28 de dezembro de 2012

Merecimento?

 

Solidao

    Será essa a palavra chave?

Ontem vi um filme onde ouvi uma frase bastante interessante: “nós aceitamos o amor que achamos que merecemos”. Achei interessante porque até hoje nunca realmente aceitei o amor de ninguém exceto o da minha família e amigos, nunca aceitei o amor de um homem, de um garoto, de um namorado. E aí fiquei me perguntando: será que nunca aceitei amor nenhum por achar que não mereço ser amada, ou por me achar tão especial que nenhum amor que me foi oferecido foi suficiente? É complicado porque até, mais ou menos, dois anos atrás minha auto-estima era baixa, eu melhorei bastante depois da psicóloga, mas ainda assim, não sei se foi suficiente. Sim, eu, agora, tenho vontade própria, menos medo, me deixo levar mais pela curiosidade e pelo acaso, mas não sei se mudei no aspecto amoroso também. Sei que ainda tenho meus próprios preconceitos, sei que superei meu complexo de Cinderela, mas ainda não vi nenhuma mudança concreta, ainda não me abri inteiramente ao amor.

Não sei. Talvez ainda não tenha conhecido a pessoa certa, mas enquanto isso, por que não me permito um pouco de diversão com as pessoas erradas? Por que seleciono tanto? As vezes eu simplesmente penso demais e acho que é isso que eu espero de um amor: alguém que me faça parar de pensar. É isso que encontro nos livros, filmes e séries, então espero encontrar na minha vida. No fundo acho que eu sei que meu problema é que eu acho que mereço demais, por isso seleciono tanto, até meus amigos eu selecionei. Tenho medo de estar perdendo alguma coisa com isso… Maldito orgulho que me domina, quem se importa com a dignidade hoje em dia? Orgulho e medo, me marcar com coisas que minha memória não apagará… Não, certas coisas, certas pessoas, simplesmente não merecem entrar na minha vida, na minha história, é melhor que fiquem na periferia, no suburbio da minha existencia.

As pessoas aceitam o amor que acham que merecem e eu ainda não achei ninguém digno do meu coração. Eu sei que isso tem haver com admiração, essa necessida de admirar quem eu gosto, deve ter também haver com dad and mom echoes, mas taí uma coisa sobre a qual eu não quero pensar muito.

23 de dezembro de 2012

O tempo passa…

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  E as minhas idéias mudaram, meus conceitos, vontades, sonhos e amores são outros. Meu eu antigo se dissolveu no vento e outro nasceu.

Há mais ou menos 6 anos atrás eu estava perdidamente apaixonada por um garoto, que depois foi meu amigo e com quem eu ninca tive nada, mas por quem sempre nutri enorme carinho, hoje eu já não falo mais com ele. Eu fiz tudo errado e perdi sua amizade e hoje acho que ele me odeia e eu sinto pena dele por perder tempo e energia me odiando. Há mais ou menos cinco anos atrás eu estava perdidamente apaixonada por outro garoto, que me iludia como ninguém, atiçava meu fogo e depois queimou meu coração… Hoje já não falo mais com ele, sei que ele namora uma menina com quem nunca fui com a cara e as vezes me pergunto o que raios eu via nele? Para os dois escrevi alguns versos, alguns textos, coisas que hoje leio e sinto uma nostalgia, aquela nostalgia que se sente quando se tem saudade do sentimento da paixão. Eram versos bonitos, e eu quero me apaixonar de novo, mas hoje quero uma coisa mais real, madura, quero coração acelerado e também companheirismos… talvez hoje eu busque algo ainda mais difícil de encontrar do que ontem, mas continuo na luta, continuo esperançosa.

Há mais ou menos quatro anos atrás eu entrei no cursinho, lá fiquei por três anos, sobrevivi a meu amigos passarem no vestibular, a solidão, a morte do meu pai, a pressão, a Franca, a novas amizades, a paixonites por professores e a total e completa paralização da minha vida. Três anos sonhando com a USP, com a SanFran, com um ano de intercâmbio nos EUA, com trabalho voluntário e preguiça de não pagar a faculdade. Hoje estou no Mackenzie, fiz amizades ótimas, sinto uma super pressão para não ficar de DP por causa do preço, mas acho que isso reflete no meu desempenho academico de forma positiva, faço francês, estagio e faço natação, coisas que não estavam nos meus planos quando eu estava no cursinho. Não faço trabalho voluntário e desiste das poucas oportunidades que tive. Todo aquele plano de vida que eu tinha já não persiste na minha mente, hoje estou confusa, não sei para onde ir ou o que quero depois da faculdade e estou tranquila com isso. Hoje estou dando mais chance ao acaso, confiando mais e até um intercambio voluntário por conta eu vou fazer!

Há um ano atrás eu fazia planos a longo prazo e hoje faço a curto prazo, aprecio mais o meu dia a dia e confio mais no destino. Minha vida não saiu como eu esperava que saísse ano passado, deu voltas e eu chorei bastante, mas também não consigo me lembrar de uma época em que eu tenha me sentido tão completa como agora, uma época em que tudo estivesse tão bem como agora. E dá até medo de que essa fase boa seja passageira e logo logo venha a tempestade, é como se eu não estivesse acostumada a felicidade… E talvez eu não esteja mesmo, mas em 2013 vou tentar me acostumar.

27 de novembro de 2012

Troféu de que?

 

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  De melhor filho? De mais inteligente? De mais engraçado? De mais carismático? De que? Não é a primeira vez que venho aqui falar do meu irmão e da nossa competição, mas agora começo a ter a impressão de que a competição não é nossa, é dele comigo. Até que faz sentido, quer dizer, ele era o caçulinha preferido, até que quando ele tinha seis anos eu cheguei. Roubei a atenção do pai dele por completo e ainda virei exemplo: quando eu era pequena era exemplo de boas notas, quando cresci virei exemplo de comportamento. Quando fiquei de recuperação fui comparada a ele, como se ele fosse o mau exemplo. Eu não bebo, não fumo, não me drogo e ajudo minha avó, minhas tias e minha mãe sempre, ainda que contra minha vontade. Ele bebe, ele fuma e ela já deixou bem claro que ajudar os outros, que sim, são folgados, não é com ele. Então tá, entendo que ele tenha certa necessidade de competir comigo. Mas será que ele não percebe que ele já ganhou? Ele fez medicina que era o sonho da minha mãe, passou com só dois anos de cursinho em uma faculdade pública, fez intercâmbio em Harvard, teve a coragem de ir pra PQP no Amazonas ajudar os outros no exército e eu… Eu fugi de Franca, eu fiz três anos de cursinho e estou cursando uma faculdade privada, estou fazendo Direito que é um curso que minha mãe quase me proibiu de fazer e acho bem possível que eu não consiga fazer intercâmbio pela faculdade. Então é, eu sou modelo de comportamento, talvez até de esforço, mas de que vale isso se todos os resultados incríveis vão pra ele? Taí uma coisa que me cega de raiva fraterna: parece que tudo vem fácil para ele, enquanto eu luto com unhas e dentes pelo que quero e nem sempre consigo tendo que trabalhar e desenvolver ao máximo minha resiliência. Eu sou modelo de tentativa e ele de sucesso. Aí eu te pergunto: qual a graça de competir?

  Eu amo meu irmão, deus sabe que sim, amo a ponto de o defender quando sei que ele está errado, de sentir ciúmes quando uma amiga acha ele bonito, de pensar duas vezes e considerar, talvez demais, as coisas que ele diz, mas eu também sinto um pouco de inveja dele. Um pouco de inveja dessas conquistas que ele tem e eu não, dessa coragem que ele parece ter eu eu não, do fato de que ele nem tenta muito mas conquista as pessoas e as coisas que ele quer e eu tento e as vezes conquisto as pessoas, mas as coisas… Morro na praia.

  Isso veio a tona porque esse fim de semana ele fez FUVEST, ele fez 72 na prova, eu, no meu melhor ano, fiz 68. Depois de três anos de cursinho fiz 68 e ele, depois de três semanas de cursinho, fez 72. E ele veio me contar, feliz da vida e eu fico feliz por ele, mas… Mas eu morri na praia e não tenho certeza de como me sinto sobre isso hoje. Gosto do Mackenzie, fiz bons amigos ali, gosto do estágio, do francês, da maioria dos professores e do lugar em si. Acho que fazer Mackenzie é o melhor para mim, para que eu trilhe meu próprio caminho, acho que me encaixo melhor com as pessoas do Mackenzie do que me encaixaria com os da USP devido ao ego deles, acho que simplesmente estou feliz onde estou. Mas aí vem aquela parte de mim, doutrinada para achar a USP melhor do que tudo, que me diz que não estou na USP porque fui burra demais e não passei na prova. E mesmo achando que eu tenho plena capacidade e inteligencia para estar na USP tenho que concordar, eu reprovei na FUVEST… E meu irmão passou, de novo. Eu sei que é mais do que capacidade, é o destino e o universo agindo, mas o sentimento de inferioridade é inevitável e eu me pergunto: será que ele não podia ter previsto isso? Será que ele não tem o mínimo de sensibilidade para lembrar que me falar isso é quase cruel? Ou, sei lá, espera eu perguntar ao invés de sair me mandando adivinhar sua nota!

  Eu amo meu irmão, deu sabe que sim, mas que as vezes ele força, ahh isso sim!

24 de novembro de 2012

De que adianta?

 

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  Me sentir gostosa e poderosa se só eu acho isso? Ou melhor, se quem acha isso eu só quero amizade? Não tem ninguém em especial de quem eu quero atenção, bom tem ele, mas ele é casado e é uma paixãozinha dessas platônicas minhas e talvez por ele mesmo seja tão necessário que eu tivesse outra pessoa me achando gostosa e poderosa. Distração. Eu acho que já superei o Complexo de Cinderela, também já não sou a Cinderela Complexada, mas ainda quero alguém do meu lado, algum companheiro, sabe? Sei que esse companheiro não vai me salvar de meus problemas, até porque, graças a Deus meu maior problema no momento é uma quase DP e com isso só eu mesma posso me ajudar, mas se esse companhero estivesse aqui eu poderia falar, dar risada, compartilhar…´

  É tudo culpa desses filmes, desses livros e dessas séries idiotas. Tudo tem romance! Como se romance fosse o objetivo maior da nossa vida! Maldito Darwin. Maldita necessidade de reprodução. Maldita menina que trabalhava comigo e colocou a semente dessa necessidade na minha cabeça. Eu não tinha esse sonho, essa vontade de namorar, casar, ter filhos e criar meus filhos na santa paz de deus. Eu quero o mundo! Eu quero trabalhar na ONU, ou ser defensora pública, ou trabalhar nos médicos sem froteiras, ou então ser promotora… Eu quero ser grande! Fazer a diferença! Escrever um livro e fazer sucesso! Mas queria também ter alguém do meu lado durante tudo isso, queria ter uma família para ter orgulho de mim, viver um romance e escrever sobre ele, ter um filho e fazer diferença na vida dele.

