29 de abril de 2010

Brincadeira de criança

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Fui criança até não poder mais. Brinquei de todas as brincadeiras possíveis e imagináveis, sozinha ou acompanhada. Lembro que adorava brincar de Barbie, fingindo ser uma adulta com muitos namorados e liberdade, coisas que nunca tive na vida real,e também gostava de brigar de “mamãe e filinha” fingindo que eu era uma filha rebelde e maluca, coisa que na vida real também nunca aconteceu. Mas eu trocava essas brincadeiras em um piscar de olhos por um faz-de-conta de ação. Mais do que tudo eu gostava de brincar do que eu chamava FBI. Naquela época essa sigla não passava de uma brincadeira onde eu tinha que prender bandidos, lutar, correr, me esconder, atirar... Nunca soube dizer se o mais legal para mim era criar o faz de conta ou as aventuras que ele me proporcionava, mas sempre gostei desse tipo de brincadeira mais do que tudo.

Hoje, já não dá para brincar o tempo todo, mas descobri na leitura e na escrita um modo de continuar a fantasiar e a criar como quando tinha sete anos. É uma válvula de escape, um hobby que me proporciona um prazer inigualável. Ás vezes penso que devo ter algum problema mental, outras que eu simplesmente consegui equilibrar a vida de adulta com a de criança e que isso é um dom. O que eu queria mesmo era pegar essas minhas brincadeiras de faz de conta e levar para outras crianças deixando que elas fantasiem como eu. Queria levar a magia da imaginação para todos, fazendo com que a tristeza de uns fosse mais suportável e a soberba de outros mais controlável.

E eu sei, eu sinto, que em algum lugar tem uma história pronta para ser escrita por mim, que vai me proporcionar esse prazer de levar a magia e fantasia a outros… Eu só preciso encontrar.

23 de abril de 2010

- Uma amizade colegial, por favor?!

 

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  É engraçado como no último ano de colégio nós achamos que as amizades feitas ali irão durar para sempre. Eu nunca achei isso. Sempre soube que iria manter contato com alguns amigos, mas sabia que com a maioria iria se perder. O mundo é grande demais para as amizades colegiais.

  Mesmo aqueles amigos com quem conseguimos manter o contato nos parecem longe, diferentes do que eram antes. Eu nunca pensei que amizade pudesse mudar, achei que fosse ser sempre igual, mas me enganei. O tempo é ingrato demais com as amizades colegiais.

  Aqueles amigos de colégio com quem falo são outros, vindos de novos tempos e com mais experiências, experiências estas que são diferentes das minhas, talvez seja isso que os faça tão distantes de mim. Não gosto dessa sensação. Todos nós precisamos ter conosco pessoas com as quais nos identificamos, foi isso que nos uniu no colegial…Oque nos une agora?

  Aqueles amigos que ficaram para trás também são outros. Uns ficaram para trás porque nunca estiveram muito perto. Outros ficaram para trás exatamente por serem outros, por terem mudado e não terem se dado ao trabalho de tentar manter a conexão com o passado… Mas e aqueles momentos compartilhados juntos? Não serviram para nada?

  Eu também mudei. Tive experiências diferentes de quaisquer outros. Ás vezes acho que eles não entendem, nunca poderiam. Quando me sinto assim, por uma razão ou outra, acabo me deparando com algum amigo colegial na rua e então percebo que apesar de todas nossas diferenças nós temos um passado em comum e mesmo não estando ao meu lado nessa nova vida meu amigo(a) colegial está do meu lado pronto para saber, para entender, para tentar compartilhar comigo os momentos em que ele não pode estar ali. Acho que essa é a difereça entre os amigos que ficaram e os que se foram: Interesse.

  As minhas amizades colegiais podem não durar para sempre, para falar a verdade eu sequer tenho essa pretensão, mas as que já duraram até aqui para acabarem precisarão de um bom motivo. E não se preocupe vou fazer de tudo para não te dar motivos, porque você, meu amigo(a) colegial, é a melhor lembrança que eu tenho e o único souvenir que pude trazer da melhor época da minha vida.

18 de abril de 2010

Eu quero um Amor.

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Assim mesmo, com A maiúsculo.

Um amor perfeitamente imperfeito.
Que faça com que eu me sinta três metros acima do céu.
Um amor que me faça feliz mesmo que a história tenha um final triste.

Quero sentir frio na barriga, saudade, medo, desejo, vergonha, segurança, raiva…
 Alguém que me tirem do controle, que me conheça e ainda se surpreenda.

Preciso de novas experiências. Amar seria uma boa expreriência, mesmo que depois doa, e mesmo que essa dor supere todos os momentos felizes, pelo menos eu vou estar sentindo a dor provocada pelo amor, pela primeira vez. A dor do primeiro amor.
Da primeira felicidade que não deu certo.

Preciso me sentir louca e apaixonada.

Quero um Amor.
 Assim mesmo com A maiúsculo.
 A De Amor De Verdade.

4 de abril de 2010

Umbigo de ouro/Lembrete pessoal

 

Têm gente que está morrendo de fome. Têm gente que está morrendo de medo. Têm gente que está morrendo de frio. Têm gente que está morrendo por falta de informação.

Mas você só olha para seu próprio umbigo, só pensa nos seus problemas, só lembra das suas tristezas e ainda reclama da sua vida, ainda acha errado ter gente não sensibilizada com sua situação. Você por acaso tem umbigo de ouro?

É uma droga mesmo estar morando em uma cidade grande com água encanada, luz elétrica, acesso a transporte e a todo e qualquer tipo de bens de consumo. É uma droga ter que estudar, sentir a pressão e o medo de prestar vestibular e depois ainda ter que trabalhar.

Mas e se ao invés de medo de prestar vestibular você tivesse medo de que uma bomba caisse na sua casa por que seu país está em guerra? E se ao invés de morar na cidade grande você morasse em uma aldeia e tivesse que tirar água de um poço? E se você não soubesse o que é internet, televisão? Não tivesse acesso a livros e achasse que HIV se cura ao ter relações com mulheres virgens? E se ao invés dessa segurança tão falha da sua cidade você não tivesse segurança nenhuma e ainda fosse rechaçada caso algo de ruim te acontecesse? 

Têm gente que está morrendo de fome. Têm gente que está morrendo de medo. Têm gente que está morrendo de frio. Têm gente que está morrendo por falta de informação.

Mas eu só olho pro meu umbigo, pros meus medos, deveres, problemas e ainda reclamo. Reclamo se não se importam comigo, reclamo se se importam demais, reclamo se me pressionam para que eu tenha um futuro melhor, reclamo, reclamo, reclamo…

Meu umbigo não é de ouro.