24 de dezembro de 2013

Ah o Natal!

Lembra quando você era pequeno e já no dia 23 de dezembro começava a sentir aquela ansiedade por causa da aproximação do bom velhinho? Lembra quando você olhava a casa toda arrumada e sentia que havia certa magia no ar? Cada segundo era um segundo a menos na espera pelo papai noel, pelos presentes fantásticos que sempre te surpreendiam, aquele brinquedo que você pediu, mas não tinha certeza que ia ganhar, aquele livro que você queria,  eram tantos presentes! E passar a noite descobrindo as delicadezas de cada um, no dia seguinte brincar mais! 
Era uma coisa boa, uma magia única que em algum momento da minha transição da infância para a vida adulta se perdeu. Eu acho que foi quando meu pai vendeu o hotel e eu passei a passar os natais com minha família, ajudar na arrumação dia 24 de dia, passar a noite entre grupos conversando, crescer e receber menos presentes, ter menos surpresas, fazer um pedido a seus pais e receber exatamente aquilo que pediu, o mesmo com o amigo secreto, o dinheiro passar a ser o presente mais cobiçado, porque com ele posso comprar o que realmente quero. Mas sinto falta da magia, da surpresa ao receber presentes inesperados, da festa animada, de brincar e se divertir. Hoje, nas conversas, sempre me sinto meio deslocada, como se tivesse uma visão de mundo completamente diferente da da minha família e não há muito sobre o que conversar. Não dou tanta risada e eu adoro dar risada! E no ano novo é a mesma coisa, sem contar a falta da praia, para mim não estar na praia vendo os fogos é fatal. A melhor parte do natal acaba sendo o dia 25, quando eu e meu primo ficamos vendo filme na televisão e comendo sanduiche de pernil.
E o pior é que eu realmente gosto das festas de fim de ano, mas, de uns anos para cá, elas acabam sempre sendo meio decepcionantes e eu tenho medo de que seja sempre assim, odiaria passar a ser uma dessas pessoas cínicas que odeiam o fim de ano.

23 de dezembro de 2013

Para não perder o costume

 

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Como de costume, aqui estou eu no fim de ano realizando aquele balanço rotineiro.

Em 2013 eu fiz algumas coisas que achava inimagináveis, eu viagei para o Peru e passei um mês lá, sozinha e só agora está caindo a ficha do perigo que eu passei! Meu deus, eu estava em outro país, mal falava a língua deles e andei de táxi, fiquei em hostel, viagei de ônibus de noite, saí por cidades absolutamente desconhecidas sozinha, a pé e despreocupada. Poderia ter acontecido coisas horríveis comigo, mas deu tudo certo, deu mais vontade ainda de viajar, não pela Europa ocidental e EUA, mas por lugares realmente desconhecidos. O mundo é grande demais para visitar duas vezes o mesmo lugar, mas de nostalgica que sou e voltaria a Cusco, sentiria de novo aquele sopro de paz, aquele desconpromisso e aquela liberdade cautelosa.

Em 2013 eu também fiz mais um ano da minha faculdade e, não me leve a mal, eu gosto, mas não tenho mais tanta certeza de que é isso que eu quero para mim, talvez eu venha a fazer outra coisa depois de formada, jornalismo tem espreitado minha cabeça e talvez eu me renda, mas vou terminar Direito, não tenho coragem de não terminar. Não é medo de abandonar, mas é medo de não ser formada em uma profissão certa.

Este ano também conheci blogs com autores interessantes que abriram um pouco minha mente para seguir a idéia de jornalismo e abriram minha visão do mundo da escrita, aliás do mundo real e dos relacionamentos. Através dessas novas leituras eu aprendi a colocar meus pés no chão e ainda assim sonhar com o romance.

E eu também mudei de emprego. Sinto muita falta do TRF, de ser a estrela, das risadas, do trabalho simples, do horário flexivel e das pessoas ali, mas a CET não é ruim, as pessoas são legais, o trabalho me ensina um pouco mais, mas não é igual ao TRF, ele foi meu primeiro emprego, vai ser difícil desapegar.

E para fechar o ano com chave de ouro eu realizei dois itens da lista de coisas que eu quero fazer antes dos 30: fazer uma coisa que me assusta muito e fazer uma tatuagem, os dois juntos, pois fazer uma tatuagem no pulso, no meu ramo de trabalho, e contra a vontade e conselho de todos que eu conheço é assustador. Muito assustador. Minha mãe vai me matar e eu posso ter prejudicado, ainda que pouco, meu futuro na área, mas eu senti necessidade disso. Necessidade de fazer alguma coisa errada só por ser uma coisa que eu quero, necessidade porque eu nunca fiz nada errado sabendo que era errado e isso foi assim, eu fiz uma coisa que eu queria contra meu bom senso e contra vontade da minha mãe e a tatuagem ficou um pouco maior do que eu queria, mas eu não me arrependo, não mesmo, eu estou contente com a minha tatuagem, com meu grito adolescente tardio. Eu sempre quis a estrela no pulso, sem por quê nem para quê e agora eu tenho, seja o que deus quiser.

Então 2014 tem uma tarefa difícil pela frente para ser melhor que 2013. Em 2014 eu quero fazer parapente, viajar para algum outro lugar, tirando Aracaju, nem que seja por uma semana e decidir o destino em cima da hora, só para viajar. E quero me inscrever para um intercâmbio de seis meses em 2015 e se eu não passar vou trancar a faculdade e viajar por seis meses, mas isso em 2015. Eu sinto necessidade disso, acho que viajar é uma coisa meio viciante. E mudar de emprego, estagiar em um escritório, nem que seja por um periodo curto, só para ter essa experiência no meu currículo antes do intercambio. E quero terminar alguma das histórias que comecei esse ano. E não quero pegar DP, vou fazer uma eletiva e tentar sair mais do que ano passado. São planos simples, menos significativos do que os que eu tenho para 2015, mas nem todo ano pode ser a todo vapor né?

E que venha 2014, com o que quer que seja que o destino reservar para mim!

16 de dezembro de 2013

E como você sabe?

 

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Como você sabe que encontrou a pessoa certa? Que encontrou a pessoa que você é capaz de amar e confiar quase que cegamente e incondicionalmente?

Nos filmes eles sempre mostram o casal se encontrando pela primeira vez e nós logo sabemos que eles vão ficar juntos, que foram feitos um para o outro. Eu nunca realmente amei ninguém assim, pelo menos acho que não, sempre vivi de paixões platônicas e nelas um olhar basta para criar na imaginação toda uma história de amor que nunca vai acontecer. Mas sempre pensei que o dia que eu fosse encontrar o cara com quem eu passaria o resto da minha vida com ele, supondo que exista um, eu saberia que é ele, um olhar e eu reconheceria. Aos meus olhos tudo aconteceria como nos filmes, química instantânea, paixão imediata e felizes para sempre.

Mas não é assim, é? Na vida real a química se ganha com a convivência, e eu sei disso, vivenciei isso com amigos meus, amigos com quem tenho tanta química que todos acham que somos um casal. Porque a química nasce com o conhecer o outro, você completa as frases do outro porque conhece o pensamento dele, sabe como fazê-lo rir, que comida ele prefere, que programa, você ouve a opinião de alguém sobre determinado assunto e já olha para o outro pois sabe o que ele pensa sobre aquela opinião. As risadas nas horas certas, os olhares comunicativos, os comentários, a intimidade, é isso que gera química e isso leva ao amor, porque você conhecendo a pessoa e todas as facetas dela é que você pode ser capaz de amá-la do jeito certo e por completo. A paixão que eu sempre achei que fosse o embrião do amor vem da atração e pode até terminar em amor, mas parte de mim não tem muita certeza disso.

E eu quero viver um amor assim, que venha do conhecimento e derive da química, assim como quero viver uma paixão arrebatadora e autodestrutiva, mas sei que é muito mais do meu feitio viver só a primeira. A segunda fica para os livros que eu quero escrever, a primeira para as poesias.

7 de dezembro de 2013

Setembro

 

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Setembro veio e se foi e aqui dentro, ou em volta, nada mudou. Não é surpresa, na verdade nunca me convencia com a predição da cigana, ainda que ela tenha dito umas coisas interessantes, o que me toca é que assim como setembro 2013 veio e se foi. Bonitinho do ônibus, bonitinho do judô, chefe, um ou outro da academia, um professor, um ou outro amigo que eu pensei que… e no fim o ano veio e se foi e meu coração continua tão solto como no começo, tão sem direção como em janeiro. Parece até que minha vida amorosa espelha a minha vida acadêmica/profissional, ambas soltas sem direção, se deixando levar com o vento, se permitindo explorar todos os terrenos. O problema é que eu não gosto muito disso, esse solo incerto, queria viver um amor de verdade, com direito a ser correspondida, a sonhar com o futuro e sentir saudades depois de um minuto.

Verdade seja dita, eu nem sei se sou capaz disso, de me apaixonar, me deixar levar pelo sentimento, não sou uma pessoa muito capaz de confiar e para amar, para se apaixonar é necessário confiar. Não sei se posso, mas queria. E queria que fosse com alguém novo, que chegasse na minha vida agora, queria ter que conhecer a pessoa, vencer meus preconceitos, que ele me desperte sorrisos com seu simples aparecer e seja capaz de surpresas e dar bons presentes, mas mais do que isso, que eu seja capaz de confiar nele e que eu seja para ele tudo o que ele for para mim. Eu queria um amor completo.

Eu tirei as cartas para mim mesma, então não é muito confiável, mas elas fizeram sentido, disseram que eu receberia notícias através de um amigo e que o amor estava no meu futuro. Não sei se o amor viria através de um amigo, mas por via das dúvidas olhei meus amigos e não acho que nenhum deles poderia me dar o que eu procuro. Temos sintonia, afinidade, carinho, alguns tem senso de humor, mas… não não tem aquela química de atração. E pensei em todos os homens da minha vida e percebi que com nenhum deles tenho essa química atrativa, ainda que eu gostaria que tivesse. Por isso fiquei assim, no fim o destino sempre sabe o que é melhor, mas eu queria outra coisa, aliás, nós sempre discordamos.

