27 de janeiro de 2012

Apenas palavras

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  Eu sempre achei que eu tinha um dom com as palavras, alguma coisa que me fazia especial por sempre saber articulá-las e criar coisas bonitas, ou simplesmente que expressassem um sentimento ou situação difícil de se expressar. O que eu nunca reparei é que tem gente que não tem dom nenhum com as palavras, mas que consegue colocar numa frase munição suficiente para matar qualquer um. E o pior é que não existe punição para quem usa as palavras assim, como armas.

  Não sei se foi só agora ou se já vinha se acumulando há algum tempo, mas últimamente reparei que ando muito mais sensível as palavras que ouço. Coisas bobas como um amigo dizendo que nunca vou morrer sozinha, ou meu irmão dizendo que eu estou gorda, tem me machucado tanto! Será que fui eu que dei abertura para que eles me dissessem essas coisas? Talvez tenha sido meu modo de agir, minha resiliência ou quem sabe algumas coisas que falei… Será que eu também feri alguém tanto usando palavras? Eu não me lembro, mas não me acho capaz disso. Sei que quando estou irritada sou grossa, mas acho que não a esse ponto. E o pior é que quando eu ouço algo que me machuca tanto eu simplesmente me mantenho calada, sem resposta, engolindo meu orgulho e sofrendo a dor que me foi causada. Eu odeio chorar no meio de uma discução porque estou brava (eu só choro de raiva e frustração), mas odeio muito mais não ter resposta.

  Houve uma série que eu vi em que uma das personagens era uma grande fã de debates e um dia ela parou de brigar, de debater com o marido dela, coisa que ela sempre fazia. A irmã dessa personagem, então, virou para o marido dela e disse que era melhor ele tomar cuidado, porque se tinha uma coisa que ela sabia sobre a irmã é que ela só debatia com quem ela achasse que valia a pena, que ela retirava sua força das batalhas que travava e se ela não estava mais travando batalhas era porque ela não se importava mais. Quando eu vi isso achei poético, achei que era uma variação do “silêncio da decepção” e até desejei que eu fosse assim. Hoje percebi que talvez eu seja assim, ou tenha me tornado assim, porque sempre fui do tipo que dá a última palavra, por mais inútil que seja e agora, quando ouço uma dessas palavras que me magoam tanto eu simplesmente me calo. E o engraçado é que por mais que me doa ficar calada, mesmo quando eu tenho uma respostas boa e ferina na ponta da lingua eu me calo, porque sei que minha resposta pode magoar. Maybe I am the bigger person, aquela que não precisa machucar os outros para se sentir grande, maybe… Pelo menos é isso que eu prefiro pensar.

7 de janeiro de 2012

Objetivos

ideia Eu tenho essa teoria, não sei se fui eu quem a criou ou se copiei de algum lugar, mas ela é mais ou menos assim: Os seres humanos são movidos a desejos, desejos materiais, emocionais, intelectuais… Desejos. Vontades, objetivos, metas, sonhos. Sem essa necessidade de conquista nós não temos motivação para continuar a andar pela estrada da vida. E essa teoria se fez verdade em minha vida agora, nesse final de ano, porque minha grande meta nos últimos 5 anos era me formar no colegial e começar a faculdade. A primeira parte foi fácil, mas a segunda levou mais tempo e ainda não terminou, mas desde o meio do ano que eu já sei que ela está para acabar. Porque querendo ou não, por mais que dê tudo errado no plano A, eu tenho o plano B que é cursar uma universidade paga, uma das melhores do país, então na faculdade eu já entrei, ano que vem vou estar lá. E agora?

Eu tenho vários sonhos para minha vida, quero ser advogada, quero ser voluntária, quero ser mãe, mulher, namorada, amiga, escritora, viajante… Eu quero tudo. Eu sempre quis tudo, é fruto da minha imaginação fértil e necessidade de sonhar, mas agora eu posso tudo. Minha vó, neste momento, diria: menina, nós não podemos dar passos maiores que as nossas pernas! Mas eu não consigo, não posso aceitar isso, o ser humano é feito de desejos, vontade de conquista, e eu preciso sonhar em ser tudo o que eu quero para continuar a viver, para saber o que fazer e que caminho tomar. Então, vó, minha resposta para a senhora é: Não me diga que o céu é o limite quando há pegadas na lua.

