24 de julho de 2011

O Caminho Mais Fácil

mudar

  Minha mãe fica maluca comigo, diz que eu nunca termino o que eu começo e que sempre escolho o caminho mais fácil. A verdade é que ela tem medo de como vou encarar o mundo sozinha, sem ela ao meu lado para brigar por mim e me defender quando necessário. Acho que no fundo ela me acha fraca, submissa. Acho que no fundo ela não me conhece. A verdade é que ela criou uma menina que se mostra forte a medida do necessário. Sei que sou inexperiente e que tenho muito a aprender sobre o mundo e sobre mim mesma, mas já tive a prova que não sou tão fraca como ela pensa.

  Se eu escolhesse sempre o caminho mais fácil eu teria ficado em Franca, teria aceitado fazer Mackenzie, teria aceitado fazer PUC, seria fácil escolher uma dessas opções, todos estavam me apoiando, eu não teria mais que prestar vestibular e teria muito mais liberdade. Mas não seria a minha escolha. Não escolho o caminho mais fácil, escolho o caminho que eu quero e eu quero USP. Acho que mereço mais uma chance de tentar este sonho, uma chance justa dessa vez. Não sou fraca, sou teimosa demais para ser fraca. Eu fiz a minha escolha, briguei contra Franca, resisti ao Mackenzie e enfrentei minha mãe e três anos de cursinho pelo sonho de um dia estudar no Largo São Francisco, pelo sonho de ser uma franciscana. Se não der certo dessa vez, tudo bem, me rendo ao Mack ou a PUC, mas aí não vou estar escolhendo o caminho mais fácil, vou estar escolhendo o bom senso.

  “Não existem atalhos para a vida que eu escolhi”, um professor, que eu nem gostava muito, no meu primeiro ano de cursinho me disse isso e eu meio que tomei como verdade absoluta sem saber, porque desde então passei reto por muitas entradas, sempre tendo em mente uma coisa que meu irmão me falou: “se você desistir do seu primeiro sonho, como vai poder correr atrás dos outros?”. Talvez eu simplesmente seja teimosa demais para escolher o caminho mais fácil, ou então mimada demais para não seguir pelo caminho que eu quero. Mas eu sonho com meu ponto de chegada e nenhum outro caminho vai me levar até ele. Foi minha escolha, eu briguei para continuar neste caminho, eu sonho com o ponto de chegada, ainda vou enfrentar provas que podem me tirar do jogo, mas eu vou poder dizer que tentei até o final.

4 de julho de 2011

“Amai-vos uns aos outros”

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  Foi o que Jesus disse, não foi?

Então, porque eu abri o jornal hoje e li uma matéria sobre skinheads que atacaram negros? Porque ano passado eu li várias matérias sobre pessoas que atacaram homosexuais? O que tem de tão errado em ter a cor diferente? O que tem de tão errado em me atrair por pessoas do mesmo sexo que eu? O que tem de errado? Não machuca ninguém. É só uma coisa diferente, mas afinal, o que tem de errado em ser diferente?

Me dói o coração ver que uma pessoa não pode ser ela mesma só porque algumas outras pessoas não gostam de ver. Me dá um nó na garganta esses preconceitos absurdos, e tem gente que os baseia na palavra de Deus, protegendo a unidade familiar. Eu não sou religiosa, mas até onde vai meu bom senso Deus não iria apoiar uma coisa que machuca várias pessoas, e na sua maioria pessoas boas, como a homofobia. E se a unidade familiar é tão importante como pode que em nome dela tenha tantas famílias separadas?

Acho que o que mais me dói é a falta de liberdade que os preconceitos trazem. Eu não sou gay, não sou negra, não sou gorda, não sou feia, não sou pobre, não sou nerd, não sou emo, não sou uma pessoa que sofre nenhum tipo de preconceito, nunca senti isso na pele, mesmo sendo mulher, mas me dói a injustiça cometida em nome de deus, da família, da beleza…do que for.

Eu não sei porque essas injustiças me doem tanto, mas sinto uma vontade louca de fazer alguma coisa e não sei o que, talvez seja isso, talvez eu sinta essa vontade de chorar porque não sei como lutar contra esses preconceitos. Eu só queria saber como lutar.