23 de abril de 2011

Fuga.

1205915   E eu fujo, mais uma vez, como sempre. Através da imagem, pela música, com a leitura, nos sonhos. Fujo do medo, me escondo do que passou, corro para longe do que está por vir. Tenho esperanças que se transformam em sonhos, tenho desejos não realizados que se transformam histórias não escritas, tenho desabafos repetitivos que são resultado de auto-análises padronizadas. Quero viver sobre um chão menos esburacado, onde eu possa correr sem medo de tropeçar,  não que eu tenha medo de cair e me machucar, é que eu tenho medo de que o medo tenha me desviado do caminho certo e que agora eu não tenha mais coragem de caminhar.

  Mas a vida não é uma grande Avenida Paulista, reta e sem buracos, ela é um parque como o Trianon, cheio de caminhos e sem um caminho certo, até mesmo sem destino fixo. O importante não deve ser chegar a Consolação e sim apreciar a vista do Masp, se refrescar a sombra das árvores, realizar o sonho de atravessar a ponte sobre a Alameda Santos e nunca parar de andar.

  Desistir do certo e optar pelo incerto foi uma atitude burra e corajosa, só depende de que ângulo você está olhando. O que me assusta é que foi uma decisão inteiramente minha, minha primeira decisão sozinha e com isso vem a responsabilidade de arcar com as consequências dessa decisão e é para estas consequências que eu não sei se estou pronta. Mas agora já foi, já escolhi o caminho e não posso dar a volta, tenho que continuar a caminhar e me esforçar para que dê tudo certo nessa parte do trajeto. Mais uma vez depende de mim… Acho que essa é a vida de adulto né? Seu futuro dependendo somente de você… E é por isso que eu fujo, fujo dessa pressão que me persegue.  

16 de abril de 2011

Para o bem e para o mal.

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Acho que essa é uma característica muito forte em mim. Eu sou cheia de chamar os outros de mimados, vivo dizendo que minha prima é mimada e chata, mas a verdde é que eu talvez seja mais mimada do que ela. Acho que nossa única diferença nesse quesito é que eu não quero tudo, e o que eu quero eu luto para conseguir, seja convencendo os outros, seja sendo caprichosa, seja me esforçando para conseguir, isso faz de mim muito mais tolerável.

Tive um ataque de histeria com a minha mãe, ela queria me forçar a ir para franca e eu já estava tensa sobre esse assunto, já sabia que seria difícel, tinha até certa consciência de que o fato de eu não querer ir tinha um quê de capricho, mas mesmo assim tentei argumentar, chorei, implorei e quando isso não deu certo eu fritei. Gritei, provoquei, joguei algumas verdades na cara dela… Foi um jeito infantil, mas deu certo, foi o único jeito que deu certo, eu tinha tentado conversar, mas ela não queria ouvir, me interrompia dizendo que já estava decidida, que não adiantava, mas quando eu fiz um escândalo, por mais que tenha sido ridículo, funcionou.

Não posso dizer que tenho orgulho desse meu lado mimado e caprichoso, mas confesso que também não tenho vergonha dele, talvez eu esteja errada, mas foi ele que me fez estar aqui. O que eu tenho vergonha é que esse lado é infantil e eu tenho que crescer e amadurecer, aprender a me adaptar, a ter meu plano de vida interrompido e não ter controle sobre tudo. Juro que estou trabalhando nisso, é verdade que no meu próprio tempo, mas vou procurar ajuda profissional e conversar sobre isso, não sei se vai ajudar, uma vez que eu acho que o trabalho do psicanalista é nos dar mais consciência de nós mesmo e eu creio que já tenho essa consciência, mas vou tentar.

Acho que depois desse fracasso de Franca eu devo isso a mim mesma, tentar. Tudo, não desperdiçar mais oportunidades, tomara que não seja tarde demais, tomara que mais oportunidades apareçam por aí e eu ainda tenha chance de ter um futuro pleno. Tomara.

12 de abril de 2011

Eu perdi…

5 …E já não sei onde vou encontrar aquela alegria, aquela determinação, aquela vontade de cantar e danças que eu sentia no mês passado. Na verdade, nem faz um mês. E eu que achava que o ano estava sendo bom, estava dando certo, achei que 2011 seria meu ano. Pelo visto ele vai ser apenas mais um ano como os anteriores… infernal e com um final deprimente.

  Me pergunto se foi eu mesma quem jogou no lixo essa felicidade, se eu joguei no lixo quando recusei ficar em Franca. Me pergunto se essa recuso foi eu que sucumbi ao medo medo, ou se foi mais que isso. Quando paro para pensar acho que não foi medo, mas sim vontade de alcançar um sonho mais alto. Me pergunto se foi a decisão certa ou se eu realmente vou me arrepender para o resto da vida como todo mundo que me mandou tentar argumentou. Me pergunto se minha mãe estava certa e eu realmente estou depressiva, ou só frágil e confusa.

  O problema é que fragilidade e confusão não dão vontade de chorar a cada palavra mais dura que eu ouço, ou a cada lembrança mais triste que eu tenho. Eu estou tão acostumada a entender o que acontece comigo que me bate um desespero não ter idéia do que eu sinto, ou do que eu quero.

  Eu perdi a perspectiva e ao invés de receber apoio de quem eu mais queria que me apoiasse só recebi agressão. Eu me sinto tão perdida e tão desamparada que pela primeira vez não sei que caminho seguir e muito menos aonde quero chegar.