E as pegadas que eu quero deixar na lua esse ano são: Fazer uma tatuagem. Fazer aulas de francês. Fazer intercâmbio voluntário. Escrever um romance original. Começar a fazer trabalho voluntário. Viajar no ano novo.

São poucas pegadas, mas eu tenho que ir aos poucos, se eu conseguir realizar essas ano que vem penso em outras, mas ambiciosas. 

5 de janeiro de 2012

Fechado pra balanço

percorrendo o caminho da vida     2011 foi um ano difícil, começou com a morte do meu pai em 2010 e termina agora com o fim das provas da segunda fase em 2012. Além de mais longo que o normal foi também o mais tumultuado, sem dúvida que foi mais difícil do que qualquer outro e ainda assim mais fácil de levar. Talvez tenha sido mais fácil de levar porque eu cresci, aprendi a me impor mais, a agir um pouco de acordo com o que eu acredito, a não ter tanto medo de mudança e até a ansiar por ela. Eu me descobri um pouco mais, aprendi que minha força está nas minhas amizades e que mais do que ficar planejando o futuro também é necessário deixar os dias correrem. Descobri que minha mãe pode ser louca, favorecer meu irmão descaradamente, não ter um pingo de semancol e ter uma memória absurdamente seletiva, mas que também se não fosse pelo jeito dela de sempre ajudar os outros sem nem mesmo saber direito de quem se trata ou qual a injustiça eu não seria essa garota boba que sonha em de algum jeito mudar o mundo e se eu não fosse assim, eu não seria ninguém. Também teve a descoberta de que meu irmão não é deus, não está sempre certo e que nós temos uma relação doentia de competição e ciúmes, até o ponto de confundir minha identidade, mas que apesar disso a gente se ama e se fosse necessário eu sei que ele daria tudo por mim, assim como eu faria o mesmo por ele.

  Em 2011 eu fiquei admirada e encantada por professores, pela paixão com que eles davam aula, seja a matéria qual fosse e com isso descobri que não é é verdade o que falam, que a gente só pode ser verdadeiramente feliz se trabalhar com o que gosta. Com esses mesmos professores aprendi que todos somos humanos, com defeitos e qualidades, mesmo que mascarados pelo profissionalismo. O Maurício me mostrou que a única opinião que importa a respeito de mim e da minha vida é a minha, que ser idealista é pra qualquer idade e que a busca pela sabedoria não se restringe apenas a intelectualidade, mas também a conhecer si mesmo e a sempre tentar ver o mundo de maneiras diferentes. O Thiago me mostrou que querer desempenhar uma função social é bom, mas que não é necessário que esqueçamos de nós mesmos para realizar esse feito, também que nunca é tarde para começar a aprender alguma coisa diferente e que tudo acontece por uma razão. O Gian me mostrou que por mais coisa que a gente saiba, nós não conseguimos saber tudo, conseguimos apenas continuar a tentar nos aperfeiçoar sempre e que cair é normal, mas que a natureza humana é se levantar e continuar a caminhar, por pior que tenha sido a queda. O Artur me mostrou que é muito fácil criticar uma atitude, discurço ou pessoa e que não importa o quão boa seja a solução para os problemas do país, alguém sempre vai acabar pagando o pato e ficando infeliz, é muita gente e nunca é possível vcoê agradar a todos com suas atitudes. O Bucci me mostrou que a poesia caminha ombro a ombro com a vida, com a música, essa música bem feita que antes eu não sabia apreciar, mostrou também que quando se trata de suas opiniões, crenças e felicidade não se deve dar ouvido aos outros, não vale a pena.

  Eu sempre digo que confio nos produtores de House(série americana), que sempre que eu não estou gostando da série eles dão um jeito de deixar ela incrível, então eu confio neles. Esse ano eu aprendi a confiar no roteirista da minha vida, não sei se é deus, o destino, os astros, a sorte, ou quem sabe agora seja meu pai? Só sei que comecei o ano chorando, batendo o pé que preferia morrer do que voltar ao cursinho e a vida me surpreendeu com um tapa na cara de aprendizado e fazendo deste último ano um dos melhores da minha vida, no cursinho, em casa, nas amizades… Foi difícil, doloroso, mas foi sentido. Os últimos anos eu não senti, não aprendi. Esse ano eu senti, aprendi. As vezes é preferível sentir dor do que não sentir nada.

Adeus 2011 e, por favor, não leve nada do que você me deu com você, eu gosto das minhas cicatrizes e se você quer saber, espero que 2012 me traga algumas também.