23 de dezembro de 2011

Emendas

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  Eu acho que já te pedi desculpas uma vez, acho que você já me desculpou e acho também que você não me perdoou. Tudo bem, eu entendo, acho que nem eu me perdoei, como poderia pedir que você me perdoasse? Eu era sua única amiga, você confiava completamente em mim e já tinha sofrido a rejeição sem motivo de seus outros amigos, já tinha se decepcionado com outras pessoas e fui eu que te ajudei, você se entregou a essa amizade e eu… Eu fiz exatamente aquilo que seus outros amigos fizeram. Eu te afastei de mim, sem nenhum motivo, sem nenhuma explicação, sendo brusca, até estúpida, e cruel, por quem quebra a confiança dos outros do jeito que eu quebrei a sua é cruel. E eu sinto muito por isso, sinto muito mesmo, como eu disse antes, acho que não me perdoei por isso ainda e nunca vou me perdoar. Gostaria de ter percebido antes o que eu estava fazendo, mas só percebi depois que já havia te afastado, já havia te machucado e hoje eu vi claramente que você não me perdoou por isso. Você não consegue voltar a confiar em mim, a se entregar a nossa amizade como você fez naquela época e mesmo sabendo que a culpa é minha, isso me machuca. Me machuca saber que te magoei tanto, que nunca mais vou ter aquela sua amizade sufocadoramente suportiva e aquela companhia argumentativa. Meu pai dizia que confiança só se perde uma vez, acho que isso se aplica a você e eu não?

  De qualquer modo, eu só queria que você soubesse que eu sinto muito, que se pudesse faria tudo diferente e que ainda que não tenha certeza do que me levou a me afastar de você, desconfio que tenha sido o amor, o amor que eu voltava a sentir por você e que me deixou com medo de me decepcionar com você de novo. Lembra? Quando eu era apaixonada por você e você se afastou de mim? Você se afastou de mim porque gostava de outra e ela não queria ficar com você para não me magoar, então você começou a me tratar mal e isso quebrou meu coração, dois anos depois, eu achei que tinha superado aquilo, mas agora acho que não. Acho que me afastei de você porque fiquei com medo de me machucar de novo, como você está agora. Claro, podemos interpretar isso de dois modos: Eu indiretamente ou não te machuquei duas vezes, uma, mais fraca, quando você não ficou com quem queria e outra, mais séria, quando me afastei. O outro modo seria que você me machucou uma vez muito feio quando se afastou de mim e que dois anos depois foi a minha vez de te machucar feio se afastando. No fim foi tudo culpa do amor, do amor que você não sentia e depois que eu tive medo de sentir novamente. 

19 de dezembro de 2011

Poesia de amor

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Seu charme ensaiado me seduz

Me ilude temporariamente

Porque com o tempo e a distância

Eu me desintoxico

E na sobriedade eu percebo

Que meu desejo

É te conhecer por inteiro

Preciso te personificar

Sentir a realidade do seu olhar

Sem jogos ou indiretas

Saber o que é verdadeiro e

Mesmo que me custe o orgulho

E minha sobriedade caia por terra

Ter a certeza de que dessa vez eu tentei

fazer disso mais do que só um devaneio

18 de dezembro de 2011

Metas

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  Me perguntaram hoje quais eram minhas metas para o ano que vem, eu não soube dizer. Faz três anos que minha meta é passar no vestibular, antes disso era passar de ano e agora, esse ano entre todas as coisas que mudaram na minha vida mudou isso também. Não sei quais são minhas metas para o ano que vem, sei que vou estar em uma faculdade, sei que quero ter aulas de francês, escrita e talvez dança do ventre, sei que quero juntar dinheiro e viajar, conhecer alguns lugares novos, que vou procurar um emprego e ganhar novas responsabilidades, gostaria também de ser voluntária em algum lugar e quem sabe no fim do ano pudesse fazer um intercâmbio voluntário… Queria sair mais, ir em museus, teatros, cinema e até algumas baladas, queria conhecer gente nova, fazer novas amizades, conhecer alguém especial, viver um romance, experimentar novas comidas, ler muitos livros, ver muitos filmes, escrever um romance… Eu quero muitas coisas. E eu me sinto uma página em branco, com mil possibilidades, mas não sei por onde começar. Parece que fiquei tanto tempo com minha vida parada e que agora estou prestes a apertar play e não sei que filme ver.

  Sem contar que vai ser difícil bater o ano de 2011. Esse ano eu amadureci, rejeitei algumas faculdade, fiz alguns amigos, aprendi um pouco a viver sem meu pai, abri meus horizontes um pouco, me diverti com responsabilidade, aprendi coisas novas, sonhei com coisas velhas, ganhei um pouco de auto confiança e quizá auto estima. Mas como sempre, eu quero é mais! Eu quero tudo! Eu tenho uma sede de vida absurda e sinto como se tivesse pouco tempo para viver tudo o que quero. Mas taí, eu gosto de fazer listas e posso tentar selecionar algumas metas para o ano que vem, espero que possa cumprí-las, porque afinal essa é a tarefa mais difícil.

13 de dezembro de 2011

Meu lugar

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  Ás vezes eu tenho essa sensação horrível de que meu irmão acaba “tirando” de mim todos meus sonhos. Não no sentido de roubar, de fazer com que eu desista deles, mas no sentido de que tudo que eu sonho ele acaba realizando, na vida dele, e quase sempre em mais estilo do que eu tinha sonhado para mim. Talvez não seja algo do qual ele tenha consciência, talvez eu esteja neurótica de TPM, talvez eu esteja certa.

  Quando tinha 13/14 anos sonhava em fazer intercâmbio nos EUA, quando eu tinha 15 anos eles fez intercâmbio nos EUA, com direito a estudar em Harvard. Eu sempre gostei de escrever e todo mundo sempre soube disso, hoje todo mundo sabe que ele também gosta de escrever e ele até já teve texto públicado no jornalzinho da faculdade, sem contar que o que ele escreve é muito mais profundo do que o que eu escrevo. Começo do ano passado eu falei que queria fazer direito para seguir carreira em direito internacional e trabalhar em ONGs internacionais e ajudar quem realmente precisa, seja na áfrica ou na bolívia, dois meses depois ele disse que depois de se formar faria um ano de exército, na amazônia, para ter bagagem de vida e hoje, exatamente hoje ouvi ele dizer que pensava em se juntar ao médicos sem fronteiras.

  Como eu disse, talvez ele faça isso sem querer, ele provavelmente faz isso sem querer, mas eu sinto que está cada vez mais difícil achar meu lugar no mundo desse jeito. Eu sempre tive essa necessidade de ser ligeiramente original, mesmo que só em pequenos detalhes, mas principalmente nos meus sonhos e cada dia que passa eu sinto que eu sou mais parecida com ele. Isso me enlouquece!

  Depois vem essa coisa de ninguém da minha família realmente me entender, eles me amam, sim, sem dúvida alguma, alguns até precisam de mim, mas me entender? Acho que no fundo a única pessoa que realmente me entendia era meu pai. Entender assim, meu jeito de ser, nós discordávamos em muitas coisas, e eu odiava algumas visões de mundo que ele tinha, mas nós realmente éramos parecidos, só que eu sou mais suave do que ele era. Esses dias tenho me irritado tanto com minha mãe falando que eu sou muito parecida com ele, mas não é por ser parecida com ele que eu fico irritada, é pelo jeito com que ela consegue fazer isso soar tão ruim. E ela ainda fala como se fosse diferente, mas ela não é, ela faz as mesmas coisas que ela o acusa de ter feito, ela é do jeito que me acusa ser e não percebe. Eu só sei que me mata um pouco cada vez que ouço ela dizer com aquele tom que eu sou como ele. Assim como me mata um pouco cada vez que alguém usa uma característica minha para justificar o porque de eu não ter namorado. Sempre que fazem isso, sempre da minha família, eu morro um pouco. Não sei porque dói tanto, mas dói, dói muito! Eles agem como se eu PRECISASSE ter um namorado, e racionalmente falando eu tenho todos os motivos para não ter, mas do jeito que eles falam e sempre tocam na mesma tecla eu…

  Não sei. Talvez eu precisse de um tempo longe da minha família, um tempo para me achar, para decidir como eu quero escrever minha história. Por que a verdade é que eu não tenho tempo nem dinheiro para ter namorado agora, não tenho problema nenhum em ser parecida com meu pai, não acho nada de errado em eu sonhar com uma faculdade pública e querer sempre mais do que eu poderia ter, também não acho errado eu querer ler livros cults na praia, ou não gostar de balada, ou não beber, ou não querer ficar com um cara numa noite porque eu simplesmente não gosto de ficar por ficar. Talvez eu precise um tempo da minha família para me construir sem eles, porque eu sinto que eles são um microcosmo da sociedade que eu odeio, radical, opressiva, preconceituosa e determinante, pior, determinante do comum.Não me leve a mal, eu amo eles, seria capaz de botar minha mão no fogo por eles, meu corpo inteiro se fose necessário, mas… Eu nunca quis o comum para mim mesma, eu nunca fui comum e hoje eu sei que busco o extraordinário porque eu sou extraordinária e como toda sociedade, eu começo a sentir que eles preferem nivelar, ocultar quem brilha, indiferenciar o diferente e manter a união. Não é culpa deles, é o comportamento de massa, eu agiria assim se não fosse eu quem destoa, quem brilha.

7 de dezembro de 2011

Waiting for forever

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“I’m not gonna just stand here waiting for forever!”

Essa é uma frase que eu gosto, é uma frase que poderia ser dita por qualquer mocinha de qualquer filme hollywoodiano, que mostra atitude, que representa tudo aquilo que eu gostaria de ser. Eu nunca fui do tipo que fica sentada esperando as coisas acontecerem, eu sou do tipo que fica de saco cheio das pessoas falando dos problemas, então vou lá e de maneira super prática resolvo o problema. Taí. Eu sou prática, mandona também, mas principalmente prática, se tenho um problema busco um jeito de resolver, se quero uma coisa dou um jeito de ter. Nunca gostei daquelas pessoas que tem tudo que querem porque cai do céu. Tenho uma prima que tudo que é bem material que ela quer ela fica sentada esperando receber de presente, eu não. Eu aprendi muito cedo que se eu quero uma coisa tenho que batalhar para conseguir. Mesmo em casa, eu sempre tive que lutar muito mais para conseguir o que eu queria do que meu irmão, sempre fui a que briga mais, a que se rebela.