No fim continuo do mesmo jeito que estava antes, livre, leve, solta e a procura de um amor contagiante. 

20 de novembro de 2013

Essa indecisão

 

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Sinto meu mundo parar quando estou indecisa, é como se não conseguisse andar para frente porque não sei pra onde ir! Não sei qual meu objetivo, sei que quero me formar e fazer pós e outra faculdade, mas não sei com o que quero trabalhar, onde, se queri morar no país ou ter filhos… E eu sei que se eu não me decidir a vida vai decidir por mim, e não me leve a mal, mas eu não confio muito na vida, ela não tem sido lá uma grande aliada pra mim, todas as surpresas que ela me deu foram meio frustrantes, mesmo eu tendo aprendido a lidar com isso depois.

Mas por outro lado, é mais fácil planejar só o próximo passo sabe? Ano que vem vou continuar na faculdade, estagiar e tentar mudar para um escritório, continuar o francês e tentar fazer uma eletiva, tentar fazer uma pesquisa ou participar de um grupo de estudos e juntar dinheiro para meu intercâmbio. Vai ser um ano corrido, mas acho que vai valer a pena, é meu próximo passo. E é bom que seja só o próximo passo, pois não sinto aquele peso do sonho de uma vida em cada dia, cada movimento que eu faço, como quando eu estava no cursinho.

Mas como posso decidir sobre o que pesquisar, que eletiva escolher, ou que área do direito vou estagiar quando não tenho certeza do que quero para meu futuro? Eu sei que quero o intercâmbio porque quero morar fora, melhorar meu francês e ter essa experiência na europa, mas daí a futuro profissional? Bom, se eu passar nas matérias vai ficar bem no currículo, mas depende da área que eu quiser, talvez nem ajude muito. Mas é isso. Só o próximo passo e isso está me deixando maluca. Eu não sei nem se quero ser advogada ou funcionária pública e aí não tenho certeza de qual próximo passo é melhor e fico meio assim estagnada, tentando um pouco de tudo, sem nenhum objetivo certo.

7 de novembro de 2013

Espiral de ilusão

 

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Conte comigo para lembrar do passado, eu adoro, além da alegria meu sentimento favorito é a nostalgia, e dá-le masoquismo. Eu adoro me lembrar do passado, ver no facebook os amigos de infância e sentir saudade daquele tempo, mas principalmente me perguntar o que seria de nós se estivéssemos nos falando, se ainda fôssemos amigos. E ás vezes eu me lembro daquela paixonite, daquele talvez e de repente me vejo me imaginando um encontro com aquela pessoa de novo, o que eu falaria, o que ela falaria, se nos tornaríamos amigos, se seria algo mais, se nos casaríamos… Do passado distante eu me transporto para um futuro distante e utópico num espiral de ilusão, em geral com a mesma pessoa, do qual só a minha mãe consegue me trazer de volta.

Conte com a minha mãe para estragar seu sonho com uma realidade dolorosamente cruel. Ou nesse caso, uma lembrança perfeitamente queimadora de filme sobre aquela pessoa. Eu, sonhando com nossos filhos e minha mãe me lembra daquele detalhe brochante, daquela atitude decepcionante. Se nossa personalidade se forma até os seis anos e depois apenas se desenvolve essa pessoa seguiu essa linha a risca, mas será que quem somos agora é uma versão mais… aprofundada de quem éramos quando criança? Será que esse detalhe chato piorou com o tempo?

Eu sempre fui mimada e continuo assim, odeio quando as coisas não são como eu quero e sempre sou eu que organizo passeios, festas e encontros, do mesmo modo que era eu que mandava na brincadeira quando criança. Continuo timida e insegura, mas adorável quando me solto e entro na brincadeira, ainda tenho ataques de raiva súbita e quero matar alguém, mas já não bato em ninguém, tento me controlar. Ainda choro quando estou com raiva ou frustrada, ainda adoro nadar e só sou completa com praia. Ainda protelo na hora do estudo e adoro acordar tarde. Mas será que meus defeitos pioraram?

Será que ele se sente do mesmo jeito que eu? Ou ele nem se lembra de mim, porque não tem esse apego masoquista ao passado? Eu queria mesmo reencontrar algumas pessoas, ver o que elas se tornaram e se eu fiz um bom negócio ao tirá-las da minha vida, ou ao deixar que elas se fossem. Queria reencontrá-las para talvez assim entender melhor quem eu sou e como está minha vida agora, afinal é olhando o passado que nós podemos mudar o futuro, né?

5 de novembro de 2013

Me deixa dormir...

Nós devíamos ser avisados, ao sair da cama, de como seria nosso dia, assim poderíamos escolher se saímos e enfrentamos o dia ou não. Eu teria escolhido ficar na cama hoje.
Dois meses atrás eu comprei meu sonhado smartphone e uma semana depois fui furtada, hoje descobri como, do mesmo jeito que me levaram hoje meu porta moedas e meu porta cartões, ao descer do ônibus abriram minha bolsa. Hojeeu senti alguma coisa e achei que tinham esbarrado em mim, mas assim 1ue pisei na calçada me dei conta de que tinham me levado o porta cartões, com o cartão do banco, cnh, cartão do seguro saúde e da faculdade, eu tinha acabado de fazer o da faculdade! E o porta moedas é aquele que eu comprei em cusco! Quase não tinha dinheiro dentro, mas... Era ede cusco.
Vim para a faculdade segurando o choro e liguei para minha mãe, pois meu celular velho o cara num quis, e acabei soltando algumas lágrimas quando contei para ela e perguntei o que fazer.
De novo, choro de raiva, de frustração, por me sentir burra em ser roubada duas vezes da mesma forma. Então a aula começa e eu troco duas palavras com minha amiga e o professor vem me falar que estou falando demais, que da próxima vez ele vai me mandar sair. Duas palavras.
Então não são nem dez horas e eu já estou frustrada, irritada, mau humorada. Mas é claro, afinal estava tudo tão bem antes! Ontem foi meu último dia no trabalho e eu recebi presentes e me falaram que se eu quisesse voltar eu podia e me desejaram sucesso e me abraçaram e hoje vou entregar os últimos documentos e pegar o contrato no novo trabalho, então estava tudo bem, eu estava feliz, mas sempre tem alguma coisa para arruinar isso. Sei que os momentos felizes quem faz somos nós, pois os tristes vem sem pedir licença, mas as vezes me parece que eu não tenho direito a felicidade, pois sempre que estou feliz vem uma onda e me derruba. As vezes nem preciso estar feliz para vir essa onda me derrubar.
Eu só... Eu só queria que tivessem me avisado de como seria meu dia quando eu acordei, eu teria decidido ficar na cama.

29 de outubro de 2013

Cabeça, ombro, joelho e pé

Na minha cabeça se passam as coisas mais malucas e sempre se passa algo. Uma hora são histórias, onde eu controlo todos os personagens, crio destinos e amores, sou responsável por aquelas vidas, sou dona delas e gosto disso. Outra hora penso em uma lista de coisas a fazer, em seguida penso em como fazer essas coisas, me organizo mentalmente, arranjo minha vida de uma maneira que ela dê certo. Aí eu sonho. Sonho sobre a minha vida que dá certo, sonho com amores, também crio personagens e falas, me apaixono e desapaixono com um piscar de olhos. A minha cabeça está sempre em movimento e talvez por isso...
Meus ombros esteja  sempre pesados. É como se eu carregasse o peso do mundo nas minhas costas, só que essa responsabilidade sou eu que me coloco. Essa tensão que sinto, essa dureza dos meus ombros é resultado direto do que se passa em minha cabeça, dos sonhos que não dão certo, das histórias que não são escritas, das coisas a fazer que eu não faço direito, ou simplesmente não faço, ou não dão certo porque o mundo também tem dessas coisas. Então meus ombros seguem duros, pesados, doloridos, com o peso do meu mundo todo nele.
E meus joelhos também me refletem, me mostram que eu tenho que fazer mais exercícios, pois cheguei na tenra idade em que eles começam a ficar doloridos com certos movimentos. Mas com todos esses sonhos, histórias e coisas para fazerne planejar, com todo esse peso em meus ombros, quem tem tempo para se dedicar a exercícios? Ainda mais eu que nem gosto de exercícios.
Meu pé, meu pezinho lindo que me aguenta o dia inteiro, esse pobre é mal tratado. Eu nunca gostei de pés e os meus são gandes e feios e eu não cuido deles e aí não gosto ainda mais de pés. Acho que neles ainda tem um resquício dessa minha displicência com a feminilidade. Nunca fui do tipo de garota que faz pés e mãos, que faz balé e entende tudo de maquiagem. Minha mãe tentou, mas a verdade é que eu gosto de andar descalça, maquiagem leve e simples e não tenho saco para fazer o pé toda semana, malemá faço a mão e já me leva um tempo absurdo, mas é mais um hobbie do que uma obrigação.
Meu corpo reflete minha personalidade, meu estilo de vida, minhas escolhas e falta de tempo. Meu corpo não é um templo, não é uma arma se sedução e tampouco é um lixo, mas é meu corpo, meu espelho.

21 de outubro de 2013

Seguindo os passos de Rita Lee

Você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas". Eu li essa frase num livro adolescente, o mocinho disse isso pra mocinha e eu, como boa leitora, imediatamente me identifiquei. Porque é verdade, eu não tenho idéia do efeito que causo nas pessoas e é uma dessas coisas que me deixa maluca, não saber o que os outros pensam de mim. Na verdade eu passei minha vida toda achando que eu era invisível, aquela que vê tudo e todos, mas nunca é notada. Não sei se pensava assim devido a baixa auto estima ou se era só como eu me sentia, mas mais ou menos uns 4 anos atrás eu me dei conta que eu sou sim notada, e desde então percebi que sou cada vez mais notada. 