  É tudo tão contraditório e quase excludente, paradoxal, acho que essa é a palavra que melhor define meus sentimentos… Por quê eu não sou ser uma daquelas pessoas ignorantes que pensam o mundo em preto e branco e se contentam com pouco? Talvez se eu fosse assim seria mais feliz….aliás, feliz não, eu sou muito feliz assim, mas seria mais realizada, teria desejos mediocres e mais fáceis de satisfazer ao invés de ficar sonhando com os olhos abertos e vidrados na imagem sem rosto nem forma de um principe encantado e uma vida utópica de fazer mudanças no mundo.

2 de novembro de 2012

Visão de mundo

 

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Ás vezes eu acho que a visão de mundo do meu irmão é completamente deturpada. Poluída com o ego dele, com essa necessidade de sempre ser superior e melhor, que ele não percebe que tem, mas que ele tem e é gritante. Ele disse hoje que eu ainda compito com ele, e muito. Mas eu já não acho isso. Acho que há alguns meses atrás eu desejava ser tudo o que ele era, mas que a terapia tirou muito disso de mim, hoje, mais do que viver as experiências boas que ele viveu, eu quero viver minhas próprias experiências, criar minhas próprias impressões no mundo, viver minha vida do meu jeito. Eu sei que ainda não tenho muita certeza do que quero ou de qual é meu jeito, mas quero que seja uma decisão minha, um objetivo que parta do meu coração. Essa necessidade de originalidade pode ser meu ascendente em aquario, mas acho mesmo que é simplesmente resultado de 20 anos de comparação com meu irmão, 3 anos perseguindo o sonho dele de fazer USP, 3 anos me preparando para realizar a vontade dele e da minha mãe de uma cirurgia plástica… Eu quero deixar isso para trás, quero trocar experiências com ele, saber como foram as dele e que ele saiba como foram as minhas e me deixa louca essa coisa de ele interpretar todos os fatos, pensamentos e atos do mundo de acordo com a visão de mundo dele. Acho que ele é fisicamente impossibilitado de entender outro modo de vida, outra visão de mundo, outra visão dos acontecimento. E isso se torna algo bastante irônico já que ele acabou de voltar de um ano com contato direto com tribos indígenas.

Aí já acho que é neura minha, mas as vezes me parece também que ele compete mais comigo do que eu com ele. Existem diversas coisas que eu queria ter/fazer e ele foi lá e fez/conquistou, coisas que ele sabia que eu queria, mas eu não consigo descobrir se são coisas que ele conquistou por necessidade de conquista para ser o melhor, ou se erma coisas que ele mesmo queria, mas nunca havia falado, coisas que ele queria como eu pelo simples fato de sermos muito parecidos, pelo simples fato de sermos irmãos.

E por mais que a visão de mundo dele me deixe maluca, eu não consigo me permitir ficar com raiva dele muito tempo, porque ele é meu irmão, e agora é o único irmão que eu tenho, a única referência próxima de homem na minha vida e eu não só preciso dele como também o amo, ainda que ele force bastante a barra desse amor.

29 de outubro de 2012

“Seja quente ou seja frio…

 

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… Não seja morno que eu te vomito”.

  Talvez a Pammy esteja certa. Talvez eu realmente escolha demais e não dê chance ao tempo, não dê chance a ninguém. Dizem que nós aceitamos o tipo de amor que nós nos achamos merecedores, então nesse caso será que eu não me acho merecedora de nenhum amor, ou será que eu acho que nenhum amor é merecedor de mim? Porque os amores que tenho querido, e os de verdade foram poucos, não me quiseram, eram atenções temporárias, nada mais do que amizade e/ou provocação. Os amores que recebo agora me parecem… mornos. São amores… atenciosos, mas eu quero amor que queime. Quero dar risadas, sentir meu coração acelerar, criar borboletas e mariposas em meu estômago, ficar sem saber o que falar, ficar sem saber o que pensar, me arrumar pensando nele, fazer versos e poesia sobre ele e sobre nós, quero brigas de pontos de vista opostos e opiniões sinceras, quero toques inesperados e memoráveis, quero conforto e honestidade. Eu quero um amor que me inspire, me tire a concentração e que de alguma forma mude minha vida, me tire da apatia romântica em que eu vivo, me faça esquecer o platônico. Não me importo em me queimar com fogo, nem com gelo, mas quero sentir a dor, o prazer, a alegria, a completude e a inquietude, não esse marasmo do morno, essa risadinha educada, esse falar só para não ter silêncio constrangedor, esse não tocar por falta de vontade, essa falta de querer, de gerar intimidade…

Eu quero sair do morno, mas será que não estou julgando muito cedo? Talvez eu realmente esteja me fechando para as possibilidade, como disse a Pammy e a Mália. É só que as possibilidades atuais me parecem mornas, sei que sou intimidadora e que talvez o morno deles seja um meio de lidar com isso, mas esse desafio faz parte do que eu quero… E ao mesmo tempo que eu acho que elas podem ter razão ouço meu irmão falando que eu não devo me satisfazer com o que todo mundo se satisfaz, que eu posso mais, que tem todo um mundo de oportunidades lá fora… São opiniões conflitantes, mas acho que neste momento vou me contentar com a do meu irmão, pelo menos até ter certeza que dá tornozeleira arrebentada não se pode tirar nada.

19 de outubro de 2012

Amor, Sexo e Escolha

 

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  Eu ando me sentindo poderosa, e isso faz com que eu sinta que os outros estão prestando mais atenção em mim, me sinto mais desejada, desejável e que os outros me desejam. Por isso atualmente sinto que todos os homens/meninos que eu conheço me vêem como uma mulher em potencial de ser deles. É, eu sei, é ego inflado e auto estima no céu achar isso, mas durante tanto tempo eu me subestimei e esse ano eu achei isso com dois meninos, então meu amigo viu os dois e como eles agiam comigo e disse exatamente aquilo que eu pensava: que eles estavam afim de mim. Eu não tinha dito minha desconfiança a ninguém, foi ele que achou isso! Acho que foi aí que eu percebi que eu sou atraente, sou divertida, sou uma pessoa por quem os homens podem se atrair, se interessar, e então tem esses dois meninos, e mais dois no trabalho, e um cara aí que não está no mercado, mas me dá corda e um outro garoto da faculdade que não teve nada de mais, mas por quem eu me interessei de leve e acho que foi recíproco, é que não teve muita interação. Talvez eu esteja me achando, mas eu me sinto bem com tantas possibilidades de escolha, o único problema é que o único que realmente desperta minha atenção, com que em gostaria de ficar é o cara que não está disponível. O outro que eu não interagi direito ainda não posso falar nada, mas 3 que eu sei que estão afim não me interessam, e o segundo cara do trabalho não me interessa muito, mas estou deixando a possibilidade aberta porque… Porque eu realmente quero alguém do meu lado. Quero aquele companheirismo, aquele porto seguro, sentir aquele amor que eu sei que nunca senti de verdade e quero… Quero sexo.   

  Eu tenho 21 anos, tenho direito a querer sexo. Tenho direito a ter sexo. Assim como tenho direito a ter amor. Acho que para mim estas duas coisas estão bem ligadas, eu tenho essa fantasia de prostituta: fazer sexo com um estranho, uma coisa meio selvagem, meio animal, com um completo estranho. Mas ao mesmo tempo que isso é uma fantasia que me anima e excita, é também uma coisa que eu acho que nunca faria, que me passa a idéia de ser suja, faz com que eu me sinta suja. Isso faz com que eu pense que talvez eu seja muito mais pudica do que eu achava que era. Acho que no fundo eu tenho essa idéia de garota romântica do começo do século XIX, que sexo é a materialização do amor, a expressão física de uma paixão incontrolável e um amor incondicional por outra pessoa.

Então é isso, ainda que eu não saiba quem escolher ou se vai ser um deles eu quero amor e tudo o que ele traz e quero sexo e saber como é. Eu tenho direito a essas coisas, não tenho?

11 de outubro de 2012

Gostosa

 

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Tem uma amiga no trabalho que tem como mania fazer elogios e xingamentos exdruxulos aos outros colegas. Não necessariamente nessa ordem, de um jeito engraçado e bipolar, meio sério e meio rindo. Eu não me importo. Dou risada e gosto dela. Ela diz que faz isso para que a pessoa tenha sua auto-estima elevada, mas sem ficar metida. Bom, não sei como isso está funcionando para os outros funcionários, mas acho que está fazendo efeito comigo.

Essa semana tenho me sentido mais gostosa e no ultimo mês tenho sentido que os outros também sentem isso. Talvez minha auto estima esteja alta demais, mas no momento, eu acho que tenho 4 meninos afim de mim, afim, não apaixonados, mas afim não quer dizer que eles me acham bonita, legal e gostariam de ficar comigo? Então afim me basta. Ainda desejo encontrar alguém com quem eu tenha afinidade, química e possa me apaixonar e a longo prazo amar, mas até lá, pelo menos para minha auto estima, afim está bom. Fui chamada de linda no meio de um conversa com um estranho, tenho percebido que as pessoas estão tendo mais facilidade em vir falar comigo e até gostam da minha companhia e atenção. Não sei o quão baixa era minha auto estima antes, nem o quanto isso influenciava na minha postura rejeissiva, mas acho que mudei, percebo resultados disso. Não foi algo pensado, foi algo que fiz quase sem querer, quase que por osmose, mas estou adorando o fato de ter feito isso.

Hoje me sinto mais completa do que nunca, me sinto mais poderosa do que nunca, me sinto mais divertida, relaxada e bem comigo mesma. Hoje eu não preciso de ninguém ao meu lado como antes achava que precisava, hoje eu somente quero alguém do meu lado para efeitos de companheirismo e sexo. Eu nem estou no meu melhor peso, cabelo ou maquiagem. Eu já não sinto que eu ESTOU gostosa e sim que eu SOU gostosa.

5 de outubro de 2012

Durkheim

 

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  Na faculdade aprendi os tipos de suicídios sociais que Durkheim, suicídios do tipo ativo, quando a pessoa faz alguma coisa para tirar a própria vida, mas ele mesmo cometeu um suicídio passivo, quando o sujeito simplesmente se abandona. Esse abandono pode acontecer de várias maneiras e eu acho que tem a ver com falta de laços sociais sim, mas principalmente depressão. Mas o mais importante que aprendi nessas aulas foi algo que eu nem disse ainda em voz alta e não sei o porquê de simplesmente não ter coragem de dizer. O que eu aprendi de mais importante foi que meu pai cometeu suicídio. Ele não se jogou de uma ponte, não tomou veneno e nem atirou em si mesmo, esses são tipos de suicídios ativos e ele cometeu suicídio passivo.