Então, por que, infernos, não consigo ser assim na minha vida amorosa? Se tem alguém que eu quero eu simplesmente fico olhando, babando, esperando a oportunidade de falar com a pessoa, rezando para que ela perceba que eu existo, que eu gosto dela, que eu sou legal e estou interessada. E eu sei que sou assim, já fiz promessas a mim mesma de que iria mudar, que iria começar a ter mais atitude, coragem de chegar junto. Mas não. Eu simplesmente travo na hora H. Se estou sozinha não ajo, se estou com amiga fico tentando dar indiretas, mas que são tão indiretas, que nunca chegam. Quando estou sozinha me mascaro na ilusão de não ser percebida, quando estou com amigos me mascaro na ilusão de que serei percebida. E eu estou tão cansada de ser assim! Achei que se uma amiga com um objetivo em comum agisse eu teria mais coragem e o alvo que escolhesse o que quisesse, mas não. Continuo sem coragem e ainda consegui segurar a coragem da minha amiga. Tenho medo de que minha amiga mude de idéia e eu desista de vez e fique, mais uma vez, me perguntando o que poderia ter sido e não foi. Essa falta de coragem de chegar junto faz com que eu me sinta tão fraca!

Decidi mais uma vez agir, dessa vez para valer. Não chamar ele para sair, assim na lata, mas eu e minha amiga chamarmos ele, assim não fica muito na cara e me da a oportunidade de conhecer ele um pouco melhor sem me expor tanto. O único problema é que mesmo enquanto penso e escrevo esse plano já sinto a falta de coragem e o sentimento de “isso não vai acontecer porque eu não vou ter coragem” me dominar.

4 de dezembro de 2011

Peso leve

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  Ás vezes, quando leio textos de amigos, de outras pessoas da minha idade, ou mesmo do meu irmão, sinto um peso nos meus ombros. É um peso que amassa meus maiores sonhos e que vêm da pressão que eu sinto quando leio um texto escrito com palavras difíceis, ou melhor, com um léxico muito mais amplo do que o que eu escrevo. Cada vez que leio um texto desse, sinto que não sou boa o bastante, que aquela pessoa, que escreveu aquele texto profundo e com palavras difíceis, é bem melhor que eu e que eu nunca vou chegar aos pés dela.

  Essa semana senti isso no cursinho, quando um aluno leu em voz alta a resolução de uma questão que eu nem se quer consegui formular. Senti que eu não sou boa o bastante, que eu não vou passar. E é aí que vem a coisa boa de ir a um pisicólogo, eu contei como eu me senti a ela e ela me disse uma coisa bastante óbvia, mas que me acendeu um luz: não fique se comparando com os outros, isso não vai te levar a nada, só vai te deixar em pânico e aí sim você vai falhar. E ela tem razão.

  Ficar me comparando aos outros não vai me levar a nada. Por que eu deveria me comparar aos outros que escrevem textos com palavras difícieis para passar mensagens simples? Por que eu devo me comparar aos outros que escrevem textos profundos e reflexivos se o que eu realmente quero é tocar o coração das pessoas mais simples? Não quero ser uma intelectual de merda que se acha grande coisa porque um cara com doutorado elogiou o texto dela. Quero ser uma escritora que ouve de seus leitores como aquele texto lhe fez sentir, como ela mal pode esperar para ler o próximo. Eu quero ser capaz de mudar a vida das pessoas e o jeito que elas pensam, mas não quero mudar só alguns, quero mudar a maioria, a massa, porque isso sim é mudar o mundo. Não adianta usar palavras difíceis e conceitos abstratos se ninguém os entende, se não vai mudar em nada as pessoas.

  E depois, cada vez que me comparo com os melhores e me sinto pequena acabo de alguma forma me surpreendendo comigo mesma, seja passando em uma prova, seja recebendo um comentário positivo de uma leitora, seja discutindo assuntos sérios com adultos. Eu acho que minha alto estima e auto confiança são tão baixas que quando vejo o resultado do meu trabalho acabo me surpreendendo com a qualidade dele. E eu gosto disso. Dessa humildade que me permite defrutar as pequenas coisas do meu dia a dia.

30 de novembro de 2011

Paradoxo

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  Hoje percebi uma coisa engraçada, percebi que sozinha não tenho força, não tenho coragem, não tenho vida.

  Sempre fui o tipo de garota que tem poucos amigos, não tenho problema com isso, porque os amigos que tenho são bons amigos, são os que me bastam. Hoje, mesmo com meus amigos perto, fiquei longe deles e simplesmente desapareci. Com meus amigos eu sou dinâmica, cara de pau, debochada, viva, sou eu mesma, em vários níveis e de vários modos diferentes. Sem eles eu sou mais calada, cedo a timidez e ao medo, até mesmo me inferiorizo, o que também sou eu mesma, em vários outros níveis e de diferentes modos. Acho que quando estou sozinha sou a parte fraca de mim mesma, a parte resistente, e quando estou com mais alguém, pode ser apenas mais uma pessoa, pode ser qualquer amigo ou familiar, sou quem eu quero ser, sou líder, sou luz, sou forte.

  Acho isso engraçado porque mostra como as companhias realmente dizem quem nós somos e como todos nós, mesmo eu que sempre me julguei diferente, mudamos quando estamos em grupo. Uns mudam para melhor, outros para pior e mesmo no meu caso é relativo, mas mudam, eu mudo. Todo grupo tem aquela pessoa que se destaca, que acaba dando nome e forma ao grupo, que passa a ser a cola do grupo, pelo menos no início, eu sou essa pessoa. Eu sou a líder nata, só não imaginava que sem ter quem liderar eu ficasse tão defensiva e apagada. E o mais engraçado é que justo eu, uma menina boazinha, tímida, doce, que sempre pensou que passava despercebida na multidão, é uma líder nata. E pensando nisso voltamos àquilo que já disse: eu sou desafio as possibilidades. Se Deus existe, ele tava bêbado quando me criou. É a única explicação que eu encontro para justificar esse amontoado de paradoxos que me compõem, tanto no físico, como mencionado anteriormente, quanto no interior. 

24 de novembro de 2011

O monstro

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  Você passa o ano todo se preparando para um dia, no fundo é isso. Você pode prestar quantos vestibulares vocês quiser, mas você tem aquela faculdade na qual você prefereria estudar, então, na real, você acaba se preparando o ano todo para prestar o vestibular daquela faculdade. E não importa o que seus muitos professores digam, ou até mesmo deixem de dizer, você está nervosa, comendo que nem uma porca para afundar a ansiedade e o medo, fazendo exercício para gastar energia e conseguir dormir sem problemas e evitando a todo custo pensar no assunto, na prova, mesmo quando está estudando para ela. Ano passado baseei minha vida contando que eu ia passar para a segunda fase, não passei, esse ano evito a todo custo pensar na prova. Não quero sentir aquela decepção de não passar de novo, aquela frustração que me dói o coração só a lembrança, mas também não quero ser negativa e achar que não vou passar, não quero agourar.

  O que eu sei que vai acontecer é que eu vou sentir falta do cursinho, mesmo que não faça a faculdade que eu quero, ano que vem vou fazer uma faculdade e sei que dizendo isso acabo sendo otimista, mas sinto como se estivesse sendo apenas realista, dado que já passei em três faculdades, duas das quais estou prestando novamente agora. No meu primeiro ano de cursinho eu curti mais do que deveria e acabei indo mal na prova, ano passado estudei bastante, mas não deu e esse ano acho que consegui medir direitinho, o que talvez seja um bom sinal. E apesar de já ser minha quarta tentativa de verdade é a primeira vez que me sinto realmente pronta para a faculdade, para mais essa mudança de vida e, saudosista que sou, basta a expectativa de mudança aparecer para que eu sinta saudade do que ainda tenho.

  É que o cursinho é todo um mundo particular, pessoas que sairam da obrigação de ir forçada a escola, mas que ainda não chegaram ao paraíso que os adolescentes imaginam ser a faculdade, o cursinho é o limbo. E os vestibulandos dão uma cara toda especial a esse momento, com as brincadeiras, catch-phrases, catch-words e até mesmo as próprias risadas. No meu caso sentirei falta do Abner com suas catch-phrases: “não é vergonha nenhuma”, “Isso é legal, pessoal”, “na minha cabeça”, “ninguém bate nete ele pensa o que quer” e talvez tenha outras, mas essas são as principais dele, tem as catch-words do Gian: “colapso” e “esfrega”, o Gugu com seu amor a osasco, o Márcio com seu “bom dia pessoal”, os chavecos geográficos e, claro, as receitas e idéias culinárias, do Artur e do Maurício vou sentir falta da polêmica, do jeito que eles instigavam a gente a pensar, refletir e sair da caverna de platão, também sentirei falta do Renato e seu “sangue”, do Elésio e suas tantas conquistas, do Élcio e seu jeito charmoso, do Thiago e seu jeito fofo, do Roberto e suas piadas raramente engraçadas, mas mesmo das mais sem graça acho que vou sentir saudade, do Vidal e seu sotaque contagiante do interior, do Edu vou levar o entusiasmo com a vida e por último, mas não menos importante, do Bucci vou sentir saudade das idéias revolucionárias, que me ajudaram a ver o mundo com outros olhos e também dele levarei a leitura mais precisamente seu jeito de sempre ler declamando, não importa que tipo de texto seja.

  São esses os meus mais recentes professores e também os que mais me ensinaram, mais me fizeram querer aprender, mais me prepararam para a vida, essa vida tão longa que está por vir. Claro que levo vários outros professores na memória, como a Claudiane e a Valquíria que me ensinaram a gostar de literatura, ou a Magda que me deu o medo da matemática, ou o Silvio que me deu o amor a escrita, ou o Flávio e seu discurso de fim de ano que serve para qualquer coisa e alguns outros que eu ainda levo na memória. Acho que no fundo levo todos meus professores comigo, acredito que em cada um de nós no presente existe quem nós fomos no passado e quem eu fui no passado eu devo um pouco a eles, assim sendo devo um pouco a eles quem sou no presente e a isso agradeço. Mas acima de tudo agradeço aos meus professores deste último ano de cursinho, que não só fazem parte de mim por terem contribuído com ensinamentos do ensino fundamental, mas me ensinaram uma coisa fundamental: pensar.

23 de novembro de 2011

A realidade é outra

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  Com o tempo eu percebi que minha maior dificuldade para escrever um romance é que eu coloco muito daquilo que eu gostaria de ser e aí faltam defeitos a heroína e ninguém gosta de heroínas perfeitas, nem eu. Assim acabo abandonando as histórias que já estavam quase que escritas, na minha cabeça, por excesso de perfeição e falta de defeitos. Sempre imaginos personagens centrais sendo mulheres, ou mesmo meninas, fortes, destemidas, espertas, sem com uma resposta pronta na ponta da língua, com o poder de se entregar sem receio ao grande amor, sem medo de arrependimentos, vivendo no presente e sabendo como e quando desdenhar, sem contar que elas sempre tem um talento natural para ser sexy.