Tudo começou com uma menina perguntando a um amigo se ele havia estudado no etapa, ela disse que sempre via ele nos corredores, com aquela menina loira, que usava vermelho. Eu não uso só vermelho, mas tenho plena consciência de que causo certo efeito quando uso, nesse dia tive mais certeza disso. Depois disso comecei a reparar que era capaz de virar algumas cabeças na rua, atrair o olhar de alguns professores no cursinho e no fim comecei a fazer a terapia e isso só ajudou a me conscientizar de que eu não sou invisível, que na verdade eu sou tudo menos invisível.

Talvez seja o fato de eu ter me desprendido dessa visão que meu irmão e minha mãe tinham de mim que de um up na minha auto estima, talvez seja a terapia, acho que nunca vou saber, provavelmente foi os dois ao mesmo tempo, e o resultado é que eu comecei a perceber o efeito que causo nas pessoas. E hoje, hoje eu ganhei um like de um cara muito bom. Sei que falando assim parece bobo, mas nunca me vi como o tipo de garota que atrai likes de caras muito bons. Ainda tenho dificuldade de me ver como uma garota atraente e desejável, tenho mais facilidade em me ver como a garota inteligente, e gostaria de ser vista como a garota sarcástica e divertida. 

Bonita? Gostosa? É difícil, o trabalho tem ajudado, mas é em tom de brincadeira, esse like foi em tom sério, foi uma ficha caindo no cofrinho da minha auto estima em um momento que eu realmente estava precisando dessa moedinha. 

"Você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas". É, eu não tenho, venho tomando consciência há algum tempo de que causo efeito, mas ainda não sei qual. Estou descobrindo aos poucos, tirando proveito e explorando devagarinho, me divertindo e me surpreendendo a cada passo. O objetivo é sentir na pele aquela música das Frenéticas, sabe?
" eu sei que eu sou/bonita e gostosa/e sei que você/me olha e me quer..."

Ah o verão!

Eu odeio o frio, principalmente se vem acompanhado por chuva. No inverno e nos dias de chuva, já que em São Paulo esses dois quase não coincidem, eu me sinto incompleta, como se um pouco mais triste, mais preguiçosa, mais desmotivada. No verão, por outro lado, eu me sinto infinita! Tenho vontade de botar em prática tudo aquilo que eu vinha cozinhando na minha cabeça,  sinto que as coisas vão andar e que vai dar tudo certo, que eu posso fazer tudo dar certo. No verão, com o sol e o calor, eu posso e aconteço.
Posso estudar sem preguiça, passar de semestre sem dp, fazer exercícios, comer melhor, juntar mais dinheiro, ser chamada para um novo emprego, emagrecer, me divertir... No verão eu acredito mais em mim mesma, no universo. É quase como se eu fosse uma planta que só fotossintetizasse com a presença do sol e florisse apenas com o calor.
É por isso que eu, sempre que penso em um futuro e em morar em outra cidade, fico balançada. Porque seis meses em Grenoble parecem ótimos, mas lá faz frio e de algum modo eu vou acabar pegando o inverno. Morar em curitiba também parece bom, mas a cidade é cinzenta, chove mais que qualquer outra coisa. Talvez por isso eu tenha gostado tanto de Salvador, porque lá tem sol e calor o tempo todo, Salvador tem verão o ano todo, aquele clima brasileiro de festa mesmo fora do carnaval, aquele sotaque ininteligível musical... De todas as cidades que eu conheci até hoje eu gostei mesmo de Salvador.  Cusco foi legal, mas frio e no verão é só chuva. Florianópolis é um pouco como São Paulo, mas no inverno é mais frio. Parati foi só chuva, mas me encantou, não como Salvador, mas me encantou. Agora vou conhecer Aracaju no carnaval, lá deve ser verão também. 
Será que eu conseguiria viver em verão o ano todo? Será que eu conseguiria viver para lá?  No nordeste? Enquanto isso vou vivendo aqui e conhecendo lá,  quem sabe um dia eu deixe de ser essa paulista orgulhosa e me renda a algum outro canto do Brasil? Do mundo talvez?

13 de outubro de 2013

Amor, diversão e felicidade

 

maos Sonhei com você essa noite. Você parecia o bonitinho do ônibus, mas eu sabia que não era ele, que era o amor da minha vida, e eu sabia disso porque nós tínhamos química, afinidade e estávamos nos divertindo. Então eu acordei e percebi que é isso, que o amor da minha vida tem que ser leve, divertido, fácil, porque se não for divertido é chato, se não for fácil é difícil e uma coisa chata e difícil fica pesada e aí não é amor, é drama. E você, meu amor, sabe que eu não aguento drama por muito tempo.

Eu queria saber como você é, que idade você tem, se seus gostos são iguais aos meus, seu signo, se você é filho único, se sua família é grande, se você é do tipo tímido ou é a alegria da festa, ou os dois, por que não? E eu queria saber mais, saber tudo o que eu posso sobre você, porque você é o amor da minha vida e eu queria te conhecer e estar preparada para quando isso acontecer. Mas se eu já soubesse essas coisas de você não teria muita graça, porque eu também quero ser surpreendida. Quero que você seja alguém desconhecido, que me mostre um mundo novo, que seja parecido comigo, mas também diferente, que me complete, mas que não nos deixemos acomodar, quero que sejamos um, mas nunca deixemos de ser dois. Quero sentir vontade de sorrir só de te olhar, quero sentir que seu olhar me derreta, mas também me queime, quero que você sorria quando me veja. Que nós nos reconheçamos assim que nos cruzarmos a primeira vez, ou não, que você entre na minha vida e só depois eu te perceba.

Quero uma história para contar e quero logo, mas ao mesmo tempo quero que demore a chegar, porque ainda tenho muito a conquistar sozinha. Quero me divertir solteira, mas quero você aqui logo. Eu sinto saudades de você sem nem te conhecer, mas eu aguento mais um pouco, tenho que aguentar, porque quando eu te conhecer quero estar inteira sozinha, só assim poderei te dar o que quero que você me dê: amor, diversão e felicidade.

3 de outubro de 2013

Real

3955_1188667928    Esses dias descobri um site que se chama Casal Sem Vergonha, é quase o melhor site do mundo, aliás, quem eu estou enganando? Ele é o melhor site do mundo. Lá encontrei textos sobre tudo, de pessoas normais, que dão sua opinião sobre coisas que afligem todos nós, todos os dias. Um dos textos que eu li falava de amor próprio e como hoje em dia temos essa mania de nos menosprezar, não sabemos aceitar elogios e nunca estamos bem o suficiente. Outro falava do tempo, de como não podemos deixar as coisas para depois. Tinha também sobre como sempre nos boicotamos por medo da felicidade. E mais uns tantos escritos por homens, sobre a visão deles sobre o amor, o sexo e a mulher.

E sabe porque eu gostei tanto destes textos? Porque eles desconstroem essa minha, essa nossa, visão plastificada sobre a vida. Eu não tenho o corpo perfeito, mas nem por isso devo me desvalorizar, me autosabotar e me esconder. Na vida real ninguém é perfeito e verdade seja dita se todos fôssemos perfeitos a vida seria muito chata. É como se os textos se complementassem para que nós possamos ter uma visão mais real da vida, menos influenciada pelos filmes, séries e livros, onde as heroínas são perfeitas e os heróis incríveis. Na vida real temos defeitos, gordurinhas, cabelos rebeldes, voz fina demais, ou grossa, pés grandes, um dedo torto… mas nem por isso somos menos incríveis, nem por isso merecemos menos o amor, o emprego ou a diversão que a vida tem a nos oferecer.

Esses textos me lembraram que eu não tenho nada a perder se eu levar um toco do meu bonitinho do ônibus, que eu acho super gostoso, mas nunca tive coragem de conversar por não achar que faço o tipo gostosa. Me lembraram que eu já fiz várias entrevistas e não fui chamada, mas que nem por isso não sou boa suficiente, só aconteceu de não dar certo. Me lembraram que eu já passei por coisas e decepções por uma vida inteira, mas nem por isso tenho o dever de ser infeliz, pelo contrário, tenho que saber mais do que ninguém a importância da felicidade e agarrá-la quando ela aparecer, sem ficar achando que vai durar pouco. Esses textos me deram coragem, me lembraram da minha força, ainda que tenham me deixado ligeiramente carente, mas uma carencia boa, ativa, com coragem de dar um jeito e suprí-la.

Talvez eu esteja exagerando, vendo pelo em ovo, mas sinto que entre essas leituras, os tapas na cara das entrevistas e a viagem para Cusco, esse ano eu amadureci bastante, não no sentido força, resiliência, mas no sentido crescimento. Estou vendo o mundo de um jeito um pouco mais real, mais possível. Tomara que não seja uma impressão.

30 de setembro de 2013

20 e poucos anos

Ontem eu li um texto, num blog qualquer, era uma lista de 20 coisas que todo jovem de vinte e poucos anos devia fazer. Em resumo a lista mandava que nós fizessemos aquilo que temos vontade, pois depois tudo custará muito mais caro. Então eu me lembrei da minha lista de coisas para fazer antes de morrer e percebi que não quero ser uma daquelas pessoas quedeixa para realizar as coisas dessa lista no último minuto do segundo tempo, até porque eu não sei até que minuto eu vou jogar. Então decidi me expor, enquanto é tempo, enquanto eu tenho quem me segure se eu cair, enquanto eu tenho uma saúde boa para cicatrizar rápido.

Então eu vou falar com o bonitinho, dar chance para quem eu acho que não tem nada haver comigo, andar de balão,  voar de parapente, gritar na paulista, me apresentar de um jeito diferente para um estranho... vou fazer alguma loucura, só porque deu vontade, mesmo sabendo que é loucura, só pe, a graça de fazer uma besteira. É tudo inocente. É tudo uma grande brincadeira e depois vou poder contar para minhas amigas, meus netos, e dar risada da idiotice daquele momento.

Agora é o momento de arriscar, o momento em que eu já sei um pouco melhor quem sou eu, que já não tenho os mesmos rompantes e medos da adolescência,  mas ainda não tenho as certezas, compromissos e responsabilidades dos trinta. Agora é o momento de fazer uma viagem inútil, um intercâmbio, um curso de nada útil... É o momento de fazer acontecer, de correr atrás da vida e viver ela do jeito que eu quero, porque ali na frente eu vou ter que vivê-la do jeito que eu precisar.

