30 de novembro de 2011

Paradoxo

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  Hoje percebi uma coisa engraçada, percebi que sozinha não tenho força, não tenho coragem, não tenho vida.

  Sempre fui o tipo de garota que tem poucos amigos, não tenho problema com isso, porque os amigos que tenho são bons amigos, são os que me bastam. Hoje, mesmo com meus amigos perto, fiquei longe deles e simplesmente desapareci. Com meus amigos eu sou dinâmica, cara de pau, debochada, viva, sou eu mesma, em vários níveis e de vários modos diferentes. Sem eles eu sou mais calada, cedo a timidez e ao medo, até mesmo me inferiorizo, o que também sou eu mesma, em vários outros níveis e de diferentes modos. Acho que quando estou sozinha sou a parte fraca de mim mesma, a parte resistente, e quando estou com mais alguém, pode ser apenas mais uma pessoa, pode ser qualquer amigo ou familiar, sou quem eu quero ser, sou líder, sou luz, sou forte.

  Acho isso engraçado porque mostra como as companhias realmente dizem quem nós somos e como todos nós, mesmo eu que sempre me julguei diferente, mudamos quando estamos em grupo. Uns mudam para melhor, outros para pior e mesmo no meu caso é relativo, mas mudam, eu mudo. Todo grupo tem aquela pessoa que se destaca, que acaba dando nome e forma ao grupo, que passa a ser a cola do grupo, pelo menos no início, eu sou essa pessoa. Eu sou a líder nata, só não imaginava que sem ter quem liderar eu ficasse tão defensiva e apagada. E o mais engraçado é que justo eu, uma menina boazinha, tímida, doce, que sempre pensou que passava despercebida na multidão, é uma líder nata. E pensando nisso voltamos àquilo que já disse: eu sou desafio as possibilidades. Se Deus existe, ele tava bêbado quando me criou. É a única explicação que eu encontro para justificar esse amontoado de paradoxos que me compõem, tanto no físico, como mencionado anteriormente, quanto no interior. 

24 de novembro de 2011

O monstro

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  Você passa o ano todo se preparando para um dia, no fundo é isso. Você pode prestar quantos vestibulares vocês quiser, mas você tem aquela faculdade na qual você prefereria estudar, então, na real, você acaba se preparando o ano todo para prestar o vestibular daquela faculdade. E não importa o que seus muitos professores digam, ou até mesmo deixem de dizer, você está nervosa, comendo que nem uma porca para afundar a ansiedade e o medo, fazendo exercício para gastar energia e conseguir dormir sem problemas e evitando a todo custo pensar no assunto, na prova, mesmo quando está estudando para ela. Ano passado baseei minha vida contando que eu ia passar para a segunda fase, não passei, esse ano evito a todo custo pensar na prova. Não quero sentir aquela decepção de não passar de novo, aquela frustração que me dói o coração só a lembrança, mas também não quero ser negativa e achar que não vou passar, não quero agourar.

  O que eu sei que vai acontecer é que eu vou sentir falta do cursinho, mesmo que não faça a faculdade que eu quero, ano que vem vou fazer uma faculdade e sei que dizendo isso acabo sendo otimista, mas sinto como se estivesse sendo apenas realista, dado que já passei em três faculdades, duas das quais estou prestando novamente agora. No meu primeiro ano de cursinho eu curti mais do que deveria e acabei indo mal na prova, ano passado estudei bastante, mas não deu e esse ano acho que consegui medir direitinho, o que talvez seja um bom sinal. E apesar de já ser minha quarta tentativa de verdade é a primeira vez que me sinto realmente pronta para a faculdade, para mais essa mudança de vida e, saudosista que sou, basta a expectativa de mudança aparecer para que eu sinta saudade do que ainda tenho.

