20 de junho de 2011

É um querer sem ter que me entregar

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É um apego, uma loucura, um vício.

Uma coisa que acontece só na minha cabeça.

Uma coisa que não consigo fazer parar.

Uma inconstância maluca,

Um te quero e (me)mostro e (me)descubro, e

Ao mesmo tempo uma conciência constante de que não sou nada pra você.

É uma vontade de que você me veja,

Que eu me mostre para você sem parecer ridícula,

Mas tudo o que eu faço, mesmo que não faça nada, é ridículo pra mim.

É um querer que você adivinhe que eu te quero,

E que você me queria também.

Mas é também um medo que você não exista fora da minha cabeça ,

E que eu não te queira fora dela.

É um debate doido entre minha mente sã e minha insanidade.

É um te querer de verdade, com toda a física e biologia que você pode me dar,

Mas é um te querer químico, com toda a voracidade que a ficção permite.

É um te querer sem ter que me entregar,

Um desejo de me arriscar sem o risco de me machucar.

16 de junho de 2011

Mundo Pequeno.

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  Cada vez que encontramos alguém que não esperávamos, ou não víamos há muito tempo, por acaso na rua, ou em uma festa, em um momento de surpresa pensamos como o mundo é pequeno. Entre sete bilhões te pessoas te encontro por aqui, onde jamais pude imaginar. Se pararmos para pensar o mundo não é tão pequeno, mas previsível, é normal que você encontre alguém que conhece nos lugares em que não esperava por que geralmente você circula nos mesmos lugares que essa pessoa, vocês provavelmente se conhecem por serem de classes sociais parecidas, ou terem algum gosto em comum, ou mesmo algum conhecido, vocês são batatas do mesmo saco.

  Agora quando você conhece uma pessoa e acha que ela é interessante, ou especial, e pensa em como gostaria de encontrá-la novamente, ou em algum lugar difirente isso nunca acontece. Você anda na rua cheia de exprectativa, vai para lugares diferentes imaginando milhares de possibilidades, depois de algum tempo começa a pensar em quão absurdamente grande é o mundo, ou em como é ridículo que você encontre no shopping aquela menina que estudou com você há dez anos, mas não encontre o moço que você conheceu há uma semana.

  Talvez isso aconteça porque o que te fascinou no moço foi o fato de ele ser diferente de você e ter outra visão de mundo e, assim sendo, frequentar lugares diferentes dos que você visita. Mas mesmo sabendo disso você ainda olha duas vezes ao entrar em um lugar, ou procura dentro dos carros que passam na rua, ou sonha com ele cruzando seu caminho de maneira acidental, ou não tão acidental assim.

  É, o mundo é pequeno, mas recheado de possibilidades de desencontro, especialmente entre dois corações apaixonados.

8 de junho de 2011

Questão de Fé.

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  Minha mãe e a família dela é católica, meu pai era ateu e a família dele eu não sei, meu irmão é do tipo que prefere previnir do que remediar, e eu… eu… Eu perdi minha fé.

  Eu já andava duvidando muito ano passado, por não ter passado no vestibular, por não ter namorado, por ter feito promessas e pedido coisas que nunca vieram a acontecer, mesmo eu tendo cumprido minha parte, aí meu pai morreu. Eu sei que minha mãe pediu muito pela vida do meu pai, eu pedi muito pela vida dele, mas ele morreu e quase que no mesmo instante eu parei de acreditar. Como posso acreditar em um deus estando o mundo do jeito que está? Sabendo o que eu sei de história? Conhecendo o que eu sei de ciências? Eu sei, Einstein disse que a ciencia só ia até certo ponto de dali em diante era deus, ou algo do tipo, mas acho que preciso mais do que uma frase para voltar a acreditar. Quer dizer, os próprios padres dizem que é fácil ter fé quando as coisas vão bem, o difícil é manter a fé quando as coisas começam a ir mal, mas eles não conseguem explicar porque há maldade, miséria, coisas ruins acontecendo com pessoas boas… É facil agradecer a deus quando alguma coisa boa acontece, quando seu filho nasce saudável ou você sobrevive a uma tempestade, mas e se sua vida é uma tempestade? Cadê o deus das crianças famintas na áfrica? Cadê o deus da senhora bondosa que perde o filho pras drogas? Se existisse um deus o mundo não seria tão injusto e desigual, é isso que eu penso.

  Mas não posso nem cogitar a idéia de falar isso perto da minha avó ou da minha mãe e minhas tias, ela jamais entenderiam. Minha mãe quer que eu seja batizada, faça a primeira comunhão e a crisma, mas não é fácil para mim entrar na igreja e olhar para a mulher que dá a aula e ouvir ela falar que as aulas são necessárias para que as pessoas não se crismem sem saber os sacramentos, ou a moral cristã, sem entender a própria fé e ir a igreja só por ir. É difícil ouví-la falar isso porque é exatamente o que eu estou fazendo, me batizar só por batizar, eu não me importo com essa besteira toda, se deus existe ele não vai me barrar só porque um padre não jogou água na minha cabeça. Mas é importante para minha mãe e aí vem a questão: ignorar a ética e cumprir um desejo da minha mãe ou me ater aos meus princípios e não enganar os cristãos que vão me batizar ou assistir o batismo?

  Existem poucas coisas que um filho pode fazer pela sua mãe e isso significa tanto para ela que eu vou ceder e deixar o padre me molhar, não pode fazer mal e se ninguém sabe que eu não acredito no que estou fazendo ninguém se machuca. É um crime sem vítimas.