  Mas minha realidade é outra. Quando existe um possível herói na minha vida eu simplesmente nunca sei o que falar, sempre acabo desdenhando mais do que devo, morro de medo de me entregar e ter meu coração partido, de pensar que estou sendo sexy e na verdade estar sendo idiota e nunca tenho coragem de chegar então acabo idealizando toda a relação com o herói e no fim a única coisa que me resta é uma boa história para ser escrita. Claro que na minha cabeça eu sou tudo aquilo que escrevi no primeiro parágrafo, de modo que tudo se torna um ciclo vicioso desgastante e viciante.

  Dessa vez calhou que eu tenho a oportunidade de fazer diferente. Tenho a chance de tornar as coisas mais reais, ainda não sei até que ponto vou chegar, mas estou tomando essa gotinha de coragem que eu tenho para continuar no barco e ver no que vai dá. Grr. Só de pensar já sinto borboletas batendo asas na minha barriga e acho que meu coração está palpitando um pouquinho. Tudo começou com uma foto, depois uma pergunta e aí entrou a coragem e cara de pau de uma amiga e a determinação de que quem tiver chance vai em frente. Talvez o herói não possa ir em frente e aí eu sinto uma pontinha de alívio e desapontamento, mas se ele puder….borboletas de novo. Tenho medo de não saber o que falar, tenho medo de não ser a que recebeu o olhar, tenho um frio no estômago de expectativa, ansiedade e curiosidade, porque não tenho certeza de que sou capaz de ir até o fim, mas tenho curiosidade em saber onde seria o fim. A linha ética me proibe de ver o fim, mas entre tantas coisas erradas essa me parece a mais certa que eu poderia fazer, certa pelo amadurecimento que eu poderia ter, certa porque é algo que eu quero, certa porque seria uma experiência única que me daria material, que me tiraria um pouquinho da caverna … Certa de muitos modos diferentes, mas ainda assim errado. E poderia dar bem errado, eu que tenho medo de me entregar e facilidade de imaginar já imagino também muitas coisas que poderiam dar errado, que poderiam me machucar, mas acho que… Acho que esse ano realmente mudou muitca coisa em mim porque agorinha penso que por mais errado que tudo possa dar eu ainda quero ver como vai terminar.

21 de novembro de 2011

Minha beleza

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  Minha beleza desafia as possibilidades.

Não sou uma modelo de passarela e muito menos de revista. Nunca saio bem em foto e vídeo nem se fala. Não tenho cabelo liso, não tenho bunda grande, não tenho lábios carnudos, não sou estilosa e nunca estou na moda. Meu cabelo é ondulado e nunca fica do jeito que eu gostaria. Minha boca é pequena, meu nariz torto e meus olhos assimétricos. Meus ombros são largos, meu peito grande demais, minha bunda pequena demais e se a calça jeans fica boa na bunda não fecha na cintura, porque meu manequim né 42 e minha bunda 0. Mas ainda que essa descrição lhe pareça a de um monstro, não estando de acordo com as regras do belo que a sociedade impôs a você contra a sua vontade, eu lhe garanto que sou bonita. Atraio olhares de vários tipos de homens quando ando na rua, e de alguma mulheres também. Minha beleza não está no previsível, não é igual ao de todas as outras, mas está lá e eu acho que todo mundo tem uma beleza lá, só precisa aprender a valorizar, a destacar.

Tem gente que acha que para ser bonito tem que ser perfeito, mas não é bem assim. O espelho me aprisionou durante muito tempo, até minha mãe e meu irmão se entregaram ao padrão sociedade querendo que eu mudasse, mas eu percebi que gosto de ser como eu sou. Gosto de ter que tirar milhares de fotos para ter uma boa, gosto de ter do que reclamar, gosto de me sentir feia e quando sair a rua receber um olhar inesperado, gosto de me sentir normal. E digo mais, prefiro sentir a insegurança de ter a beleza diferente do que a previsibilidade de ter a beleza perfeita. É esse diferente que me impede de ser fútil, que construiu meu carácter de modo que eu posso me orgulhar de não ligar para o que todo mundo liga.

Minha beleza desafia as possibilidade porque apesar de assimétrica sou harmoniosa, e ao invés de meus defeitos me deixarem imperfeita, me fizeram única.

1 de novembro de 2011

Romantização do romance

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Eu romantizo tudo.
Eu romantizo demais.
Romantizo sonhos e realidade,
Romantizo a amizade e romantizo o amor.
Eu romantizo o acaso e o descaso…
se deixar romantizo até o mau-humor.

Esse romance idealista e viciante, nunca encontra um ponto de fuga então caminha pela minha mente de modo errante e persistente. É esse romance que me empurra para a escrita. É o sangue que corre em minhas veias, é a parte mais importante do meu jeito de não ser.

Porque romantizando a vida eu esqueci de viver.

26 de outubro de 2011

Embalagem vazia

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  Nunca fui numa balada, eu sei, 20 e nenhuma balada, trágico! Eu mesma não sinto falta, acho que sou um pouco anacrônica no que se toca a balada, não gosto de lugares escuros, não gosto de não ouvir minha própria voz na hora de socializar e não me sinto confortável em lugares muito lotados. Ah! O principal: não acho que conseguiria fazer como tantas meninas fazem de ficar um vários homens numa noite, na verdade não acho que conseguiria ficar com um garoto que nunca tivesse visto na vida. Acho que sou uma garota à moda antiga.

  Eu gosto de conversar, gosto de sentir uma conexão que vá além da química, gosto de sentir aquela ansiedade e aquele arrepio do estar interessada. Sem contar que eu tenho essa louca necessidade de me sentir especial. Não consigo me imaginar sendo apenas mais uma garota que o cara vai beijar e que no dia seguinte nem vai lembrar meu rosto, muito menos do meu nome. Detesto ser tratada diferente por ser bonita, ou por estár feia e é isso o que acontece na balada, o cara te avalia com base na sua aparência e então decide se vai, ou não, ficar com você. Não sou uma embalagem vazia! Tenho sentimentos e inteligência e não apenas peito e bunda.

  A ncecessidade que nós jovens temos de sexo e do prazer sexual é grande, eu sei, mas acho que meu orgulho é maior. Não consigo me permitir ser apenas mais uma para qualquer cara que seja. Minha auto-estima e meu ego clamam pelo inesquecível e não dá para ser inesquecível em uma balada. Talvez isso mude, esse sentimento todo, afinal, tanta coisa tem mudado… Até lá, muito prazer, meu nome é Carol Neëh! e “I’m not one of those girls”.

11 de outubro de 2011

Não é TPM.

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Não é passageiro.

Eu achei que fosse, que essa angústia, que essa sensação de não ser entendida, que esse nó na minha garganta fosse sumir logo, mas ele não sumiu. Sou eu, faz parte de mim. Eu tento não ligar, tento não me importar com o que eles dizem, mas parece que está ficando impossível. Eu queria poder simplesmente sumir do mapa até essa sensação de estar sendo ignorada, exagerada, passar.

Meu complexo de Cinderela me diz que eu só preciso sentir o amor de alguém, sem julgamento. Porque a verdade é que essa besteira de que você encontra amor incondicional só na sua família é a maior merda que alguém já inventou. As pessoas acreditaram nessa merda e agora elas acham que podem te tratar do jeito que bem entendem, sem respeito, sem consideração, que está tudo certo, que você não vai se importar, porque afinal você é filha, você é irmã, você é alguém que os ama e é amado incondicionalmente. Besteira. Sou filha, sou irmã, mas preciso de respeito, consideração e educação como todo mundo, mais importante: preciso sentir que sou amada incondicionalmente.

E é só colocar uma música e pensar no assunto que já sobe o nó, pode ser qualquer música… maldita arte.

E as vezes parece que não importa o que eu faça, ou que atitude eu tome, as coisas não mudam. Eu tento relevar, tento não discutir, tento sair e esfriar a cabeça, esquecer, deixar para lá, mas de um jeito ou outro, passa algum tempo e eu volto a me sentir assim: errada, ignorada, frustrada, um lixo. Mas não se preocupe, é só em casa, é só com aqueles que deveriam me dar amor incondicional.

E justo esse ano, esse ano que eu queria estar bem para fazer a prova, esse ano que eu achei que ia dar tudo certo. E eu culpo meu irmão. Não por precisar culpar alguém, não por causa do nosso relacionamento tortuoso, mas por causa do primeiro dia do ano, daquele dia que ele arruinou porque enchou a cara e me deixou puta da vida. Aliás, pensando bem minha mão também é meio culpada, na véspera do ano novo ela foi uma vadia e tentou me obrigar a ir a uma festa de ano novo que eu não queria, então ela me deicou chateada durante a virada, isso deve ter afetado tanto o resto do ano quanto a bebedeira do meu irmão.

Sim eu sou supersticiosa.

Eu sei que eu já disse que esse ano foi bom porque eu amadureci e etc. e eu realmente quis dizer aquilo, mas também foi uma merda, foi um dos anos que eu mais me senti angustiada, ignorada, lutando contra um gigante. Acho que é nos anos ruins que a gente cresce, afinal precisamos superar as coisas ruins, continuar andando, seguir em frente em busca de algo bom, algo que valha a pena. Talvez passando por coisas ruins nós apreciamos melhor as coisas boas, não só por já estar crescidos, mas também por saber a diferença.

30 de setembro de 2011

Take me away

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  Três anos atrás meu vizinho se matou deixando a mulher e duas filhas pequenas sem nenhum tipo de amparo. Ele não deu explicações, apenas dirigiu o carro até o meio do nada e tomou veneno de rato. A polícia só o encontrou dois dias depois. Quando meu vizinho se matou fiquei em dúvida, não sabia se o chamava de covarde, por não ter coragem de enfrentar a vida, ou de corajoso, por ter coragem de tirar a própria vida. Sempre tive essa dúvida, mas agora começo a entender um pouco da covardia e da coragem e, e isso me assusta.

