18 de dezembro de 2010

Feliz ano novo…

 

futuro

Adeus ano velho.

 

Final de ano costumava ser minha época favorita, seguida do ano novo. A familiaridade do natal, a festividade do ano novo, o sentimento de desapego, a limpeza na vida, o sentimento de novidade, de que nesse ano que vai chegar tudo é possível e então a vida vai ser melhor, seguir os planos e dar certo.

Digo costumava porque esse ano não sinto isso direito. Eu senti o sentimento de desapego, de limpeza e a expectativa pela novidade, mas parece que tudo se foi. Hoje o que eu estou sentido é medo. Parece repetitivo, dado que eu sou a pessoa mais medrosa que eu conheço, mas a verdade é que eu estou com medo desse ano que vem aí. Serão tantas mudanças, não importa o quão igual minha vida continua ela ainda vai ser diferente de tudo até aqui.

As compras no supermercado onde eu pegava o carrinho e na porta ele que começava a guiar, as guloseimas escondidas ou compradas só porque eu gostava. Lembro quando meu pai vinha para SP só nos fins de semana e sempre que eu ia até o carro dele tinha chocolate, sonho de valsa era o preferido dele. No hotel tinha uma caixa de chocolate e bolacha! E tinha também aquela estante perto do teto onde ele escondia algumas barras, em uma época foi barrinha de milka e em outra ele comprava uma caixa inteira de mundi só para mim. Quando ele ia embora aqui de sp ele sempre deixava na mesinha de cabeceira dele alguns chocolates, quando ele percebeu que eu roubava ele começou a deixar de propósito. Ele não sabia direito como me agradar mas se ele descobria alguma comida que eu gostava ele cozinhava ela até enjoar. Quando ele viu que eu gostava de suco de laranja, porque eu sempre comprava em caixinha, ele começou a fazer sempre. Uma vez eu era pequena e tinha ganhado uma barbie que se você desse um impulso no suporta ela voava, eu não estava conseguindo direito e ele pegou da minha mão para me ensinar e quebrou o suporte, ele ficou se sentindo tão culpado, que me pediu várias desculpas. E eu sempre dizia que queria uma piscina no hotel e uma casinha de bonecas e uma dia quando cheguei lá ele estava construindo uma para mim! Ele fez ela inteira!  Quando tive dificuldade em matemática ele tentou me ensinar nas férias, ele se esforçava para ter paciência, mas as vezes ele se estressava, eu nunca disse a ele que na verdade eu aprendi uma coisa muito importante naquelas aulas: que as vezes nós ficamos bloqueados e precisamos tomar um ar para poder resolver o problema. Ele nem gostava muito de bolo de chocolate, mas fazia porque eu gostava. E as vezes ele era grosso demais comigo, quando eu era pequena, e eu chorava e ele pedia desculpas e ele não sabia disso, mas ele pedir desculpas me deixava de coração partido, mais do que a bronca. Ele conheceu o príncipe de um paisico que eu adoro(lichteinstein), e presidentes e ex presidentes de países americanos. Ele colocava moedas em uma caixinha e eu e meu irmão roubávamos sempre. Quando eu estava meio entediada nas férias ele pegava o carro e nós andávamos sem destido ao longo de toda a costa da ilha. Ele me comprou meu primeiro celular e minha primeira bicicleta e toda vez que nós íamos a caragua ele passava no McDonald’s porque ele sabia que eu gostava. Quando nós íamos com ele para ilha ele também parava no Mc, pelo menos enquanto nós éramos crianças. Ele me deu uma prancha de surf porque eu gostava de brincar no pranchão e eu acho que usei aquela prancha umas duas vezes só.

Meu pai me daria o mundo se ele pudesse, mas ele não vai estar aqui para ver eu conquistando o mundo por mim mesma. E eu sei que devo parar de pensar nele todo dia, que devo deixar ele partir em paz, mas é tão involuntário! Quando eu vejo minha mãe com o Nikolas, eu lembro dele comigo, quando acontece alguma coisa eu lembro que meu pai não gostaria, ou quando eu vou no supermercado passo por comidas e besteiras que ele gostava… E eu tenho tanto medo de esquecer dele, sempre ouço nos filmes as crianças dizendo que não lembram direito e eu tenho medo, eu não quero esquecer o rosto do meu pai, os acessos de raiva dele que me davam medo, ou as demonstrações de carinho.

E nesse ano de 2011 vai ser tudo tão diferente, vai ser o meu primeiro ano sem ele e talvez eu mude para outra cidade, onde não conheço ninguém e eu sinto medo. Medo de toda essa mudança na minha vida, medo de esquecer meu pai, medo de sentir muita saudade, de lembrar demais e não deixar a alma dele em paz, se é que isso existe, medo de como minha mãe vai superar tudo, principalmente se eu não estiver por perto, tenho medo de que ele esteja me vendo neste exato momento, chorando por ele, e que ele se sinta culpado, porque ele não tem que sentir culpado, não é culpa de ninguém é só o fim do ano chegando, a ficha caindo e o medo e a saudade me dominando.