eles não sabiam mesmo. – disse o mais friamente que consegui

- Eu só coloquei isso em outras palavras – Henrique, que agora estava sentado no braço do sofá, soltou uma risada seca.

- Outras palavras? Ele disse que você era uma puta e merecia essa merda de vida que tava levando – disse com desperezo. Pedro deu os ombros.

Pedi para Felipe e André saírem, eles relutaram um pouco, mas acabaram cedendo. Depois entreguei a Pedro a droga da guitarra dele e ele foi embora com aquele mesmo sorriso irônico que tanto me irrita.

- Você deveria ir embora também, eu vou tomar um banho, o dia foi longo – disse, mas disse com raiva. Afinal aquilo era tudo culpa dele não?

- Não! Você não tem o direito de ficar com raiva de mim! Eu não menti, eu não te xinguei, eu te defendi! – Exclamou ele ficando de pé com a raiva. Senti alguma coisa dentro de mim quebrar e percebi que  eu não podia mais aguentar.

- Não! – gritei também com raiva – Você defendeu a sua idéia de mim! Você defendeu aquilo que você acha que eu sou! Aquilo que você prefere pensar de mim – Minha garganta estava apertada, meu peito parecia estar comprimido e doia tanto que eu deixei cair algumas lágrimas.

Ele chegou mais perto, tão perto que eu podia sentir o hálito dele.

- E quem é você na verdade?! – disse controlando a voz, mas eu poderia notar mesmo de longe a raiva contida – Me diz! Você me deve isso!

- E será que você não vê? Você não enxerga a verdade exposta na sua frente? Ou você prefere ignorar? – perguntei deixando transparecer certo desespero na minha voz – Tudo que ele disse é a mais pura verdade! E eu nunca mostrei ao contrário.

- E você?  Não enxerga que eu sei exatamente quem você é e não vou desistir de você? Não percebe que a meu orgulho e minha sanidade dependem de você? Não sabe que eu não vou deixar você fugir de mim, não imrpota quantas vezes você tente? Não vê que você pode me empurrar para trás quantas vezes quiser que eu continuo a tentar? Você pode ter medo de acabar que nem seus pais, brigando até que a morte os separe, mas eu não vou deixar que por medo você estrague todo o nosso futuro cheio de felicidade.   

10 de fevereiro de 2010

Sem saída

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Mesmo que eu tente não saber do passado onde não existi ele está ali. Se faz presente a cada olhar, cada reclamação, cada briga, cada foto. Uma pessoa se constrói de histórias vividas, não posso ignorar o passado dela, mesmo que eu não saiba ao certo até que ponto,  sei que me desgosta esse passado e ele está ali, ele está aqui.

Fico assustada ao ver como as pessoas se parecem entre si, não tenho certeza se se trata da genética ou da convivencia, mas de qualquer modo me sinto condenada, como se ainda não houvesse me contaminado com o germe, mas que não vai demorar até que isso aconteça. É como se eu fosse a única pessoa sã, pode parecer egocentrismo, infantilidade e ingenuidade pensar assim, mas é exatamente isso que eu sinto: como se toda a vida ao meu redor estivesse distorcida, retorcida. Pensei que poderia ser porque eu não vivi aquele passado de que tanto tenho medo e não vivi, mas isso não faria sentido, uma vez que eu vi as semelhanças aparecerem.

Não quero me contaminar com esse virus, esse germe, que faz pessoas ferirem seus iguais só por estar feridas também. Não quero, mas as vezes parece que já estou ficando assim e meu medo é não perceber que estou virando exatamente aquilo que me entristece, me enfurece. Não quero ser mais uma hipócrita condenando o comportamento alheio e agindo sem olhar para o próprio umbigo sujo. 

4 de fevereiro de 2010

Um passado muito distante.

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Pode não ser fácil para ele dizer, mas ele disse, contou a versão dele. Eu nunca ouvi a outra versão, sempre tive medo de perguntar e, principalmente sempre tive medo, do que iria ouvir. O problema é que a versão que eu escutei conta aquela mesma história cheia de clichês da novela das nove, só que quando é verdade é muito mais dramático. Não acredito em tudo porque é só um lado, mas me parece uma versão bem possível, possivel demais e ainda assim inacreditável demais para a realidade que eu vivi, que eu estou vivendo.

É engraçado que quando ficou assim, confusa e sem saber no que acreditar, eu simplesmente tento não pensar no assunto, como se a dúvida fosse se resolver sozinha. Talvez eu tenha medo de pensar no assunto, medo de formar minha opinião sobre uma pessoa baseado no passado dela e não no presente, medo de me enganar, medo de ter sido enganada, ainda que sem a intenção de. Tenho medo de que tudo que eu ouvi seja verdade, que todas aquelas coisas que eu odeio, que aquele tipo de pessoa que eu detesto, tenham realmente existido tão perto de mim. Me sinto tão impotente, tão inexperiente, ignorante. Sinto como se tivesse sido traída, ainda que não saiba ao certo quem é o traidor.

O pior de tudo é que se for verdade eu vou passar a ter raiva de quem sempre admirei, mesmo com todas as ressalvas a favor dessa pessoa, eu sei que terei raiva dela, porque se tudo for verdade ela mentiu pra mim e pra si mesma, se for tudo verdade quer dizer que ela foi conivente simplesmente pelo fato de não ter feito nada, por mais que ela tenha feito tudo.