  Meu pai era alcoolatra e todo alcoolatra é borderline depressivo, depois que ele parou de beber ele entrou em depressão, se fechou do mundo, mantendo apenas um ou outro contato de colega e de família só a mulher e dois de seus filhos, entre eles eu. Não era segredo aqui em casa que ele estava depressivo, mas ele sempre foi assim, desde que eu me lembre, então não dava muita atenção, até a coisa piorar. A depressão dele piorou quando ele voltou a morar conosco em SP e no último ano de vida dele ele ficou doente, não sei o quanto ele sentia isso só sei que nós não percebemos até estar bem feio. Ele não queria procurar médico, por mais que nós pedissemos e indicassemos, ele não queria, se auto-medicou apenas para se sentir melhor, mas não foi isso que me deu essa impressão de que ele se abandounou, foi uma conversa que nós tivemos quando ele estava mal.Meu irmão conversava com ele tentando convencê-lo a ir ao médico e ele se recusando, então minha mãe mandou eu ir lá ajudar meu irmão e eu fui, pela primeira vez eu fui pedir para ele ir ao médico, foi quando percebi que ele realmente estava doente, que era sério. Não lembro detalhes da conversa, mas me lembro de em algum momento dizer que se ele não fosse ao médico poderia morrer e ele respondeu que não se importava, eu já estava descontrolada e chorando e apelei mesmo, perguntei se ele não queria ver meu irmão se formar, ele deu os ombros e eu completei, “eu me formar, entrar na faculdade, que seja!” Ele respondeu: “bem, é isso que eu sinto muito, é isso que me segura aqui”. Ele parecia bem sincero. Ele parecia sincero demais, e eu sinto muito pelo meu irmão, mas parecia que meu pai só estava aqui ainda por minha causa. Eu sei que ele amava meu irmão, mas eu sempre fui a menininha dele e naquele momento ele estava puto com meu irmão. Naquele momento eu vi o quão depressivo meu pai estava, falando que já não tinha motivos para viver, que não se importava em abandonar-nos. E na verdade eu acho que ele se importava sim, em nos abandonar, mas que mesmo assim, acima disso, devido a depressão e a vida toda complicada que ele teve, ele preferia morrer. Por isso ele demorou tanto para ir ao médico e quando foi já era tarde demais.

Talvez eu esteja viajando, talvez eu esteja fazendo a mesma coisa que meus irmão só que ao contrario, ao invés de engrandecer meu pai estou diminuindo-o, mas foi a sensação que eu tive na hora de falar com ele. Eu não o culpo pela atitude dele, não o condeno de modo algum, apenas sinto falta dele, e sinto que isso me colocou em uma posição doentiamente especial de orfã de pai ao 19 anos de idade. Isso trouxe para minha vida uma carga de drama que acho que sempre vai existir na minha vida, que sempre existiu, uma carga de superação, de força que eu nem sabia que eu tinha e que a morte dele me mostrou. Então é, eu cheguei a conclusão que meu pai cometeu suicídio passivo quando eu tinha 19 anos, não sei se estou certa, mas se eu estiver então que ele saiba que eu o perdoo, que está tudo bem e que se ele está melhor assim, se já não sofre mais, então tudo bem.

3 de outubro de 2012

…arrebentou

 

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  A tornozeleira arrebentou. A tornozeleira para qual eu fiz um pedido, uma parecida com a outra que eu tinha, que eu comprei na praia e ao amarrar fiz um pedido e o pedido se realizou dois dias depois da tornozeleira arrebentar. Essa também arrebentou, arrebentou dois ou três dias antes de eu te conhecer, mas será que era você? Acho que se não fosse a tornozeleira eu não iria estar com você a tanto tempo indo e vindo dos meus sonhos e da minha memória, não iria sonhar com você quando não tenho mais nada para fazer e talvez nem tivesse dado tanta atenção a você quando te conheci. Mas será que é você? Você é de várias maneiras uma pessoa para quem eu não daria chance alguma, se não fosse a tornozeleira, mas a tornozeleira arrebentou e você é legal, e eu que estou sempre a procura de alguém para encher meu coração, vi em você uma boa distração. Mas será que é você?

Será que é você que vai segurar na minha mãe enquanto nós caminhamos na rua? Será que é você que vai me abraçar sem aviso quando eu não estiver olhando? Será que é você que vai ficar comigo no telefone um tempão? Será que é você que vai ser minha paixão de verdade? Ou sou só eu sendo supersticiosa? Ou sou só eu querendo e precisando me distrair? Ou será que sou eu que sou só eu sonhando alto de novo? Será que sou eu, apaixonada por me apaixonar, megulhando eu outra paixão platônica?

19 de setembro de 2012

No fim do arco-iris

 

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Me mata ver como ela consegue simplesmente não se importar. Me mata ver como ela está cavando cada vez mais fundo a própria cova. Meu irmão a compara com uma viciada em heroina e apesar de eu não concordar com o jeito prepotente de ele falar sobre o assunto, consigo ver de onde vem a comparação. Será que ela vai precisar chegar no fundo do poço para perceber o quão mal ela está? Mas e aí? E quando ela chegar vai fazer o que? Como vai ser? O que vai acontecer conosco? Eu tenho um medo tão grande desse fundo do poço. Acho que no momento este é meu único medo fundamentado, e o maior de todos eles. Talvez por ser um perigo iminente. Será que eu vou ter que fazer mais um esforço para ajudar? Eu odeio esse sentimento de que na verdade eu sou a única a fazer esforços, sei que nem é uma verdade, mas se eu fizer o que penso que pode ajudar vai ser um grande esforço da minha parte. Talvez eu esteja disposta(mas não tão disposta assim) a fazer isso porque querendo ou não sinto culpa por estar fazendo uma faculdade paga, por outro lado exigiria grande esforço da minha parte pois envolveria quebrar vários preconceitos meus. É um pensamento adolescente e infantil, mas as vezes parece que tudo que dá errado nessa família dá de errado comigo… e mesmo falando isso sei que é mentira. não sei, vou falar com ela. Talvez não seja a pior coisa do mundo.

E hoje choveu, choveu e não estava sol, mas eu queria que estivesse e queria que tivesse surgido um lindo arco iris, só para que eu pudesse tentar buscar o pote de ouro no final dele, porque do jeito que as coisas tão só mesmo acreditando em contos e feitiçarias para ver a luz no fim do túnel.

18 de setembro de 2012

Liberte-se

 

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  E eu vou escutar, quando a hora chegar eu vou escutar e pedir perdão, mas acredite não farei nada disso por mim, farei por você. Você precisa que eu peça perdão para que você se liberte dessa minha corrente invisível em que você me amarrou e tudo bem, eu peço perdão, mas que fique bem claro: peço perdão por você. Eu provavelmente não vou concordar com uma só palavra do que você disser, mas vou engolir a seco, como estou engolindo a seco agora, e se você tiver a coragem de me dizer tudo o que você quer, tudo o que você sente, sem omitir nada, tudo bem, então eu terei a coragem de te ouvir e te ajudar a se libertar pedindo perdão. Mas não sou hipócrita, vou te dizer tudo isso, te dizer que fico contente por te ver se libertando desse rancor e que se você precisa que eu reconheça meus erros e te peça perdão, então eu reconheço e peço, eu realmente errei com você e sinto muito que tenha te afetado tanto, mas lembre-se que não fui só eu que errei, você também cometeu pecados e machucou pessoas e no meu caso, eu te perdoei. Então se aí tudo ficar bem, ótimo que você pare de tentar explodir bombas ao redor do meu mundo tentando me abalar, se tudo não ficar bem e você ainda ficar magoado, então te dou o telefone da minha pisicóloga, ela é ótima.

8 de setembro de 2012

Porta de vidro

 

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Existe uma porta de vidro no meu mundo, do outro lado dela existe tudo aquilo que é horrível, todas aquelas pessoas que precisam de ajuda e todos aqueles sonhos que nunca vão chegar a se realizar. E existe uma coisa engraçada sobre essa porta, eu posso passar por ela e fingir que é enfeite, fingir que não vejo e que ela nem existe, é só não pensar muito em todas essas coisas que estão do lado de lá da porta. É mais ou menos como aquela frase: somos capazes de viver com qualquer peso em nossas consciência, é só nós não pensarmos muito no assunto.

Eu sempre quis ir pro lado de lá da porta e ajudar a mudar aquele mundo, mas este ano passei a ver como é difícil mudar aquilo tudo, como deve ser desgastante, frustrante. Comecei a ver que a vida do lado de cá é muito mais fácil, que eu poderia viver minha vida tranquilamente, ganhar dinheiro, constituir minha família e esquecer o lado de lá. Só que aí percebi também que as vezes a realidade aparece na nossa frente mesmo sem que nós queiramos ver. E quando eu tinha decidido que poderia ser feliz sem olhar pro lado de lá descobri que estava me enganando. Que o lado de lá me comove tanto que eu nunca poderia ser feliz ou completa, se eu não tentar ajudar de algum modo. Percebi que ou eu dou um jeito de viver entre esses dois mundos ou nunca serei feliz e cada vez que o lado de lá sem querer passar pelos meus olhos eu vou me sentir mal, enjoada comigo mesma.

Existe uma porta de vidro na vida e na consciência de cada um, a maioria escolhe ignorá-la, tampar com uma cortina e viver a sua vida fechado em seu mundo. Talvez esse seja realmente o modo mais fácil de se viver, talvez essas pessoas realmente sejam felizes, mas talvez elas também fossem mais completas se descobrissem essa porta e ajudassem esse outro mundo como pudessem. De uma coisa eu tenho certeza: se todos olhassem para o lado de lá da porta sem se manter impassíveis, se todos abrissem essa porta e ajudassem o lado de lá, o mundo seria um lugar muito melhor de se viver.

3 de setembro de 2012

Maturidade

 

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“- Eu ainda vou falar com ela, mas ela vai ouvir tanto que vai chorar. Ela tem que parar de escrever aquelas fics dela e crescer!”

