7 de junho de 2010

Fraterninade

afeto1_d2x341250tcgkcw484ck0kkkg_801di6u7wqo0w0w8w8coswgk0_th
  Nessas últimas semanas tenho percebido que estou um pouco mais próxima do meu irmão. Apesar de sempre estarmos um ao lado do outro para tudo nós nunca fomos melhores amigos, mas últimamente tenho notado um maior interesse da parte dele em mim, tenho notado uma maior abertura para que eu faça mais parte da vida dele. Estou adorando, imagino o dia onde poderei sentir meus dois irmão como realmente irmãos, apesar de achar que sempre sentirei uma ligação mais forte com meu irmão do meio, por ter sempre morado comigo e fazer parte da minha vida de uma forma muito mais constante do que meu irmão mais velho.
É estranho como na minha família nós não temos essa intimidade entre nós. Nos amamos e tentamos nos estender o melhor possível, mas a vida pessoal do outro é uma coisa um pouco intocada. Acho que isso deve ter haver como o fato de meu pai nunca ter aprendido a compartilhar sua vida pessoal e demonstrar carinho, a mãe morreu quando ele nasceu e o pai era doente o suficiente para culpar o filho por isso. Mas minha mãe sempre foi carinhosa… Se bem que minha mãe passava a maior do tempo fora. Meu irmão mais velho passou a boa parte da infância sem ela, meu irmão do meio e eu tivemos que lidar com dias inteiros sem vê-la por causa do trabalho, assim como semanas passadas só com um deles devido a vida de “separados” que eles levaram durante 15 anos, de modo que por mais calorosa que ela fosse talvez não desse para nos passar muitos ensinamentos sobre isso, de qualquer maneira.
Acho que essa aproximação minha com meus irmãos se deve ao fato de estarmos nos permitindo demonstrar mais esses sentimentos que nutrimos uns pelos outros. Nós amadurecemos, aprendemos a lidar melhor com nós mesmos, começamos a entender a nós mesmos melhor, e com isso aprendemos a entender uns aos outros e descobrimos a importância uns dos outros. Sinto como se estivessemos virando uma família que um dia eu possa vir a denominar como sendo normal. 

4 de junho de 2010

Escrever

sonho

Ultimamente tenho estado muito viciada em filmes, séries e livros, mais do que o normal, e hoje descobri o porquê. Ou pelo menos acho que descobri.

Faz uma semana que meu irmão me mostrou alguns textos que ele escrever, bons textos, quer dizer, eu gostei dos textos, não sei se pessoas com mais entendimento do assunto achariam os textos bons, mas eu achei. Hoje minha mãe veio me perguntar se eu ficava chateada com o fato de meu irmão estar começando a escrever, já que eu sempre fui a escritora da família, eu disse que não, que na verdade acho legal nós termos isso em comum. Ela disse que ele perguntou isso a ela e eu retruquei que achava que ele havia perguntado isso a ela porque ele pediu para ler textos meus e eu não mostrei porque na verdade não tenho.

A coisa é que eu sempre gostei de escrever, mas, e talvez vocês achem isso falta de auto-estima minha, mas eu acho que é auto-consciência, nunca escrevi nada totalmente inventado por mim que fosse digno. As minhas produções se dividem em duas categorias: Romances curtos(minhas primeiras criações) e Fanfics(minhas melhores criações). Os romances curtos não estão bons, não digo isso por ser perfeccionista, mas sempre que os releio sei que conseguiria fazer milhares de vezes melhor. As fanfics não são criações inteiramente minha, eu só mostrei a minha versão do futuro de personagens que já estavam prontos, sim, criei personagens também, mas é diferente, por isso apesar de ter orgulho dessa parte do meu trabalho não acho que deva mostrar para meu irmão como criação minha.

Ele, na verdade, sente como se estivesse me ofuscando e acho muito legal da parte dele que ele se preocupe comigo, ele é um irmão melhor do que muitos outros por aí, mas meu problema é outro. Acho que o que me falta é bagagem e repertório cultural. É por isso que estou tentando ler livros menos fúteis, ver filmes mais cults, mas a bagagem se ganha com a vivência e eu apesar de ter uma curta história de vida bastante diferencial sinto que a minha grande história ainda não aconteceu. É como se eu estivesse esperando por ela, esperando uma grande história para poder escrever. Tento buscar isso nos filmes, nos livros, nas séries, mas a cada coisa nova que vejo ou leio mudo de idéia sobre o que escrever e eu estou sempre pensando sobre minha próxima história.

Talvez essa crise de criatividade tenha haver com a minha falta de bagagem e cultura mesmo, talvez eu esteja muito mais perdida do que pensava. No fundo meu maior medo é nunca conseguir essa bagagem, essa cultura, é nunca conseguir me achar. Meu maior medo é nunca achar a grande história que está por aí esperando por mim.