16 de outubro de 2010

“Agora é fechar o livro e deixar essa história para trás”

coracao partido

  Anos e anos, talvez não no ínicio, mas de algum ponto até os meus… Até hoje… 

  Me lembro de quando eu era muito pequena e você veio ver a mim e ao Nikolas, não era a primeira vez, mas não me lembro de nenhuma vez anteriormente, e nós três brincamos na praia do hotel, sob o olhar atento da minha mãe, minha e do Nikolas (e dessa vez o pronome possessivo é intencional), e eu me lembro de querer sua atenção e de competir com o Nikolas por ela, era final da tarde, eu joguei o bambolê que você me deu de presente muito alto e ele enroscou na árvore e foi difícil de pegar e eu me senti boba, como se aquilo fosse por algum motivo algo do qual eu devesse ter vergonha, um mico que eu paguei na sua frente. Eu não devia ter mais de seis anos e me lembro também de depois estar sentada ao lado da cama do papai e ele me perguntar quem estava comigo e o Nikolas na praia e eu ficar com medo de dizer que era você, não sabia que você era meu irmão, mas acho que foi ali que eu descobri, com o papai falando que tudo bem, que ele não se dava bem com você, mas que eu podia brincar com você. O segundo encontro que vem a minha memória também não está muito claro, eu devia ter no máximo oito anos e você nos levou para fazer uma trilha na cachoeira da água branca, dessa vez a Bia estava junto e eu lembro de que foi cansativo, mas que eu gostei, que eu achei a Bia legal, mas ainda não tinha total entendimento da situação, não tinha total entendimento de que você era meu irmão. O terceiro encontro que me vem a memória foi quando eu tinha dez anos, foi no final do ano, em novembro, eu acho, porque meu pai e o Nikolas tinham ido a São Paulo (naquele ano nós moramos na Ilha) porque ele foi prestar vestibular e quando a Elaine me passou o telefone dizendo que era meu irmão não pestanejei em brincar chamando a pessoa na outra linha de mala… Eu achei que era o Nikolas. Naquele dia você me chamou para tomar um sorvete e eu fui correndo pedir para minha mãe, eu estava tão ansiosa… Como uma amiga minha estava passando o dia comigo ela foi junto e você levou a Bia, depois fomos ao shopping ao lado e você me comprou uma caixinha de coisas para fazer pulseiras e quando você me deixou em casa a mamãe pediu para falar com você, fiquei com receio de te pedir para conversar com ela e você achar ruim, mas você foi enquanto a Bia ficou conversando comigo. Depois minha memória se enrolou um pouco, não sei se o Nikolas passou no vestibular e você foi jantar com ele e em outro dia comigo, ou se primeiro eu te achei no Orkut, mas sei que a partir daí nós passamos a nos ver mais, você me levou para almoçar uma vez depois da escola e eu fiquei a manhã toda ansiosa com o fato… Sei que foi em 2008/2009 que nós passamos a ter uma relação mais próxima, o Nikolas investiu muito nisso e a chegada do Henrique ajudou, mas tem uma coisa que você não sabe: Você sempre foi um fantasma na minha vida.

  Não sei exatamente quando começou, acho que foi depois do ano que morei em Ilhabela, depois que você me levou para tomar sorvete… É acho que é isso mesmo, depois desta ocasião você virou um fantasma. Eu pegava minha bicicleta e ia andando até a Vila e comprava um sorvete, dava uma volta, depois parava em frente a loja da sua sogra e ficava ali algum tempo fingindo observar o movimento, mas no fundo eu procurava você, esperava ver você passar ali e vir falar comigo ou algo do tipo. Aliás, acho que isso começou antes do sorvete, porque um dia no meu colégio encontrei a Bia, foi numa tarde que fiquei para fazer trabalho e ela foi fazer aula de natação ali, ela me viu e me cumprimentou e depois todas as tardes que eu ficava para fazer trabalho esperava te encontrar ali, ou encontrar ela. Depois que voltei para SP essa obsessão ficou ainda mais, porque então ouvi dizer que você tinha um Audi e toda vez que via um Audi na Ilha (onde sabia que você morava) tentava olhar dentro, sem que ninguém percebesse, tentando te achar. E o que mais dói é que eu nunca falei isso para ninguém, nunca contei para ninguém que você me decepcionou. Me decepcionou porque você não me busvaca do jeito que eu te busquei, e hoje eu te sinto um estranho e uso pronomes possessivos com você. Até hoje é difícil te sentir como meu irmão e durante muitos anos não usei a deisignação irmão para você e se você quer saber até hoje tenho dificuldades de usar. E quando você fica de ligar e não liga, como aconteceu algumas vezem durante meus 14/15/16 anos, eu ficava esperando dias, até hoje eu fico, sem ter coragem de te pressionar. 