A força de Platão.

imagem_aviao   Foi Platão que criou a Teoria das Idéias e dessa teoria surgiu o termo “amor platônico”. O amor platônico é aquele que não passa de uma idéia, o amor puro, sem sexualidade e além de tudo imaculado. O amor platônico é o motor do meu coração ainda juvenil. Talvez eu esteja passando pela puberdade mental somente agora, porque o amor já não é puro, mas ainda é imaculado e idealizado e acima de tudo irreal, sem concretização de qualquer tipo. De qualquer modo Platão ainda está aqui, invadindo meu coração, invadindo porque eu já não dou permissão para que ele entre, mas ele está aqui dentro e eu o percebo cada vez que meu pensamento voa para a pessoa inalcansável.

  Minha psicologa disse que eu sou uma pessoa racional demais, que eu deveria parar de tentar ignorar meus sentimentos e colocá-los de lado ao tomar minhas decisões, que meus sentimentos podem tornar a tomada de decisões mais fácil e talvez até combater um pouco o medo e a desconfiança.

  Agora estou em uma situação complicada. Vai haver uma viagem, que um professor está organizando, e vai uma amiga minha e também ele. Eu não tinha muita vontade de ir, mas adoraria, até que eu fiquei sabendo que ele vai, aí eu passei a realmente desejar essa viagem. Veja bem, por algum motivo que desconheço sempre que estou para sair de viagem tenho a impressão de que algo especial irá acontecer nela é isso que mais me motiva para ir viajar. E nesta viagem vai estar meu amor platonico, eu neguei durante meses que ele fosse isso, mas ele é e vai estar na viagem, e isso faz com que eu sinta que se eu fosse eu poderia finalmente ter uma chance. É uma motivo egoísta para querer ir, mas é como eu me sinto e fui dita para não ignorar meus sentimentos e acima de tudo: Não posso ir. Não fui proibida, é que é uma viagem cara e minha mãe não diz não porque tem esperanças de ganhar dinheiro, já eu sou mais cínica e acho que não ganharemos dinheiro a tempo de eu ir no grupo dele. É uma situação bem simples na verdade: Eu quero ir, mas não posso por bom senso. Se eu seguisse a orientação da minha psicologa a risca eu pegaria dinheiro da minha poupança e iria, mas aí estaria sendo irresponsável.

Acho que Platão me ferrou mais vez, afinal de não fesse ele em mim eu não iria nem querer ir.  

5 de junho de 2011

5 motivos para gritar(pessoas).

Grito

Número 5: Pessoas que querem me mudar, que acham que eu deveria fazer isso ou aquilo o tempo todo. De vez em quando tudo bem, mas o tempo todo querendo mudar meu visual, ou meu jeito de ser? Isso faz com que eu sinta que eu não sou o bastante e acho que ninguém tem o direito de fazer outro alguém se sentir assim.

Número 4: Pessoas que discutem comigo sem antes parar para entender o que eu quero dizer.

Número 3: Pessoas que sempre acham um jeito de fazer uma crítica aos outros, não importa o assunto, ou o clima da conversa essa pessoa vai dar um jeito de te criticar e sem ter motivo ou moral nenhuma.

Número 2: Pessoas que não sabem reconhecer os esforços dos outros. Não só no trabalho, mas na vida pessoal, todo mundo gosta de ser elogiado, de ter um trabalho reconhecido e não custa absolutamente nada dizer ‘obrigada’.

Número 1: Pessoas que acham que te conhecem e falam isso. Odeio quando me dizem aguma coisa do tipo ‘ eu te conheço, você está se sentindo assim’. Odeio qualquer frase que começe com ‘eu te conheço’ sabe porque? Porque geralmente quem fala isso não me conhece e se conhecesse saberia que eu sou orgulhosa o suficiente para querer matar a pessoa que acertasse. A coisa é que eu quase nunca digo como estou me sentindo, então como pode alguém saber?

  Mas o que eu mais odeio é que todos esses tipos de pessoas, quando eu digo que não gosto do que estão fazendo, negam que estejam fazendo aquilo, ou que estejam errados, a frustração que eu sinto quando ouço alguma coisa do tipo é de doer a alma.

4 de junho de 2011

Será possível mudar?

1126750  Deixar de caminhar sozinha e aceitar companhia? Ter coragem de entregar meu coração para alguém? De me sentir vulnerável, abalável, dependente?

  Minha psicóloga disse que minha rajetória tem sido solitária porque eu tenho medo de me sentir vulnerável, de confiar, não que isso seja uma descober surpreendente, mas ela descobriu isso depois de apenas quatro consultas, então acho achei notável. Mas ela disse mais, disse que eu sou uma pessoa extremamente humana, mas que tenho que aprender a demonstrar mais minha sensibilidade, aceitar minhas emoções e trabalhar nisso, aprender a confiar, porque eu estou perdendo experiências de vida que podem ser bem legais, eu não perguntei para ela porque a resposta seria clichê, mas agora me pergunto: Será possível mudar?

  Esse medo é parte de quem eu sou e eu sempre fui do tipo de pessoa que não acredita que as pessoas mudem. Por outro lado eu tenho que acreditar porque não quero mais ter uma trajetória solitária, eu quero saber como é caminhar ao lado de alguém. O mais irônico é que logo eu, que sempre falei sobre tudo para todos, descobri com a psicóloga que na verdade eu me exponho muito pouco. Eu posso contar a minha vida para os outros, mas a verdade é que raramento falo sobre meus sentimentos, acho que só falo sobre eles aqui, ou se não quando sem querer explodo e acabo gritando com minha mãe.Será que vou conseguir evoluir como pessoa? Digo, não só por adquirir cultura e conhecimentos, mas mudando meu comportamento? E se eu não conseguir mudar? Será que nunca vou ter alguém caminhando ao meu lado?

Últimamente tenho sentido uma sede de mudança… mudança visual, espacial, comportamental… mas nada mudou e eu nem sei por onde devo começar a tentar mudar.