E isso me enfureceu. Mas a necessidade do silêncio me fez pensar, remoer e aceitar. Tudo bem. O juizo que você faz de mim está errado, mas eu aceito isso, aceito te encontrar quando você quiser e ouvir tudo o que você tem a dizer em silêncio, quem sabe até, em meio a lágrimas de raiva e dor. Vou ouvir em silêncio porque você precisa falar, você precisa tirar do seu peito esse sentimento pesado que você guardou por mim e que te aflige tanto, que eu sempre quis que você pusesse para fora, mas você nunca teve coragem. Vou ouvir para que você possa chegar a ter a mesma paz de espírito que eu tenho. Eu errei, errei feio, mas pedi desculpas e se você não pode aceitar eu não posso fazer mais nada, cansei de tentar pagar pelos meus pecados, se eu tivesse alguma coisa em dívida com você desde aquela época, então você vem sanando essa dívida desde então, em pequenas doses de maus tratos e isso já basta, tem que bastar. Na minha humilde e orgulhosa opinião sua atitude me diz que quem tem que crescer é você, você que se segura tanto ao passado, que sente tante necessidade de estar acima dos outros, que não consegue perdoar e esquecer, que precisa humiliar os outros quando eles não são do seu agrado, você que esquece seus erros e ressalta os dos outros. Você esqueceu que errou comigo também? Que me tratou mal quando eu mais te amava, assim como eu o fiz depois? Esqueceu que nunca me pediu desculpas por isso, quando eu te pedi mais de uma vez pelos meus erros? Esqueceu que nunca engoliu sapo meu, quando eu engulo os seus desde então? É você pode ter 21 anos e estar fazendo doutorado integrado ao bacharelado em Portugal, de graça, quando eu estou aqui no Brasil, pagando minha faculdade e ainda no primeiro ano sem idéia do que fazer daqui a seis meses, mas eu não me importo. Talvez esse seja o resultado ultimo da minha terapia, me perdoar pelo que eu te fiz, aceitar minhas escolhar e não ter medo, nem vergonha, de ser feliz.

Então sim, eu talvez vá chorar e até precise amadurecer, mas você precisa de muito mais coisa do que só maturidade, você precisa aprender a reconhecer os próprios erros, perdoar os erros dos outros e parar de se apoiar com tanta força nas outras pessoas, confie mais em si mesmo… Taí acho que você precisa mais que maturidade, você precisa se tornar inteiro sozinho.

16 de agosto de 2012

Pra morrer na praia

 

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Eu não sei se aguento muito mais dessa maratona, nadar, nadar, nadar e morrer na praia… Eu faço o que posso, mas cada chance que aparece eu sinto culpa, ela faz com que eu sinta culpa. Talvez nem seja consciente, mas é o que ela fala em primeiro lugar como motivo de preocupação, de gasto, de caro. Era por isso que eu não queria fazer faculdade particular, para não sentir esse fardo que na verdade nem é meu. Claro que os hormônios intensificam a dor, a raiva e até a culpa, mas ainda assim elas existem e estão aqui. Como posso não me sentir assim quando percebo que me tornei exatamente aquela pessoa que eu sempre critiquei? Aquele tipo de parasita nojento que fica dependo dos outros o tempo todo… E eu odeio isso! Eu fui criada para me virar sozinha, para resolver meus próprios problemas e seguir em frente se cabeça erguida, mas não dá para fazer isso quando você percebe o quão hipócrita foi. E o pior é que ela não tem idéia de quão humilhante para mim é ser esse tipo de parasita, não percebe e nem que eu desenhasse ela entenderia, falta sensibilidade no quesito alteridade.

Eu sempre a admirei por ser forte, guerreira e resitente, mas hoje, nesse momento tudo o que eu vejo é uma pessoa que de orgulhosa que é não tem coragem de pedir ajuda para sair da areia movediça e por isso se afunda cada vez mais. E dói. Dói porque não sei se posso admirar uma pessoa assim, porque tenho consciência de que sou bastante assim e porque faz com que eu seja um parasita. O orgulho dela acaba por ferir o meu! E aí também vem o medo, porque no ritmo que as coisas estão eu sinceramente não sei como vai ser o amanhã e eu não tenho em quem me apoiar, já não acredito nas palavras dela de que o amanhã será mais claro, porque eu vejo que ela não está fazendo nada para dissipar as nuvens.

Eu sinto como se estivesse em uma maratona de contas, economias e preocupações que eu nem queria participar e sabendo que não acaba nunca e que não importa o quão habilitosa eu seja vou morrer na praia. 

23 de julho de 2012

Como você faz?

 

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  Como você faz para continuar acreditando na justiça quando ela falha com você? Como você faz para continuar acreditando nas pessoas e em um mundo melhor quando as pessoas falham com você? Quando você sofre uma injustiça, alguém que não merece sai ganhando e você sai perdendo, contra todas as evidências e de que aquela pessoas agiu de má fé e você de boa fé, contra todas as evidências de que aquela pessoa tirou vantagem de você, como você faz para continuar seu curso de Direito aí?

  Eu sabia que estava tudo bem demais, e agora levei esse tapa na cara do destino. O processo contra a mulher que roubou dinheiro da minha família deve ser arquivado essa semana, ainda vou checar o detalhes, mas acho que não tem muita saída, acho que só vou checar os detalhes para saber o porquê, matar essa minha sede de razões que justifiquem um absurdo tão grande. Engraçado como alguém pode simplesmente arruinar sua vida. A traição dela quebrou meu coração, agravou meus problemas de autoconfiança, deixou meu pai mais depressivo, me deixou com um nó entalado na garganta, um nó de coisas que eu eu nem sei quais são, mas que eu queria gritar para ela e agora mais essa: agora eu fico assim sem saber exatamente porque acreditar na Justiça, nas pessoas… E volta aquele nó, aquele nó que me enche os olhos de água só de pensar no assunto, só de lembrar da injustiça. Eu não precisava vê-la pagando pelos seus pecados, mas precisava que reconhecessem os pecados dela, que ela reconhecesse que mentiu e mais de uma vez, mas pelo visto não vou ter nem isso. Dói saber isso. Dói pagar uma dívida que não fui eu que fiz.

  Eu que sempre quis salvar o mundo, que sempre quis ajudar os outros começo a não ver ponto nisso, não ver motivo para isso. Afinal é tão difícil conseguir melhorar as coisas, são tantas pessoas lutando contra, ou pior, tantas pessoas que não se importam. E eu que me importo só me machuco… É o mundo as avessas. Droga de mundo as avessas.

19 de julho de 2012

“We plan, God laughs”

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  Esse velho ditado, que eu só ouvi em inglês, quer dizer uma coisa bem simples: que há um plano maior regendo nossas vidas, um Deus, um Destino, e que não importa quais sejam nossos planos terrenos, nossas vidas seguem o plano maior. Então nós planejamos nossas vidas e Deus dá risada, porque os planos dele nunca são iguais aos nossos. Ok. Eu não sei direito se acredito em Deus, mas nessa minhas descrença de Deus eu acredito em um destino, só que dizer que o destino dá risada é meio estranho e esse ditado exemplifica bem essa minha crença e esse meu momento.

  O meu momento é que estou em uma fase onde está tudo dando certo, tudo está acontecendo de acordo com meus planos e isso me dá medo e desconforto. Medo porque tenho medo do destino que está traçado para mim e que faz Deus rir. Convenhamos que a vida nunca sai de acordo com nossos planos, a minha pelo menos não. Eu sempre planejei estudar na USP e estou no Mackenzie, sempre planejei ter namorados e rolos e “je suis la celibataire oficial de ma famille”, sempre planejei ter grana e viajar de montão na faculdade e… bom digamos que estou sem grana, mas sabemos que isso é mais que eufemismo. E cada vez que meus planos não são iguais aos do destino eu fico mal, me sinto caindo num buraco negro sem fundo, choro mais do que posso, tenho vontade de chamar minha mãe e passar a eternidade abraçada a ela, mas não faço isso por ser orgulhosa e no fim acabo me adaptando, criando outros planos infalíveis que saem pela culatra e assim vai. No começo desse ano eu me adaptei, falei que no meio do ano arranjaria um emprego, que nas férias iria fazer determinadas coisas, que no ano que vem iria pra salvador e planejei daí pra frente também, planejei o Peru em julho de 2013, o Canadá nas férias de fim de ano de 2013 e início de 2014. E até agora está dando certo, consegui o estágio, fiz tudo o que queria nas férias, estou fazendo meu curso de línguas e natação, consegui passar direto, estou pagando Salvador e entrando em contato com as ONGs no Peru, de modo que me parece que essas coisas vão dar certo e é isso que me dá medo. Que estou acreditando que essas coisas vão dar certo, mas e se não derem? E se meu destino for outro? Aí vem o desconforto, estou tão acostumada a lutar contra tudo e contra todos para ter o que eu quero, estou tão acostumada a me frustrar e me recriar que não me sinto confortável vendo que não preciso de tudo isso agora. No momento só preciso planejar e continuar fazendo o que já estou fazendo, e isso é estranho.

  Eu sei que se existe um balanço no universo então eu deveri me dar bem até o terceiro ano da faculdade, porque eu só me ferrei nos últimos três anos, mas não consigo confiar nesse balanço. Não consigo confiar nessa quietude, me parece muito mais uma calmaria antes da tempestade do que um final feliz.

16 de julho de 2012

Eu sei

 

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  Fim de semana na praia com minhas melhores amigas, fisicamente não descansei nada, mas psicológicamente tive umas boas férias. DRs sobre os mesmos assuntos, atualização de novidades sobre a vida uma das outras, brincadeiras, fotos e jogos de baralho intermináveis deveriam ser coisas obrigatórias a serem feitas nas férias. Uma manhã uma delas diz que em uma epifania matutina ela percebeu que nós temos muita sorte em ter umas as outras, muita sorte em ter uma amizade que já sobreviveu a tanto tempo e amigas tão parecidas com nós mesmas e ao mesmo tempo tão diferentes que chegam a ser extensões do nosso corpo, sim Ma, eu sei a sorte que a gente tem. Aliás, a sorte que eu tenho.

  Eu sei que não é fácil me aguentar, nos momentos que não sou grossa sou drama queen, sou ciumenta e vivo reclamando dos meus problemas, vivo achando que sempre tenho razão, por mais que eu nem saiba do que estou falando e orgulhosa que sou vivo errando e falando besteira por vergonha de admitir ignorância. Isso tudo sem contar as vezes em que exige um certo comportamento de vocês que nunca fui capaz de ter… Mas vocês sempre estiveram ao meu lado, sempre me aguentaram, com brincadeiras, com tiradas pesadas e muita paciência. Eu sei a sorte que tenho em ter vocês, as irmãs que eu nunca tive e que desejo levar comigo para sempre. Não importa o quão dramática eu seja, o quão exagerada eu seja, o quão machucada eu pareça estar ou pareça que vá ficar por causa de alguma coisa que vocês fizeram, não se deixe acreditar que vou levar isso muito adiante. Vocês já são parte da minha família e nada pode ser tão séria que eu não perdoe, não esqueça e vocês tem luz verde para me gritar meus erros e e esfregar na minha cara minhas mancadas, meu orgulho vai ficar ferido, mas passa. Eu não deixaria uma bronca ou um segredo não contado ficar no meio da gente porque eu não existo sem vocês, com vocês eu posso ser mais eu do que com qualquer outra pessoa e isso realmente não é todo mundo que tem.