  É que o cursinho é todo um mundo particular, pessoas que sairam da obrigação de ir forçada a escola, mas que ainda não chegaram ao paraíso que os adolescentes imaginam ser a faculdade, o cursinho é o limbo. E os vestibulandos dão uma cara toda especial a esse momento, com as brincadeiras, catch-phrases, catch-words e até mesmo as próprias risadas. No meu caso sentirei falta do Abner com suas catch-phrases: “não é vergonha nenhuma”, “Isso é legal, pessoal”, “na minha cabeça”, “ninguém bate nete ele pensa o que quer” e talvez tenha outras, mas essas são as principais dele, tem as catch-words do Gian: “colapso” e “esfrega”, o Gugu com seu amor a osasco, o Márcio com seu “bom dia pessoal”, os chavecos geográficos e, claro, as receitas e idéias culinárias, do Artur e do Maurício vou sentir falta da polêmica, do jeito que eles instigavam a gente a pensar, refletir e sair da caverna de platão, também sentirei falta do Renato e seu “sangue”, do Elésio e suas tantas conquistas, do Élcio e seu jeito charmoso, do Thiago e seu jeito fofo, do Roberto e suas piadas raramente engraçadas, mas mesmo das mais sem graça acho que vou sentir saudade, do Vidal e seu sotaque contagiante do interior, do Edu vou levar o entusiasmo com a vida e por último, mas não menos importante, do Bucci vou sentir saudade das idéias revolucionárias, que me ajudaram a ver o mundo com outros olhos e também dele levarei a leitura mais precisamente seu jeito de sempre ler declamando, não importa que tipo de texto seja.

  São esses os meus mais recentes professores e também os que mais me ensinaram, mais me fizeram querer aprender, mais me prepararam para a vida, essa vida tão longa que está por vir. Claro que levo vários outros professores na memória, como a Claudiane e a Valquíria que me ensinaram a gostar de literatura, ou a Magda que me deu o medo da matemática, ou o Silvio que me deu o amor a escrita, ou o Flávio e seu discurso de fim de ano que serve para qualquer coisa e alguns outros que eu ainda levo na memória. Acho que no fundo levo todos meus professores comigo, acredito que em cada um de nós no presente existe quem nós fomos no passado e quem eu fui no passado eu devo um pouco a eles, assim sendo devo um pouco a eles quem sou no presente e a isso agradeço. Mas acima de tudo agradeço aos meus professores deste último ano de cursinho, que não só fazem parte de mim por terem contribuído com ensinamentos do ensino fundamental, mas me ensinaram uma coisa fundamental: pensar.

23 de novembro de 2011

A realidade é outra

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  Com o tempo eu percebi que minha maior dificuldade para escrever um romance é que eu coloco muito daquilo que eu gostaria de ser e aí faltam defeitos a heroína e ninguém gosta de heroínas perfeitas, nem eu. Assim acabo abandonando as histórias que já estavam quase que escritas, na minha cabeça, por excesso de perfeição e falta de defeitos. Sempre imaginos personagens centrais sendo mulheres, ou mesmo meninas, fortes, destemidas, espertas, sem com uma resposta pronta na ponta da língua, com o poder de se entregar sem receio ao grande amor, sem medo de arrependimentos, vivendo no presente e sabendo como e quando desdenhar, sem contar que elas sempre tem um talento natural para ser sexy.

  Mas minha realidade é outra. Quando existe um possível herói na minha vida eu simplesmente nunca sei o que falar, sempre acabo desdenhando mais do que devo, morro de medo de me entregar e ter meu coração partido, de pensar que estou sendo sexy e na verdade estar sendo idiota e nunca tenho coragem de chegar então acabo idealizando toda a relação com o herói e no fim a única coisa que me resta é uma boa história para ser escrita. Claro que na minha cabeça eu sou tudo aquilo que escrevi no primeiro parágrafo, de modo que tudo se torna um ciclo vicioso desgastante e viciante.

