10 de agosto de 2011

Infância, displicência

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  Hoje me peguei pensando, lembrando, e me dei conta de que sinto falta da minha infância. Eu curti ela até o último momento, e por isso achei que nunca seria do tipo de adulta que sente falta de ser criança, mas eu sou saudosista demais para não sentir falta daquele tempo.

  Era tudo tão fácil, eu tinha o mundo aos meus pés, eu queria? Eu pedia e eu tinha. Eu não tinha medo de confiar, a insegurança já estava lá, mas no meu castelo mandava eu e nada ali me deixava insegura. Esconde-esconde, polícia-e-ladrão, pega-pega, pranchão, corrida, luta, desafios, um mundo onde a maior preocupação era passar protetor. Não me importava com meu peso, meu cabelo, meus pêlos, minhas roupas ou meus seios grandes. Não queria saber de namorado, sexo, status ou futuro. Não pensava tanto em tudo, não media tanto as consequências, não tinha tantas responsabilidades. Hoje eu me importo demais, me analiso demais, penso demais, planejo demais… Eu quero é menos!

  Me importar menos com o que os outros pensam da minha aparência, me importar menos com o que os outros pensam do que eu faço ou falo, me importar menos com as consequências de meus atos, planejar menos meu futuro e viver um pouco mais meu presente. Talvez só um pouco de “mais”: Apreciar mais o inesperado, confiar mais no desconhecido, sonhar mais com o impossível…

  Eu sinto falta da displicência da minha infância.