4 de dezembro de 2011

Peso leve

bolhas

  Ás vezes, quando leio textos de amigos, de outras pessoas da minha idade, ou mesmo do meu irmão, sinto um peso nos meus ombros. É um peso que amassa meus maiores sonhos e que vêm da pressão que eu sinto quando leio um texto escrito com palavras difíceis, ou melhor, com um léxico muito mais amplo do que o que eu escrevo. Cada vez que leio um texto desse, sinto que não sou boa o bastante, que aquela pessoa, que escreveu aquele texto profundo e com palavras difíceis, é bem melhor que eu e que eu nunca vou chegar aos pés dela.

  Essa semana senti isso no cursinho, quando um aluno leu em voz alta a resolução de uma questão que eu nem se quer consegui formular. Senti que eu não sou boa o bastante, que eu não vou passar. E é aí que vem a coisa boa de ir a um pisicólogo, eu contei como eu me senti a ela e ela me disse uma coisa bastante óbvia, mas que me acendeu um luz: não fique se comparando com os outros, isso não vai te levar a nada, só vai te deixar em pânico e aí sim você vai falhar. E ela tem razão.

  Ficar me comparando aos outros não vai me levar a nada. Por que eu deveria me comparar aos outros que escrevem textos com palavras difícieis para passar mensagens simples? Por que eu devo me comparar aos outros que escrevem textos profundos e reflexivos se o que eu realmente quero é tocar o coração das pessoas mais simples? Não quero ser uma intelectual de merda que se acha grande coisa porque um cara com doutorado elogiou o texto dela. Quero ser uma escritora que ouve de seus leitores como aquele texto lhe fez sentir, como ela mal pode esperar para ler o próximo. Eu quero ser capaz de mudar a vida das pessoas e o jeito que elas pensam, mas não quero mudar só alguns, quero mudar a maioria, a massa, porque isso sim é mudar o mundo. Não adianta usar palavras difíceis e conceitos abstratos se ninguém os entende, se não vai mudar em nada as pessoas.

  E depois, cada vez que me comparo com os melhores e me sinto pequena acabo de alguma forma me surpreendendo comigo mesma, seja passando em uma prova, seja recebendo um comentário positivo de uma leitora, seja discutindo assuntos sérios com adultos. Eu acho que minha alto estima e auto confiança são tão baixas que quando vejo o resultado do meu trabalho acabo me surpreendendo com a qualidade dele. E eu gosto disso. Dessa humildade que me permite defrutar as pequenas coisas do meu dia a dia.

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