29 de março de 2010

Intrudução a mim mesma

 

Desde pequena eu adorava novela mexicana, todas aquelas traições, filhos bastardos, mentiras, choro e amor incondicional me fascinavam, mas tinha outra coisa nas novelas mexicanas que  me fascinava:  assistir uma novela que minha mãe não deixava. De fato recordando isso não tenho certeza se ela não deixava por causa da baixaria nada exemplar para uma criança ou por que ela julgava a essas novelas como de “má qualidade”, aquele típico preconceito brasileiro. Não que as novelas sejam bem feitas, ou melhor produzidas, ou até mesmo tenham melhores atores que as nossas, na verdade as novelas brasileiras dão de 10 nas mexicanas em produção, direção e às vezes até em atuação, é que nós brasileiros temos essa incomoda mania de não gostar do que é nosso, em geral só gostamos do que os americanos produzem, ou, como no caso das novelas, gostar excessivamente do que é nosso. Esse comportamento radical é o que me irrita bastante, e minha mãe sempre foi bastante radical, assim como meu pai, e os dois também sempre foram extremamente controladores, tudo sempre tinha que ser do jeito deles… nas verdade ainda tem! Logo, eu cresci sendo do contra. Sou ponderada, tento ver todos os lados da questão e adoro desafiar autoridades, como meus próprios pais. Nas novelas mexicanas eu tinha a satisfação de ver todas aquelas histórias que até hoje adoro e ainda por cima desafiar minha mãe.

O que nunca me dei conta é que havia um motivo para eu gostar tanto dessas histórias proibidas e esse motivo é aquele passado que eu não vivi, mas existiu para todos os outros da minha família. Eu tenho um irmão que nasceu antes do casamento do meu pai com a minha mãe e ele saiu de casa alguns aninhos depois que eu nasci, depois de uma grande briga com meu pai, sendo que até hoje eles não se falam (de acordo com palavras dos dois “ele está morto para mim”). Tenho uma tia que foi traída, outra que é viúva, outra que foi a amante durante um pequenissimo tempo, tenho um primo adotado que nunca se aceitou, tenho uma prima que é filha de um caso e algns familiares agregados e… Ah! Não pensem que eu sou da parte sã da família porque eu não sou, defato devo ser da parte mais podre: Meu pai é alcoolatra, ele não bebe desde que eu me lembre, mas meus irmão tem memórias perturbadoras a respeito desse assunto e minha mãe também e essas memórias perturbadoras ainda me perturbam, mesmo não sendo minhas, aliás isso acarretou a saída do meu irmão mais velho de casa e ainda perturba bastante a gente que ficou por aqui. Minha família também tem inúmeros segredos que eu adoraria contar aqui, mas que prefiro não o fazer porque se não eles deixariam de ser segredos e perderiam toda a graça. Mas não se preocupem, eu prometo contar uma parte deles daqui em diante. Este blog vai ganhar uma carinha de diário daqui em diante, preciso descobrir algumas coisa e escrever aqui ajuda.

Se a televisa quiser comprar os direitos para fazer uma novela eu só tenho uma exigência: Eu escolho a atriz que vai me interpretar e quero o Herrera como meu futuro namorado.

4 de março de 2010

Continuo a tentar

 

  A porta do apartamento estava aberta, nenhuma novidade até aí, eu sei, a porta do nosso apartamento sempre estava aberta, a novidade foi que ao entrar, e eu fui a primeira do grupo a entrar, dei de cara com Henrique e Pedro, o problema foi identificar onde começava um e terminva o outro porque eles estavam entrosados de tal maneira que essa tarefa ficava quase impossivel. A única coisa que vi nitidamente foi quando Pedro olhou para o lado, percebendo que já não estavam sozinhos, e Henrique aproveitou a distração do adversário para lhe dar um gancho de direita. Segundos depois cada um estava sendo segurado por um par de braços, Henrique se debatia querendo se soltar e terminar a briga, mas Pedro parecia bem tranquilo. Eu simplesmente não me movia, não falava, até porque minha garganta estava seca demais, e não assimilava o que havia acabado de acontecer na sala do nosso apartamento. Por um segundo eu olhei ao redor tentando verificar se havia alguma coisa quebrada, Mayara iria me matar se tivesse, para minha sorte não tinha. Quando o segundo terminou me dei conta de que quase todos os rostos da sala estavam virados para mim, Felipe já havia soltado Pedro e os dois me encaravam, Felipe preocupado, Pedro irônico como sempre, André parecia incerto do que fazia e me olhava como que pedindo permição, mas soltava Henrique pois ele parecia ligeiramente centrado.

Henrique não me olhava, olhava para o chão. Foi assim que eu percebi que Pedro havia dito a ele a verdade, que na verdade foi tudo culpa minha. Fui eu que traí o Pedro, fui eu que fugi, fui eu que ometi esse passado para todos ali.

- O que aconteceu? – perguntei ignorando meu bom senso e instinto

- Ele não gostou muito de ouvir a verdade e me atacou, se você tivesse dito que essa – ele indicou o apartamento e as pessoas ao meu redor - era mais uma das suas mentiras eu teria tido mais cuidado – abri minha boca para falar, mas ele ainda não tinha terminado – se bem que eu quero mais é que você se foda, então eu ia falar de qualquer jeito.

- Que verdade? Que eu sou que menti pra você, te traí e fugi? Essa verdade eles não sabiam mesmo. – disse o mais friamente que consegui

- Eu só coloquei isso em outras palavras – Henrique, que agora estava sentado no braço do sofá, soltou uma risada seca.

- Outras palavras? Ele disse que você era uma puta e merecia essa merda de vida que tava levando – disse com desperezo. Pedro deu os ombros.

Pedi para Felipe e André saírem, eles relutaram um pouco, mas acabaram cedendo. Depois entreguei a Pedro a droga da guitarra dele e ele foi embora com aquele mesmo sorriso irônico que tanto me irrita.

- Você deveria ir embora também, eu vou tomar um banho, o dia foi longo – disse, mas disse com raiva. Afinal aquilo era tudo culpa dele não?

- Não! Você não tem o direito de ficar com raiva de mim! Eu não menti, eu não te xinguei, eu te defendi! – Exclamou ele ficando de pé com a raiva. Senti alguma coisa dentro de mim quebrar e percebi que  eu não podia mais aguentar.

- Não! – gritei também com raiva – Você defendeu a sua idéia de mim! Você defendeu aquilo que você acha que eu sou! Aquilo que você prefere pensar de mim – Minha garganta estava apertada, meu peito parecia estar comprimido e doia tanto que eu deixei cair algumas lágrimas.

Ele chegou mais perto, tão perto que eu podia sentir o hálito dele.

- E quem é você na verdade?! – disse controlando a voz, mas eu poderia notar mesmo de longe a raiva contida – Me diz! Você me deve isso!

- E será que você não vê? Você não enxerga a verdade exposta na sua frente? Ou você prefere ignorar? – perguntei deixando transparecer certo desespero na minha voz – Tudo que ele disse é a mais pura verdade! E eu nunca mostrei ao contrário.

- E você?  Não enxerga que eu sei exatamente quem você é e não vou desistir de você? Não percebe que a meu orgulho e minha sanidade dependem de você? Não sabe que eu não vou deixar você fugir de mim, não imrpota quantas vezes você tente? Não vê que você pode me empurrar para trás quantas vezes quiser que eu continuo a tentar? Você pode ter medo de acabar que nem seus pais, brigando até que a morte os separe, mas eu não vou deixar que por medo você estrague todo o nosso futuro cheio de felicidade.