29 de fevereiro de 2012

Continuando

1342287   Fevereiro foi um mês de muitas emoções, todas elas diversas e a maior parte das vezes contraditórias, mas acho que agora o furacão passou e meu turbilhão também.

  Analisando o mês não sinto que fui boba nem nada, tenho isso de bom sobre mim mesma, não me arrependo de meus sentimentos. Não me arrependo de ter me partido em mil pedaços ao não passar e também não me arrependo de ter tentado, não me arrependo de ter faltado ao trote e nem de ter dado uma chance ao Mackenzie, não me arrependo de ter colocado minha vida em espera três anos para poder correr atrás de um sonho e não me arrependo de me permitir continuar minha vida agora, de seguir a estrada, ainda que ela não seja bem a que eu estava trilhando.

  Eu ainda estou cicatrizando, mas estou mais inteira, inteira o suficiente para apreciar a faculdade que eu estou, sentir certo orgulho de estar nela, me sentir livre para fazer amigos, quebrar meus preconceitos, correr atrás do que eu quero de novo, mas de outros quereres, aqueles que ficaram em espera. Sinto que já estou inteira o suficiente para voltar a quebrar a cara com meus desejos frustrados, sonhos extraviados e pessoas decepcionantes.

  Eu aprendi que isso se chama resiliência. É a capacidade de uma substancia, ou pessoa, de voltar ao seu estado normal depois de sofrer um grande estresse. Eu aprendi que sou resiliente. Eu achava que isso era resistencia, dizia que era resistente, mas não forte, que podia apanhar até cair, mas que eu me levantaria e continuaria a viver, mas que jamais daria o primeiro soco, talvez nem se quer revidasse. Agora eu sei que estava certa, que sou resiliente, mas que isso significa força também, força de levantar, de continuar a viver ainda que tudo pareça perdido. E me descobri corajosa, porque é preciso muita coragem para arriscar um ano de cursinho sem saber se no fim vai passar na prova, quem dirá 3. Me sinto ridiculamente orgulhosa de mim mesma qundo paro para analisar este aspecto de mim mesma. Forte e corajosa são duas coisas que eu sempre quis ser e agora… Agora descobri que eu sou.

  E mais uma vez concluo que estou me tornando a pessoa que eu gostaria de ser. É um trabalho que vai levar a vida toda, mas dá ânimo saber que estou no caminho certo, independente da estrada.

24 de fevereiro de 2012

Mimada

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  Eu sei. Culpem meu pai, minha avó, os empregados do hotel do meu pai e um pouco meu irmão, talvez até uma pouco minha mãe. Depois de um tempo pensando e refletindo percebi que o real motivo de eu sofrer tanto por não passar na USP foi o simples fato de eu não ter conseguido o que queria.

Quando eu quero uma coisa e não consigo não aceito bem, principalmente nesse caso da USP onde todos sabiam que era o que eu queria e todos souberam quando não consegui, o fato de ser um fracasso público envolve orgulho e aí o buraco é mais embaixo. As vezes eu quero uma coisa, mas não digo nada, só olho, penso no assunto e mantenho silêncio e nem faço nenhum esforço para obter o que eu quero, aí se eu não consigo tudo bem, ficou chateada, mas levo com mais facilidade, afinal, eu nem tentei. Com a USP não foi assim, com meu professor não foi assim.

Duas semanas atrás tive que lidar com outra frustração, a de mandar uma mensagem no Facebook praticamente chamando meu professor para sair e não ter resposta. Eu queria ele e pela primeira vez em anos fiz algo para conseguir e fui rejeitada por Facebook, envolve orgulho, envolve engolir a seco, mas é uma coisa boba, que não dói, mas incomoda pelo simples fato de não ter conseguido o que eu queria. A perda foi dele. Fato. Mas meu orgulho que saiu ferido. Foi ai que percebi o quão mimada eu sou, o quanto eu odeio ser contrariada, o quanto eu gosto de ter as coisas do meu jeito e o quanto a vida odeia me deixar satisfeita.

Pois é, mimada, caprichosa, autoritária, orgulhosa… Eu sei. Mas acho que se eu não fosse assim a vida não seria tão saborosa, afinal, são os dissabores e contradições que apimentas a vida né?

