29 de outubro de 2012

“Seja quente ou seja frio…

 

toco 

… Não seja morno que eu te vomito”.

  Talvez a Pammy esteja certa. Talvez eu realmente escolha demais e não dê chance ao tempo, não dê chance a ninguém. Dizem que nós aceitamos o tipo de amor que nós nos achamos merecedores, então nesse caso será que eu não me acho merecedora de nenhum amor, ou será que eu acho que nenhum amor é merecedor de mim? Porque os amores que tenho querido, e os de verdade foram poucos, não me quiseram, eram atenções temporárias, nada mais do que amizade e/ou provocação. Os amores que recebo agora me parecem… mornos. São amores… atenciosos, mas eu quero amor que queime. Quero dar risadas, sentir meu coração acelerar, criar borboletas e mariposas em meu estômago, ficar sem saber o que falar, ficar sem saber o que pensar, me arrumar pensando nele, fazer versos e poesia sobre ele e sobre nós, quero brigas de pontos de vista opostos e opiniões sinceras, quero toques inesperados e memoráveis, quero conforto e honestidade. Eu quero um amor que me inspire, me tire a concentração e que de alguma forma mude minha vida, me tire da apatia romântica em que eu vivo, me faça esquecer o platônico. Não me importo em me queimar com fogo, nem com gelo, mas quero sentir a dor, o prazer, a alegria, a completude e a inquietude, não esse marasmo do morno, essa risadinha educada, esse falar só para não ter silêncio constrangedor, esse não tocar por falta de vontade, essa falta de querer, de gerar intimidade…

Eu quero sair do morno, mas será que não estou julgando muito cedo? Talvez eu realmente esteja me fechando para as possibilidade, como disse a Pammy e a Mália. É só que as possibilidades atuais me parecem mornas, sei que sou intimidadora e que talvez o morno deles seja um meio de lidar com isso, mas esse desafio faz parte do que eu quero… E ao mesmo tempo que eu acho que elas podem ter razão ouço meu irmão falando que eu não devo me satisfazer com o que todo mundo se satisfaz, que eu posso mais, que tem todo um mundo de oportunidades lá fora… São opiniões conflitantes, mas acho que neste momento vou me contentar com a do meu irmão, pelo menos até ter certeza que dá tornozeleira arrebentada não se pode tirar nada.

19 de outubro de 2012

Amor, Sexo e Escolha

 

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  Eu ando me sentindo poderosa, e isso faz com que eu sinta que os outros estão prestando mais atenção em mim, me sinto mais desejada, desejável e que os outros me desejam. Por isso atualmente sinto que todos os homens/meninos que eu conheço me vêem como uma mulher em potencial de ser deles. É, eu sei, é ego inflado e auto estima no céu achar isso, mas durante tanto tempo eu me subestimei e esse ano eu achei isso com dois meninos, então meu amigo viu os dois e como eles agiam comigo e disse exatamente aquilo que eu pensava: que eles estavam afim de mim. Eu não tinha dito minha desconfiança a ninguém, foi ele que achou isso! Acho que foi aí que eu percebi que eu sou atraente, sou divertida, sou uma pessoa por quem os homens podem se atrair, se interessar, e então tem esses dois meninos, e mais dois no trabalho, e um cara aí que não está no mercado, mas me dá corda e um outro garoto da faculdade que não teve nada de mais, mas por quem eu me interessei de leve e acho que foi recíproco, é que não teve muita interação. Talvez eu esteja me achando, mas eu me sinto bem com tantas possibilidades de escolha, o único problema é que o único que realmente desperta minha atenção, com que em gostaria de ficar é o cara que não está disponível. O outro que eu não interagi direito ainda não posso falar nada, mas 3 que eu sei que estão afim não me interessam, e o segundo cara do trabalho não me interessa muito, mas estou deixando a possibilidade aberta porque… Porque eu realmente quero alguém do meu lado. Quero aquele companheirismo, aquele porto seguro, sentir aquele amor que eu sei que nunca senti de verdade e quero… Quero sexo.   

