10 de fevereiro de 2010

Sem saída

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Mesmo que eu tente não saber do passado onde não existi ele está ali. Se faz presente a cada olhar, cada reclamação, cada briga, cada foto. Uma pessoa se constrói de histórias vividas, não posso ignorar o passado dela, mesmo que eu não saiba ao certo até que ponto,  sei que me desgosta esse passado e ele está ali, ele está aqui.

Fico assustada ao ver como as pessoas se parecem entre si, não tenho certeza se se trata da genética ou da convivencia, mas de qualquer modo me sinto condenada, como se ainda não houvesse me contaminado com o germe, mas que não vai demorar até que isso aconteça. É como se eu fosse a única pessoa sã, pode parecer egocentrismo, infantilidade e ingenuidade pensar assim, mas é exatamente isso que eu sinto: como se toda a vida ao meu redor estivesse distorcida, retorcida. Pensei que poderia ser porque eu não vivi aquele passado de que tanto tenho medo e não vivi, mas isso não faria sentido, uma vez que eu vi as semelhanças aparecerem.

Não quero me contaminar com esse virus, esse germe, que faz pessoas ferirem seus iguais só por estar feridas também. Não quero, mas as vezes parece que já estou ficando assim e meu medo é não perceber que estou virando exatamente aquilo que me entristece, me enfurece. Não quero ser mais uma hipócrita condenando o comportamento alheio e agindo sem olhar para o próprio umbigo sujo. 

4 de fevereiro de 2010

Um passado muito distante.

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Pode não ser fácil para ele dizer, mas ele disse, contou a versão dele. Eu nunca ouvi a outra versão, sempre tive medo de perguntar e, principalmente sempre tive medo, do que iria ouvir. O problema é que a versão que eu escutei conta aquela mesma história cheia de clichês da novela das nove, só que quando é verdade é muito mais dramático. Não acredito em tudo porque é só um lado, mas me parece uma versão bem possível, possivel demais e ainda assim inacreditável demais para a realidade que eu vivi, que eu estou vivendo.

É engraçado que quando ficou assim, confusa e sem saber no que acreditar, eu simplesmente tento não pensar no assunto, como se a dúvida fosse se resolver sozinha. Talvez eu tenha medo de pensar no assunto, medo de formar minha opinião sobre uma pessoa baseado no passado dela e não no presente, medo de me enganar, medo de ter sido enganada, ainda que sem a intenção de. Tenho medo de que tudo que eu ouvi seja verdade, que todas aquelas coisas que eu odeio, que aquele tipo de pessoa que eu detesto, tenham realmente existido tão perto de mim. Me sinto tão impotente, tão inexperiente, ignorante. Sinto como se tivesse sido traída, ainda que não saiba ao certo quem é o traidor.

O pior de tudo é que se for verdade eu vou passar a ter raiva de quem sempre admirei, mesmo com todas as ressalvas a favor dessa pessoa, eu sei que terei raiva dela, porque se tudo for verdade ela mentiu pra mim e pra si mesma, se for tudo verdade quer dizer que ela foi conivente simplesmente pelo fato de não ter feito nada, por mais que ela tenha feito tudo.

É como se eu fosse uma garotinha assustada querendo uma direção para seguir, mas que não quer pedir ajuda pra ninguém, que prefere ficar perdida com medo do destino ser ainda pior.