É como se eu fosse uma garotinha assustada querendo uma direção para seguir, mas que não quer pedir ajuda pra ninguém, que prefere ficar perdida com medo do destino ser ainda pior.

26 de janeiro de 2010

Man! I fell like a woman!

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É difícil definir o momento em que deixamos de ser adolescentes para virarmos adultos, não estou falando de puberdade, até porque hoje temos crianças entrando na puberdade, falo de amadurecimento.

Não sei quando foi que passei a brigar pelo que eu acho ser direito meu, mas um dia me vi fazendo exatamente isso e no outro já não brigava só pelos meus direitos, mas também pelo que achava ser certo e justo também aos outros. Não lembro quando foi que tomei coragem para isso, mas lembro que antes eu abaixava a cabeça e seguia em frente aceitando o que quer que fosse e hoje vejo que já não faço isso. Também não sei quando foi que eu comecei a andar na rua sem me importar no que as pessoas estão pensando de mim, nem quando comecei a dançar como se ninguém estivesse olhando, mas sei que antes não era assim, me preocupava com o que os outros pensavam, diziam, viam e ouviam. Acho que não me importar com isso dessa forma faz de mim um pouco mais mulher e um pouco menos menina. Eu vejo essa segurança como amadurecimento. Antes também não conseguia aceitar meus erros e defeitos, pedir desculpas, refazer, corrigir e hoje já não vejo problemas em fazer isso, as vezes meu orulho sai ferido, mas eu aprendi a engolir o orgulho e ser um pouco mais humilde.

São essas pequenas mudanças que fazem com que eu me sinta um pouco mais adulta, um pouco mais mulher. Conseguir deixar as picuinhas bobas do diz-que-me-diz de lado e ter coragem e a humildade de falar na cara, aceitar meus erros e tentar corrigí-los. Até bom senso de engolir todo esse novo amadurecimento, todo meu orgulho ferido,  diante do que não vale a pena, ou do que pode ser machucado, eu aprendi.

Não sei em que ponto desses meus 18 anos e 10 meses  eu mudei, mas sei que mudei e que talvez não tenha sido de todo o mal (uma vez que eu vejo mudanças como coisas ruins).  

10 de janeiro de 2010

Eu sou completa

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Eu não sou o meu cabelo, não sou minhas roupas, não sou meus sapatos, não sou minhas unhas, não sou minha maquiagen, não sou a minha bolsa, não sou as minhas jóias/bijouterias.

Eu sou as minhas cicatrizes, minhas pintas, minhas palavras, meus pensamentos, meu jeito de andar, meu modo de falar, o jeito que eu me mexo, o meu sorriso, minhas espinhas, minhas rugas, a cor dos meus olhos, a consequencia de meus atos. Eu sou tudo isso e mais.

Eu sou um livro aberto ao vento, pronto para contar e para receber histórias.

Tenho defeitos, muitos, incontáveis e insuportáveis. Tenho qualidades, muitas, incontáveis e amáveis. Eu posso ser a pessoa mais legal do mundo, mas também posso ser a mais chata, se você gosta de mim ou não depende do seu ponto de vista, mas de qualquer modo eu sou uma pessoa.  Eu sou uma pessoa completa. Por isso você não deveria me julgar, mas sim tentar me conhecer e formar uma opinião. É isso que eu pretendo fazer com você.

É quase uma resolução de ano novo, me completar cada vez mais e conhecer o quebra cabeça dos outros antes de julgá-lo bonito ou feio.

5 de janeiro de 2010

O que passou, passou?

 

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Sabe aquelas suas amizades da infância, com que você compartilhou brincadeiras,  primeiro beijo, primeiros namorados, primeira vez,  e que depois de terminar a escola acabaram se afastando por que no final cada um segue com a sua vida? É delas que eu quero falar.

Não estou te questionando sobre sobre aquela que no último ano do colégio ficou grudada em você, estou falando daquelas suas amigas que te acompanharam desde que você se conhece por gente. Aquelas amigas que só de pensar em se separar delas já te dá falta de ar, porque afinal esse seu grupo é também seu chão. Esse seu grupo que por mais distante que você ficasse dele na escola você estava sempre por perto.  Aquelas garotas que antes ou depois de fazer qualquer coisa você consultava. Aquelas meninas que te viram chorar de tristesa, coisa que você nunca faz. É dessas amigas que eu estou falando, dessas meninas que fazem parte de você.

Elas me seguraram quando eu caí, eu fiz o meu melhor para segurar elas também. Nós éramos inseparáveis, até cada uma ir para um lado. Nós compartilhávamos uma vida em comum e agora só temos o nosso passado como conexão. Eu não quero viver no passado, ficar no passado, eu quero criar novas memórias, criar um passado para meu futuro, eu quero que elas não me deixem só. Mas até que ponto elas se sentem da mesma forma? Será que eu sou tão importante para elas como elas para mim? O engraçado é que eu que era a fechada.

Hoje cada uma tem uma vida, cada uma tem um futuro e um presente dos quais detalhes eu não sei. Elas estão criando a história de vida delas enquanto eu ainda estou presa no limbo. Talvez seja isso que me assuste, o fato delas já estarem vivendo a vida delas enquanto eu ainda não cheguei a esse patamar.