  Eu tenho 21 anos, tenho direito a querer sexo. Tenho direito a ter sexo. Assim como tenho direito a ter amor. Acho que para mim estas duas coisas estão bem ligadas, eu tenho essa fantasia de prostituta: fazer sexo com um estranho, uma coisa meio selvagem, meio animal, com um completo estranho. Mas ao mesmo tempo que isso é uma fantasia que me anima e excita, é também uma coisa que eu acho que nunca faria, que me passa a idéia de ser suja, faz com que eu me sinta suja. Isso faz com que eu pense que talvez eu seja muito mais pudica do que eu achava que era. Acho que no fundo eu tenho essa idéia de garota romântica do começo do século XIX, que sexo é a materialização do amor, a expressão física de uma paixão incontrolável e um amor incondicional por outra pessoa.

Então é isso, ainda que eu não saiba quem escolher ou se vai ser um deles eu quero amor e tudo o que ele traz e quero sexo e saber como é. Eu tenho direito a essas coisas, não tenho?

11 de outubro de 2012

Gostosa

 

lingua

Tem uma amiga no trabalho que tem como mania fazer elogios e xingamentos exdruxulos aos outros colegas. Não necessariamente nessa ordem, de um jeito engraçado e bipolar, meio sério e meio rindo. Eu não me importo. Dou risada e gosto dela. Ela diz que faz isso para que a pessoa tenha sua auto-estima elevada, mas sem ficar metida. Bom, não sei como isso está funcionando para os outros funcionários, mas acho que está fazendo efeito comigo.

Essa semana tenho me sentido mais gostosa e no ultimo mês tenho sentido que os outros também sentem isso. Talvez minha auto estima esteja alta demais, mas no momento, eu acho que tenho 4 meninos afim de mim, afim, não apaixonados, mas afim não quer dizer que eles me acham bonita, legal e gostariam de ficar comigo? Então afim me basta. Ainda desejo encontrar alguém com quem eu tenha afinidade, química e possa me apaixonar e a longo prazo amar, mas até lá, pelo menos para minha auto estima, afim está bom. Fui chamada de linda no meio de um conversa com um estranho, tenho percebido que as pessoas estão tendo mais facilidade em vir falar comigo e até gostam da minha companhia e atenção. Não sei o quão baixa era minha auto estima antes, nem o quanto isso influenciava na minha postura rejeissiva, mas acho que mudei, percebo resultados disso. Não foi algo pensado, foi algo que fiz quase sem querer, quase que por osmose, mas estou adorando o fato de ter feito isso.

Hoje me sinto mais completa do que nunca, me sinto mais poderosa do que nunca, me sinto mais divertida, relaxada e bem comigo mesma. Hoje eu não preciso de ninguém ao meu lado como antes achava que precisava, hoje eu somente quero alguém do meu lado para efeitos de companheirismo e sexo. Eu nem estou no meu melhor peso, cabelo ou maquiagem. Eu já não sinto que eu ESTOU gostosa e sim que eu SOU gostosa.

5 de outubro de 2012

Durkheim

 

neve

  Na faculdade aprendi os tipos de suicídios sociais que Durkheim, suicídios do tipo ativo, quando a pessoa faz alguma coisa para tirar a própria vida, mas ele mesmo cometeu um suicídio passivo, quando o sujeito simplesmente se abandona. Esse abandono pode acontecer de várias maneiras e eu acho que tem a ver com falta de laços sociais sim, mas principalmente depressão. Mas o mais importante que aprendi nessas aulas foi algo que eu nem disse ainda em voz alta e não sei o porquê de simplesmente não ter coragem de dizer. O que eu aprendi de mais importante foi que meu pai cometeu suicídio. Ele não se jogou de uma ponte, não tomou veneno e nem atirou em si mesmo, esses são tipos de suicídios ativos e ele cometeu suicídio passivo.

