16 de agosto de 2012

Pra morrer na praia

 

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Eu não sei se aguento muito mais dessa maratona, nadar, nadar, nadar e morrer na praia… Eu faço o que posso, mas cada chance que aparece eu sinto culpa, ela faz com que eu sinta culpa. Talvez nem seja consciente, mas é o que ela fala em primeiro lugar como motivo de preocupação, de gasto, de caro. Era por isso que eu não queria fazer faculdade particular, para não sentir esse fardo que na verdade nem é meu. Claro que os hormônios intensificam a dor, a raiva e até a culpa, mas ainda assim elas existem e estão aqui. Como posso não me sentir assim quando percebo que me tornei exatamente aquela pessoa que eu sempre critiquei? Aquele tipo de parasita nojento que fica dependo dos outros o tempo todo… E eu odeio isso! Eu fui criada para me virar sozinha, para resolver meus próprios problemas e seguir em frente se cabeça erguida, mas não dá para fazer isso quando você percebe o quão hipócrita foi. E o pior é que ela não tem idéia de quão humilhante para mim é ser esse tipo de parasita, não percebe e nem que eu desenhasse ela entenderia, falta sensibilidade no quesito alteridade.

Eu sempre a admirei por ser forte, guerreira e resitente, mas hoje, nesse momento tudo o que eu vejo é uma pessoa que de orgulhosa que é não tem coragem de pedir ajuda para sair da areia movediça e por isso se afunda cada vez mais. E dói. Dói porque não sei se posso admirar uma pessoa assim, porque tenho consciência de que sou bastante assim e porque faz com que eu seja um parasita. O orgulho dela acaba por ferir o meu! E aí também vem o medo, porque no ritmo que as coisas estão eu sinceramente não sei como vai ser o amanhã e eu não tenho em quem me apoiar, já não acredito nas palavras dela de que o amanhã será mais claro, porque eu vejo que ela não está fazendo nada para dissipar as nuvens.

Eu sinto como se estivesse em uma maratona de contas, economias e preocupações que eu nem queria participar e sabendo que não acaba nunca e que não importa o quão habilitosa eu seja vou morrer na praia.