19 de julho de 2012

“We plan, God laughs”

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  Esse velho ditado, que eu só ouvi em inglês, quer dizer uma coisa bem simples: que há um plano maior regendo nossas vidas, um Deus, um Destino, e que não importa quais sejam nossos planos terrenos, nossas vidas seguem o plano maior. Então nós planejamos nossas vidas e Deus dá risada, porque os planos dele nunca são iguais aos nossos. Ok. Eu não sei direito se acredito em Deus, mas nessa minhas descrença de Deus eu acredito em um destino, só que dizer que o destino dá risada é meio estranho e esse ditado exemplifica bem essa minha crença e esse meu momento.

  O meu momento é que estou em uma fase onde está tudo dando certo, tudo está acontecendo de acordo com meus planos e isso me dá medo e desconforto. Medo porque tenho medo do destino que está traçado para mim e que faz Deus rir. Convenhamos que a vida nunca sai de acordo com nossos planos, a minha pelo menos não. Eu sempre planejei estudar na USP e estou no Mackenzie, sempre planejei ter namorados e rolos e “je suis la celibataire oficial de ma famille”, sempre planejei ter grana e viajar de montão na faculdade e… bom digamos que estou sem grana, mas sabemos que isso é mais que eufemismo. E cada vez que meus planos não são iguais aos do destino eu fico mal, me sinto caindo num buraco negro sem fundo, choro mais do que posso, tenho vontade de chamar minha mãe e passar a eternidade abraçada a ela, mas não faço isso por ser orgulhosa e no fim acabo me adaptando, criando outros planos infalíveis que saem pela culatra e assim vai. No começo desse ano eu me adaptei, falei que no meio do ano arranjaria um emprego, que nas férias iria fazer determinadas coisas, que no ano que vem iria pra salvador e planejei daí pra frente também, planejei o Peru em julho de 2013, o Canadá nas férias de fim de ano de 2013 e início de 2014. E até agora está dando certo, consegui o estágio, fiz tudo o que queria nas férias, estou fazendo meu curso de línguas e natação, consegui passar direto, estou pagando Salvador e entrando em contato com as ONGs no Peru, de modo que me parece que essas coisas vão dar certo e é isso que me dá medo. Que estou acreditando que essas coisas vão dar certo, mas e se não derem? E se meu destino for outro? Aí vem o desconforto, estou tão acostumada a lutar contra tudo e contra todos para ter o que eu quero, estou tão acostumada a me frustrar e me recriar que não me sinto confortável vendo que não preciso de tudo isso agora. No momento só preciso planejar e continuar fazendo o que já estou fazendo, e isso é estranho.

  Eu sei que se existe um balanço no universo então eu deveri me dar bem até o terceiro ano da faculdade, porque eu só me ferrei nos últimos três anos, mas não consigo confiar nesse balanço. Não consigo confiar nessa quietude, me parece muito mais uma calmaria antes da tempestade do que um final feliz.

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