  Sempre fui do tipo que acha ridículo um suicídio, para que eu iria me matar? Mais lógico seria matar a pessoa que me faz mal. Mas desde o começo do ano comecei a ter lances de vontade de tirar minha própria vida, o pensamento durava cinco minutos e geralmente ocorria durante uma briga com minha mãe, mas aí eu lembrava de como minha avó iria sofrer e de como minhas amigas iriam ficar tristes, e também em como minha mãe iria sofrer e a idéia sumia. Mas hoje não pensei em nada disso. Não, eu não tentei suicídio, mas pensei no assunto, logo após meu irmão jogar algumas verdades e outras mentiras na minha cara, me bateu uma vontade louca de me enforcar, de tomar uma caixa de calmentes, ou colocar balas no revólver do meu pai e me dar um tiro na cabeça. Quando pensei que minha mãe iria sentir minha falta dei os ombros e lembrei que meu irmão a ajudaria passar pela situação, no fundo ela sempre amou mais a ele. Depois pensei nas minha melhores amigas e percebi que elas não iriam sentir tanto a minha falta porque eu quase já não falo com elas. Todos os outros iriam ao enterro, ficariam tristes por um mês ou outro, mas passaria, eles iriam superar e continuar a viver a vida deles como se nada tivesse acontecido, até minha vó.

  Talvez eu esteja errada em pensar deste modo, em pensar que minha vida é tão dispensável, talvez minha avó, que já tem 80 anos não resista, talvez minha tia que já é meio maluca enlouqueça, talvez meu irmão jamais se perdoe e vire um alcólatra, talvez minha mãe se renda a depresão. Eu não tenho como saber o que vai acontecer se eu me matar, não tenho como saber quem vai sofrer, quem nem vai perceber, mas no fundo não importa, eu não vou mais estar aqui. Eu não vou mais sofrer. Não que eu esteja deprimida e em dor, mas não vou ter mais que aturar meu irmão me humiliar, tentado me vencer em uma competição que só acontece na cabeça dele, não vou ter mais que ouvir minha mãe me reprovando quando tudo o que eu quero é que ela sinta orgulho de mim, não vou mais ter que ceder a todos por medo da opinião que a sociedade pode ter de mim.

  Hoje essa saída covarde me pareceu interessante, me assuta ver que eu estou sendo capaz de pensar algo do tipo, algo que eu sempre achei que nunca iria pensar. Me assusta perceber que se meu pensamento mudou, será que minhas atitudes não podem acabar me surpreendendo? Eu tenho medo desse pensamento porque tenho medo de ser capaz de me render a ele.

25 de setembro de 2011

Tempestade

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  Parece que esse ano foi uma grande tempestade, aconteceram muitas coisas, mas ele não começou em janeiro, começou em novembro.

  Primeiro meu pai foi internado, eu prestei os vestibulares, eu não passei na Usp, meu pai morreu. Prestei mais vestibular, veio o natal, ano novo eu viajei e me encontrei um pouquinho. Depois não passei na Unesp e tive uma crise de confiança, me perdendo de novo. Decidi fazer cursinho, viajei no carnaval, começaram as aulas, foi meu aniversário e poucos dias depois passei na Unesp. Viajei para Franca e lá conheci duas pessoas maravilhosas, mas não fiquei, voltei para São Paulo, briguei com minha mãe e meu irmão, causei com isso uma grande crise familiar, que no fim se resolveu, ao mesmo tempo em que eu comecei a ir para a psicóloga. Na psicóloga eu me encontrei um pouquinho, ganhei um pouco de confiança, fiz mais alguns vestibulares e passei, mas preferi continuar no cursinho e tentar a Usp no fim do ano. Comecei a fazer auto escola e o tempo foi passando sem grandes mudanças e este mês veio a coisa da cirurgia, da qual eu desisti causando mais uma leve crise com minha mãe, mas foi leve porque depois do rolo da Unesp ela passou a ser um pouco mais razoável comigo e também fiz a prova para tirar a carta. Eu comprei a carta, me corrompi, achei que não me corromperia, ou talvez preferisse pensar assim, mas me corrompi e não me sinto mal com isso e isso me assuta, mas me conforta saber que não sou tão podre a ponto de me corromper e não me sentir nada. Por enquanto é só, mas mais vestibulares estão chegando e provavelmente mais um integrante na minha grande família assim sendo ainda vão haver mais mudanças em minha vida.

  E eu não sei quando esse ano vai acabar, mas sinto que foi um ano que valeu a pena. Deve ter sido um dos anos que eu mais chorei, mas não me arrependo de nenhuma lágrima, de nenhuma decisão. Sinto que cresci esse ano, amadureci, e faz tempo que eu não sentia isso ao fim de um ano. Mesmo não tendo realizado quase nada, eu sinto que foi um ano de realizações e sinto também que estou pronta para mais mudanças e para o próximo ano também, o que é estranho porque nunca aceitei muito bem as mudanças.

  Esse ano foi uma grande tempestade na minha vida e fazia tempo que eu não passava por uma tempestade, fez com que eu me lembrasse como é bom o cheiro de chuva.

Grito interior

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  É um grito abafado que eu ignoro o tempo todo, vem de dentro e acoa no meu peito, ás vezes até confunde minha razão. É um grito por liberdade, por independência, por paz… É uma vontade sem explicação de fugir, deixar tudo para trás, me reinventar e recomeçar do zero.

  Ela sempre esteve ali, essa vontade de fuga, desde pequena eu tive essa propenção, me lembro de sair andando a pé, ou de bicicleta, pela cidade e sentir a brisa do mar no meu rosto e aquela sensação de liberdade, aquele silêncio exterior, que me dava paz… Talvez por isso eu goste tanto de andar, até hoje quando ando sinto essa liberdade, essa paz, essa independência… Eu gosto dessas sensações.

  Essa vontade de fugir pode ser uma forma que meu medo achou para que eu não tenha que lidar com o dia a dia, fugir é o melhor jeito de deixar o medo ganhar e talvez eu nunca tenha fugido por isso, sou orgulhosa demais para deixar o medo ganhar. Não que essa fuga fosse ser permanete, nesse meu anseio existe a idéia do retorno, mas só depois de um tempo, talvez depois de aprender algo existencial, ou amadurecer e perder o medo dos problemas.

  Mas ao mesmo tempo que essa vontade de fugir pode representar meu medo da vida, pode também ser uma vontade de sair da minha zona de conforto, porque fugir e não poder contar mais com aquilo e/ou aqueles que eu conheço é uma jogada arriscada, um desafio para alguém que como eu tem uma zona de conforto bem delimitada e vive calculadamente dentro dela.

  Eu sou engraçada, meio paradoxal, ao mesmo tempo que eu morro de medo de viver, arriscar e me expor sinto uma vontade desesperada de fazer tudo isso, de experimentar tudo o que o mundo tem para me oferecer, de enlouquecer, fazer coisas erradas e me perder. Mas eu sei que a sociedade não gosta e não aceita regenerados, a vida fica muito difícil para eles, nessa sociedade se você se perde uma vez, mesmo depois de se achar, não consegue seguir seu caminho, pelo menos não sem se esforçar muito mais.

Meu grito interior não pede só liberdade, paz, independência, fuga e vida, pede que eu seja diferente, que eu pense sozinha, que eu não me importe com os outros e esteja pronta para lutar pelo que eu quero… E esse ano eu escutei um pouquinho mais minha voz interior, só um pouquinho, mas o suficiente para sentir vontade de mais.

10 de setembro de 2011

Independência & Consequências

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  Sinto que só esse ano acordei para a adolescência, aquele período conturbado, cheio de decisões a serem tomadas, contestações a serem feitas e independência a ser conquistada. Talvez o fato de meu pai ter morado comigo nestes anos tão decisivos tenha atrasado essa minha fase, talvez ela tenha sido atrasada simplesmente porque antes não foi necessária. O fato é que agora ela se faz necessária, agora essa rebeldia adolescente se faz acontecer sem nem pedir permissão, e assim, sem mais nem menos, meu coração sente necessidade de independência e coragem para enfrentar as consequências.

  No início deste ano fui contra tudo e todos quando decidi rejeitar uma faculdade pública só por ela ser em outra cidade. Me decidi por mais um ano de cursinho e, ao contrário do que todos disseram, eu não me arrependo. Sim, neste caso minha mãe ajudou, me colocou em uma psicóloga, pagou cursinho e aceitou a idéia de uma faculdade particular em São Paulo, mas foi minha decisão e quando a tomei minha mãe não estava ao meu lado, ela estava do lado oposto. Agora tomo outra decisão: não fazer uma cirurgia plástica. Ela seria feita no rosto para arrumar uma assimetria que eu tenho, assimetria essa que sempre me deu nos nervos, mas que hoje em dia não me incomoda mais, pelo menos não o suficiente para que eu faça uma cirurgia. Meu irmão é contra, acha que vou querer fazer mais tarde, minha mãe não diz nada, mas eu sei que ela quer que eu faça, o que me leva a achar que essa minha assimetria incomoda mais a eles do que a mim, ou qualquer outra pessoa. Meu irmão falou que a impressão que dá é que eu não vou fazer a cirurgia por capricho, o que me lembrou que ele falou algo semelhante em relação a eu não cursar a Unesp e então eu notei que as duas situações são bem parecidas. Nos dois casos eu estou tomando uma decisão sozinha, sem que ninguém possa me forçar a nada e com a minha decisão indo contra o que os outros querem ou esperam que eu faça. É, nas duas situações eu estou tomando uma decisão como que por capricho e depois mascarando com argumentos lógicos, é meu M.O.(modo de operar) e uma amiga minha disse, na época da Unesp, que talvez eu devesse fazer isso mais vezes, escutar meu sentimento e não minha razão, ou melhor conciliar os dois. Talvez eu esteja me precipitando e mal interpretando as palavras dela, mas eu sinto que é isto que eu estou fazendo, logicamente falando eu deveria fazer a cirurgia, mas… Eu não quero.

  É estranho começar a tomar decisões sozinha, cada decisão que eu tomo eu lembro que vou ter que lidar com as consequências, sejam elas leves ou pesadas, e que não vou poder culpar ninguém, porque eu fiz o que eu queria. O mais estranho é que mesmo sabendo disso eu não estou com medo de afirmar e impor minha vontade, eu sinto um pouco de ansiedade e alguma adrenalina pulsando pelo meu corpo, sinto um leve orgulho de mim mesma por estar crescendo e no fundo uma certa sensação de realização, de estar fazendo a coisa certa. As mesmas coisas que eu sentia quando decidi abandonar a Unesp. A mesma sensação de independência e vontade de encarar as consequências.

2 de setembro de 2011

Corroendo as bases?

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  Estou tirando carta de motorista e surge a dúvida: comprar ou não comprar?

