13 de dezembro de 2011

Meu lugar

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  Ás vezes eu tenho essa sensação horrível de que meu irmão acaba “tirando” de mim todos meus sonhos. Não no sentido de roubar, de fazer com que eu desista deles, mas no sentido de que tudo que eu sonho ele acaba realizando, na vida dele, e quase sempre em mais estilo do que eu tinha sonhado para mim. Talvez não seja algo do qual ele tenha consciência, talvez eu esteja neurótica de TPM, talvez eu esteja certa.

  Quando tinha 13/14 anos sonhava em fazer intercâmbio nos EUA, quando eu tinha 15 anos eles fez intercâmbio nos EUA, com direito a estudar em Harvard. Eu sempre gostei de escrever e todo mundo sempre soube disso, hoje todo mundo sabe que ele também gosta de escrever e ele até já teve texto públicado no jornalzinho da faculdade, sem contar que o que ele escreve é muito mais profundo do que o que eu escrevo. Começo do ano passado eu falei que queria fazer direito para seguir carreira em direito internacional e trabalhar em ONGs internacionais e ajudar quem realmente precisa, seja na áfrica ou na bolívia, dois meses depois ele disse que depois de se formar faria um ano de exército, na amazônia, para ter bagagem de vida e hoje, exatamente hoje ouvi ele dizer que pensava em se juntar ao médicos sem fronteiras.

  Como eu disse, talvez ele faça isso sem querer, ele provavelmente faz isso sem querer, mas eu sinto que está cada vez mais difícil achar meu lugar no mundo desse jeito. Eu sempre tive essa necessidade de ser ligeiramente original, mesmo que só em pequenos detalhes, mas principalmente nos meus sonhos e cada dia que passa eu sinto que eu sou mais parecida com ele. Isso me enlouquece!

  Depois vem essa coisa de ninguém da minha família realmente me entender, eles me amam, sim, sem dúvida alguma, alguns até precisam de mim, mas me entender? Acho que no fundo a única pessoa que realmente me entendia era meu pai. Entender assim, meu jeito de ser, nós discordávamos em muitas coisas, e eu odiava algumas visões de mundo que ele tinha, mas nós realmente éramos parecidos, só que eu sou mais suave do que ele era. Esses dias tenho me irritado tanto com minha mãe falando que eu sou muito parecida com ele, mas não é por ser parecida com ele que eu fico irritada, é pelo jeito com que ela consegue fazer isso soar tão ruim. E ela ainda fala como se fosse diferente, mas ela não é, ela faz as mesmas coisas que ela o acusa de ter feito, ela é do jeito que me acusa ser e não percebe. Eu só sei que me mata um pouco cada vez que ouço ela dizer com aquele tom que eu sou como ele. Assim como me mata um pouco cada vez que alguém usa uma característica minha para justificar o porque de eu não ter namorado. Sempre que fazem isso, sempre da minha família, eu morro um pouco. Não sei porque dói tanto, mas dói, dói muito! Eles agem como se eu PRECISASSE ter um namorado, e racionalmente falando eu tenho todos os motivos para não ter, mas do jeito que eles falam e sempre tocam na mesma tecla eu…

  Não sei. Talvez eu precisse de um tempo longe da minha família, um tempo para me achar, para decidir como eu quero escrever minha história. Por que a verdade é que eu não tenho tempo nem dinheiro para ter namorado agora, não tenho problema nenhum em ser parecida com meu pai, não acho nada de errado em eu sonhar com uma faculdade pública e querer sempre mais do que eu poderia ter, também não acho errado eu querer ler livros cults na praia, ou não gostar de balada, ou não beber, ou não querer ficar com um cara numa noite porque eu simplesmente não gosto de ficar por ficar. Talvez eu precise um tempo da minha família para me construir sem eles, porque eu sinto que eles são um microcosmo da sociedade que eu odeio, radical, opressiva, preconceituosa e determinante, pior, determinante do comum.Não me leve a mal, eu amo eles, seria capaz de botar minha mão no fogo por eles, meu corpo inteiro se fose necessário, mas… Eu nunca quis o comum para mim mesma, eu nunca fui comum e hoje eu sei que busco o extraordinário porque eu sou extraordinária e como toda sociedade, eu começo a sentir que eles preferem nivelar, ocultar quem brilha, indiferenciar o diferente e manter a união. Não é culpa deles, é o comportamento de massa, eu agiria assim se não fosse eu quem destoa, quem brilha.

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