Eu tenho 20 e poucos anos, vou começar a agir um pouco de acordo com a minha idade.

23 de setembro de 2013

Um pouco assim, um pouco só

As vezes me sinto assim, meio só, meio triste. Mas eu estou bem, entende? Com um pouco de medo do futuro, mas não sei porque, ele não me parece reservar nada de ruim, mas eu nunca fui uma daquelas pessoas que sente quando a mudança chega, não,  na minha vida a mudança sempre dá um jeito de chegar de surpresa, fazendo barulho, de forma bem indesejada. E também não sei porque me sinto assim só,  estou bem com minhas amigas, uma delas está para se mudar, mas isso não me apavora mais, é a vida, como ela é,  nós crescemos e nos afastamos, mas não deixamos de nos amar. Nossa amizade vai continuar, vou trabalhar para isso.
Talvez esse medo do futuro venha das provas, eu não estudei muito esse semestre, isso me deixa com medo das notas. E a solidão pode ser tpm, ou o tempo... tempo de chuva sempre me deixa meio pra baixo. Mas eu acho mesmo que é culpa da França. Ela, que vai sair mais caro do que eu pensava, que é o exemplo de como as coisas não estão saindo do jeito que eu quero. Não consegui a bolsa de intercâmbio que queria, não consegui um novo emprego, continuo sem dinheiro, acho que minha mãe vai dar um passo errado em relação aos processos do hotel, é setembro e não apareceu ninguém na minha vida...
Eu sei, nunca consegui as coisas do jeito fácil, e meus planos em geral não dão certo, mas é desanimador do mesmo jeito. Tento pensar que tudo acontece por um motivo, que o destino reserva outra coisa para mim, mas como ele ainda não deu as caras eu fico com medo. Acho que isso foi uma das coisas que eu achei estranho na viagem ao peru, eu planejei e fui e isso deu certo! Tive probleminhas e mudei de planos, mas nisso eu já estava lá,  o que tornou os problemas mais assustadores, mas me deixou mais corajosa.
Sempre que estou com problemas, ou com medo, me lembro do meu irmão,  o lema de vida dele é que no final dá tudo certo, se não deu é porque ainda não é o final. E ele tem razão,  esse ano eu aprendi a viver um pouco mais um dia de cada vez, mas esses dias de chuva, essas provas e essa tpm...

13 de setembro de 2013

Imperecível

 

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Assim eu defino nossa amizade, uma amizade imperecível. Antes nos víamos todos os dias, depois passamos a nos ver uma vez por semana e logo uma vez por mês, agora, quem sabe? Tenho mais tempo de existencia com elas do que sem elas, com duas delas, com a outra estou chegando lá. Minhas memórias estão contaminadas com elas, memórias onde eu sei que elas não estão contém elas e todos os meus amigos sabem a quem eu me refiro quando falo “das meninas”.

Somos em quatro, já fazem dez anos que somos assim, somamos alguns, mas eles não resistiram como nós e acabaram sendo subtraídos pelo tempo, nós não. Nós resistimos, porque amizade é um pouco de resistência, resistir a tentação de deixar uma briga acabar com as relações, resistir ao tempo e a distância que fazem questão de ser cada vez maiores, resistir as tarefas e as novas rotinas. É força também, de enfrentar o orgulho, a distância, o tempo, as pequenas coisas que te irritam nas outras, a sensação que elas não te entendem tanto assim. Somos necessidade também, precisamos uma das outras, por costume, por gosto, para desabafar, para escutar, para ser uma família como somos. Minha vida é um livro aberto, mas eu sinto como se só elas tivessem folheado, ou pudessem folhear todas as folhas. E agora, mal passamos uma prova, já vem outra, para que nós tenhamos que provar que não vamos perecer com o tempo, nem com a distância.A tecnologia é nossa aliada, uma forte aliada, que possibilita que nossa amizade transponha oceanos, fronteiras e meses sem se ver.

E parte de mim tem medo, medo de que daqui a vinte anos eu sinta essa conexão de hoje, mas que meus filhos não saibam quem elas são, ou saibam, mas que a vida nos tenha feito tão distantes que eles mal se lembrem delas. Eu costumava olhar minha mãe e essas grandes amigas dela, que eu mal sei quem são, e sentir pena, achar que ela não via elas sempre, então não são tão boas amigas, afinal, amigas de verdade estão sempre ao seu lado. Hoje vejo de forma diferente, são tão boas amigas que quando ela precisou elas estavam ali, da forma que a vida delas lhes permitiu, mas estavam ali para minha mãe, resistiram ao tempo e a distância, ao casamento, aos filhos e ainda se veem de vez em quando. Pretendo ser mais próxima das minhas amigas, ter mais contato, mas sei que a vida adulta bate a porta e teremos que nos esforçar, mas já não tenho tanto medo de perdê-las, parte de mim acha que elas sempre estarão ali, mesmo que não com a mesma frequência.

Quando somos crianças nossa vida toda gira em torno dos pais, depois entram os amigos, os namorados, mais amigos, faculdade, trabalho, outros amigos, noivos, famílias dos noivos, sua famíla cresce, seus amigos mudam mais um pouco e logo você se casa, tem os amigos do marido, filhos, mais trabalho e sua vida tem então tantas coisas e pessoas que fica difícil manter contato com aqueles primeiros amigos. Alguém sempre será negligenciado, mas não quer dizer que o amor não esteja lá.

Nossa amizade é antiga, hoje a vejo como forte e resistente e imperecível, sem data de validade como eu achava que era antes. Nós nos completamos e todos ao nosso redor sabem e aceitam isso, não aceitar isso pode fazer de quem entra em nossa vida alguém que está somente de passagem. Nós conseguimos, nós somos as amigas que sempre quisemos ser e daqui para frente só podemos crescer, porque não dá mais para não ter vocês por perto. Vocês são parte da minha família, quem eu quero ter sempre em minha vida, quem eu preciso, que me aceitam por completo ainda que não me entendam por inteiro, que sabem quem eu sou quando eu esqueço, que me conhecem do avesso. Vocês são a outra parte de mim.

10 de setembro de 2013

Cruel

Bem e o mal

Talvez minha mãe tenha razão. Um dia ela me disse que quando eu brigo com as pessoas eu digo coisas muito cruéis, ponho o dedo na ferida. Na hora eu discordei, neguei e até fiquei ofendida, mas hoje eu percebo que é verdade.

Não que eu seja uma pessoa má, eu sou uma pessoa boa, tenho plena consciência disso, ajudo a quem não conheço e a quem conheço, não humilio ninguém, não faço piada a custa dos outros, nem rio de piadas a custas dos outros, não exibo os defeitos de ninguém para o público e tenho paciência, uma paciência de jó, quando brigam comigo, me ofendem ou me irritam. Mas não sou idiota. Uma hora minha paciência acaba e eu fico muito brava, com muita raiva e é aí que vem o problema. Quando tenho raiva ofendo a pessoa do jeito que posso, não me lembro de medir limites, se for um grande amigo ou alguém da família eu ainda seguro alguma coisa, dependendo da raiva do momento. Aliás esse é meu limite, quando mexem com algo que é meu eu dou uma surtada, viro um leão, pode ser minha família, meus amigos, minhas coisas, meu trabalho, isso me deixa muito brava e eu ponho o dedo na ferida dos outros.

Não vejo isso como algo necessariamente ruim, pode ser ruim, mas pode ser bom. Aquela expressão “ela não é flor que se cheire” não é necessariamente má. Sou uma pessoa boa, mas como todos, eu tenho um limite e quando chego ao meu limite então você tem que aguentar aquilo que provocou. É como assumir a responsabilidade pelos seus atos, você planta o que colhe, não?

8 de setembro de 2013

Insatisfeita, ansiosa.

 

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Acho que o problema de viajar é que é viciante. Quando viajamos conhecemos pessoas novas, a nós mesmos, aprendemos coisas novas e vivemos um clima diferente, um clima que dá saudade. E o mais importante é que quando viajamos sozinhos e colocamos as coisas em perspectivas, quando voltamos a nossa vida já não nos satisfaz. Queremos aquilo de que temos saudade, mas isso logo cansa e aí buscamos algo diferente sem saber direito o que. Talvez mais qualidade de vida, talvez aquele clima, talvez um pouco dos dois.

Depois que voltei de viagem me percebi um pouco mais cansada das pessoas ao meu redor, um pouco mais sem paciência para elas, para picuinhas, para cobranças bobas, para tolerar aquilo que eu não gosto. Depois que voltei fiquei com vontade de viajar mais, passei a pensar que amar a distância é muito mais fácil, pois não precisamos aguentar o lado ruim das pessoas. Também voltei pensando mais no futuro, voltei mais ansiosa para alcançar aquilo que desejo e menos preocupada com saber lidar com o peso que estou colocando em minhas costas.

Tenho estado um pouco nostalgica com saudades da minha adolescência, estressada por não ter sido contratada em lugar nenhum ainda, impaciente com a a atitude dos outros que não me agradam, independente e um pouco irresponsável, sem pedir permissão para sair e sem me culpar muito por não cumprir certas responsabilidades. E agora tenho em mente que é setembro, que minha alma gêmea deve estar me esperando por aí e logo vamos nos encontrar, mesmo sabendo que isso é besteira, já que foi uma cigana que disse e meu histórico de consultas a ciganas prova a farsa da coisa. Tenho desejado mais diversão e menos preocupação também, tenho desejado parar de comer e começar a emagrecer, desejado deixar de ser preguiçosa e colocar meus dedos no papel para escrever algo bom logo. Tenho estada insatisfeita comigo mesma sem saber exatamente porque e sabendo que é por tudo.

Teve um momento, em alguma parte desse ano, que eu me senti infinita, completa e perfeita, ainda que não houvesse perfeição nenhuma. Agora me sinto… Insatisfeita. É uma coisa boa, é o que nos move em direção a mudança e a evolução, mas me deixa ansiosa, querendo que essa mudança, essa evolução aconteça logo. Sinto como se eu estivesse em um banco, só esperando minha vida mudar, ainda que eu esteja tentando fazer essa mudança acontecer, mas mesmo tentando, enquanto ela não acontece, parece que eu estou sentada, só esperando e essa sensação me deixa mais ansiosa ainda.

