17 de maio de 2010

Marriage echoes

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Domingo meu pai e eu conversávamos no café da manhã, ele estava comentando uma noticia de jornal e quando vi estávamos falando do alcoolismo e de internações, ele dizia que para de “beber não depende do meio e sim de uma decisão sua, uma força de vontade sua, eu parei de beber e era dono de um bar, comprava cerveja e todo tipo de bebida alcoólica e servia aos clientes! De fato até teria parado de beber antes, e não precisaria de três internações se não fosse sua mãe enchendo o saco dele o tempo todo! Ela era tão má e ambiciosa que eu tinha nojo, ainda tenho, mas naquela época era pior.” Não foram as palavras exatas dele, mas em síntese foram essas as palavras dele.

E eu não falei nada, simplesmente fiquei muda, fui fraca e não tive forças para defendê-la. De fato nem sabia direito como, mas devia tê-lo feito. Eu tenho nojo de mim mesma por ter ficado em silêncio, assim como tenho nojo de mim mesma todas as vezes que o ouço xingá-la de burra para baixo e não faço nada. Eu tenho nojo de mim mesma pela minha passividade do mesmo modo que tenho nojo dele pela sua agressividade, do mesmo modo que ele diz ter nojo dela.  

Relembrando a cena lembrei do meu irmão mais velho dizendo que minha mãe foi muito forte por ter ficado ao lado do meu pai durante todo o alcoolismo dele, disse que qualquer outra teria pegado as coisas e nunca mais voltado e eu senti um orgulho súbito da minha mãe, porque ela foi forte, porque ela ajudou meu pai a largar a bebida. Eu sei que sim, que ela foi forte, ela ainda é forte por ainda aguentar ele, porque sinceramente eu quase não aguento e eu não o escolhi para passar o resto da minha vida, ela sim. Só que quando meu pai disse aquilo eu simplesmente passei a me perguntar se a mesma medida que ela foi forte ela foi chata. Ela consegue ser chata, irritantemente cega e todas aquelas coisas que irritam meu pai e que o levariam a beber de frustração pela droga de mulher que ele teria que aguentar, mas eu não consigo aceitar isso. Não consigo aceitar que ele a odeie tanto, que a despreze e realmente sinta nojo dela. Não consigo aceitar que minha mãe não é a salvadora, que talvez ela tenha sido o problema!

E eu odeio o modo como ela simplesmente tolera isso tudo, como ela não dá um basta! Gosto de pensar que eu não faço isso porque ele é meu pai, tem 70 anos e problemas de pressão alta, mas fui programada para pensar assim, ela me programou! Desde que eu me conheço por gente não posso responder para ele por isso, para ela tudo bem, ela grita, eu grito e tudo certo, mas ela não grita com ele! Ela ajuda quem nem se quer conhece direito, briga sempre que acha que tem razão, independente da outra parte ser o chefe dela ou o papa, mas como ele ela simplesmente releva. Ela revida, mas releva e continua ao lado dele. 27 ano aguentando isso, 27 anos de passividade. Para que?? Por quê???  Odeio a passividade dela quase tanto quanto odeio a minha, mas de mim sinto nojo, dela sinto pena. Não me pergunte porque, minha mãe não é digna de pena, mas sim de orgulho, mas sinto pena porquê acho que no fundo talvez ela ame ele de um modo que ele nunca amou a ela. Ele já disse para meu irmão mais velho que se casou com ela para que ele tivesse uma mãe. Talvez até ele ame minha mãe de um jeito que nunca foi amado e assim sendo não sabe como passar esse amor. mas isso eu penso depois e separadamente. 

Family echoes

 

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Nenhum filho quer ouvir o pai falando mal da mãe, ou a mãe falando mal do pai. Nenhum filho quer ver os pais brigando, independente do motivo. Nenhum filho quer ouvir o pai, ou a mãe, mostrando arrependimento pelo casamento. Nenhum filho quer ouvir os pais dizendo que o que os manteve juntos são os filhos, a falta de dinheiro, a falta de opção. Nenhum filho quer que um culpe o outro pelos problemas da família, da pessoa, da vida. Nenhum filho. Independente da idade, classe social, histórico de vida e etc…

Eu ouço todas essas coisas todos os dias. Meu pai é o problema, mas minha mãe nunca enxergou o problema, aliás ela enxerga os problemas que convém a ela. Tenho amigos que reclamavam da situação em casa, dos pais brigando, eu sempre achei certa graça, afinal de que eles estavam reclamando? Não era assim sempre? Para mim sempre foi assim, mas com o tempo descobri que não deveria estar acostumada com isso e hoje me incomodo por me incomodar com os gritos e xingamentos de ambos e não fazer nada. Sabe porque não faço nada? Porque se não quem sofre sou eu, tenho que ouvir mais pai me humiliando com os xingamentos xulos que ele está tão acostumado a lançar para minha mãe e minha mãe vez ou outra tirando sarro, fingindo que não se importa. O problema é que eu sei que ela se importa.Não leve a mal, não estou dizendo que meu pai é um monstro e minha mãe um anjo que veio a terra para sofrer, jamais diria isso. Minha mãe é uma das mulheres mais fortes e batalhadoras que eu conheço e meu pai um dos homens mais sofridos e inteligêntes de quem já ouvi falar, mas os dois tem sérios problemas. 