  É um dilema importante, talvez essa decisão me influencie o resto da minha vida. Eu, que quero lutar contra o sistema, que quero espalhar o bem e fazer a diferença ajudando quem precisa, eu que critico a corrupção e desprezo os corruptos, eu não percebi que se optasse por comprar seria uma grande hipócrita. O aviso veio do meu tio, em tom de brincadeira, mas para mim isso é assunto sério. Será que se eu me corromper desta vez daqui pra frente vai ser mais fácil ser desonesta? Será que se eu escolher, desta vez, o caminho mais fácil eu vou estar fadada a escolher sempre o caminho mais fácil? No começo do ano meu irmão disse que eu deveria fazer cursinho novamente porque se eu desistisse desse meu primeiro grande sonho nunca mais teria coragem de perseguir outro sonho. Eu sei que tenho a tendencia a transformar o que meu irmão diz em verdade absoluta, mas e se ele realmente estiver certo? E se isso servir para a corrupção?

  No começo das aulas eu achava que não precisaria comprar, mas agora já estou pensando seriamente no assunto. Talvez seja o nervosismo de saber que estou perto do fim das aulas práticas, mas sinto que em geral as coisas no carro já não são tão simples, pode ser também o fato de o instrutor já não me ajudar tanto e pode ser os dois juntos. Minha pisicóloga colocou certa pressão nessa decisão, fazendo com que ela se tornasse mais importante e difícil, colocando em jogo a questão ética e o que eu quero ser. De um lado eu senti que essa pressão era boa, ela estava me pressionando para tomar a decisão de não comprar, que é a decisão certa, e eu senti que pela primeira vez alguém acreditava que eu posso ser quem eu quero ser, foi uma sensação boa. De outro lado, agora que eu não me sinto tão confiante quanto a prova me sinto suja só de pensar na possibilidade de comprar, que não devia ser, mas é, um direito meu.

  Acho que para mim tudo se resume a uma questão de coragem, coragem de dar a cara a tapa e enfrentar a reprovação, caso ela venha. Optando por fazer este terceiro ano de cursinho, optando por não comprar a carta, optando por ser a pessoa corajosa que eu quero ser. Não é uma sensação boa, ser corajosa mas fracassada, mas pior deve ser ter sucesso e se sentir suja, não conseguir dizer a todos de boca cheia o que eu conquistei. Eu sei o que eu tenho que escolher, sei que vou escolher isso porque é o certo a se fazer, e eu sempre faço o certo, mas é difícil não se corromper, é difícil seguir o caminho das pedras a pé quando eu poderia pegar uma carona.

10 de agosto de 2011

Infância, displicência

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  Hoje me peguei pensando, lembrando, e me dei conta de que sinto falta da minha infância. Eu curti ela até o último momento, e por isso achei que nunca seria do tipo de adulta que sente falta de ser criança, mas eu sou saudosista demais para não sentir falta daquele tempo.

  Era tudo tão fácil, eu tinha o mundo aos meus pés, eu queria? Eu pedia e eu tinha. Eu não tinha medo de confiar, a insegurança já estava lá, mas no meu castelo mandava eu e nada ali me deixava insegura. Esconde-esconde, polícia-e-ladrão, pega-pega, pranchão, corrida, luta, desafios, um mundo onde a maior preocupação era passar protetor. Não me importava com meu peso, meu cabelo, meus pêlos, minhas roupas ou meus seios grandes. Não queria saber de namorado, sexo, status ou futuro. Não pensava tanto em tudo, não media tanto as consequências, não tinha tantas responsabilidades. Hoje eu me importo demais, me analiso demais, penso demais, planejo demais… Eu quero é menos!

  Me importar menos com o que os outros pensam da minha aparência, me importar menos com o que os outros pensam do que eu faço ou falo, me importar menos com as consequências de meus atos, planejar menos meu futuro e viver um pouco mais meu presente. Talvez só um pouco de “mais”: Apreciar mais o inesperado, confiar mais no desconhecido, sonhar mais com o impossível…

  Eu sinto falta da displicência da minha infância. 

24 de julho de 2011

O Caminho Mais Fácil

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  Minha mãe fica maluca comigo, diz que eu nunca termino o que eu começo e que sempre escolho o caminho mais fácil. A verdade é que ela tem medo de como vou encarar o mundo sozinha, sem ela ao meu lado para brigar por mim e me defender quando necessário. Acho que no fundo ela me acha fraca, submissa. Acho que no fundo ela não me conhece. A verdade é que ela criou uma menina que se mostra forte a medida do necessário. Sei que sou inexperiente e que tenho muito a aprender sobre o mundo e sobre mim mesma, mas já tive a prova que não sou tão fraca como ela pensa.

  Se eu escolhesse sempre o caminho mais fácil eu teria ficado em Franca, teria aceitado fazer Mackenzie, teria aceitado fazer PUC, seria fácil escolher uma dessas opções, todos estavam me apoiando, eu não teria mais que prestar vestibular e teria muito mais liberdade. Mas não seria a minha escolha. Não escolho o caminho mais fácil, escolho o caminho que eu quero e eu quero USP. Acho que mereço mais uma chance de tentar este sonho, uma chance justa dessa vez. Não sou fraca, sou teimosa demais para ser fraca. Eu fiz a minha escolha, briguei contra Franca, resisti ao Mackenzie e enfrentei minha mãe e três anos de cursinho pelo sonho de um dia estudar no Largo São Francisco, pelo sonho de ser uma franciscana. Se não der certo dessa vez, tudo bem, me rendo ao Mack ou a PUC, mas aí não vou estar escolhendo o caminho mais fácil, vou estar escolhendo o bom senso.

  “Não existem atalhos para a vida que eu escolhi”, um professor, que eu nem gostava muito, no meu primeiro ano de cursinho me disse isso e eu meio que tomei como verdade absoluta sem saber, porque desde então passei reto por muitas entradas, sempre tendo em mente uma coisa que meu irmão me falou: “se você desistir do seu primeiro sonho, como vai poder correr atrás dos outros?”. Talvez eu simplesmente seja teimosa demais para escolher o caminho mais fácil, ou então mimada demais para não seguir pelo caminho que eu quero. Mas eu sonho com meu ponto de chegada e nenhum outro caminho vai me levar até ele. Foi minha escolha, eu briguei para continuar neste caminho, eu sonho com o ponto de chegada, ainda vou enfrentar provas que podem me tirar do jogo, mas eu vou poder dizer que tentei até o final.

4 de julho de 2011

“Amai-vos uns aos outros”

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  Foi o que Jesus disse, não foi?

Então, porque eu abri o jornal hoje e li uma matéria sobre skinheads que atacaram negros? Porque ano passado eu li várias matérias sobre pessoas que atacaram homosexuais? O que tem de tão errado em ter a cor diferente? O que tem de tão errado em me atrair por pessoas do mesmo sexo que eu? O que tem de errado? Não machuca ninguém. É só uma coisa diferente, mas afinal, o que tem de errado em ser diferente?

Me dói o coração ver que uma pessoa não pode ser ela mesma só porque algumas outras pessoas não gostam de ver. Me dá um nó na garganta esses preconceitos absurdos, e tem gente que os baseia na palavra de Deus, protegendo a unidade familiar. Eu não sou religiosa, mas até onde vai meu bom senso Deus não iria apoiar uma coisa que machuca várias pessoas, e na sua maioria pessoas boas, como a homofobia. E se a unidade familiar é tão importante como pode que em nome dela tenha tantas famílias separadas?

Acho que o que mais me dói é a falta de liberdade que os preconceitos trazem. Eu não sou gay, não sou negra, não sou gorda, não sou feia, não sou pobre, não sou nerd, não sou emo, não sou uma pessoa que sofre nenhum tipo de preconceito, nunca senti isso na pele, mesmo sendo mulher, mas me dói a injustiça cometida em nome de deus, da família, da beleza…do que for.

Eu não sei porque essas injustiças me doem tanto, mas sinto uma vontade louca de fazer alguma coisa e não sei o que, talvez seja isso, talvez eu sinta essa vontade de chorar porque não sei como lutar contra esses preconceitos. Eu só queria saber como lutar.

20 de junho de 2011

É um querer sem ter que me entregar

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É um apego, uma loucura, um vício.

Uma coisa que acontece só na minha cabeça.

Uma coisa que não consigo fazer parar.

Uma inconstância maluca,

Um te quero e (me)mostro e (me)descubro, e

Ao mesmo tempo uma conciência constante de que não sou nada pra você.

É uma vontade de que você me veja,

Que eu me mostre para você sem parecer ridícula,

Mas tudo o que eu faço, mesmo que não faça nada, é ridículo pra mim.

É um querer que você adivinhe que eu te quero,

E que você me queria também.

Mas é também um medo que você não exista fora da minha cabeça ,

E que eu não te queira fora dela.

É um debate doido entre minha mente sã e minha insanidade.

É um te querer de verdade, com toda a física e biologia que você pode me dar,

Mas é um te querer químico, com toda a voracidade que a ficção permite.

É um te querer sem ter que me entregar,

Um desejo de me arriscar sem o risco de me machucar.

16 de junho de 2011

Mundo Pequeno.

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  Cada vez que encontramos alguém que não esperávamos, ou não víamos há muito tempo, por acaso na rua, ou em uma festa, em um momento de surpresa pensamos como o mundo é pequeno. Entre sete bilhões te pessoas te encontro por aqui, onde jamais pude imaginar. Se pararmos para pensar o mundo não é tão pequeno, mas previsível, é normal que você encontre alguém que conhece nos lugares em que não esperava por que geralmente você circula nos mesmos lugares que essa pessoa, vocês provavelmente se conhecem por serem de classes sociais parecidas, ou terem algum gosto em comum, ou mesmo algum conhecido, vocês são batatas do mesmo saco.

  Agora quando você conhece uma pessoa e acha que ela é interessante, ou especial, e pensa em como gostaria de encontrá-la novamente, ou em algum lugar difirente isso nunca acontece. Você anda na rua cheia de exprectativa, vai para lugares diferentes imaginando milhares de possibilidades, depois de algum tempo começa a pensar em quão absurdamente grande é o mundo, ou em como é ridículo que você encontre no shopping aquela menina que estudou com você há dez anos, mas não encontre o moço que você conheceu há uma semana.

  Talvez isso aconteça porque o que te fascinou no moço foi o fato de ele ser diferente de você e ter outra visão de mundo e, assim sendo, frequentar lugares diferentes dos que você visita. Mas mesmo sabendo disso você ainda olha duas vezes ao entrar em um lugar, ou procura dentro dos carros que passam na rua, ou sonha com ele cruzando seu caminho de maneira acidental, ou não tão acidental assim.

  É, o mundo é pequeno, mas recheado de possibilidades de desencontro, especialmente entre dois corações apaixonados.

8 de junho de 2011

Questão de Fé.

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  Minha mãe e a família dela é católica, meu pai era ateu e a família dele eu não sei, meu irmão é do tipo que prefere previnir do que remediar, e eu… eu… Eu perdi minha fé.