Sabe de outros fatos interessantes? Eu só descobri seu nome inteiro quando tinha 15/16 anos e perguntei para mamãe com a idéia de te procurar no Orkut. Sua presença ainda me intimida e eu me sinto mais confortável na presença da Bia. Até hoje, quando sei que vou te ver sempre dou um jeito de me produzir mais. A mamãe carregou seu RG na carteira dela até dois anos atrás (ou seja até 17 anos depois de você ter saído de casa) e até hoje ela guarda uma cópia na pasta dela, junto com suas cartinhas de escola do dia das mães e um bilhete de desculpas por alguma malcriação besta. Quando perguntam quantos filhos ela tem ela fala três, e um netinho do mais velho. Quando mencionam seu segundo nome ela sempre comenta de você. E quando seu filho foi operado ela ficou desesperada atrás de noticias e aí quando ela pede para conhecer ele sua esposa tenta te convencer e quando nós chegamos na porta da sua casa você manda ela dizer que não, que prefere que seu filho não conheça a vó dele. Você não teve nem coragem de dizer isso você mesmo! E ela comprou até um presente para ele, sem motivos, quando eu perguntei o porque ela disse que era pelo dia das crianças, mas eu sei que se não tivesse esse feriado ela teria comprado a droga do presente de qualquer jeito. E se você quer saber você fez com ela exatamente o que fez comigo, elevou as expectativas, fez ela esperar e depois não permitiu. Ela foi até a droga do hospital para ficar ao seu lado durante a cirurgia do seu filho porque ela queria que tivesse alguém da sua família do seu lado, porque antes disso não houve nenhuma necessidade tão grande quanto essa. Equando você foi para angola ela que me mandou te ligar perguntando se você já tinha chegado e como estava, me mandou até te mandar um e-mail falando para você se cuidar! De boa? Ela se importa mais com você do que eu me importo. E ela pode não ter sido sua mãe, e pode não ser a melhor mãe do mundo para mim, mas ela tinha o direito de conhecer seu filho, ou pelo menos ouvir um não e uma explicação de sua boca. Já está na hora de para com essa mania nossa de simplesmente ignorar os assuntos desconfortáveis e tentar lidar com as emoções que o assunto “Você” causa em todos nós.

Então eu realmente espero que esta noite quando você disse que agora a história está encerrada e que é hora de fechar o livro você tenha se referido as mágoas e memórias ruins, e espero também que quando você disse que estava na hora de começar um novo você se refira a um livro que tenha o título “Perdão e esquecimento”. Você pode não ter se dado conta, porque eu não disse nada e fui covarde demais para ir embora, mas quando dispensou minha mãe eu perdi toda a vontade de tentar te entender. No fundo acho que só fiquei porque queria ver o Henrique.

13 de outubro de 2010

Fugindo do padrão.

  Meus textos/desabafos neste blog seguem um padrão, em relação aos assuntos: Amores platônicos não correspondidos, falta de criatividade, medo do futuro e problemas familiares. Triste é ter que admitir que minha vida não vai muito além disso. Mas hoje quero fazer algo diferente, quero liberar essas vontade de escrever dentro de mim e postar aqui um texto fictício, tentarei fazer isso outras vezes, exercitar minha criatividade, liberar minhas idéias para o mundos. Cenas…está é uma delas:

