23 de julho de 2012

Como você faz?

 

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  Como você faz para continuar acreditando na justiça quando ela falha com você? Como você faz para continuar acreditando nas pessoas e em um mundo melhor quando as pessoas falham com você? Quando você sofre uma injustiça, alguém que não merece sai ganhando e você sai perdendo, contra todas as evidências e de que aquela pessoas agiu de má fé e você de boa fé, contra todas as evidências de que aquela pessoa tirou vantagem de você, como você faz para continuar seu curso de Direito aí?

  Eu sabia que estava tudo bem demais, e agora levei esse tapa na cara do destino. O processo contra a mulher que roubou dinheiro da minha família deve ser arquivado essa semana, ainda vou checar o detalhes, mas acho que não tem muita saída, acho que só vou checar os detalhes para saber o porquê, matar essa minha sede de razões que justifiquem um absurdo tão grande. Engraçado como alguém pode simplesmente arruinar sua vida. A traição dela quebrou meu coração, agravou meus problemas de autoconfiança, deixou meu pai mais depressivo, me deixou com um nó entalado na garganta, um nó de coisas que eu eu nem sei quais são, mas que eu queria gritar para ela e agora mais essa: agora eu fico assim sem saber exatamente porque acreditar na Justiça, nas pessoas… E volta aquele nó, aquele nó que me enche os olhos de água só de pensar no assunto, só de lembrar da injustiça. Eu não precisava vê-la pagando pelos seus pecados, mas precisava que reconhecessem os pecados dela, que ela reconhecesse que mentiu e mais de uma vez, mas pelo visto não vou ter nem isso. Dói saber isso. Dói pagar uma dívida que não fui eu que fiz.

  Eu que sempre quis salvar o mundo, que sempre quis ajudar os outros começo a não ver ponto nisso, não ver motivo para isso. Afinal é tão difícil conseguir melhorar as coisas, são tantas pessoas lutando contra, ou pior, tantas pessoas que não se importam. E eu que me importo só me machuco… É o mundo as avessas. Droga de mundo as avessas.

19 de julho de 2012

“We plan, God laughs”

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  Esse velho ditado, que eu só ouvi em inglês, quer dizer uma coisa bem simples: que há um plano maior regendo nossas vidas, um Deus, um Destino, e que não importa quais sejam nossos planos terrenos, nossas vidas seguem o plano maior. Então nós planejamos nossas vidas e Deus dá risada, porque os planos dele nunca são iguais aos nossos. Ok. Eu não sei direito se acredito em Deus, mas nessa minhas descrença de Deus eu acredito em um destino, só que dizer que o destino dá risada é meio estranho e esse ditado exemplifica bem essa minha crença e esse meu momento.

  O meu momento é que estou em uma fase onde está tudo dando certo, tudo está acontecendo de acordo com meus planos e isso me dá medo e desconforto. Medo porque tenho medo do destino que está traçado para mim e que faz Deus rir. Convenhamos que a vida nunca sai de acordo com nossos planos, a minha pelo menos não. Eu sempre planejei estudar na USP e estou no Mackenzie, sempre planejei ter namorados e rolos e “je suis la celibataire oficial de ma famille”, sempre planejei ter grana e viajar de montão na faculdade e… bom digamos que estou sem grana, mas sabemos que isso é mais que eufemismo. E cada vez que meus planos não são iguais aos do destino eu fico mal, me sinto caindo num buraco negro sem fundo, choro mais do que posso, tenho vontade de chamar minha mãe e passar a eternidade abraçada a ela, mas não faço isso por ser orgulhosa e no fim acabo me adaptando, criando outros planos infalíveis que saem pela culatra e assim vai. No começo desse ano eu me adaptei, falei que no meio do ano arranjaria um emprego, que nas férias iria fazer determinadas coisas, que no ano que vem iria pra salvador e planejei daí pra frente também, planejei o Peru em julho de 2013, o Canadá nas férias de fim de ano de 2013 e início de 2014. E até agora está dando certo, consegui o estágio, fiz tudo o que queria nas férias, estou fazendo meu curso de línguas e natação, consegui passar direto, estou pagando Salvador e entrando em contato com as ONGs no Peru, de modo que me parece que essas coisas vão dar certo e é isso que me dá medo. Que estou acreditando que essas coisas vão dar certo, mas e se não derem? E se meu destino for outro? Aí vem o desconforto, estou tão acostumada a lutar contra tudo e contra todos para ter o que eu quero, estou tão acostumada a me frustrar e me recriar que não me sinto confortável vendo que não preciso de tudo isso agora. No momento só preciso planejar e continuar fazendo o que já estou fazendo, e isso é estranho.

  Eu sei que se existe um balanço no universo então eu deveri me dar bem até o terceiro ano da faculdade, porque eu só me ferrei nos últimos três anos, mas não consigo confiar nesse balanço. Não consigo confiar nessa quietude, me parece muito mais uma calmaria antes da tempestade do que um final feliz.

16 de julho de 2012

Eu sei

 

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  Fim de semana na praia com minhas melhores amigas, fisicamente não descansei nada, mas psicológicamente tive umas boas férias. DRs sobre os mesmos assuntos, atualização de novidades sobre a vida uma das outras, brincadeiras, fotos e jogos de baralho intermináveis deveriam ser coisas obrigatórias a serem feitas nas férias. Uma manhã uma delas diz que em uma epifania matutina ela percebeu que nós temos muita sorte em ter umas as outras, muita sorte em ter uma amizade que já sobreviveu a tanto tempo e amigas tão parecidas com nós mesmas e ao mesmo tempo tão diferentes que chegam a ser extensões do nosso corpo, sim Ma, eu sei a sorte que a gente tem. Aliás, a sorte que eu tenho.

  Eu sei que não é fácil me aguentar, nos momentos que não sou grossa sou drama queen, sou ciumenta e vivo reclamando dos meus problemas, vivo achando que sempre tenho razão, por mais que eu nem saiba do que estou falando e orgulhosa que sou vivo errando e falando besteira por vergonha de admitir ignorância. Isso tudo sem contar as vezes em que exige um certo comportamento de vocês que nunca fui capaz de ter… Mas vocês sempre estiveram ao meu lado, sempre me aguentaram, com brincadeiras, com tiradas pesadas e muita paciência. Eu sei a sorte que tenho em ter vocês, as irmãs que eu nunca tive e que desejo levar comigo para sempre. Não importa o quão dramática eu seja, o quão exagerada eu seja, o quão machucada eu pareça estar ou pareça que vá ficar por causa de alguma coisa que vocês fizeram, não se deixe acreditar que vou levar isso muito adiante. Vocês já são parte da minha família e nada pode ser tão séria que eu não perdoe, não esqueça e vocês tem luz verde para me gritar meus erros e e esfregar na minha cara minhas mancadas, meu orgulho vai ficar ferido, mas passa. Eu não deixaria uma bronca ou um segredo não contado ficar no meio da gente porque eu não existo sem vocês, com vocês eu posso ser mais eu do que com qualquer outra pessoa e isso realmente não é todo mundo que tem.

  Eu espero que dure para sempre essa amizade que existe desde sempre, porque eu sei a sorte que eu tenho em ter vocês como amigas.