  Dessa vez calhou que eu tenho a oportunidade de fazer diferente. Tenho a chance de tornar as coisas mais reais, ainda não sei até que ponto vou chegar, mas estou tomando essa gotinha de coragem que eu tenho para continuar no barco e ver no que vai dá. Grr. Só de pensar já sinto borboletas batendo asas na minha barriga e acho que meu coração está palpitando um pouquinho. Tudo começou com uma foto, depois uma pergunta e aí entrou a coragem e cara de pau de uma amiga e a determinação de que quem tiver chance vai em frente. Talvez o herói não possa ir em frente e aí eu sinto uma pontinha de alívio e desapontamento, mas se ele puder….borboletas de novo. Tenho medo de não saber o que falar, tenho medo de não ser a que recebeu o olhar, tenho um frio no estômago de expectativa, ansiedade e curiosidade, porque não tenho certeza de que sou capaz de ir até o fim, mas tenho curiosidade em saber onde seria o fim. A linha ética me proibe de ver o fim, mas entre tantas coisas erradas essa me parece a mais certa que eu poderia fazer, certa pelo amadurecimento que eu poderia ter, certa porque é algo que eu quero, certa porque seria uma experiência única que me daria material, que me tiraria um pouquinho da caverna … Certa de muitos modos diferentes, mas ainda assim errado. E poderia dar bem errado, eu que tenho medo de me entregar e facilidade de imaginar já imagino também muitas coisas que poderiam dar errado, que poderiam me machucar, mas acho que… Acho que esse ano realmente mudou muitca coisa em mim porque agorinha penso que por mais errado que tudo possa dar eu ainda quero ver como vai terminar.

21 de novembro de 2011

Minha beleza

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  Minha beleza desafia as possibilidades.

Não sou uma modelo de passarela e muito menos de revista. Nunca saio bem em foto e vídeo nem se fala. Não tenho cabelo liso, não tenho bunda grande, não tenho lábios carnudos, não sou estilosa e nunca estou na moda. Meu cabelo é ondulado e nunca fica do jeito que eu gostaria. Minha boca é pequena, meu nariz torto e meus olhos assimétricos. Meus ombros são largos, meu peito grande demais, minha bunda pequena demais e se a calça jeans fica boa na bunda não fecha na cintura, porque meu manequim né 42 e minha bunda 0. Mas ainda que essa descrição lhe pareça a de um monstro, não estando de acordo com as regras do belo que a sociedade impôs a você contra a sua vontade, eu lhe garanto que sou bonita. Atraio olhares de vários tipos de homens quando ando na rua, e de alguma mulheres também. Minha beleza não está no previsível, não é igual ao de todas as outras, mas está lá e eu acho que todo mundo tem uma beleza lá, só precisa aprender a valorizar, a destacar.

Tem gente que acha que para ser bonito tem que ser perfeito, mas não é bem assim. O espelho me aprisionou durante muito tempo, até minha mãe e meu irmão se entregaram ao padrão sociedade querendo que eu mudasse, mas eu percebi que gosto de ser como eu sou. Gosto de ter que tirar milhares de fotos para ter uma boa, gosto de ter do que reclamar, gosto de me sentir feia e quando sair a rua receber um olhar inesperado, gosto de me sentir normal. E digo mais, prefiro sentir a insegurança de ter a beleza diferente do que a previsibilidade de ter a beleza perfeita. É esse diferente que me impede de ser fútil, que construiu meu carácter de modo que eu posso me orgulhar de não ligar para o que todo mundo liga.

Minha beleza desafia as possibilidade porque apesar de assimétrica sou harmoniosa, e ao invés de meus defeitos me deixarem imperfeita, me fizeram única.

1 de novembro de 2011

Romantização do romance

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Eu romantizo tudo.
Eu romantizo demais.
Romantizo sonhos e realidade,
Romantizo a amizade e romantizo o amor.
Eu romantizo o acaso e o descaso…
se deixar romantizo até o mau-humor.

Esse romance idealista e viciante, nunca encontra um ponto de fuga então caminha pela minha mente de modo errante e persistente. É esse romance que me empurra para a escrita. É o sangue que corre em minhas veias, é a parte mais importante do meu jeito de não ser.

Porque romantizando a vida eu esqueci de viver.