  Eu espero que dure para sempre essa amizade que existe desde sempre, porque eu sei a sorte que eu tenho em ter vocês como amigas.

24 de junho de 2012

Selo para o além, por favor.

 

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  Sabe pai, parece que em pouco tempo muita coisa mudou. Meu irmão se formou, passou na prova de residencia para psiquiatria, mas resolvou trancar e ir fazer um ano no exército, lá onde judas perdeu as meias. Eu acho que com isso ele vai ficar um pouco mais cínico, como vc dizia, lá ele já teve algumas frustrações e até perdeu paciente por bobagem, então acho que isso vai fazer dele mais cínico e talvez mais arrogante, mas espero que ele não perca o idealismo, gosto de ter com quem compartilhar meu idealismo.

  Aliás, não sei se ainda sou tão idealista. Eu passei na Unesp e não quis ir, parte de mim achava que você me apoiaria como sempre, mas parte de mim concordava com minha mãe quando ela dizia que você me chamaria de burra por recusar uma oportunidade como aquela. Depois disso voltei para o cursinho, fiz mais uma ano, fiz terapia também e por mais que eu lembre de você falando que terapia é besteira, me ajudou bastante. No fim do ano eu não passei na USP, só na PUC e no Mackenzie e me decidi pelo Mack, além de ser mais barato o campus era melhor. No começo foi difícil e de vez enquanto, quando vejo gente da USP ainda me sinto inferior, acho que uma hora essa sensação passa… Eu até consigo te ouvir falando que eu não deveria me sentir assim, que vestibular também é sorte e que eu sou muito inteligente. Talvez eu seja, eu fui bem em todas as matérias esse semestre e até no francês que eu resolvi começar e em uma matéria onde todos vão mal. Eu também comecei a estagiar, faz só um dia, mas já é um progresso, não? Assim tenho um diferencial no curriculum quando for procurar no terceiro ano, e também quero fazer os intercambios que eu vivo sonhando, então acho que se minha vida seguir meus planos eu vou dar certo na vida. Só me resta saber o que eu quero da vida. Eu gosto da minha área, mas não sei se ainda quero ser a advogada de direito internacional e direitos humanos que eu queria, sei lá, agora a idéia de ser rica e ter toda aquela tranquilidade que a gente nunca teve não me parece tão ruim. O problema é que não sei se conseguiria viver comigo mesma se não fizer algo para ajudar aos outros… Talvez eu seja rica e tenha uma ONG, ou realize trabalho voluntário, a segunda hipótese é mais provável. Acho que se minha mãe souber dessa mudanças vai ficar mais tranquila hahahaha.

  Minha mãe não vende nada há um bom tempo, mas agora vai vir a segunda aposentadoria dela e tem meu estágio, então talvez as coisas melhorem. Não me leve a mal, mas o que eu queria mesmo era que ela encontrasse alguém, uma pessoa que a fizesse feliz, por quem ela pudesse se apaixonar e compartilhar a velhisse. Ela já está velha, já tem mais de 60 anos, mas eu queria muito isso para ela, mesmo que para mim fosse difícil de lidar e eu sei que seria. É que eu não sabia o quanto ela te amava até que a gente te perdeu, ela sofreu muito e acho que ainda sofre, então eu queria que ela pudesse preencher esse vazio dela. Engraçado, eu sempre disse que se eu fosse qualquer um dos dois pediria separação, mas agora eu meio que entendo que vocês se completavam. Não sei se você a amava tanto quanto ela te amava, mas acho que você precisava dela, da força materna dela, acho que no mínimo você sentia gratidão por ela, mas também acho que nunca vou saber ao certo, né?

  Com meu outro irmão eu cortei relações. Ele agora tem um casal de filhos, mas ele não consegue superar as coisas que aconteceram no passado e eu até perdoaria as coisas erradas que ele fez se ele me dissesse que estava procurando ajuda, mas ele preferiu rejeitar minha proposta, então achei por bem que seria melhor deixar ele tão enterrado quanto você. O único assunto inacabado meu é o da Elaine. Eu ainda tenho aquela vontade de ir falar com ela, ouvir a defesa dela agora que eu já sei todos os fatos, mas acho que é melhor eu esperara estar bem afiada em Direito antes de dar qualquer passo.

Não sei exatamente o que eu busco com essa carta, mas ela chegou ao fim. No fundo acho que estou chovendo no molhado ao dizer todos esses fatos que você já deve saber. Eu ainda fico meio confusa quanto ao que acreditar em termos de religião, mas prefiro acreditar que você está são e salvo no céu olhando por todos nós e guiando nossos passos para que nós, quase como um Deus, mas só da nossa família. Espero que te escrevendo esta carta, ou pensando em você de vez em quando, eu não esteja te prendendo a terra nem nada do tipo, eu odiaria ser causa de dor para você após sua morte. Espero que você esteja orgulhoso dos seus filhos, cada um deles está indo bem do jeito que dá e cada um deles te amou do jeito que pôde. Eu sinto saudades e tenho muito medo de te esquecer e me arrependo de nunca ter dito que te amava. Tenho a impressão que disse isso antes de sair do hospital quando você já estava na UTI, mas eu sou uma ridícula que ficou com vergonha de dizer em voz alta, então não sei se você ouviu. De qualquer modo eu digo agora: “Pai, te amo. Não se preocupe conosco, é só você ficar bem e nós estaremos ótimos”.

9 de junho de 2012

Será que pode?

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  Mais ou menos oito anos atrás, em um sábado, pouco antes das sete horas, eu sentei ao lado do meu pai, lá na sala de televisão do hotel, para ver tevê com ele. Lá fora a noite estava caindo, era verão e teria churrasco, meus amigos ainda não tinham aparecido, então eu resolvi me sentar ao lado dele, naquele vão entre os almofadões, apoiando a cabeça no ombro dele. Passava essa série que ele já tinha dito que parecia ser boa e que ele queria que eu visse, eu vi, achei mais ou menos, ainda não gostava de séries assim, gostava só de The O.C., e para falar a verdade nem prestei muita atenção ao programa, afinal se meu pai gostava eu não deveria gostar, ele geralmente gostava de coisas chatas e eu tinha 13 anos. Uns dois anos depois, em um fim de domingo, eu entro no quarto dos meus pais, aqui em São Paulo, meu pai está deitado na cama vendo a mesma série, um episódio diferente, reprise da segunda temporada. Eu prestei atenção nesse episódio, gostei e passei a acompanhar na televisão, fiquei fissurada em dois personagens e comecei a assistir só para provar ao meu pai que eles ficariam juntos, eles tinham química, não importava que ele havia sido casado com a outra e ainda amasse ela um pouco.

  Como a foto deixa claro a série era House. O primeiro episódio que eu vi e não prestei atenção foi o Piloto e já nele eu tinha sentido química no casal. O casal era Huddy(House+Cuddy). Como não tinha televisão a cabo pedi para o namorado da minha amiga gravar as temporadas em dvds para eu ver no computador, daí aprendi a baixar séries, procurei fangroups no Orkut e passei a ler fanfics, algumas, passei a escrever fanfics, algumas, songfics, e começar a conversar com gente como eu, que gostava de séries, que queria o casal junto. Não sei se fiz amigas, mas é bom a gente conhecer gente com quem nos identificamos e me identificar com essas pessoas já basta. Mantenho contato com ela no Facebook, algumas por mensagens de celular e com outras pessoas converso cara a cara. E talvez Huddy não tenha sido meu primeiro shipper, afinal eu antes via The OC e torcia pelo Ryan e pela Marissa, assim como pelo Seth e pela Summer, mas Huddy foi o shipper que me levou de volta a escrita, que fez com que eu descobrisse que talvez eu fosse boa nisso, que as pessoas gostavam do que eu escrevia.

  House foi uma série que me absorveu, foi um elo de ligação entre eu e meu pai, entre eu e a escrita, entre eu e as pessoas parecidas comigo, entre eu e minha imaginação, meu lado romantico… Então ver essa série acabar, ainda que não do jeito que eu queria, faz com que eu fique sensibilizada. Eu até aprendi algumas coisas com essa série, sobre as pessoas, sobre mim  mesma… Hoje essa série já não ocupa tanto espaço no meu coração, mas a verdade é que eu acho que nenhuma outra série vai cnseguir ocupar tanto espaço no meu peito, não só pelo fato de eu ter crescido e agora ocupar esse espaço com coisas mais reais, mas porque acho que nenhuma outra série vai conseguir fazer tanta diferença na minha vida como House fez. 

7 de junho de 2012

Seis Anos

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  Seis anos. Seis anos de blog. Seis anos de Princesa de Sal e/ou Neëh!. Na verdade acho que ainda não tenho certeza de quem sou, a Princesa ou a Neëh!. Talvez eu seja as duas, talvez só eu mesma e nenhuma. O importante é que faz seis anos que eu venho aqui escrever e desabafar, seis anos que auto ajuda, auto terapia e desabafos. Passei pela fase em que valorava a popularidade e essa foi a fase da Princesa, depois veio a fase da Neëh! em que eu preferi a anonimidade e aí o blog se tornou menos subjetivo e mais pessoas. Eu comecei a usar mais nomes e pronomes pessoais, comecei a falar mais de mim e a falar mais e acho que isso tudo foi uma evolução.

  Não tenho certeza de quanto EU evolui, afinal isso aqui começou com minhas dores por amores platônicos e eu continuo com os amores platônicos. Mas acho que perdi aquele medo sufocante, comecei a ter mais coragem de encarar as mudanças e isso foi um ganho da terapia. As brigas com os meus pais acabaram. Primeiro porque meu pai morrer, depois porque mais uma vez a terapia me ajudou. Comecei a almejar um amor mais real, entrei na faculdade, li livros e mais livros e vi filmes, muitos filmes, assim como escrevi algumas coisas… Ainda não escrevi meu romance real, ainda não me decidi que história contar, ainda acho que tudo que eu penso fica dramático demais, complicado demais, igual a um filme americano demais, igual a Rebelde demais… Resolvi uma das minhas pendências, meu irmão, me dou melhor com minha mãe e com meu irmão. Voltei a ficar confusa com meu futuro, não tenho certeza se quero ser a advogada humanitária que me motivou a prestar direito, quer dizer, querer ser rica não tem nada de errado tem? Depois posso ser rica e fazer ajuda humanitária.  