30 de agosto de 2013

Com 14 anos

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Estou lendo Meg Cabot, revendo Verônica Mars, assistindo flashes do remake de Chiquititas, lendo notícias de Cuidado con el angel e ansiosa para a reprise de Rebelde. Estou afundada no meu passado.

Sempre fui saudosista, gosto de rever o que me fez bem, o que me fez sonhar, ter idéias, ter vontade e preguiça de escrever. Gosto do meu passado e sou apegada a ele, mas essa nostalgia me mata. Ao mesmo tempo que quero evoluir e viver minha vida adulta sinto vontade de largar tudo, entrar em uma máquina do tempo e correr de volta ao passado. Aquele passado onde eu só me preocupava com as notas, via televisão escondida, vivia brigando com a minha mãe, era a filhinha do papai.

É engraçado, parece que a morte do meu pai é o marco inicial da minha vida adulta… Ainda me lembro de ir ao hospital visitá-lo dizendo para mim mesma que ele não ia morrer, pois eu não queria ser orfã de pai aos 19 anos. Um pensamento que eu sabia, já naquela época, ser egoísta, mas não é disse que se trata a tristeza com a morte? Ficamos tristes por perder a pessoa amada, nem nos importamos se ela gostava de estar aqui, ou se está melhor agora, choramos do mesmo jeito. Depois da morte do meu pai eu cresci muito, continuo boarderline depressiva, pensativa, autoanalítica, tumultuada e indecisa, mas… adulta.

E uma adulta triste, uma adulta que se ressente um pouco por não ter seguido seus sonhos, que ressente um pouco seu próprio tumulto, seus medos, que lembra do passado e fica triste, pois naquela época imaginava que os dia de hoje seria bem diferente. Não que hoje seja um dia especial, mas essa época… Quando eu tinha 14 anos eu esperava que com 22 eu seria menos encanada, mais pegadora, menos responsável, já teria escrito um romance muito legal, teria amigos mais malucos, talvez morasse longe de casa… esse era o sonho maior! E hoje… Hoje moro em casa, sou tão responsável que ninguém se preocupa comigo, sou tão certinha que nunca bebi, nunca usei drogas, nunca fiz sexo, nunca fiz uma loucura, fugi quando tive a oportunidade de morar longe de casa, nunca terminei um romance original (e isso é promessa de ano novo há alguns anos agora), meus amigos são como eu e não consigo pensar em um sonho que eu tenha realizado. Talvez fazer trabalho voluntário, viajar sozinha, fazer faculdade de direito, mas de resto? Nada!

E aí olho a televisão, o livro, o computador e me ressinto por não ser o que eu queria ser com 14 anos, e por não ter sido com 14 o que eu queria ter sido. É como se eu sempre quisesse ser algo que não sou e isso é ruim, ainda que as vezes me sinta infinita assim, do jeito que eu sou. Essa insatisfação me mata, esse não saber se me aceito, mas acho que se eu ficasse satisfeita ia me acomodar e viver a vida acomodada é pior do que não ser o que eu achei que seria. A boa notícia é que eu tenho perdido o medo, tenho tentado mais, sonhado coisas mais reais e isso já é um passo, quem sabe amanhã não é dia de dar outro passo?

18 de agosto de 2013

Movimento da vida

 

escada da vida  É engraçado, a viagem ainda parece uma coisa que só eu vivi, hoje me parece algo distante e meio esfumaçado, mas logo que vejo as fotos fica fácil me lembrar de tudo que eu vivi, e mesmo tendo sentido mais conexão com Salvador ou Paraty, hoje sinto saudades daqueles dias de leitura ao sol, de passeios… só não sinto saudade do frio!

  Hoje também é um daqueles dias que eu quero fazer tudo, jogar minha vida para frente e me mexer, mas não consigo, dependo de forças externas, como o tempo, então fico insatisfeita com tudo. Olho minhas histórias e elas me enjoam, uma me dá preguiça, mesmo que eu acredite que ela está boa, a outra está travada porque percebi que não sei onde quero ir com ela e a terceira está travada pelo mesmo motivo. Meu problema é que eu começo uma história com um propósito e logo que começo a escrever mudo de idéia e acabo travando tudo. Talvez eu só funcione com o público acompanhando… Talvez minha mãe tenha razão e eu realmente não seja capaz de terminar nada do que começo. Talvez eu deva tentar uma história mais curta, mais simples, mesmo que repetida, só para tirar esse bloqueio de mim e assim lá vou eu pensar em um novo enredo só para me distrair um pouco.

  E os amores? Ah os amores, já estou cansada dos platônicos atuais, quero novos, sem contar a vontade dos reais. Quero conhecer gente nova, sair mais, mas estou atrapada na falta de dinheiro que esse mês me impôs, justo agora! Meu grupo está completo de novo, de amigas, eu digo e isso me dá um ânimo estranho, mesmo que eu ainda nem tenha encontrado com elas! Já na faculdade tem gente que está me cansando devido a um certo autocentrismo, mas isso deve passar.

  E tem a bolsa, a bolsa que eu vou tentar ganhar para fazer intercâmbio ano que vem, é uma chance pequena e pode não dar certo devido a dificuldade da língua, tenho que fazer um teste, mas vou tentar porque… imagina se dá certo? É fato que eu vou fazer intercâmbio ano que vem, a não ser que algo muito sério mude meus planos, mas ir com uma ajuda financeira seria muito melhor! Depois, não tenho nada a perder tentando. E a procura de um novo emprego está mais difícil do que eu pensei que seria, só duas pessoas me retornaram e-mail e só uma marcou entrevista, sendo que mandei uns dez e-mails ou mais. Esse fim de semana mando o currículo para a filha da lúcia, quem sabe?

  Assim, meio insatisfeita com tudo, meio inquieta e irritadiça vou seguindo, esperando meu humor melhorar, esperando as coisas andarem, o bloqueio passar… Esperando a vida me movimentar.

9 de agosto de 2013

Depois da viagem

 

Memorias-de-Cuerpo

É engraçado, depois de um mês fora estou voltando a vida real, de volta a faculdade, a natação, ao trabalho… E eu sempre digo que a melhor coisa em viajar é voltar para casa, mas nunca realmente acreditei nisso. Hoje eu acredito. Em casa mesmo não se passou nada, todos sentiram a minha ausência e ficaram felizes com a minha volta, mas os que mostraram foram muito discretos. Já na natação e no trabalho não. Na natação fizeram piada com o meu sumisso, queriam saber onde eu tinha ido e brincaram comigo, meus professores demonstraram que gostam de mim e eu achei isso fofo. Mas nada supera o meu retorno ao trabalho. Eu estava morrendo de ciúmes da estagiária que entrou no meio das minhas férias, me disseram que ela era bonita, que ia sentar no meu lugar, que foram ao cinema com ela e nem sentiram minha falta e eu fiquei ciumenta mesmo sabendo que tudo era brincadeira. Imaginei que meu chefe devia estar adorando a estagiária nova e mesmo que eu, hoje, só o veja como amigo, quis morrer com esse pensamento. Passou, afinal, eu estava viajando, curti a viagem normalmente e quando voltei dei as lembrancinhas, ouvi meu chefe falando da nova estagiária, assim como uma outra funcionária, os dois falando bem dela e eu brinquei que então eu nem voltava mais, afinal a nova estagiária era tão boa… Foi quando o chefe do meu chefe, que nunca fala comigo, disse que eles falavam de mim o tempo todo e que para ele isso é sintoma de que sentiram saudade e que gostam de mim. Fizeram piada com esse comentário, mas vi que ele falava sério. Minha mesa estava repleta de bilhetes de zoação, uma funcionária comentou que falavam muito de mim, faziam brincadeiras e hoje a estagiária nova falou que ficou ansiosa para me conhecer, pois todo mundo falava muito de mim. No dia seguinte a minha chegada uma funcionária me deu uma caixa de brigadeiros e meu colega estagiário me deu um monte de alfajor que ele me comprou nas férias dele e só lembrou de levar naquele dia para mim pois um outro estagiário o lembrou.

É bom se sentir querida assim, perceber que você faz falta… Minha empregada fez questão de vir aqui em casa um dia antes de eu voltar para preparar meu quarto! Meu irmão nos (eu e minha mãe) levou para jantar e a moça da padaria me perguntou porque eu sumi! Eu sempre achei que eu era invisível, que via a todos, observava e notava coisas e pessoas e ninguém me notava e de uns dois anos para cá percebi que sou notada, essas férias, esse retorno, provou isso. Provou que sou insubstituível, que sentem minha falta, que se importam comigo e gostam da minha presença, mais do que eu esperava. Se nas minhas férias eu me fortaleci e me percebi completa sozinha e sendo eu mesma, naturalmente bonita, no meu retorno eu me percebi querida. Pode não ter sido as férias que eu planejei, o retorno que eu escreveria, posso não ter sofrido as mudanças que eu pensei, mas foram as melhores férias da minha vida, pois foram só minhas e me ajudaram muito a me autodescobrir.

4 de agosto de 2013

Tudo se encaixando

 

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  Eu tenho uma tia que sempre comemora todos os aniversários, faz festa junina, dá presentes e está sempre sorrindo, ela sempre diz que é assim pois os momentos felizes temos que criar nós mesmos, pois os tristes vem sem pedir permissão. Eu sempre achei essa frase uma grande verdade, ainda mais na minha vida, onde a mudança chega devagar, sem se fazer notar e de repente toma de assalto toda minha estabilidade. Por isso eu sempre desconfio de periodos de calmaria, pois sempre acho que essa calmaria é anúncio de tempestade, mesmo que nos últimos dois anos as coisas tenham estado relativamente tranquilas.