  O calor humano, as pessoas dançando e falando ao seu redor, o som da música alta em seus ouvidos… Tudo isso a sufocava. Ela queria paz, silêncio, tranqulidade. Queria poder chorar todas as suas mágoas e não fingir que estava tudo bem sorrindo para seus amigos e fingindo empolgação para se juntar a massa na pista de dança. Nunca havia se sentido assim antes, nunca havia sentido aquela ânsia por solidão, mas também nunca havia havia tido seu coração despedaçado antes, talvez nunca tivesse se quer o entregado por inteiro a alguém. Foi até o bar, pediu outra bebida, não costumava beber, mas decidiu fazer daquela noite uma exeção. Pegou a taça e virou engolindo tudo de uma só vez, sentiu o álcool bater e voltou para a posta de dança, desta vez mais disposta e alegre. Se deixou levar pelo som de uma ou duas músicas, esqueceu-se de tudo, do calor, da ânsia, da dor… Até que uma de suas amigas pediu para irem tomar ar fresco, elas foram até um corredor no fundo da balada, onde se podia ver o céu e as estrelas e sentir a brisa fria da noite. Ficaram as quatro ali, rindo e brincando como se não houvesse se passado nada, para as três mais risonhas de fato não havia se passado nada, aquela dor era só de uma delas. Da que se forçava a sorrir, da que agiu como se o verão que se passou houvesse sido apenas mais um, da que não contou nada para ninguém tentando assim fugir da melancolia, tentando assim tornar aquela dor que doía em lugar nenhum menos real. Uma de suas amigas chamou a atenção das outras para um homem que caminhava na direção delas. Mariana se virou com cuidado, tentando ser discreta, as outras três já tinham namorado, um era até noiva, mas ela, até onde as outras sabiam, nunca havia se quer se apaixonado. Por um segundo ficou completamente estática, pensou estar alucinando, mas quando se deu conta de que era real se deu conta também de que não tinha para onde fugir. Elas estavam no fim do corredor e o único jeito de sair dali seria passando por ele e tudo o que ela mais queria era distância. Sentiu os olhos azuis dele queimarem os seus, sentiu as borboletas em seu estômago levantarem vôo, sentiu seu coração bater mais rápido e um nó se formar em sua garganta. Sentiu vontade de correr em sua direção e o beijar, sentiu vontade de esperar ele se aproximar e lhe dar um tapa, sentiu vontade de se enterrar debaixo da terra e sumir, de fingir que não o conhecia. Mas não fez nada disso, ficou parada esperando ele chegar até ela e té se esqueceu das amigas. Quando ele finalmente chegou até elas parou em frente a Mariana e sorriu educadamente para as outras três moças de quem tanto tinha ouvido falar, então segurou no queixo de Mariana e o levantou forçando-a a olhar para ele e não para o chão como estava fazendo. Tomada por uma súbita onda de coragem e orgulho ela o passou a encará-lo ferozmente, deixando transparecer em seus olhos castanhos toda sua raiva, toda sua dor.

- Eu pedi em casamento a mulher errada e a mulher certa acabou fugindo, você sabe onde eu posso encontrá-la?

6 de outubro de 2010

Pronomes Possessivos

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  Por mais que eu tente evitar o uso de pronomes possessivos com ele, não consigo. Eu não quero, mas meu subconciente sempre coloca um pronome possessivo na frente daqueles substantivos. Talvez seja a falta de proximidade, e em grande parte esta culpa é dele, porque eu sempre estive aqui, foi ele que foi embora. Mas eu não sou mais uma garotinha e desde que ele começou a trabalhar em uma reaproximação eu não fiz muito esforço, então também tenho culpa.

  Pretendo deixar os pronomes possessivos de lado, mas vai levar tempo. Tempo para me acostumar com a presença constante dele na minha vida; tempo para perder o medo de que não seja constante; tempo para ele se acostumar com a minha presença constante e deixar de lado a vergonha, o orgulho, o medo… E eu quero isso! Quero ser alguém com quem ele possa contar, para quem ele possa ligar, eu quero ser parte da família dele e sentir ele parte da minha.

  Acho que a semelhança dele com meu pai atrapalha um pouco esse querer todo, porque meu pai me intimida e ele acaba me intimidando também. Acho também que ele dificulta, a vida dele é agitada, mas ele adia ligações tanto quanto eu. Pode ser por vergonha do que já passou, ou culpa, ou orgulho para admitir qualquer um desses sentimentos, ou mesmo insegurança quanto a meus sentimentos em relação a ele. Talvez. Acho que a verdade eu nunca vou saber, não vou perguntar e ele não vai falar. Talvez não seja nada.

  Eu sei que é importante para ele! Eu sei que sim, porque eu vi os olhos dele brilharem e vi também o sorriso sem graça quando disse que ela desejava uma boa viagem e pedia que ele se cuidasse. Eu vi aquela expressão no rosto dele e aquela expressão indescritivel descrevia uma emoção boa. Por falta de palavra melhor eu coloco aqui “felicidade”.

  Eu vou parar de usar o pronome possessivo, vou ignorar o que já passou, vou zerar seu passado com os outros, vou esquecer que um dia eu esperei e você não me ligou, vou tentar me aproximar, te ligar e cuidar para que você faça parte da minha vida, mas você tem que me prometer que não vai nunca mais se afastar. Promete?