11 de maio de 2011

Jogo Patético

princess_by_ninoness   Existe uma coisa que eu adoro assistir, que sempre me diverte: O jogo da paquera.

  Os sorrisos, a mechida no cabelo, as piscadas mais frequentes, a voz mais fina e ritimada, o desajeito das mãos… As meninas ficam tão bobas que chega a ser patético. Tentando demonstrar naturalidade, mas também querendo mostrar interesse e sempre com aquela timidez exclusivamente feminina. Sei que sendo uma menina também devo ficar assim, ou talvez não fique, e esse seja o problema. Eu acho esse jogo tão bobo, engrçado e ao mesmo tempo patético. Cada vez que vejo uma cena assim, de paquera, dou risada. Não vejo vantagens para as meninas, só o cumprimento do ritual da conquista, para os meninos esse ritual feminino implica no alargamento do ego masculino, é basicamente tudo que eles precisam para se render. E eu não sei se é porque sou orgulhosa demais, ou muito prática, mas acho ridículo passar por todo esse ritual apenas para alargar o ego masculino e conseguir alguma coisa no final.

  Eu sempre tive uma quedinha por professores, aos 17 anos eu deixava bem claro para os professores que me interessavam que eu tinha interesse, claro que fazia isso por meio de brincadeiras com minhas amigas. Hoje, aos 20, presenciei uma cena que me fez dar risada: Meu professor de física entrou na sala e depois de algum tempo notou a aluna sentada atrás de mim, virou para ela e perguntou porque ela iria ver aula naquela sala, ela já havia visto na outra e a aula era a mesma. A aluna respondeu que queria ver como era a sala. Eu não disfarcei: ri na maior cara de pau. Ele percebeu que eu ri, eu vi que ele sentiu vontade de rir também, mas não riu, ao invés disso se voltou para a lousa e começou a escrever. Este professor é relativamente jovem, deve ter uns 38 anos, uma boa aparencia, diria até que ele´é bonito, mas não é só isso, ele também tem uma pitada de charme e um jeito meio conquistador/pervertido que deixa ele atraente. Ele sabe que é atraente, que as alunas acham ele atraente, que aquela aluna só estava ali para ver ele e mesmo assim perguntou. Ela, eu não sei se sabe que ele sabe tudo isso, ela pode muito bem não saber, mas fez o jogo feminino e não falou na cara. De qualquer modo, ele já sabia o porquê de ela estar ali, sabia que ela mentiria na resposta e foi por isso que quando eu ri ele também sentiu vontade de rir, ele viu que eu percebi que ele só queria inflar o ego dele e que ele conseguiu, mesmo ela mentindo para ele. Foi aí que eu me senti patética. Aos 17 anos eu era essa garota. 

  O pior é que mesmo achando esse jogo todo da conquista patético eu sei que um dia eu vou jogar sem perceber, porque se eu não jogar eu não posso ganhar nada. Isso me irrita muito, essa feminilidade exigida, porque se você mostra ter uma personalidade mais forte você está fora da partida. E sou sim uma menina, sei ser delicada, discreta, sou boazinha e tudo o mais que é necessário para ser uma princesa, mas não aceito ser subjulgada por um homem, dizer coisas só para encher egos e aumentar auto estimas. Por que não posso simplesmente ser sincera e fazer um elogio verdadeiro quando me der vontade? Eu gostaria de saber onde acaba o território da educação e começa o da falsidade, a linha é tão tênue…

8 de maio de 2011

Preconceitos do tempo

corra-tempo   É estranho quando percebemos os preconceitos dos nossos pais, para mim é muito difícil de aceitá-los, ainda que eu entenda a origem deles.´Acho que o mais difícil é não mudar a idéia que temos dos nossos pais, mesmo que nós não sejamos atingidos diretamente por esses preconceitos.