  Eu já andava duvidando muito ano passado, por não ter passado no vestibular, por não ter namorado, por ter feito promessas e pedido coisas que nunca vieram a acontecer, mesmo eu tendo cumprido minha parte, aí meu pai morreu. Eu sei que minha mãe pediu muito pela vida do meu pai, eu pedi muito pela vida dele, mas ele morreu e quase que no mesmo instante eu parei de acreditar. Como posso acreditar em um deus estando o mundo do jeito que está? Sabendo o que eu sei de história? Conhecendo o que eu sei de ciências? Eu sei, Einstein disse que a ciencia só ia até certo ponto de dali em diante era deus, ou algo do tipo, mas acho que preciso mais do que uma frase para voltar a acreditar. Quer dizer, os próprios padres dizem que é fácil ter fé quando as coisas vão bem, o difícil é manter a fé quando as coisas começam a ir mal, mas eles não conseguem explicar porque há maldade, miséria, coisas ruins acontecendo com pessoas boas… É facil agradecer a deus quando alguma coisa boa acontece, quando seu filho nasce saudável ou você sobrevive a uma tempestade, mas e se sua vida é uma tempestade? Cadê o deus das crianças famintas na áfrica? Cadê o deus da senhora bondosa que perde o filho pras drogas? Se existisse um deus o mundo não seria tão injusto e desigual, é isso que eu penso.

  Mas não posso nem cogitar a idéia de falar isso perto da minha avó ou da minha mãe e minhas tias, ela jamais entenderiam. Minha mãe quer que eu seja batizada, faça a primeira comunhão e a crisma, mas não é fácil para mim entrar na igreja e olhar para a mulher que dá a aula e ouvir ela falar que as aulas são necessárias para que as pessoas não se crismem sem saber os sacramentos, ou a moral cristã, sem entender a própria fé e ir a igreja só por ir. É difícil ouví-la falar isso porque é exatamente o que eu estou fazendo, me batizar só por batizar, eu não me importo com essa besteira toda, se deus existe ele não vai me barrar só porque um padre não jogou água na minha cabeça. Mas é importante para minha mãe e aí vem a questão: ignorar a ética e cumprir um desejo da minha mãe ou me ater aos meus princípios e não enganar os cristãos que vão me batizar ou assistir o batismo?

  Existem poucas coisas que um filho pode fazer pela sua mãe e isso significa tanto para ela que eu vou ceder e deixar o padre me molhar, não pode fazer mal e se ninguém sabe que eu não acredito no que estou fazendo ninguém se machuca. É um crime sem vítimas.

A força de Platão.

imagem_aviao   Foi Platão que criou a Teoria das Idéias e dessa teoria surgiu o termo “amor platônico”. O amor platônico é aquele que não passa de uma idéia, o amor puro, sem sexualidade e além de tudo imaculado. O amor platônico é o motor do meu coração ainda juvenil. Talvez eu esteja passando pela puberdade mental somente agora, porque o amor já não é puro, mas ainda é imaculado e idealizado e acima de tudo irreal, sem concretização de qualquer tipo. De qualquer modo Platão ainda está aqui, invadindo meu coração, invadindo porque eu já não dou permissão para que ele entre, mas ele está aqui dentro e eu o percebo cada vez que meu pensamento voa para a pessoa inalcansável.

  Minha psicologa disse que eu sou uma pessoa racional demais, que eu deveria parar de tentar ignorar meus sentimentos e colocá-los de lado ao tomar minhas decisões, que meus sentimentos podem tornar a tomada de decisões mais fácil e talvez até combater um pouco o medo e a desconfiança.

  Agora estou em uma situação complicada. Vai haver uma viagem, que um professor está organizando, e vai uma amiga minha e também ele. Eu não tinha muita vontade de ir, mas adoraria, até que eu fiquei sabendo que ele vai, aí eu passei a realmente desejar essa viagem. Veja bem, por algum motivo que desconheço sempre que estou para sair de viagem tenho a impressão de que algo especial irá acontecer nela é isso que mais me motiva para ir viajar. E nesta viagem vai estar meu amor platonico, eu neguei durante meses que ele fosse isso, mas ele é e vai estar na viagem, e isso faz com que eu sinta que se eu fosse eu poderia finalmente ter uma chance. É uma motivo egoísta para querer ir, mas é como eu me sinto e fui dita para não ignorar meus sentimentos e acima de tudo: Não posso ir. Não fui proibida, é que é uma viagem cara e minha mãe não diz não porque tem esperanças de ganhar dinheiro, já eu sou mais cínica e acho que não ganharemos dinheiro a tempo de eu ir no grupo dele. É uma situação bem simples na verdade: Eu quero ir, mas não posso por bom senso. Se eu seguisse a orientação da minha psicologa a risca eu pegaria dinheiro da minha poupança e iria, mas aí estaria sendo irresponsável.

Acho que Platão me ferrou mais vez, afinal de não fesse ele em mim eu não iria nem querer ir.  

5 de junho de 2011

5 motivos para gritar(pessoas).

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Número 5: Pessoas que querem me mudar, que acham que eu deveria fazer isso ou aquilo o tempo todo. De vez em quando tudo bem, mas o tempo todo querendo mudar meu visual, ou meu jeito de ser? Isso faz com que eu sinta que eu não sou o bastante e acho que ninguém tem o direito de fazer outro alguém se sentir assim.

Número 4: Pessoas que discutem comigo sem antes parar para entender o que eu quero dizer.

Número 3: Pessoas que sempre acham um jeito de fazer uma crítica aos outros, não importa o assunto, ou o clima da conversa essa pessoa vai dar um jeito de te criticar e sem ter motivo ou moral nenhuma.

Número 2: Pessoas que não sabem reconhecer os esforços dos outros. Não só no trabalho, mas na vida pessoal, todo mundo gosta de ser elogiado, de ter um trabalho reconhecido e não custa absolutamente nada dizer ‘obrigada’.

Número 1: Pessoas que acham que te conhecem e falam isso. Odeio quando me dizem aguma coisa do tipo ‘ eu te conheço, você está se sentindo assim’. Odeio qualquer frase que começe com ‘eu te conheço’ sabe porque? Porque geralmente quem fala isso não me conhece e se conhecesse saberia que eu sou orgulhosa o suficiente para querer matar a pessoa que acertasse. A coisa é que eu quase nunca digo como estou me sentindo, então como pode alguém saber?

  Mas o que eu mais odeio é que todos esses tipos de pessoas, quando eu digo que não gosto do que estão fazendo, negam que estejam fazendo aquilo, ou que estejam errados, a frustração que eu sinto quando ouço alguma coisa do tipo é de doer a alma.

4 de junho de 2011

Será possível mudar?

1126750  Deixar de caminhar sozinha e aceitar companhia? Ter coragem de entregar meu coração para alguém? De me sentir vulnerável, abalável, dependente?

  Minha psicóloga disse que minha rajetória tem sido solitária porque eu tenho medo de me sentir vulnerável, de confiar, não que isso seja uma descober surpreendente, mas ela descobriu isso depois de apenas quatro consultas, então acho achei notável. Mas ela disse mais, disse que eu sou uma pessoa extremamente humana, mas que tenho que aprender a demonstrar mais minha sensibilidade, aceitar minhas emoções e trabalhar nisso, aprender a confiar, porque eu estou perdendo experiências de vida que podem ser bem legais, eu não perguntei para ela porque a resposta seria clichê, mas agora me pergunto: Será possível mudar?

  Esse medo é parte de quem eu sou e eu sempre fui do tipo de pessoa que não acredita que as pessoas mudem. Por outro lado eu tenho que acreditar porque não quero mais ter uma trajetória solitária, eu quero saber como é caminhar ao lado de alguém. O mais irônico é que logo eu, que sempre falei sobre tudo para todos, descobri com a psicóloga que na verdade eu me exponho muito pouco. Eu posso contar a minha vida para os outros, mas a verdade é que raramento falo sobre meus sentimentos, acho que só falo sobre eles aqui, ou se não quando sem querer explodo e acabo gritando com minha mãe.Será que vou conseguir evoluir como pessoa? Digo, não só por adquirir cultura e conhecimentos, mas mudando meu comportamento? E se eu não conseguir mudar? Será que nunca vou ter alguém caminhando ao meu lado?

Últimamente tenho sentido uma sede de mudança… mudança visual, espacial, comportamental… mas nada mudou e eu nem sei por onde devo começar a tentar mudar.

11 de maio de 2011

Jogo Patético

princess_by_ninoness   Existe uma coisa que eu adoro assistir, que sempre me diverte: O jogo da paquera.

  Os sorrisos, a mechida no cabelo, as piscadas mais frequentes, a voz mais fina e ritimada, o desajeito das mãos… As meninas ficam tão bobas que chega a ser patético. Tentando demonstrar naturalidade, mas também querendo mostrar interesse e sempre com aquela timidez exclusivamente feminina. Sei que sendo uma menina também devo ficar assim, ou talvez não fique, e esse seja o problema. Eu acho esse jogo tão bobo, engrçado e ao mesmo tempo patético. Cada vez que vejo uma cena assim, de paquera, dou risada. Não vejo vantagens para as meninas, só o cumprimento do ritual da conquista, para os meninos esse ritual feminino implica no alargamento do ego masculino, é basicamente tudo que eles precisam para se render. E eu não sei se é porque sou orgulhosa demais, ou muito prática, mas acho ridículo passar por todo esse ritual apenas para alargar o ego masculino e conseguir alguma coisa no final.

  Eu sempre tive uma quedinha por professores, aos 17 anos eu deixava bem claro para os professores que me interessavam que eu tinha interesse, claro que fazia isso por meio de brincadeiras com minhas amigas. Hoje, aos 20, presenciei uma cena que me fez dar risada: Meu professor de física entrou na sala e depois de algum tempo notou a aluna sentada atrás de mim, virou para ela e perguntou porque ela iria ver aula naquela sala, ela já havia visto na outra e a aula era a mesma. A aluna respondeu que queria ver como era a sala. Eu não disfarcei: ri na maior cara de pau. Ele percebeu que eu ri, eu vi que ele sentiu vontade de rir também, mas não riu, ao invés disso se voltou para a lousa e começou a escrever. Este professor é relativamente jovem, deve ter uns 38 anos, uma boa aparencia, diria até que ele´é bonito, mas não é só isso, ele também tem uma pitada de charme e um jeito meio conquistador/pervertido que deixa ele atraente. Ele sabe que é atraente, que as alunas acham ele atraente, que aquela aluna só estava ali para ver ele e mesmo assim perguntou. Ela, eu não sei se sabe que ele sabe tudo isso, ela pode muito bem não saber, mas fez o jogo feminino e não falou na cara. De qualquer modo, ele já sabia o porquê de ela estar ali, sabia que ela mentiria na resposta e foi por isso que quando eu ri ele também sentiu vontade de rir, ele viu que eu percebi que ele só queria inflar o ego dele e que ele conseguiu, mesmo ela mentindo para ele. Foi aí que eu me senti patética. Aos 17 anos eu era essa garota. 