  Seis anos que eu nem vi passar. Seis anos de amores platônicos, de crises e tempestades que se tornaram mais esparças, de dores que se tornaram mais profundas e desabafos que se tornaram mais intensos. Aqui compartilhei minhas maiores dores, como a decepção com a Elaine, a morte do meu pai e a rejeição do meu irmão mais velho. Disse também coisas fúteis, racionalizei inúmeros amores platônicos e me descomplexei um pouco. Ainda me auto analiso demais, mas é por isso que eu venho aqui não? Para me auto analisar. Seis anos podendo contar com essa fortaleza… Não sei onde eu estaria sem ela.  

29 de maio de 2012

Fim

3425120   Para falar a verdade eu sabia que não ia dar certo, mas eu tinha esperanças que talvez desse tudo certo no fim. Não deu.

  Eu achava que com a carta ele ia repensar a vida e dar o braço a torcer e todos seríamos uma grande família feliz. O que realmente aconteceu? Ele não respondeu a carta e me deletou dos amigos dele no facebook, eu e o Nikolas. Eu entendo, sério. Só que é difícil aceitar o fato de que agora é oficial, que agora eu só tenho um irmão. Verdade seja dita, eu tenho um e meio quase dois, porque um dos meus primos é quase um irmão. Ele dá trabalho e nessas horas ele é só meu primo, ele dá preocupação e nessas horas parece meu irmão de verdade e também me ajuda, também está sempre do meu lado e até que não é mal em conselhos, talvez seja melhor que o de verdade, nessas horas ele é um irmãozão. Por isso que são um e meio, quase dois, porque tem meu irmão de verdade e ele que é tão bom em ser meu primo que já quase um irmão. Na verdade eu tenho umas irmãs por aí também, minhas duas primas que vivem tentando me fazer ser mais normal, me criticando e enchendo o saco, mas que na verdade fazem isso porque se importam de verdade e mostram isso também estando do meu lado. Também tenho minhas amigas, mas essas ainda são apenas amigas, quase primas, isso, elas são quase primas.

  Essa é minha vida: irmão de verdade, irmão de mentira, irmãs de mentira, primas de verdade e de mentira, amigas de verdade e todo o resto da família. Pessoas que se importam, que já tomaram meu lado em briga, que já me abraçaram em dias ruins, que já me xingaram em dias bons… Enfim, que se importam, com quem eu posso contar. É isso que eu quero né? Então eu deveria estar feliz, certo?

  Mas dói. Dói saber que eu posso contar mais com um primo do que com meu irmão de verdade. Pelo menos agora a gente já sabe, acabou a dúvida, eu limpei meu coração e fim. Agora é seguir em frente sem olhar para trás e torcer para dar tudo certo… se não der para ele, espero que ele saiba que, ele pode contar comigo, se não der para mim eu já sei com quem posso contar.

21 de maio de 2012

Boba

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  Talvez eu queira acreditar nisso, no que as cartas me disseram e no que minha intuição e meu bom senso dizem. Afinal é isso que eu quero. Mas nesse caso não é perfeito, é trincado. Ele é doce, é simpático, sempre puxa assunto, tem bom humor e elogia como pode, quando tem chance, mas no fundo acho que nós não temos nada em comum. Eu estereotipei ele, é verdade, mas eu sou uma estudante de direito e ele professor de educação física. Não consigo me ver tendo um futuro com ele e ainda assim gostaria de ter um presente. Eu sei que sempre penso demais, que idealizo e platonifico tudo, mas no caso dele é diferente, eu não estou conseguindo idealizar, tenho um preconceito contra a profissão dele (sim eu sou patética) e apesar disso tenho vontade de testar, de ver no que vai dar e queria até que desse certo. Não sei, talvez o fato de eu não conseguir idealizá-lo seja uma mudança positiva, assim ele fica mais real e eu mantenho meus pés no chão. Eu sinto que estou com mais coragem quanto a isso, talvez eu esteja viajando, talvez ele seja assim com todo mundo, talvez ele seja educado e não esteja me dando mole… Mas talvez ele tenha interesse, aliança ele não tem e isso me dá no mínimo uma chance né? Uma chance de ver se esse é o tão real, tão amor que eu quero e que as cartas dizem que está para chegar, uma chance de conferir o poder da minha intuição e razoabilidade do meu bom senso. Afinal, ele é um doce, bem humorado, simpático… idiota sou que que sou cheia de preconceitos bobos.  

19 de maio de 2012

Fácil assim…

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  Eu caio aos seus pés.

  Não sei como acontece, só sei que de uma hora para outra sinto vontade de chamar sua atenção, de um modo bom. Só sei que de uma hora para outra sinto ciúmes de te ver com outra garota. Sei que antes de tudo isso preciso te admirar e que um escorregão seu pode significar o fim dessa paixãozinha, mas é fácil assim… Um simpatia maior, uma posição superior, um pensamento mais elaborado e eu já caio aos seus pés.

  No entanto confesso que quero desesperadoramente uma coisa mais profunda, mais real e sólida… Eu só não sei onde buscar. As vezes parece que todo mundo encontra amor em lugares inusitados, as vezes em lugares óbvios e eu… Não sei, talvez eu faça alguma coisa, sem querer, que afasta minhas chances. Talvez alguma coisa na minha linguagem corporal que repele os outros… Eu queria mesmo saber o que é, para poder mudar e conseguir o que eu quero, porque essa é minha maior frustração de menina mimada: Não ter o amor de verdade que eu tanto quero.

7 de maio de 2012

Futuro

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Eu gostaria de saber qual é a pior coisa que vai me acontecer, qual é a pior situação que eu poderia viver, o que tem de tão bom no meu futuro que me impede de largar tudo e desistir. Queria um relance, o suficiente para saber se vale a pena, sim eu sei: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”, mas vale mesmo? Horas de estudo, ônibus lotado, noites em claro, café na veia, isolamento social, angústia, ansiedade, comer demais, engordar e…ir mal. Valeu a pena? Não me parece ter valido a pena. E ao mesmo tempo que eu digo que sou capaz de melhorar, que vou mudar de comportamento e conquistar o que eu sei que tenho capacidade de conquistar eu me pergunto se tenho mesmo, se não estou me matando por um futuro mediocre. Mediocridade eu posso ter sem esforço.

Talvez essa seja minha veia brasileira(e é preconceituoso da minha parte dizer isso, eu sei) que quer conquistar o munda na base do menor esforço. Eu sei que sem esforço não se conquista nada, que eu não me esforcei o suficiente neste começo de ano e que sou capaz de melhorar. Mas não consigo deixar de sentir que me esforcei bastante e não valeu a pena, que isso tudo não vai dar em nada e que eu deveria jogar tudo para o alto. Logo eu, que sempre me lembro que existem pessoas em pior situação, que eu não deveria me queixar, que deveria mudar.

No fim eu acabo mudando alguma coisa, acabo lembrando do porquê estou aqui, do porquê estou me esforçando e aceito que não me esforcei o bastante e que devo me esforçar mais, que no fim vai valer a pena, nem que seja só ver as notas e ter auto-estima alta. Tento esquecer que passei os últimos três anos de cursinho visualizando a USP e que não deu certo, tento acreditar que estou onde estou por uma razão e que é melhor assim. Só que não consigo deixar de pensar que talvez eu seja incompetente, que não consegui entrar na USP e que não vou conseguir ir bem na faculdade e vou ter um futuro mediocre. Eu só queria saber se vale a pena. Então eu peço para ver meu futuro. Não quero detalhes, só… só um gostinho. Só para saber se estou no caminho certo, só para saber se eu sou capaz, só para ter certeza que vale a pena.

27 de abril de 2012

Olhos suspeitos

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  Seu olhar me intriga. Sempre que estou por perto ele se levanta e com atenção me observa. É quase como se alguém lhe avisasse quando eu estou chegando, você para o que está fazendo, levanta o olhar, me observa passar, e aí volta a fazer o que fazia antes. Não leve a mal, gosto do seu olhar, gosto de ser observada por você, faz com que eu me sinta bem comigo mesmo, faz com que eu sinta como se no passado eu tivesse razão… sempre achei que lá você me olhava também. O que me intriga é que apesar de sua memória ter lhe gritado quem eu era você não fez a mínima questão de ser simpático. Odeio ser simpática sem correspondência. Prefiro guardar essa unilateralidade para minhas paixões platônicas, para o que você já foi. E então seu olhar se levanta cada vez que minha sombra passa, mas seu sorriso se esconde… Parece apenas curiosidade, mas o jeito que seu olhar se demora… Eu devo estar ficando louca! Com vontade de me apaixonar novamente, sendo psicológicamente empurrada para isso. Você é curioso. Se fosse interessado seria mais simpático… Quem sabe? 

16 de abril de 2012

Carta (2)

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  E eu estava bem feliz com nossa reaproximação, com a idéia de fazer parte da sua família, porque, como eu disse, eu quero ser sua irmã. Só que aí, seu filho foi operado, a mamãe foi até o hospital, ficou com você, a Bia e a Baby e achou que talvez esse fosse o início de uma reaproximação, eu achei que fosse e até o Nikolas achou, mas pelo visto você não. Depois que o Henrique saiu do hospital e eu, o Nikolas e a mamãe fomos visitar vocês, você não deixou ela entrar e eu juro que isso me machucou mais do que se você tivesse ME proibido de ver ele. Foi tão insuportável ver ela essa humilhação que eu quase fui embora com ela, acho que só não fui porque queria ver meu sobrinho, ela sofreu com isso e até agora eu não consegui engolir. Depois o papai ficou doente e morreu e você não foi ao enterro e isso simplesmente foi a gota d’água. Eu realmente não esperava que você fosse, você tinha dito uma vez que seu pai morreu quando você saiu de casa e que quando ele de fato morresse você não iria no enterro. Na época que ouvi isso entendi seu lado, achei justo até. Mas depois, quando eu estava lá vi como o Nikolas e a mamãe esperavam que você fosse e também como todo mundo que eu conhecia estava lá ou se não estava era porque não conseguiu estar (uma porque tem síndrome do pânico e ficou com medo de ir, mas me ligou, me escreveu e mandou recado pelo irmão e a outra porque estava no interior e não conseguiu ônibus, mas me ligou e veio dois dias depois) e aí eu percebi que ninguém estava lá pelo papai, eles estavam lá por mim! Pelo Nikolas! Pela mamãe! E foi por isso que eu me irritei por você não ir, porque você não foi capaz de estar lá pelos seus irmãos quando nós mais precisamos e ainda tentou justificar, mas tudo que eu sentia era que você não estava sendo capaz de enfrentar seus fantasmas do passado por mim. Isso simplesmente foi demais para mim. Talvez você ache que eu seja forte e resistente e a verdade é que agora eu sou assim, mas naquela época, naquele dia… Aqueles foram os piores quatro dias da minha vida: o sábado em que eu vi ele e percebi que ele ia morrer e chorei a despedida, o domingo em que eu ouvi isso da boca da mamãe e ainda descobri que não passei na Fuvest (depois de dois anos de cursinho) e chorei por não passar,  a segunda em que ele morreu e você não foi e aí eu chorei de raiva de você e a terça em que ele foi cremado e eu chorei de luto. E aí nós ficamos esse tempo todo sem se falar e eu enrolando para escrever essa carta, juntando forças para me abrir de um jeito que eu não me abri para ninguém antes e juntando forças para lidar com as consequências dessa carta, sejam elas quais forem.