  Hoje senti uma coisa estranha, estava voltando da praia e senti uma calma enorme, a estrada na minha frente, o sol brilhando no céu e uma paz enorme no meu peito. Foi um momento de felicidade natural, eu tenho tudo no seu devido lugar, eu tenho minha mãe passando por desafogo financeiro, meu irmão trabalhando e ganhando sua carreira, minha avó com saúde, um emprego bacana, estou bem na faculdade, meus amigos por perto… Eu não preciso pedir mais nada. Lógico que eu quero buscar um emprego que pague mais, quero sair mais com meus amigos e as aulas estão prestes a começar, então logo vou precisar dar duro na faculdade. É assustador mudar de emprego, parece um passo enorme, mas sinto que minha perna consegue dar esse passo, me sinto capaz de fazer muitas coisas. Me sinto capaz de mudar de emprego, fazer intercâmbio, viajar pelo Brasil, sair por São Paulos… Não que eu me sinta com coragem, mas sinto que sou capaz de enfrentar qualquer situação, essa viagem me ajudou a perceber isso. Eu disse uma vez que era resiliente, mas estava começando a ficar forte, eu era aquela que aguenta muitos socos, mas estava aprendendo a reagir. Agora eu me sinto forte, eu me sinto capaz de começar uma briga e isso é assustador. É assustador, pois eu sinto que estou estável, em um periodo de calmaria e logo vai vir uma tempestade, mas as tempestades na minha vida nunca se fizeram anunciar por periodos de calmaria, elas chegavam de repente, então talvez eu não tenha o que temer.

  Esse sentimento de hoje, de que tudo está em seu devido lugar foi estranho, foi de satisfação e não estou acostumada a ele, mesmo ele sendo bom. Os seres humanos são seres insatisfeitos, eu sou um exemplo, mesmo satisfeita vou buscar a mudança, a mudança é que me faz crescer, a satisfação é boa, a felicidade… mas eu posso ter mais disso e vou buscar, vou fazer mais momentos felizes, ainda que através de mudanças que assustem.

9 de julho de 2013

Todo o sentimento do mundo

Estou no peru e estou fazendo um diário de viagem, mas sinto a necessidade de ser mais lírica, mais subjetiva. Eu quero fazer um poema, mas não sei sobre o qque. Escrever sobre a confusão da viagem? A solidão de estar em outro país, que não fala sua língua, sozinha? Sobre a vontade de dar risada com meu mais novo amigo do Facebook e como eu acho que isso pode dar em algo, mas não sei como agir?
Estou sentindo vontade de escrever, vontade de agir, saudades de casa, mas vontade de seguir, estou sentindo frio e mal posso aguentar mais esse clima, mas sinto o gosto de ter o sol no rosto.
Não tenho certeza do que buscava, mas aquela vontade de fugir...isso não se dá assim, saindo do país,  você ainda tem seus problemas, você ainda é você, seus medos, seus sonhos, angústias e desejos ainda existem e te acompanham, mesmo que você vá ao outro lado do mundo. Talvez para esquecer isso seja necessário viajar com amigos, pois eles sempre nos fazem relaxar e esquecer do mundo lá fora, ou talvez conhecer novos amigos, mas não tenho visto essa possibilidade por aqui.
Conheci pessoas legais, mas não vi possibilidade de amizade longa com elas, estou conhecendo lugares bastante incríveis, mas não tenho certeza do que isso me acrescenta. Não sei, me sinto tensa, faz um tempão que não dou risadas, boas risadas, como gargalhadas e sinto saudades disso, isso quem dá são os amigos.
Eu quero relaxar, dar risada e me divertir, quero companhia e alguém que saiba lidar comigo. Quero saber como começo a conquistar isso e não quero aquela pressão de estar iniciando algo novo.
Eu estou fora da minha zona de conforto de tantas formas diferentes que assusta, mas eu estou lidando com isso melhor do que jamais lidei. Eu estou enfrentando e fazendo acontecer de acordo com o que eu quero, não aprendendo a lidar com o que a vida me dá.  Eu estou me dando, essa é uma situação completamente nova para mim...eu estou tendo que ser forte e não resiliente.

17 de junho de 2013

5º Contra o Aumento da Passagem

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Hoje ocorreu em São Paulo e em outras cidades do Brasil o 5º ato contra o aumento da passagem do ônibus, organizado pelo Movimento Passe Livre, mas hoje esse movimento foi diferente. Já desde o terceiro ato que já não se trata apenas de uma manifestação contra o aumento de 20 centavos da tarifa e sim de uma insatisfação geral que pairava no ar, cujo aumento do transporte aliado à violência policial que reprimiu os primeiros atos desencadeou uma reação da população.

No começo éramos vândalos e baderneiros, hoje fomos uns 100mil em SP, 75mil no Rio, invadiram o Congresso nacional de Brasília e tiveream atos e várias outras cidades como Salvador e Porto Alegre. Em algumas cidades houve vandalismo, mas em SP eu fui e não vi nada, não teve violência, tinha MUITA gente, gritávamos diversos hinos e os principais eram: “vem, vem pra rua vem, contra o aumento”, “o povo acordou”, “olha que coincidencia: sem polícia não teve violência”, “1, 2, 3, 4, 5 mil, a copa que vá pra puta que o pariu”, “o povo unido, é gente pra caralho”, “da copa eu abro mão, eu quero é dinheiro em saúde e educação” e “não são só 20 centavos”.

E eu não me importo se você é a favor, ou se você é contra, mas eu quero que todos saibam que eu fui neste quinto ato e é muito mais que 20 centavos. É o povo parando a cidade, mostrando para as autoridades que nós somos controláveis, manipuláveis e até bobos, mas não vamos aguentar tudo de cabeça baixa. Até o brasileiro tem um limite e os 20 centavos foram o estopim de uma revolta que a muito tempo fazia nó na garganta da gente. É a minha geração mostrando que o povo ainda sabe protestar, é a geração anterior mostrando que a ditadura está muito mais presente na memória deles do que nós pensamos, é o brasileiro se mostrando como dono do destino do próprio país. Eu saí as ruas hoje não pelos 20 centavos, por eles também, mas principalmente para me sentir capaz de fazer a diferença, ou pelo menos de tentar fazer a diferença, porque compartilhar imagens no facebook e reclamar na mesa do bar já não me bastava. Eu saí as ruas e voltei rouca, dolorida e ouvindo gente no ônibus da volta dizer que éramos desocupados e que não íamos mudar nada, mas eu não me importei porque eu sei que pelo menos eu tentei e se tiver mais atos vou continuar a tentar, me chame de egoísta mas eu desejo um país melhor pra mim e pretendo lutar por isso...

Nunca fui patriota, nem ufanista, mas o sentimento que me bateu no coração na volta pra casa, quando a ficha caiu e eu estava na estação pinheiros, mais lotada que a sé em horário de fico, e todos gritavam "ooo o povo acordoooou o povo acordoooou ooo" e o eco fez aquilo soar tão maravilhoso, e eu gritava junto... Nada se compara aquele sentimento. Deu vontade de chorar e ainda dá. Deu um orgulho de ser brasileira, de fazer parte daquele povo!

Pode ser que esteste protestos não deem em nada. Que a tarifa não baixe, que a saúde, educação, transporte e etc… continue uma merda, mas eu fui, tentei e acho que amanhã, se tiver outro, vou de novo. Eu tenho que pra mim que saindo as ruas mostro aos políticos quem manda aqui, pode ser uma ilusão minha, mas aquele sentimento não foi e quem sente aquele sentimento quer mais.

16 de junho de 2013

Um espiral sentimental

 

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É engraçado que ao mesmo tempo em que estou extremamente orgulhosa da minha mãe estou também extremamente dolorída por ela.

Dolorida porque no ano passado ela reencontrou um amigo da época em que ela trabalhava no banco e desde então manteve contato com ele, mesmo ele sendo casado, com a desculpa de que ela não tinha certeza de que ele e a mulher realmente estavam juntos. Ela disse mais de uma vez que ele foi o amor da vida dela. Hoje, contra toda a minha vontade, eu fui na casa dele, conheci a família dele e ele e tive bastante certeza de que ele está casado e bem casado, a esposa dele fez questão de mencionar isso umas duas vezes. Até aí, esse desapontamento com a minha mãe estar interessada em um homem casado, tudo bem, eu entendo, consigo engolir. Mas me recuso a engolir minha mãe, na volta para casa, comparando ele ao meu pai e dando só crédito a esse cara e só criticando meu pai. Ele não era perfeito, talvez até fosse péssimo marido e pai, mas era meu pai e talvez seja glorificação pos mortem, mas hoje eu sei que, dada a história dele, ele fez o melhor que pode. Discuti com a minha mãe, cheguei a soltar algumas lágrimas e fiquei dolorida por ve-la desmerecendo meu pai, dizendo que o outro foi o amor da vida dela… isso dói.

Por outro lado me enche de orgulho dizer que ela é a favor das manifestações do Movimento Passe Livre, que estão ocorrendo e mobilizaram umas dez mil pessoas que clamavam por diversas coisas. Começou com o aumento da passagem, 0,20 centavos e o movimento foi contra, mas agora cresceu e o povo está indo as ruas pedindo melhoria nos transportes, saúde, educação, fim da corrupção, reivindicando contra a copa e todo dinheiro que foi gasto nela e poderia ter sido investido em outras coisas e também a diminuição do preço da passagem. Acho que na verdade o povo está indo as ruas porque está cansado de pagar impostos, ver os preços subirem desde o começo do ano, e não terem nada em troca. Acho que eles estavam cansados de não se juntar e brigar por alguma coisa, então agora pegaram toda a frustração guardada ao longo de anos e saíram as ruas. Acho que a juventude sai as ruas porque quer um Brasil melhor, mas também para poder acreditar que nós ainda somos capazes de nos juntar e sair as ruas brigando pelo nosso país, pelo que nós queremos para o nosso país e para nós mesmos. Mesmo que a polícia venha reprimindo esse movimento e que muita gente, que depois de ver a ação violenta da polícia passou a ser uma minoria, acho que é vandalismo de gente vagabunda. É por isso que eu vou na manifestação que terá amanhã, para mostrar que eu quero mais, mereço mais, vou brigar por mais e ninguém pode cercear esse meu direito. E minha mãe entende tudo isso, concorda, estava louca para ir junto, dizendo que não fez parte do movimento dos caras pintadas e se arrepende disso. Eu proibi ela, não sei se ela vai acatar minha proibição, mas eu preferia que ela não fosse, pois se houver repressão da polícia ela pode se machucar e ela já tem certa idade, pode ser perigoso. Mas só o fato de ela concordar, querer ir, enquanto as mães em geral são contra, enquanto a geração dela acha que é vandalismo, enquanto os irmãos dela acham um movimento ridiculo… Isso me encheu de orgulho.