  O pior é que mesmo achando esse jogo todo da conquista patético eu sei que um dia eu vou jogar sem perceber, porque se eu não jogar eu não posso ganhar nada. Isso me irrita muito, essa feminilidade exigida, porque se você mostra ter uma personalidade mais forte você está fora da partida. E sou sim uma menina, sei ser delicada, discreta, sou boazinha e tudo o mais que é necessário para ser uma princesa, mas não aceito ser subjulgada por um homem, dizer coisas só para encher egos e aumentar auto estimas. Por que não posso simplesmente ser sincera e fazer um elogio verdadeiro quando me der vontade? Eu gostaria de saber onde acaba o território da educação e começa o da falsidade, a linha é tão tênue…

8 de maio de 2011

Preconceitos do tempo

corra-tempo   É estranho quando percebemos os preconceitos dos nossos pais, para mim é muito difícil de aceitá-los, ainda que eu entenda a origem deles.´Acho que o mais difícil é não mudar a idéia que temos dos nossos pais, mesmo que nós não sejamos atingidos diretamente por esses preconceitos.

  Meu pai e meu irmão sempre brincaram de me chamar de “defensora dos fracos e oprimidos”, nunca me chamavam assim em um bom tom, era mais uma crítica, e eu nunc gostei deste rótulo, mas a verdade é que eu sou mesmo assim. E por ser assim que eu brigava muito com meu pai, ele tinha idade para ser meu avô e os preconceitos dele me levavam a loucura, ele não os disfarçava e ainda os negava, mas eu sempre soube que ele os tinha e ficava furiosa com a injustiça desses preconceitos(por afinal um preconceito é sempre uma injustiça), mas no fim eu entendia, afinal ele nasceu no início da década de 40. Já minha mãe sempre foi mais mente aberta, também defensora dos fracos, sempre ajudou a quem precisasse e ainda ajuda sem medir esforços ou contar vantagem, mas hoje descobri nela preconceitos que eu não sabia existir. Ela não é homofóbica, tem amigos gays, aceita meus amigos gays e um deles ela inclusive adora, mas quando comentei com ela uma opinião que ouvi sobre a união homoafetiva ela demonstrou que concordava com essa opinião e era contra a adoção de crianças por casais gays. Foi uma cisa maluca porque ela também negou ser preconceito, mas não tinha argumentos para defender a opinião dela. Claro, eu fiquei possessa.

  Então eu parei para pensar sobre o assunto, sobre como eu sou consciente dos meus preconceitos, geralmente de classe, sobre como eu tento enfrentá-los e quebrá-los, para assim me desfazer deles e como meus pais, meus tios e minha avó não conseguem reconhecer que também tem preconceitos. Acho que eles não reconhecem porque geralmente são contra coisas que na época em que eles eram jovens não existia, ou eram casos raros, como preconceito contra gays. Talvez eles realmente não saibam que é preconceito, talvez eles simplesmente não entendam porque não foi parte da realidade deles por muito tempo e agora eles já não conseguem mais entender. Sei que eles aceitam, mas não entendem e percebi que deve ser doloroso para eles não entender, mas que não é culpa deles. Esse preconceito é culpa do tempo que passa rápido demais, mudando tudo que está em seu caminho, sem esperar nem um momento para que a humanidade possa compreender essas mudanças.  

3 de maio de 2011

Não faz diferença.

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  Não podia ser mais perfeito: Sol, praia deserta e uma boa companhia. Mal podia esperar para ver o que suas amigas diriam. Imagine? Logo ela que nunca teve namorado fixo estava agora em uma praia deserta só com ele. Ele que era tudo que elas invejariam: Bonito, um pouco mais velho, charmoso, motorizado, cavalheiro e financeiramente independente. Ela estava deitada na areia e o observava escrever alguma coisa perto do mar, já havia tres meses que estavam juntos, mas ela ainda não tinha contado a ninguém, era como se contar fosse fazer tudo ser mais real e aquele clima de sonho era tão bom, que não havia motivos para estragar. Claro que sabia que deveria ter contado ao menos para a mãe, mas ela não iria aprovar, afinal ele era quase dez anos mais velho que ela… Até suas amigas iriam se espantar com isso. E sua irmã não iria ajudar em nada, provavelmente acabaria fazendo ou dizendo alguma coisa contra ele, já que sempre foi ela que teve os namorados bonzinhos. Depois, não era pra ser nada sério. Não era nada sério, tudo bem que ele havia levado ela para o apartamento dele na praia e que nunca tinha feito isso com outra garota, como ele mesmo lhe confessara, mas isso não queria dizer nada. Ele se aproximou dela, pegou em sua mão e a puxou fazendo com que ela ficasse de pé, depois a puxou para si e lhe deu um beijo rápido, ela o acompanhou até a beira da água e então nada mais importava. Não se importava se suas amigas fossem gostar dele ou não, não se importava se sua mãe iria aprová-lo ou se sua irmã ficaria com ciúmes, não precisava mais dizer para si mesma que não era nada sério, se convencer de que aquela viagem não era nada demais… Estava ali, escrito na areia, com o mar tentando apagar, que ela não estava sozinha, que ele a correspondia. E se ele a amava também nada mais importava. 

23 de abril de 2011

Fuga.

1205915   E eu fujo, mais uma vez, como sempre. Através da imagem, pela música, com a leitura, nos sonhos. Fujo do medo, me escondo do que passou, corro para longe do que está por vir. Tenho esperanças que se transformam em sonhos, tenho desejos não realizados que se transformam histórias não escritas, tenho desabafos repetitivos que são resultado de auto-análises padronizadas. Quero viver sobre um chão menos esburacado, onde eu possa correr sem medo de tropeçar,  não que eu tenha medo de cair e me machucar, é que eu tenho medo de que o medo tenha me desviado do caminho certo e que agora eu não tenha mais coragem de caminhar.

  Mas a vida não é uma grande Avenida Paulista, reta e sem buracos, ela é um parque como o Trianon, cheio de caminhos e sem um caminho certo, até mesmo sem destino fixo. O importante não deve ser chegar a Consolação e sim apreciar a vista do Masp, se refrescar a sombra das árvores, realizar o sonho de atravessar a ponte sobre a Alameda Santos e nunca parar de andar.

  Desistir do certo e optar pelo incerto foi uma atitude burra e corajosa, só depende de que ângulo você está olhando. O que me assusta é que foi uma decisão inteiramente minha, minha primeira decisão sozinha e com isso vem a responsabilidade de arcar com as consequências dessa decisão e é para estas consequências que eu não sei se estou pronta. Mas agora já foi, já escolhi o caminho e não posso dar a volta, tenho que continuar a caminhar e me esforçar para que dê tudo certo nessa parte do trajeto. Mais uma vez depende de mim… Acho que essa é a vida de adulto né? Seu futuro dependendo somente de você… E é por isso que eu fujo, fujo dessa pressão que me persegue.  

16 de abril de 2011

Para o bem e para o mal.

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Acho que essa é uma característica muito forte em mim. Eu sou cheia de chamar os outros de mimados, vivo dizendo que minha prima é mimada e chata, mas a verdde é que eu talvez seja mais mimada do que ela. Acho que nossa única diferença nesse quesito é que eu não quero tudo, e o que eu quero eu luto para conseguir, seja convencendo os outros, seja sendo caprichosa, seja me esforçando para conseguir, isso faz de mim muito mais tolerável.

Tive um ataque de histeria com a minha mãe, ela queria me forçar a ir para franca e eu já estava tensa sobre esse assunto, já sabia que seria difícel, tinha até certa consciência de que o fato de eu não querer ir tinha um quê de capricho, mas mesmo assim tentei argumentar, chorei, implorei e quando isso não deu certo eu fritei. Gritei, provoquei, joguei algumas verdades na cara dela… Foi um jeito infantil, mas deu certo, foi o único jeito que deu certo, eu tinha tentado conversar, mas ela não queria ouvir, me interrompia dizendo que já estava decidida, que não adiantava, mas quando eu fiz um escândalo, por mais que tenha sido ridículo, funcionou.

Não posso dizer que tenho orgulho desse meu lado mimado e caprichoso, mas confesso que também não tenho vergonha dele, talvez eu esteja errada, mas foi ele que me fez estar aqui. O que eu tenho vergonha é que esse lado é infantil e eu tenho que crescer e amadurecer, aprender a me adaptar, a ter meu plano de vida interrompido e não ter controle sobre tudo. Juro que estou trabalhando nisso, é verdade que no meu próprio tempo, mas vou procurar ajuda profissional e conversar sobre isso, não sei se vai ajudar, uma vez que eu acho que o trabalho do psicanalista é nos dar mais consciência de nós mesmo e eu creio que já tenho essa consciência, mas vou tentar.

Acho que depois desse fracasso de Franca eu devo isso a mim mesma, tentar. Tudo, não desperdiçar mais oportunidades, tomara que não seja tarde demais, tomara que mais oportunidades apareçam por aí e eu ainda tenha chance de ter um futuro pleno. Tomara.

12 de abril de 2011

Eu perdi…

5 …E já não sei onde vou encontrar aquela alegria, aquela determinação, aquela vontade de cantar e danças que eu sentia no mês passado. Na verdade, nem faz um mês. E eu que achava que o ano estava sendo bom, estava dando certo, achei que 2011 seria meu ano. Pelo visto ele vai ser apenas mais um ano como os anteriores… infernal e com um final deprimente.

  Me pergunto se foi eu mesma quem jogou no lixo essa felicidade, se eu joguei no lixo quando recusei ficar em Franca. Me pergunto se essa recuso foi eu que sucumbi ao medo medo, ou se foi mais que isso. Quando paro para pensar acho que não foi medo, mas sim vontade de alcançar um sonho mais alto. Me pergunto se foi a decisão certa ou se eu realmente vou me arrepender para o resto da vida como todo mundo que me mandou tentar argumentou. Me pergunto se minha mãe estava certa e eu realmente estou depressiva, ou só frágil e confusa.

  O problema é que fragilidade e confusão não dão vontade de chorar a cada palavra mais dura que eu ouço, ou a cada lembrança mais triste que eu tenho. Eu estou tão acostumada a entender o que acontece comigo que me bate um desespero não ter idéia do que eu sinto, ou do que eu quero.