  E agora vem a parte que você não vai gostar, que eu acho que você não vê e não vai concordar comigo, mas que para mim parece bem claro e que eu sinto ser necessário dizer, sinto ser decisivo dizer. De novo, eu quero ser sua irmã, mas eu sinto que não vou conseguir fazer isso enquanto você não lidar com seus fantasmas, porque para mim só fantasmas é que podem ter te impedido de ir ao enterro do papai apoiar eu e o Nikolas, só fantasmas podem ter feito com que você decidisse que a mamãe não devia ver o Henrique depois de ela ter ido até o hospital passar o dia com você. E eu não posso saber o que se passa na sua cabeça, como você realmente se sente em relação a mamãe e a vovó e a todo mundo, mas a verdade é que por mais que elas sejam loucas, por mais que elas digam que vão cortar relações com você porque você brigou com o papai e blá blá blá elas gostariam de ter você por perto. Poxa, toda vez que você vinha ver eu e o Nikolas a mamãe ia falar com você, falar pra você pedir perdão pro papai e blá blá blá, ela não fazia isso só por ele, fazia isso porque do jeito maluco dela ela te ama e queria ter você por perto, queria conhecer o neto dela e agora a neta também. E a vovó toda vez que sabia que a gente saia junto perguntava de você, as tias também, e eu sei que nossas tias são complicadas, algumas são chatas e completamente loucas, mas elas também perguntavam. Talvez eu esteja querendo demais, mas eu sinto que só vou ser capaz de ser sua irmã quando você perder essa resistência que você parece ter contra a nossa família e eu sei que você deve ter seus motivos, mas seja quais forem a distância não vale a pena, vale?

15 de abril de 2012

Carta (1)

ah!

  Eu recebi sua mensagem, fiquei paralisada, senti uma confusão tão absurda que dei até risada. Meu pensamento? “Justo agora que a psicóloga me deu alta?!”. É, eu estava vendo uma psicóloga, é uma longa história, acontece que eu não sou tão lúcida quanto pareço, tenho vários problemas e agora eles estavam em ordem, eu estava equilibrada, mas sabendo que havia dois casos não resolvidos na minha vida. Não sei você, mas eu gosto de sempre deixar tudo em pratos limpos, para o bem e para o mal, e esses dois casos não estavam, não estão claros. Um deles é você. Eu estou há algum tempo protelando para escrever essa carta, e eu preferi escrever porque sei que se nós conversássemos um iria interromper o outro e no fim, nem eu, nem você, diria tudo o que quer, e eu quero falar tudo, preciso disso. Preciso me resolver com você antes de poder seguir com a minha vida, estou em uma fase tão diferente de todas as outras, uma fase tão ativa, uma fase que eu sinto ser uma preparação para todas as outras que virão, por isso é tão importante para mim que eu me resolva com você agora. E acho importante para você também, saber como eu me sinto, o que eu penso, talvez isso te ajude a entender minha ações em relação a você daqui para a frente e acredite eu não tenho idéia de quais vão ser, só que elas dependerão mais de você do que de mim.

  Para começo de conversa eu tenho que admitir que não tenho muita certeza de como me sinto em relação a você, acho que não te conheço o suficiente para ter uma opinião formada a seu respeito. Na minha primeira lembrança sua eu devia ter uns cinco ou seis anos, você foi até o hotel no fim da tarde e me deu um bambolê roxo, deu algum outro presente para o Nikolas e nós ficamos ali na praia brincando. Depois, quando você foi embora e eu fui pro quarto o papai me perguntou com quem eu estava lá na praia e eu, por alguma razão que me foge a memória agora, não quis falar, até que ele disse que tudo bem, que você era meu irmão e que mesmo que vocês estivessem brigados eu podia brincar com você. Essa meio que foi a atitude dele sempre, e se eu perguntasse para a mamãe ela mandava eu falar com ele, que se ele deixasse tudo bem. E mesmo sabendo que você era meu irmão essa ficha só realmente caiu para mim quando eu estava com dez anos. Foi em uma tarde que o Nikolas e o papai tinham ido para São Paulo, o Nikolas ia prestar o enem, ou a fuvest, como treineiro, e você ligou lá no hotel, quam atendeu foi a Elaine e ela me passou o telefone dizendo: “é seu irmão”. Eu atendi com um xingamento qualquer achando que era o Nikolas, mas aí você começou a falar e eu fiquei sem saber onde enfiar minha cabeça. Depois perguntei porque ela não disse que ela você e ela me respondeu que disse que era meu irmão. Foi aí que a ficha realmente caiu. O engraçado é que isso aconteceu no fim do ano em que eu morei em Ilhabela e eu passei o ano inteiro indo de bicicleta para a Vila e tomando sorvete na frente da loja da Baby na esperança de te ver por ali, porque uma vez eu tinha visto a Bia ali. Eu acho que sempre foi meio assim, eu ficava esperando você entrar em contato e aí você demorava, mas entrava em contato e a gente saia e depois eu ficava mais um tempão sem te ver, esperando te encontrar por acaso, ou você entrar em contato novamente. E eu digo isso tudo porque acho que você deve pensar que eu não tenho interesse em ser sua irmã, mas eu tenho, eu só… Eu só nunca tive a atitude e acho que na verdade nem tinha como, pelo menos não até uns três ou quatro anos atrás, quando nós realmente começamos a nos encontrar, o que eu acho que foi uma iniciativa sua e talvez mal correspondida por mim e pelo Nikolas. E a verdade é que eu não sei quanto a ele, mas da minha parte foi mal correspondida porque eu não cresci com você, eu tive pouco contato, eu tive que assimilar nosso parentesco, mesmo sempre sabendo claramente dele. Para mim família era aquela que estava sempre por perto porque eu estava acostumada com isso, com meus tios todo domingo na minha avó, com dividir o quarto com o Nikolas, ou ver ele todo dia, com brincar com meus primos e ver eles comentando de viagens que fizeram juntos, mas que eu não pude ir porque fui para Ilhabela ver o papai. Eu ainda me sinto meio tímida na sua presença, meio intimidada e sem saber como agir, o que falar e pisando em ovos em relação a tudo o que diz respeito família e passado, aquele passado inexistente para mim porque eu era pequena ou mesmo não nascida e com vontade de te dizer isso tudo e ao mesmo tempo te impressionar, porque você é meu irmão mais velho.

30 de março de 2012

Desabrochar

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  Acho que um ano frequentando a psicóloga fez muita diferença na minha vida, claro que junto com outros fatores, mas hoje eu vejo exatamente no que eu mudei nesse ano que passou. Esse ano que começou em novembro de 2010 com a morte do meu pai e acabou em fevereiro de 2012 com meu ingresso na faculdade.

  Eu percebi que hoje já não sou mais tão insegura, já não sou mais tão medrosa e nem tenho a auto estima tão baixa como antes. Me sinto mais forte, não da boca para fora como das outras vezes, mas de verdade, vendo essa força aplicada no meu dia a dia quando eu faço o que eu quero sem me importar com o que os outros pensam que eu deva fazer; quando eu consigo dizer não àquilo que eu acho errado, mesmo sabendo que eu possa passar por chata; quando eu faço planos para minha vida sem perguntar nada a ninguém. São coisas bobas, que parecem simples e automáticas, mas não são, não no meu caso que abaixava a cabeça por tudo e para todos. Hoje eu me analiso e não vejo nada que eu precise mudar, antes era só mudanças e reformas. E aquele medo absurdo de mudanças e dessa fase da minha vida que eu tinha antes… Era besteira. Essa fase é ótima, é muito parecida com todas as outras, talvez parecida demais, mas tudo bem, eu mudo ela um pouco. Eu quero mudar tudo! Acho que me falta é exteriorizar um pouco essa mudança que aconteceu dentro de mim, no visual mesmo sabe? Sinto que minhas roupas já não dizem mais quem sou eu, sinto que meu circulo de amizades, apesar de eu gostar imensamente dele, pode se expandir e que eu já estou emocionalmente pronta para viver essa vida que por tanto tempo eu deixei parada.

  Acho que esse ano de psicóloga fez com que eu aprendesse a caminhar com as minhas próprias pernas e não depender tanto dos outros e agora eu sinto como se estivesse na hora de seguir sozinha, por mais que isso me assuste um pouco. Acho que hoje eu sei que mesmo que eu tropece, eu não sou a única que tropeçou e posso muito bem me levantar, seja sozinha, ou com ajuda, a escolha é minha e não preciso ter vergonha de pedir ajuda ou mesmo vergonha de ter tropeçado.

13 de março de 2012

Passos firmes

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  Esse comecinho de ano tenho reencontrado muita gente que estudou comigo, há três anos atrás, no colégio. Seja em uma trombada na faculdade, um balanço do ônibus ou mesmo fuçando na internet, todos tem uma coisa em comum: todos mudaram. Não mudaram muito fisicamente, mas o suficiente para fazer com que eu sentisse que eu não mudei. Uma menina já está quase formada em direito, trabalhando, agora perdeu peso e veste social, a outra está no segundo ano de pedagogia e tem um filho de dois anos, o outro fez intercâmbio pela faculdade, o outro ainda está fazendo, uma que era super masculina está uma moça e está namorando… Aí toda aquele sentimento de mudança que me enchia o peito no fim do ano passado se desvanesce e só resta um aperto que me diz que eu estou atrasada.