4 de fevereiro de 2012

Uma dorzinha

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  Eu sei porque eu estou assim, sensível: TPM. Mas não é só TPM. É o sentimento de fracasso por não passar na prova depois de três anos de cursinho, é ver meu irmão conquistando tudo o que ele queria e eu falhando, é saber que não vou poder ter o estilo de vida que eu queria, é saber que eu estou me contentando com o mediocre e não querer aceitar isso. É começar a duvidar de mim mesma, afinal se eu sou tão grandiosa como acho que sou, não deveria ter conseguido passar? E aí eu olho para quem passou e fico sem chão, a maioria são pessoas que se importam mais em ir para o bar encher a cara do que fazer alguma difereça no mundo. Como pode isso ser justo? Porque esse nó na garganta que eu tô sentindo é também o sentimento de injustiça.

  E eu ainda tô sem chão, sem riso, sem ansiedade… Minha cabeça é só matemática, meu pensamento pura arquitetura temporal, meu coração, esse sim está absolutamente vazio e ainda assim doendo.

1 de fevereiro de 2012

Agora ou nunca

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  Dois dias para sair a lista e eu já estou ansiosa desde o último dia de prova. Normal. Sonhos com o dia, vontade incontrolável de comer sem ter fome e um tremendo exercício de auto controle para não entrar no site todo dia, essas foram minhas férias. E eu entendo e agradeço a todos que acreditaram em mim, que disseram que tinham certeza de que eu vou passar, que lutaram ao meu lado essa batalha entendendo porque eu não poderia ir ao seu aniversário, que me aguentaram com as catch phrases e o mau-humor. Obrigada.

  Mas a verdade é que eu não aguente mais esse otimismo de vocês! Como, raios, você podem me dizer que eu vou passar? Como vocês podem ter certeza disso? Caralho, eu não acreditaria em você nem que você fosse o corretor! Sabe no que eu acredito? Que você tem fé em mim e obrigada, sério, mas para, sério! Porque por mais que seja algo lisonjeiro acaba botando uma pressãozinha, como se você confiasse em mim para passar e se eu não passar eu vá te decepcionar ou algo do tipo. Eu não preciso disso. Concordo que é melhor ouvir isso do que algo tipo “relaxa, qualquer coisa você já tá no mack”. Mas em todo caso, não me diga nada. Não me pergunte a data, não me pergunte se eu estou ansioda, não tente me relaxar com otimismo ou conformismo, acho que isso é mlhor do que qualquer outra atitude: Isso! Finja que eu nem prestei vestibular, isso sim vai ajudar. Já é difícil o suficiente não como fugir do pensamento de que o dia está chegando, não preciso de mais ninguém me lembrando. Não que eu, um dia, vá dizer alguma dessas coisas mal educadas a você.

  Acho que o pior é saber que apesar de você estar ao meu lado, do seu jeito, eu ainda estou nessa sozinha. É o meu futuro e a não ser que você pague minhas contas, se eu passar ou não, não vai interfirir em nada na sua vida. Eu estou nessa sozinha, só espero que, se eu cair, eu saiba nadar.

Frustração na vida alheia

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  Eu fico extremamente irritada quando eu digo meus planos para o futuro aos meus amigos e família e ao invés de eles acreditarem eles dão risada e dizem coisas como “tadinha, acha que vai ter tempo de fazer tudo isso” ou “ai menina, você sempre quer dar o passo maior que a perna né?”. E você lá sabe o tamanho da minha perna? E você lá sabe minha capacidade de fazer malabarismos com o tempo? E então vem meu irmão, dizendo que vai ficar rico, que é fácil, que é assim e assado e eu penso “ coitado, dando o passo maior que a perna”. E eu lá tenho o direito de dizer o tamanho da perna dele?

  Parece que é uma necessidade universal as pessoas que não conseguem ou não realizaram tudo o que querem dizer aos outros que eles não conseguem, que eles não podem. Taí, eu sempre disse que desafio as possibilidades, desafiei várias até agora, mesmo que batalhando mais do que seria justo, então não me diga que eu não consigo, porque você não tem noção do que eu sou capaz. E a mesma coisa se aplica a meu julgamento dos sonhos do meu irmão, eu não fico fula da vida porque ele sempre consegue o que quer? Por que ele consegue o que quer e com mais facilidade do que qualquer um outro? Pois bem, que ele consiga ser rico e que eu tenha tempo para tudo.

  Que acabem as limitações impostas pela sociedade frustrada! Meus sonhos, meu tempo, minhas pernas. “Não me diga que o céu é o limite quando há pegadas na lua”.