Eu não sei até que ponto esses problemas deles me influenciaram, não tenho estudo o suficiente para esse tipo de analise, mas eu sei que fui influenciada. Somos frutos do meio em que vivemos não é?

Ah cara! Eu devo ser a droga de um saco cheio de merda!

14 de maio de 2010

Turbilhão a enviar.

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Quando eu tinha uns 11/12 anos tive uma amiga com quem passei as férias umas duas vezes. Ela é argentina, mas fala português porque o pai é brasileiro. Agora há pouco entrei no facebook e vi que ela era amiga de uma outra menina, que esteve conosco nas férias, então fui ao perfil dessa minha amiga argentina e comecei a olhar as fotos. Enquanto fazia isso um monte de coisas passaram pela minha cabeça.

Deveria entrar em contato? Quer dizer, se ela quisesse entrar em contato comigo ela tivesse me procurado não é? Mas e se ela se quer lembrou que eu poderia ter um facebook? Assim como eu não lembrei da possibilidade de ela ter um facebook é possivel que ela não tenha se lembrado de mim também. Mas ela adicionou a nossa amiga em comum e que eu me lembro essa amiga em comum foi muito mais amiga minha que dela, ela(a argentina) foi muito mais amiga minha do que da em comum, não seria natural ela lembrar de mim? Por outro lado foi a menina em comum que tentou manter contato com a argentina, enquanto eu me esqueci, e depois que esqueci resolvi deixar ela no passado, quietinha, onde a lembrança da amizade e dos dias felizes ficaria em paz e imaculada. É tão esquisito ver que ela tem toda uma vida lá na argentina, tem outrar amigas e meu Deus! Ela é tão argentina! Fisicamente e o jeito que ela demontra nas fotos, as paisagens das fotos, as amigas das fotos! Acho que eu simplesmente achei que ela era virtual, ou algo do tipo, existia enquanto nos estávamos juntas e éramos amigas, mas depois desaparecia. De fato tenho a tendência de achar que muitas pessoas são virtuais: Professores, amigos do meu passado, alguns amigos da internet, de fato acho que todo mundo! Chega a ser ridículo eu sentir uma pontada de ciúmes dessas pessoas quando descubro que elas tem uma vida, uma que não me inclui. E depois veio o medo, medo de não existir mais aquela sintonia entre eu e a argentina, medo de ela ser muito mais madura, inteligente, culta, adulta… medo dela ser muito mais e melhor do que eu.

Existem tantas pessoas assim na minha vida, pessoas mais do que eu, isso me incomoda porque eu sempre fui mais. Sempre fui lider, sempre fui a mais boazinha, mais pronta pra tudo, mais aquela que briga, mais aquela que está por perto. Pelo menos sempre achei que fosse. Agora vejo que não e é estranho. Todo mundo que eu conheço está em uma etapa da vida que eu no momento só sonho. Faculdade, festas, carta de motorista, trabalho, futuro! E eu aqui, na torcidinha, na fé de entrar na faculdade que eu quero esse ano e no medinho, no cagaço(com o perdão da palavra) de não entrar e ter que aguentar mais um ano de expectativa minha, dos outros, de invejinha da vida que todo mundo está levando enquanto a minha parece estagnada.

Então eu entro no facebook dessa minha amiga e percebo que ela não é virtual e sinto toda uma curiosidade para saber como é a vida dela e todo um medo de que ela seja tão melhor que eu que não queira a mim, não precise de mim. E as fotos que ela tira são tão melhores que as minhas, eu de fato poderia aprender muito com ela, quem sabe viajar para argentina ano que vem e deixar que ela me mostre o lugar? Ou ela viajar para cá e nós conhecermos juntas o meu lugar? Ou quem sabe os dois?! E aquela curiosidade, aquela indecisão… De fato, eu não tentei manter nossa proximidade, mas ela também não me procurou. Um pouco de ressentimento. Ela me jogou para escanteio. Um pouco de culpa, eu a joguei para fora do campo. Um pouco de perdão, se ela me jogou, eu joguei ela e o jogo empatou. E aquela vontade de ter essa amisade de volta. De conhecer essa cultura dela que quando eu era menor não soube apreciar. E o medo de não ser o suficiente pra ela. E essas fotos tão bem tiradas, tão bem editadas. E essa vontade de desafiar a mim mesma a aceitar mudanças em minha vida. E o clique: “Convidar está pessoa a ser minha amiga”. E a mensagem insegura: “Hey! Lembra de mim? Te encontrei no perfil da Angelica e bateu uma saudade…Me adiciona no msn: xxx Queria conversar com você!”.

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