15 de março de 2011

Sonho de uma noite de verão.

enfants_coquins

Ela sabia que já estava ali, falando com ele, há tempo demais. Sua mãe estava esperando que a conversa terminasse, mas era bom conversar com ele, flertar. Ele sorria para ela de um jeito bom, estavam apenas se conhecendo, mas ela sempre foi do tipo que se apega fácil. A mãe dela apareceu:

- Bom, eu vou embora então, você vai sozinha depois? – perguntou interrompendo um pouco a conversa deles.

O clima ficou um pouco desagradável, a mão não percebeu, mas a menina ficou envergonhada, pela mãe perceber a situação, pelo medo de ele perceber que ela estava começando a gostar dele e principalmente porque aquilo poderia espantar ele e ela preferia continuar conversando. Logo depois ele disse que precisava voltar ao trabalho e se retirou´. No caminho de volta a mãe só comentou que ela tinha demorado e que ele havia olhado bastante para ela. Elas não eram do tipo de mãe e filha que compartilham histórias e sentimentos desse jeito então a menina só disse que também olhou para ele.

Eles passaram a conversar mais, viraram amigos, mas só isso, porque ele tem uma namorada, nada de apaixonante, é mais para rotineiro, mas quem é ela para dizer alguma coisa? Um dia ela está junto com ele, pede o celular dele para fazer uma ligação, mas ele avisa para não usar o SIM2, porque é da namorada dele e ela esqueceu no celular dele.

- Uau! Ou você é muito corajoso, ou muito burro! – exclama ela rindo

- Ou talvez eu confie nela –retruca ele um pouco seco e resolve olhar as mensagens para mostrar a ela  que ela está errada.

Mas ele se surpreende, lê alguma mensagens que não são para ele, que são românticas, ela sente um arrepio percorrer o corpo e percebe que ele está nervoso então começa a inventar desculpas para a namorada dele. Quando ela fica em silêncio percebe que ele só está puto, não está triste ou surpreso, percebe também que está muito próxima dele e que ele percebeu isso também. Ele se inclina e a beija, primeiro devagar, mas depois começa a acelerar. Ela sabe que aquilo é errado, mas sente como se fosse a coisa certa a acontecer, porque ela sabe que ele gosta dela…. Mas aquilo é errado e ela não é esse tipo de garota. Quando o empurra percebe o olhar confuso dele.

- Olhá, eu gosto de você, gosto muito de você, mas não posso fazer isso…. Desculpa – se explica enquanto sai deixando ele sozinho.

Mais tarde ela está caminhando quando escuta:

- Isso é por causa daquela menina não é? Desde que ela entrou na sua vida você está estranho, é tudo culpa dela, ela que inventou isso!

- Não! – ele estava furioso – ela não tem nada haver com isso…

Não conseguiu ouvir mais do que isso, foi embora porque sabia que a namorada tinha razão, desde que ela entrara na vida dele sabia que ele gostava dela e não fez nada para mudar, pelo contrário.

Alguns meses depois: Ele segura a mão dela, eles dão risada, eles conversam, eles se beijam. Agora não é mais ele e ela, agora é eles. 

13 de março de 2011

Só depende de mim.

fadak

  Parece que foi preciso meu pai morrer para que eu percebesse que não há razão para medo. Seja medo do mundo, das pessoas, do fracasso, do acerto, do passado ou do futuro. É como se só agora eu soubesse o que pode ser a pior coisa a acontecer comigo e sabendo o que é não há nada a temer, não tenho nada a perder. Claro, tenho minha família e meus amigos e não quero perdê-los, mas para continuar a tê-los ao meu lado só preciso continuar a ser eu mesma, mas para ganhar novos amigos, aprender coisas novas, realizar sonhos e etc… eu preciso abraçar o mundo! Falar com estranhos, pesquisar assuntos interessantes, tentar coisas novas, conhecer novos lugares…

  Talvez esse novo comportamento seja apenas resultado do que meu irmão falou(último post), mas eu realmente acho que nada mais pode dar errado, que dizer, meu pai morreu e eu não passei no vestibular, que era uma coisa que eu queria muito, e agora estou fazendo cursinho pelo terceiro ano, que é uma coisa que eu jurava que preferia morrer a passar por isso de novo, mas ainda assim eu estou aqui: inteira, completa e estranhamente realizada. Eu estou aqui lutando para realizar um sonho e pela primeira vez não tenho medo de falhar, não tenho medo de não conseguir, porque só a luta, só a experiência já valeu a pena e mesmo sendo a única dos meus colegas de colégio que ainda não está na faculdade eu me sinto mais vencedora do que eles.

  Um dia quando um amigo meu estava triste e em uma fase ruim eu disse a ele uma frase que ele gostou muito: Deus nunca te dá um fardo maior do que o que você pode carregar. Nesse ponto da minha vida não tenho muita certeza de que existe um Deus, mas ainda assim essa frase tem um significado enorme para mim, assim como a filosofia de vida do meu irmão: No final a gente dá um jeito e tudo dá certo. Acho que agora é a parte onde eu dou um jeito para dar tudo certo, só depende de mim.