Acho que mãe é isso, não tem como não amar incondicionalmente, mas o sentimento é sempre complexo demais, cheio de poréns que na hora que precisa são zerados pelo simples fato de que ela é a minha mãe.

2 de junho de 2013

Ah! A Vida

 

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Um dia entrei no Orkut do meu irmão e o texto de apresentação dele era a narração de uma manhã em que ele acorda para ir para a faculdade, mas resolve matar aula com os amigos e acaba indo a praia surfar. Eu adorei esse texto, lembro trechos dele até agora e assim que o li, não sei se por admiração ou inveja resolvi escrever o meu. Meu texto era sobre um dia em que eu acordo para ir prestar o vestibular e acabo pegando um ônibus sem rumo nenhum, sem prestar o vestibular, só fugindo daquilo tudo, da minha vida, dos meus pais, do meu futuro. No meu texto eu tive essa coragem, mas a verdade é que essa fuga me assusta, o mundo me dá medo.

É tanta coisa diferente, a língua, os hábitos, a rotina, as pessoas que serão completos desconhecidos, o fato de que mesmo a um e-mail, ou mensagem de facebook, eu ainda vou estar distante de todos, de toda a referência que eu tenho… Isso tudo me dá medo. Eu quero ir pro Peru, preciso disso, é uma forma de realizar aquele sonho de fuga que eu sempre tive, é a distância que eu preciso para saber quem eu sou sem nenhuma referência por perto. O Peru é uma forma de liberdade sem riscos, de um certo ponto de vista não tem o que dar errado, vou levar dinheiro, as roupas e se algo der errado eu gasto um pouco mais, tudo bem, tenho dinheiro guardado para isso, mas por outro lado… Tenho medo de não gostar do trabalho voluntário, de não conseguir me virar em Espanhol, de gastar demais e prejudicar meu intercâmbio para França ano que vem, de me entediar por lá, de não fazer amigos, de não conseguir me divertir direito, de me perder demais, de me machucar fisicamente, de ser roubada ou trapaceada, de odiar o hostel, de aproveitar essa liverdade sem riscos! Eu sei que todos os meus medos são de fácil resolução, entendiada? vai pra um bar dançar. não sabe espanhol? se vira no inglês ou português. gastou demais? tudo bem, a França espera mais um semestre. odiei o hostel? vai pra outro. odiei o trabalho? pede desculpas e sai. a saudade está demais? se machucou? troca a passagem e volta antes.

É por isso que eu preciso desse mês fora. Para me virar sozinha, para ver que ficar longe de casa não é tão ruim, para perder um pouco meu medo do desconhecido, para realizar um sonho antigo. E eu vou. Eu realmente vou, mas como tudo ultimamente vai ser uma coisa que eu vou fazer sabendo que estou indo de encontro direto com meus medo, assim como a faculdade, o trabalho, o carro, as baladas e tudo o mais. Na verdade eu acho que esses anos todos eu vivi dentro de uma bolha e só agora eu estou saindo dela, então tudo me é desconhecido, tudo me dá medo, mas eu tenho que continuar vivendo eu tenho que enfrentar, porque não quero só sobreviver, quero viver!

16 de maio de 2013

Mulher Maravilha

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Não sei se já falei aqui, mas a verdade é que eu tenho um puta orgulho da minha mãe. É lógico que nós vivemos entre tapas e beijos e não sei se ela tem orgulho de mim, mas eu tenho muito orgulho dela, assim como tinha do meu pai. Uma amiga da minha mãe diz que a vida dela daria um livro e eu concordo, sempre achei que a vida dos meus pais seriam grandes livros de superação, mas o foco é minha mãe, já que o dia das mães passou.
Minha mãe foi a segunda de 11 filhos, ajudou minha vó  a cuidar de todos os irmãos mais novos, ajudou na criação deles, costurou roupas para eles (uma tia minha ainda tem o vestido de formatura do colégio, que foi minha mãe que fez e sempre que surge o assunto todas lembram que minha mãe costurava vestidos lindos pros bailes), deu bronca, expulsou uma tia minha da casa dos meus avós (a mais nova, quando ela já tinha 15 anos e minha mãe descobriu que ela não ia a aula há um tempão para ficar nos barzinhos bebendo), enterrou o irmão caçula, teve só um homem a vida toda (!), criou meu irmão mais velho como se fosse filho dela quando não era, fez questão de fazer meu avô se reaproximar do primeiro filho dele (de outro casamento e que mesmo depois da morte do meu avô continuou a frequentar a casa da minha avó e hoje os netos dele chamam minha vó de vó), ela foi mais de uma vez na secretaria da fazenda do estado pedir pro secretário da fazenda pra transferir meu avô para são paulo e assim ela, com menos de 30 anos conseguiu trazer a família toda de Fernando Prestes pra São Paulo, sendo que ela foi a primeira a vir e veio sozinha ficar na casa de uma tia, enquanto trabalhava e estudava… Hoje ela tem dois filhos criados, três, os dois mais velhos formados na USP, um em física e outro em medicina, com direito a intercâmbio em Harvard, e eu que estou cursando direito no Mackenzie. Ela conseguiu, entende? Ela cresceu na vida e trouxe a família toda junto com ela, eles eram super pobres e hoje são classe média, antes eles eram d/e, hoje são C e em alguns momentos já foram B. E eu tenho muito orgulho disso, de ela ter crescido tanto e quando eu acho que já foi o tempo dela, ela dá um jeito de me surpreender. Estávamos passando por uns problemas de dinheiro, ela pediu dinheiro emprestado pra deus e o mundo e esse mês teve que economizar horrores, eu achei que ela não conseguiria gastar só o que ela poderia, mas ela conseguiu gastar menos e ainda fazer uma venda! Mesmo que a venda abra e ela não receba, o trabalho dela ela fez e fez ainda mais do que eu esperava!
Minha mãe não é simplesmente uma mãe, ela é a mulher mais batalhadora que eu conheço, ela é forte E resiliente, tão corajosa que as vezes beira a burrice, e as batalhas que ela luta não são só por ela, inclusive a maioria das vezes é por terceiros também. Para ela não tem tempo ruim, ela faz o que precisa fazer, dá um jeito no final e supera todos os desafios que precisar. Minha mãe sempre teve como heroína favorita a mulher maravilha, acho que ela nunca percebeu que ela É a mulher maravilha, é a ponte que levou todas as pessoas ao redor dela ao sucesso, ou simplesmente a uma vida melhor. Ela é a minha ponte, que me leva ao sucesso e sem ela eu certamente não seria nem metade do que sou.

11 de maio de 2013

E o que é o amor?

 

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Eu desejo tão ardentemente amar, me apaixonar, me alego viciada nesses sentimentos, mas na verdade não tenho muita certeza de que realmente o que é o amor, ou a paixão. Eu conheço o sonho, o ficar pensando na outra pessoa, idealizando seu comportamento, nosso romance, isso eu sei o que é, e acho que só isso.

Paixão, pelo que eu vejo nos livros, séries, filmes e relatos é uma grande dose de atração física e uma pequena dose de carinho, é um não conseguir resistir ao outro, é uma faísca que pega fogo na hora do encontro. Conta com pouco conhecimento a respeito do outro e é um sentimento frágil, mas eu sempre tive para mim, desde que me conheço por gente, que passada a fase da paixão vem a fase do amor. No amor temos uma grande dose de carinho quase inconstitucional e uma pequena dose de atração física. O amor é mais resistente, pois você conhece a pessoa amada, tem amizade com ela e assim não se decepciona com tanta facilidade, não se desilude fácil. A atração do amor é resistível, pois vem temperada de carinho, de querer bem e de querer o melhor para o outro. O amor é sólido, mas se for perfeito tem fases de paixão ao longo de sua duração, uma paixão mais forte e confiável. Acho que a grande diferença entre o amor e a paixão é a amizade e a confiança presentes no amor.

É verdade que eu nunca senti nada disso por ninguém, mas é assim que imagino que seja, assim que espero que seja quando eu me apaixonar e amar.

6 de maio de 2013

De tantas que sou…

 

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…no fim nem sei quem sou. Quero ser como as personagens que vivem na minha cabeça: complexa demais, problemática demais, trabalhosa e impulsiva, irresponsável, irrefreável; ou quem sabe simples, vendo tudo em preto e branco, sem dúvidas, meias palavras ou preocupações, talvez até fútil, mas sempre doce; gostaria de ser uma mulher cheia de mistérios, com um passado desconhecido e escondido, com arrependimentos a me atormentar, mas força para seguir em frente e enfrentar tudo de cabeça erguida, até minhas piores verdades…

Mas ao invés disso só sei quem fui: já fui a Princesa de Sal, doce, apaixonada, sempre de birra com os pais, sempre a sombra do irmão, uma criança com a inocência a flor da pele; depois fui a Cinderela Complexa(da), que achava que a resposta de seus problemas era um príncipe em um cavalo negro, que já tinha tido algumas decepções, que não sabia lidar consigo mesma, não se aceitava completamente e acreditava em tudo o que lhe diziam sobre si mesma; e por último fui Neëh!, tentei deixar de ser, mas minha criatividade emperrou, não soube de outro nome para me chamar, me definir, por fim resolvi encarar a realidade de que ainda sou Neëh!; ainda sou essa jovem mulher em formação, que quer um romance sólido, que já sofreu perdas e decepções, que acredita mais em si mesma do que nos outros e aprende a se defender sozinha, enfrentar a vida de cabeça erguida e correr atrás de seus sonhos sem tantos medos.