  Meu pai e meu irmão sempre brincaram de me chamar de “defensora dos fracos e oprimidos”, nunca me chamavam assim em um bom tom, era mais uma crítica, e eu nunc gostei deste rótulo, mas a verdade é que eu sou mesmo assim. E por ser assim que eu brigava muito com meu pai, ele tinha idade para ser meu avô e os preconceitos dele me levavam a loucura, ele não os disfarçava e ainda os negava, mas eu sempre soube que ele os tinha e ficava furiosa com a injustiça desses preconceitos(por afinal um preconceito é sempre uma injustiça), mas no fim eu entendia, afinal ele nasceu no início da década de 40. Já minha mãe sempre foi mais mente aberta, também defensora dos fracos, sempre ajudou a quem precisasse e ainda ajuda sem medir esforços ou contar vantagem, mas hoje descobri nela preconceitos que eu não sabia existir. Ela não é homofóbica, tem amigos gays, aceita meus amigos gays e um deles ela inclusive adora, mas quando comentei com ela uma opinião que ouvi sobre a união homoafetiva ela demonstrou que concordava com essa opinião e era contra a adoção de crianças por casais gays. Foi uma cisa maluca porque ela também negou ser preconceito, mas não tinha argumentos para defender a opinião dela. Claro, eu fiquei possessa.

  Então eu parei para pensar sobre o assunto, sobre como eu sou consciente dos meus preconceitos, geralmente de classe, sobre como eu tento enfrentá-los e quebrá-los, para assim me desfazer deles e como meus pais, meus tios e minha avó não conseguem reconhecer que também tem preconceitos. Acho que eles não reconhecem porque geralmente são contra coisas que na época em que eles eram jovens não existia, ou eram casos raros, como preconceito contra gays. Talvez eles realmente não saibam que é preconceito, talvez eles simplesmente não entendam porque não foi parte da realidade deles por muito tempo e agora eles já não conseguem mais entender. Sei que eles aceitam, mas não entendem e percebi que deve ser doloroso para eles não entender, mas que não é culpa deles. Esse preconceito é culpa do tempo que passa rápido demais, mudando tudo que está em seu caminho, sem esperar nem um momento para que a humanidade possa compreender essas mudanças.  

3 de maio de 2011

Não faz diferença.

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  Não podia ser mais perfeito: Sol, praia deserta e uma boa companhia. Mal podia esperar para ver o que suas amigas diriam. Imagine? Logo ela que nunca teve namorado fixo estava agora em uma praia deserta só com ele. Ele que era tudo que elas invejariam: Bonito, um pouco mais velho, charmoso, motorizado, cavalheiro e financeiramente independente. Ela estava deitada na areia e o observava escrever alguma coisa perto do mar, já havia tres meses que estavam juntos, mas ela ainda não tinha contado a ninguém, era como se contar fosse fazer tudo ser mais real e aquele clima de sonho era tão bom, que não havia motivos para estragar. Claro que sabia que deveria ter contado ao menos para a mãe, mas ela não iria aprovar, afinal ele era quase dez anos mais velho que ela… Até suas amigas iriam se espantar com isso. E sua irmã não iria ajudar em nada, provavelmente acabaria fazendo ou dizendo alguma coisa contra ele, já que sempre foi ela que teve os namorados bonzinhos. Depois, não era pra ser nada sério. Não era nada sério, tudo bem que ele havia levado ela para o apartamento dele na praia e que nunca tinha feito isso com outra garota, como ele mesmo lhe confessara, mas isso não queria dizer nada. Ele se aproximou dela, pegou em sua mão e a puxou fazendo com que ela ficasse de pé, depois a puxou para si e lhe deu um beijo rápido, ela o acompanhou até a beira da água e então nada mais importava. Não se importava se suas amigas fossem gostar dele ou não, não se importava se sua mãe iria aprová-lo ou se sua irmã ficaria com ciúmes, não precisava mais dizer para si mesma que não era nada sério, se convencer de que aquela viagem não era nada demais… Estava ali, escrito na areia, com o mar tentando apagar, que ela não estava sozinha, que ele a correspondia. E se ele a amava também nada mais importava.