  Eu perdi a perspectiva e ao invés de receber apoio de quem eu mais queria que me apoiasse só recebi agressão. Eu me sinto tão perdida e tão desamparada que pela primeira vez não sei que caminho seguir e muito menos aonde quero chegar.

15 de março de 2011

Sonho de uma noite de verão.

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Ela sabia que já estava ali, falando com ele, há tempo demais. Sua mãe estava esperando que a conversa terminasse, mas era bom conversar com ele, flertar. Ele sorria para ela de um jeito bom, estavam apenas se conhecendo, mas ela sempre foi do tipo que se apega fácil. A mãe dela apareceu:

- Bom, eu vou embora então, você vai sozinha depois? – perguntou interrompendo um pouco a conversa deles.

O clima ficou um pouco desagradável, a mão não percebeu, mas a menina ficou envergonhada, pela mãe perceber a situação, pelo medo de ele perceber que ela estava começando a gostar dele e principalmente porque aquilo poderia espantar ele e ela preferia continuar conversando. Logo depois ele disse que precisava voltar ao trabalho e se retirou´. No caminho de volta a mãe só comentou que ela tinha demorado e que ele havia olhado bastante para ela. Elas não eram do tipo de mãe e filha que compartilham histórias e sentimentos desse jeito então a menina só disse que também olhou para ele.

Eles passaram a conversar mais, viraram amigos, mas só isso, porque ele tem uma namorada, nada de apaixonante, é mais para rotineiro, mas quem é ela para dizer alguma coisa? Um dia ela está junto com ele, pede o celular dele para fazer uma ligação, mas ele avisa para não usar o SIM2, porque é da namorada dele e ela esqueceu no celular dele.

- Uau! Ou você é muito corajoso, ou muito burro! – exclama ela rindo

- Ou talvez eu confie nela –retruca ele um pouco seco e resolve olhar as mensagens para mostrar a ela  que ela está errada.

Mas ele se surpreende, lê alguma mensagens que não são para ele, que são românticas, ela sente um arrepio percorrer o corpo e percebe que ele está nervoso então começa a inventar desculpas para a namorada dele. Quando ela fica em silêncio percebe que ele só está puto, não está triste ou surpreso, percebe também que está muito próxima dele e que ele percebeu isso também. Ele se inclina e a beija, primeiro devagar, mas depois começa a acelerar. Ela sabe que aquilo é errado, mas sente como se fosse a coisa certa a acontecer, porque ela sabe que ele gosta dela…. Mas aquilo é errado e ela não é esse tipo de garota. Quando o empurra percebe o olhar confuso dele.

- Olhá, eu gosto de você, gosto muito de você, mas não posso fazer isso…. Desculpa – se explica enquanto sai deixando ele sozinho.

Mais tarde ela está caminhando quando escuta:

- Isso é por causa daquela menina não é? Desde que ela entrou na sua vida você está estranho, é tudo culpa dela, ela que inventou isso!

- Não! – ele estava furioso – ela não tem nada haver com isso…

Não conseguiu ouvir mais do que isso, foi embora porque sabia que a namorada tinha razão, desde que ela entrara na vida dele sabia que ele gostava dela e não fez nada para mudar, pelo contrário.

Alguns meses depois: Ele segura a mão dela, eles dão risada, eles conversam, eles se beijam. Agora não é mais ele e ela, agora é eles. 

13 de março de 2011

Só depende de mim.

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  Parece que foi preciso meu pai morrer para que eu percebesse que não há razão para medo. Seja medo do mundo, das pessoas, do fracasso, do acerto, do passado ou do futuro. É como se só agora eu soubesse o que pode ser a pior coisa a acontecer comigo e sabendo o que é não há nada a temer, não tenho nada a perder. Claro, tenho minha família e meus amigos e não quero perdê-los, mas para continuar a tê-los ao meu lado só preciso continuar a ser eu mesma, mas para ganhar novos amigos, aprender coisas novas, realizar sonhos e etc… eu preciso abraçar o mundo! Falar com estranhos, pesquisar assuntos interessantes, tentar coisas novas, conhecer novos lugares…

  Talvez esse novo comportamento seja apenas resultado do que meu irmão falou(último post), mas eu realmente acho que nada mais pode dar errado, que dizer, meu pai morreu e eu não passei no vestibular, que era uma coisa que eu queria muito, e agora estou fazendo cursinho pelo terceiro ano, que é uma coisa que eu jurava que preferia morrer a passar por isso de novo, mas ainda assim eu estou aqui: inteira, completa e estranhamente realizada. Eu estou aqui lutando para realizar um sonho e pela primeira vez não tenho medo de falhar, não tenho medo de não conseguir, porque só a luta, só a experiência já valeu a pena e mesmo sendo a única dos meus colegas de colégio que ainda não está na faculdade eu me sinto mais vencedora do que eles.

  Um dia quando um amigo meu estava triste e em uma fase ruim eu disse a ele uma frase que ele gostou muito: Deus nunca te dá um fardo maior do que o que você pode carregar. Nesse ponto da minha vida não tenho muita certeza de que existe um Deus, mas ainda assim essa frase tem um significado enorme para mim, assim como a filosofia de vida do meu irmão: No final a gente dá um jeito e tudo dá certo. Acho que agora é a parte onde eu dou um jeito para dar tudo certo, só depende de mim.

4 de fevereiro de 2011

“Cadê a sua força?”

1208634“Cadê aquela menina que eu e o papai dizíamos que íamos fazer uma caixinha de cruz vermelha para seus namorados?”

Quando eu vi que não passei na Unesp, depois de dois anos de cursinho, eu chorei, falei que ia fazer FMU, que não aguentava mais ver a mesma matéria e me empenhar em uma coisa que no fim só ia me deixar frustrada. Então meu irmão entrou no meu quarto e com a maior calma do mundo ficou três horas conversando comigo, ele disse que é uma decisão que só cabe a mim, mas ele argumentava a favor de mais um ano de cursinho. Ele conseguiu, eu resolvi fazer mais um ano e tentar as melhores faculdades ano que vem, particulares ou não, mas as melhores. Mas o maior argumento dele foi esse: me perguntar onde estava inha força, onde estava aquela menina que dava a cara a tapa sem medo de apanhar, que não se importava com o que os outros pensavam.

  A verdade é que essa menina sucumbiu ao medo, medo de tudo, medo já muito falado e notado, medo que não serve para nada! Eu sucumbi a esse medo e mais de uma vez falei que não iria mais deixá-lo me dominar, mas no fim ele sempre ganhava! Então eu venho aqui, mais uma vez, dizer ao medo que vá para o inferno! Que aquela menina que mandava nas brincadeiras ainda está aqui dentro de mim e que ela vai para o terceiro ano de cursinho sim! Vai lutar pelo sonho dela sim! Vai conseguir o que quer e não vai ter medo de interagir e levar gelo porque quem está perdendo são os outros! Chega de ter vergonha, chega de ter medo, eu não tenho nada a perder e eu estou a fim de começar a ganhar! 

20 de janeiro de 2011

A ficha caiu.

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  Caiu como uma bomba, bem em cima da minha cabeça.

  Eu havia me esquecido de como era minha vida, em casa, antes do meu pai vir morar conosco. Havia me esquecido de como minha mãe mandava eu fazer tudo pelo meu irmão e esqueci de como achava isso absurdo, porque quando meu pai veio morar com a gente ele me defendia, mandava que meu irmão fizesse suas próprias coisas. Nunca foi segredo para mim nem ninguém que minha mão preferia meu irmão, mas estava tudo bem, afinal também não era segredo que meu pai preferia a mim. Mas meu pai não está mais aqui, ele não pode mais interferir, não pode mais me defender e minha mãe voltou a agir como se fosse meu dever fazer tarefas e favores para meu irmão, que é seis anos mais velho do que eu.

  Fico parecendo uma menininha de 13 anos cada vez que ela me manda fazer algo por ele, me defendo, me nego, e ela fica brava comigo. Hoje ele foi grosso comigo e ela o defendeu, mas eu sei que eu não fiz nada para ,merecer o xingamento dele, e talvez até tenha sido brincadeira, mas quando ela tomou o lado dele deixou de ser brincadeira. Eu gritei, fui grossa, mandei ela se ferrar, ela ficou puta da vida, eu saí de casa, estava a caminho da casa da minha avó, ela ia vir atrás de mim, mas como já estava na calçada de casa ela não teve coragem de vir me bater, eu ainda ameacei: “Que foi? Vai me bater?”, ela bateu a porta de casa e eu ainda xinguei: “PQP”. Senti o nó na minha garganta e não queria ir para a casa da minha avó, não gosto de chorar na frente das pessoas que eu connheço, então fui até o parque, estava tento uma gravação, mas eu me escondi em um parquinho. Chorei. Na frente da gravação, a caminho do parquinho eu chorei, depois quando cheguei do parquinho chorei mais. Estava com raiva, mas não estava arrependida, não estou arrependida. Das outras vezes em que briguei com ela me controlava, depois chorava no quarto e repassava mentalmente todas as coisas que deveria ter dito, mas dessa vez não, não havia nada mais a ser dito. Ainda não a vi, estou com medo da reação dela, acho que vai me dar um gelo, é o que meus pais fazem quando estão realmente bravos com os filho: Dão um gelo. Mas minha mãe não costuma ficar muito tempo guardando rancor. Não tenho medo.

O pior nem é o fato de que pareço uma menininha de 13 anos, quando tenho 20, o pior é que cada vez que brigo com ela sobre isso me lembro do meu pai e sinto saudade dele me defendendo e aí choro mais: de ciúmes por ela preferir a ele e não ter mais ninguém para preferir a mim, de saudade dele me defendendo, de injustiça pela preferência porque sou sempre eu que faço tudo por ela, de injustiça por ela brigar comigo dizendo que não faço nada por ele quando eu vivo fazendo coisas por ele. E aí vem aquele sentimento que há algum tempo eu não sentia, aquele desejo pré-adolescente de querer sair de casa, morar sozinha e mais uma vez eu fico parecendo uma menininha

  E eu que achei que não chorava de tristeza não consigo para de chorar, cada vez que penso no meu pai me vem aquele nó na garganta e nem tempo de segurar as lágrimas eu tenho. A ficha caiu: ele não está mais aqui, não vai voltar, eu não soube apreciá-lo quando ele estava aqui e agora não tenho como refazer as coisas. E mais uma vez me sinto com 13 anos, sem saber lidar com o mundo achando que seu único refúgio é chorar e escrevendo para desabafar.