  Meu pai era alcoolatra e todo alcoolatra é borderline depressivo, depois que ele parou de beber ele entrou em depressão, se fechou do mundo, mantendo apenas um ou outro contato de colega e de família só a mulher e dois de seus filhos, entre eles eu. Não era segredo aqui em casa que ele estava depressivo, mas ele sempre foi assim, desde que eu me lembre, então não dava muita atenção, até a coisa piorar. A depressão dele piorou quando ele voltou a morar conosco em SP e no último ano de vida dele ele ficou doente, não sei o quanto ele sentia isso só sei que nós não percebemos até estar bem feio. Ele não queria procurar médico, por mais que nós pedissemos e indicassemos, ele não queria, se auto-medicou apenas para se sentir melhor, mas não foi isso que me deu essa impressão de que ele se abandounou, foi uma conversa que nós tivemos quando ele estava mal.Meu irmão conversava com ele tentando convencê-lo a ir ao médico e ele se recusando, então minha mãe mandou eu ir lá ajudar meu irmão e eu fui, pela primeira vez eu fui pedir para ele ir ao médico, foi quando percebi que ele realmente estava doente, que era sério. Não lembro detalhes da conversa, mas me lembro de em algum momento dizer que se ele não fosse ao médico poderia morrer e ele respondeu que não se importava, eu já estava descontrolada e chorando e apelei mesmo, perguntei se ele não queria ver meu irmão se formar, ele deu os ombros e eu completei, “eu me formar, entrar na faculdade, que seja!” Ele respondeu: “bem, é isso que eu sinto muito, é isso que me segura aqui”. Ele parecia bem sincero. Ele parecia sincero demais, e eu sinto muito pelo meu irmão, mas parecia que meu pai só estava aqui ainda por minha causa. Eu sei que ele amava meu irmão, mas eu sempre fui a menininha dele e naquele momento ele estava puto com meu irmão. Naquele momento eu vi o quão depressivo meu pai estava, falando que já não tinha motivos para viver, que não se importava em abandonar-nos. E na verdade eu acho que ele se importava sim, em nos abandonar, mas que mesmo assim, acima disso, devido a depressão e a vida toda complicada que ele teve, ele preferia morrer. Por isso ele demorou tanto para ir ao médico e quando foi já era tarde demais.

Talvez eu esteja viajando, talvez eu esteja fazendo a mesma coisa que meus irmão só que ao contrario, ao invés de engrandecer meu pai estou diminuindo-o, mas foi a sensação que eu tive na hora de falar com ele. Eu não o culpo pela atitude dele, não o condeno de modo algum, apenas sinto falta dele, e sinto que isso me colocou em uma posição doentiamente especial de orfã de pai ao 19 anos de idade. Isso trouxe para minha vida uma carga de drama que acho que sempre vai existir na minha vida, que sempre existiu, uma carga de superação, de força que eu nem sabia que eu tinha e que a morte dele me mostrou. Então é, eu cheguei a conclusão que meu pai cometeu suicídio passivo quando eu tinha 19 anos, não sei se estou certa, mas se eu estiver então que ele saiba que eu o perdoo, que está tudo bem e que se ele está melhor assim, se já não sofre mais, então tudo bem.

3 de outubro de 2012

…arrebentou

 

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  A tornozeleira arrebentou. A tornozeleira para qual eu fiz um pedido, uma parecida com a outra que eu tinha, que eu comprei na praia e ao amarrar fiz um pedido e o pedido se realizou dois dias depois da tornozeleira arrebentar. Essa também arrebentou, arrebentou dois ou três dias antes de eu te conhecer, mas será que era você? Acho que se não fosse a tornozeleira eu não iria estar com você a tanto tempo indo e vindo dos meus sonhos e da minha memória, não iria sonhar com você quando não tenho mais nada para fazer e talvez nem tivesse dado tanta atenção a você quando te conheci. Mas será que é você? Você é de várias maneiras uma pessoa para quem eu não daria chance alguma, se não fosse a tornozeleira, mas a tornozeleira arrebentou e você é legal, e eu que estou sempre a procura de alguém para encher meu coração, vi em você uma boa distração. Mas será que é você?

Será que é você que vai segurar na minha mãe enquanto nós caminhamos na rua? Será que é você que vai me abraçar sem aviso quando eu não estiver olhando? Será que é você que vai ficar comigo no telefone um tempão? Será que é você que vai ser minha paixão de verdade? Ou sou só eu sendo supersticiosa? Ou sou só eu querendo e precisando me distrair? Ou será que sou eu que sou só eu sonhando alto de novo? Será que sou eu, apaixonada por me apaixonar, megulhando eu outra paixão platônica?