  Eu não mudei, meu cabelo continua o mesmo, minhas roupas continuam as mesmas, meus sonhos ganharam forma mas continuam por se realizar, meus dramas de amor platônico não se moveram um centímetro e meus amigos… eles também me parecem os mesmos. Será que o grupo todo ficou para trás? Será que eu estou vendo passar o trem da mudança e não percebi que devo embarcar? Eu não vejo esse trem! Não vejo nada no momento. Ando meio perdida, meio que tentando me adptar a nova rotina, meio que tentando criar uma nova rotina e isso tudo me assusta. Não é segredo para ninguém que eu sou uma medrosa, mas não quero ser aquela que nunca muda por medo. Eu estava tão crente que estava mudada, que estava mudando, com minhas próprias pernas, dando passos pequenos e saindo devagar da minha zona de conforto, mas será que estou devagar demais? É o mais rápido que eu posso ir! Não posso me apressar demais e depois ter um breakdown como no rolo da Unesp, de que adiantaria?

  Não sei, me bate um desespero de querer mudar logo, mas eu não consigo simplesmente me jogar… eu tenho medo de mudar, mas também não queria continuar a sentir que não mudei nada, que estou regredindo! Eu preciso me organizar, até lá vou continuar a andar no meu próprio rítimo, afinal, essas pessoas que mudaram tanto nunca foram meus amigos, nunca os admirei por nada, não vai ser agora que vou começar a me medir por eles.

1 de março de 2012

Arrebatador

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  Talvez seja por isso que eu tenha tanta insegurança e medo em relação ao amor, claro que não é só isso, mas acho que isso deve ser grande parte do meu problema. O que é isso? Falta Paixão.

  Eu sou  uma romantica apaixonada por estar apaixonada, viciada em amores platônicos e com uma imaginação invejável, mas sou também insegura e racional e uso minha racionalidade para não me entregar completamente a uma paixão e assim evitar me machucar, mas não adiante, o vazio que fica no lugar da bolha do amor platônico quando ela estoura machuca do mesmo jeito.

  Eu queria uma paixão de verdade, que me fizesse perder o chão, que me conquistasse pela realidade da profundidade e do físico-químico, que arrebatasse minha alma antes que eu pudesse impedir. Eu queria uma paixão com P maiúsculo e que valesse apena até depois que desse errado, porque uma paixão de verdade tem que dar errado, acontecer de modo fulminante, mas finita. Eu queria perder a razão.

29 de fevereiro de 2012

Continuando

1342287   Fevereiro foi um mês de muitas emoções, todas elas diversas e a maior parte das vezes contraditórias, mas acho que agora o furacão passou e meu turbilhão também.

  Analisando o mês não sinto que fui boba nem nada, tenho isso de bom sobre mim mesma, não me arrependo de meus sentimentos. Não me arrependo de ter me partido em mil pedaços ao não passar e também não me arrependo de ter tentado, não me arrependo de ter faltado ao trote e nem de ter dado uma chance ao Mackenzie, não me arrependo de ter colocado minha vida em espera três anos para poder correr atrás de um sonho e não me arrependo de me permitir continuar minha vida agora, de seguir a estrada, ainda que ela não seja bem a que eu estava trilhando.

  Eu ainda estou cicatrizando, mas estou mais inteira, inteira o suficiente para apreciar a faculdade que eu estou, sentir certo orgulho de estar nela, me sentir livre para fazer amigos, quebrar meus preconceitos, correr atrás do que eu quero de novo, mas de outros quereres, aqueles que ficaram em espera. Sinto que já estou inteira o suficiente para voltar a quebrar a cara com meus desejos frustrados, sonhos extraviados e pessoas decepcionantes.

  Eu aprendi que isso se chama resiliência. É a capacidade de uma substancia, ou pessoa, de voltar ao seu estado normal depois de sofrer um grande estresse. Eu aprendi que sou resiliente. Eu achava que isso era resistencia, dizia que era resistente, mas não forte, que podia apanhar até cair, mas que eu me levantaria e continuaria a viver, mas que jamais daria o primeiro soco, talvez nem se quer revidasse. Agora eu sei que estava certa, que sou resiliente, mas que isso significa força também, força de levantar, de continuar a viver ainda que tudo pareça perdido. E me descobri corajosa, porque é preciso muita coragem para arriscar um ano de cursinho sem saber se no fim vai passar na prova, quem dirá 3. Me sinto ridiculamente orgulhosa de mim mesma qundo paro para analisar este aspecto de mim mesma. Forte e corajosa são duas coisas que eu sempre quis ser e agora… Agora descobri que eu sou.

  E mais uma vez concluo que estou me tornando a pessoa que eu gostaria de ser. É um trabalho que vai levar a vida toda, mas dá ânimo saber que estou no caminho certo, independente da estrada.

24 de fevereiro de 2012

Mimada

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  Eu sei. Culpem meu pai, minha avó, os empregados do hotel do meu pai e um pouco meu irmão, talvez até uma pouco minha mãe. Depois de um tempo pensando e refletindo percebi que o real motivo de eu sofrer tanto por não passar na USP foi o simples fato de eu não ter conseguido o que queria.

Quando eu quero uma coisa e não consigo não aceito bem, principalmente nesse caso da USP onde todos sabiam que era o que eu queria e todos souberam quando não consegui, o fato de ser um fracasso público envolve orgulho e aí o buraco é mais embaixo. As vezes eu quero uma coisa, mas não digo nada, só olho, penso no assunto e mantenho silêncio e nem faço nenhum esforço para obter o que eu quero, aí se eu não consigo tudo bem, ficou chateada, mas levo com mais facilidade, afinal, eu nem tentei. Com a USP não foi assim, com meu professor não foi assim.

Duas semanas atrás tive que lidar com outra frustração, a de mandar uma mensagem no Facebook praticamente chamando meu professor para sair e não ter resposta. Eu queria ele e pela primeira vez em anos fiz algo para conseguir e fui rejeitada por Facebook, envolve orgulho, envolve engolir a seco, mas é uma coisa boba, que não dói, mas incomoda pelo simples fato de não ter conseguido o que eu queria. A perda foi dele. Fato. Mas meu orgulho que saiu ferido. Foi ai que percebi o quão mimada eu sou, o quanto eu odeio ser contrariada, o quanto eu gosto de ter as coisas do meu jeito e o quanto a vida odeia me deixar satisfeita.

Pois é, mimada, caprichosa, autoritária, orgulhosa… Eu sei. Mas acho que se eu não fosse assim a vida não seria tão saborosa, afinal, são os dissabores e contradições que apimentas a vida né?

4 de fevereiro de 2012

Uma dorzinha

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  Eu sei porque eu estou assim, sensível: TPM. Mas não é só TPM. É o sentimento de fracasso por não passar na prova depois de três anos de cursinho, é ver meu irmão conquistando tudo o que ele queria e eu falhando, é saber que não vou poder ter o estilo de vida que eu queria, é saber que eu estou me contentando com o mediocre e não querer aceitar isso. É começar a duvidar de mim mesma, afinal se eu sou tão grandiosa como acho que sou, não deveria ter conseguido passar? E aí eu olho para quem passou e fico sem chão, a maioria são pessoas que se importam mais em ir para o bar encher a cara do que fazer alguma difereça no mundo. Como pode isso ser justo? Porque esse nó na garganta que eu tô sentindo é também o sentimento de injustiça.

  E eu ainda tô sem chão, sem riso, sem ansiedade… Minha cabeça é só matemática, meu pensamento pura arquitetura temporal, meu coração, esse sim está absolutamente vazio e ainda assim doendo.

1 de fevereiro de 2012

Agora ou nunca

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  Dois dias para sair a lista e eu já estou ansiosa desde o último dia de prova. Normal. Sonhos com o dia, vontade incontrolável de comer sem ter fome e um tremendo exercício de auto controle para não entrar no site todo dia, essas foram minhas férias. E eu entendo e agradeço a todos que acreditaram em mim, que disseram que tinham certeza de que eu vou passar, que lutaram ao meu lado essa batalha entendendo porque eu não poderia ir ao seu aniversário, que me aguentaram com as catch phrases e o mau-humor. Obrigada.

  Mas a verdade é que eu não aguente mais esse otimismo de vocês! Como, raios, você podem me dizer que eu vou passar? Como vocês podem ter certeza disso? Caralho, eu não acreditaria em você nem que você fosse o corretor! Sabe no que eu acredito? Que você tem fé em mim e obrigada, sério, mas para, sério! Porque por mais que seja algo lisonjeiro acaba botando uma pressãozinha, como se você confiasse em mim para passar e se eu não passar eu vá te decepcionar ou algo do tipo. Eu não preciso disso. Concordo que é melhor ouvir isso do que algo tipo “relaxa, qualquer coisa você já tá no mack”. Mas em todo caso, não me diga nada. Não me pergunte a data, não me pergunte se eu estou ansioda, não tente me relaxar com otimismo ou conformismo, acho que isso é mlhor do que qualquer outra atitude: Isso! Finja que eu nem prestei vestibular, isso sim vai ajudar. Já é difícil o suficiente não como fugir do pensamento de que o dia está chegando, não preciso de mais ninguém me lembrando. Não que eu, um dia, vá dizer alguma dessas coisas mal educadas a você.

  Acho que o pior é saber que apesar de você estar ao meu lado, do seu jeito, eu ainda estou nessa sozinha. É o meu futuro e a não ser que você pague minhas contas, se eu passar ou não, não vai interfirir em nada na sua vida. Eu estou nessa sozinha, só espero que, se eu cair, eu saiba nadar.

Frustração na vida alheia

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  Eu fico extremamente irritada quando eu digo meus planos para o futuro aos meus amigos e família e ao invés de eles acreditarem eles dão risada e dizem coisas como “tadinha, acha que vai ter tempo de fazer tudo isso” ou “ai menina, você sempre quer dar o passo maior que a perna né?”. E você lá sabe o tamanho da minha perna? E você lá sabe minha capacidade de fazer malabarismos com o tempo? E então vem meu irmão, dizendo que vai ficar rico, que é fácil, que é assim e assado e eu penso “ coitado, dando o passo maior que a perna”. E eu lá tenho o direito de dizer o tamanho da perna dele?

  Parece que é uma necessidade universal as pessoas que não conseguem ou não realizaram tudo o que querem dizer aos outros que eles não conseguem, que eles não podem. Taí, eu sempre disse que desafio as possibilidades, desafiei várias até agora, mesmo que batalhando mais do que seria justo, então não me diga que eu não consigo, porque você não tem noção do que eu sou capaz. E a mesma coisa se aplica a meu julgamento dos sonhos do meu irmão, eu não fico fula da vida porque ele sempre consegue o que quer? Por que ele consegue o que quer e com mais facilidade do que qualquer um outro? Pois bem, que ele consiga ser rico e que eu tenha tempo para tudo.

  Que acabem as limitações impostas pela sociedade frustrada! Meus sonhos, meu tempo, minhas pernas. “Não me diga que o céu é o limite quando há pegadas na lua”.