Achei que já tinha deixado de ser Neëh! porque senti que estava mudando, estou mudando, sinto que vem algo grande por aí e achei que me mudar aqui seria o primeiro passo para enfrentar essa mudança, mas agora penso que a Neëh! como um todo é cheia de mudanças, ela entrou na minha vida em uma fase de transição, na fase do cursinho, da morte do meu pai, de Franca… foi uma fase em que eu estava me construindo e acho que ainda estou, por isso não consegui mudar de identidade, ainda sou essa transição, ainda sou Neëh!

3 de maio de 2013

Eu…assim, simplesmente.

 

entardecer1 Eu sempre tive para mim que escrever me ajuda a me entender, porque quando eu penso eu só fujo dos meus problemas, como se minha cabeça fosse um universo paralelo cheio de histórias a serem desvendadas e criadas, que só fazem com que eu fuja da realidade e não enfrente meus problemas. Aqui não, aqui eu foco em um problema e falo dele, de diversos aspectos dele, de modo que no fim eu o entendo por completo. Entendendo meus problemas e me auto analisando achei que encontraria eu mesma, que conseguiria saber quem eu sou e me definir.

O problema é que eu simplesmente existo, sem definição, sem explicação, todos somos assim. O ser humano não é uma coisa plana, descritível com poucas palavras, ele tem diversos aspectos a serem analisados. Não estou dizendo que eu sou uma pessoa diferente em cada ambiente em que circulo, essas pessoas são falsas, ocas. Digo que fisicamente tenho uma descrição, mas ela não me define, o fato de eu ter cabelos cacheados, castanhos com reflexos loiros, na altura do ombro não diz nada sobre mim. Assim como minha pele branca, meus olhos castanhos, meu queixo quadrado, minhas bochechas vermelhas, minha boca pequena, meus pés grandes, meus seios fartos, minha barriga sem forma, minha bunda pequena….nada disso me define. E a descrição da minha personalidade? Descrever a personalidade de alguém é sempre difícil, todos temos coisas boas, ruins, duvidosas, todos temos histórias que nos justificam, justificam nossos pensamentos, atos, escolhas profissionais, emotivas….

Então no fundo esse blog é uma grande frustração, é a minha frustração de não saber quem sou, de estar perdida e sem saber do meu futuro, planejando passos próximos e deixando o caminho aberto para todas as oportunidades. Isso me parece falta de objetivo, me parece que estou aqui em vão. Não sei se o que quero é ter uma vida simples, estável, como advogada, casada e criando filhos; ou se quero seguir uma carreira mais arriscada como constitucional ou internacional e trabalhar em orgãos públicos ou não governamentais; talvez eu devesse largar tudo e me afundar na literatura, ou fotografia… quem sabe eu tenha nascido para algo totalmente diferente disso tudo? Eu gosto da minha faculdade, assim como de escrever e fotografar, coisas que pretendo investir quando tiver tempo e dinheiro, mas não sei em que focar… ^

Talvez meu problema seja paciência. Paciência para poder aprender mais e escolher, para ter dinheiro e tempo para investir nos meus hobbies, para deixar a vida escolher por mim se meu futuro vai ser mais estável e familiar, ou mais solitário e grandioso, ou talvez misture tudo. Paciência, a grande deficiência do meu signo e da minha alma!

27 de abril de 2013

Metrô – boulot - dodo

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Essa é uma expressão usada na França para caracterizar a vida burguesa, daquelas pessoas que acordam, pegam o metrô pro trabalho, trabalham o dia todo, voltam para casa e dormem. O que na verdade não é exatamente viver, mas sobreviver, vegetar.

Eu nunca quis uma vida assim, uma vida de funcionário público, cômoda, que não causa grande impacto na vida de ninguém, que vive sem grandes emoções. Eu gosto do conforto, da rotina, tenho medo de correr atrás dos meus sonhos, mas agora, vivendo um pouco assim, sei que não quero viver sempre assim. Eu não quero fazer parte da classe de pessoas que tem tempo para ser frustrada. Eu amo meu trabalho, de verdade, me divirto nele, gosto do ambiente, das pessoas que me rodeiam, do meu chefe e dos colegas estagiários, mas vejo coisas neles que não quero para mim. Eu pretendia ficar os dois anos do meu contrato, mas já aprendi tudo que tinha que aprender, sei que uma hora vou ter que arranjar coragem, perder meu estilo de vida, e aprender o trabalho de fórum, de escritório. Depois, acho que se eu ficar os dois anos eu vou acabar me irritando com pequenas coisas do comportamento das pessoas ali, como uma pessoa sendo folgada, outra sempre se elogiando e auto afirmando, ou ainda aquela que precisa ser o centro da atenção dos estagiários e que quando não é fica arisca.

No exato momento não posso sair devido ao intercâmbio no meio do ano, perderia as férias, então vou começar a procurar emprego em escritório logo depois de voltar do Peru. Sei que com isso eu teria que parar o francês, a natação, adiar a viagem que eu faria no ano que vem e perder essa minha qualidade de vida de ter tempo livre em alguns dias, de ter tempo para estudar. Mas isso é necessário e dizem que o terceiro ano é o pior, então seria melhor se eu começassse no segundo, para ir me acostumando e se eu cansar e não der certo eu saio e volto para um orgão público. Por outro lado vai ser bom pois terei mais dinheiro e com isso poderei juntar para fazer uma viagem melhor, acho que no fim vai valer a pena por isso e pelo aprendizado. Quem sabe não vai ser nesse novo emprego, em setembro, que vou conhecer o cara de quem a cartomante falou?

E é engraçado, eu querer mais e ver meu chefe, com quem me dou muito bem, que acho tão inteligente e que poderia conquistar tantas coisas mais legais, que é um pouco socialista até! se acomodar com o salário de técnico, com a vida metro-boulot-dodo. Acho que ele preferiu escolher a qualidade de vida, o emprego que paga bem, garante estabilidade e tempo para estudar outras coisas, escrever, viajar. Eu gostaria de almejar isso, mas me parece pequeno, ainda que eu seja uma covarde que não corre atrás dos próprios sonhos, não acho que conseguiria ser feliz nessa vida. Não sei como será meu futuro, não sei o que desejo para ele, mas sei o que não quero: metro-boulot-dodo

12 de abril de 2013

Amigas de infância

 

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Uma vez ouvi em um comercial que a melhor coisa em encontrar amigos de infância era voltar a ser criança, mas não se se concordo com isso. Com as minhas amigas de infância existe uma relação tão completa, tão complexa, tão íntima que não acho que eu volte a ser criança com elas, acho que com elas eu sou eu mesma, completamente eu mesma. Com as minhas amigas eu fico sem medo de ser boba, sem medo de me mostrar insegura, sem medo de ser julgada, sem medo de que aquilo vá acabar, porque já passamos por tantas coisas juntas que acho que para acabar com a nossa amizade só se for a terceira guerra mundial. Com as meninas eu posso me viciar em amores platônicos e dizer coisas repetitivas e sem importância nenhuma que elas vão valorizar, perguntar detalhes, tentar entender… Elas não me censuram nunca e quando o fazem é porque tem razão em fazê-lo. Por elas vou a Pirituba de ônibus as seis da tarde, faço whatssup e skype, começo a ir ao teatro, deixo de usar salto alto, vou a praia no inverno e pago mico em redes sociais sem peso nenhum na consciência. E sinto falta de encontrá-las, todas juntas para uma festinha do pijama, ficar acordada até tarde falando besteira e dormir no meio da conversa dizendo que só estou descansando os olhos… mal vejo a hora da Paula voltar para poder chamar todas para passarmos um fim de semana, ou uma noite só que seja, juntas, só nos 4, para fofocarmos coisas sem importância, trocarmos presentes e vermos as fotos.

Mas acho que não só com elas, se eu tivesse mantido amizade com meus outros amigos de infância acho que seria igual, mas a adolescencia não foi minha melhor fase e eu fiz besteiras nela, como perder contato com meus amigos de infância. Essa noite sonhei com os meninos, o diego, o felipe e, principalmente, o murillo, talvez seja porque tenho o último no facebook, então, de certo modo, é o único com quem mantive contato. E o sonho deixou uma impressão forte em mim, de saudade do Murillo, da minha relação com os meninos e no sonho eu dava um abraço tão apertado no Murillo que me deixou com saudades deles. Queria que eles ainda fizessem parte da minha vida. Queria ter mais contato com o Murillo e saber em quem ele se tornou, ele foi uma das pessoas mais legais que eu conheci e não tenho idéia de como está a vida dele agora, mas ainda assim eu olho o facebook dele e sei que se eu precisar, se realmente precisar posso confiar nele, ele me ajudaria se eu pedisse. É uma confiança irracional, mas está aqui no meu peito e eu queria saber se é real, se mesmo tendo ficado tanto tempo distante ainda teríamos aquela relação, se nosso timing errado agora estaria certo, se não é dele que a cigana falou… Talvez ele mereça um esforcinho da minha parte, ele é o Murillo meu maior amigo de infância, o mais antigo…

Então é, talvez voltemos a ser crianças com nosos amigos de infância, mas acredito que isso acontece porque com eles podemos baixar a guarda, confiar e esquecer dos nossos problemas sem medo de nos decepcionar.

8 de abril de 2013

Morte

 

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Não sei porque, mas ultimamente tenho lembrado muito do meu pai e sentido muita saudade dele. Talvez seja porque briquei com meu irmão semana passada e minha mãe ficou do lado dele. Talvez seja porque morreu a mãe de uma amiga da minha tia e eu fui na missa de sétimo dia, que foi rezada para meu pai. talvez seja porque minha prima, cujo pai morreu quando ela era pequena, vai se casar em duas semanas e isso me lembra que assim como ela, eu não terei meu pai na cerimônia do meu casamento. Talvez seja só saudade de conversar com ele, de escutar ele falando interminavelmente pelas manhãs de fim de semana, de acordar sentindo o cheiro de panqueca, de comer o frango xadrez dele, de ter ele ao meu lado quando eu estou doente… saudade.

E essa saudade toda me faz pensar em algumas coisas que eu gostaria de ter em vida, sabe? Por exemplo, antes de morrer eu gostaria de passear de balão, de ficar em volta de uma fogueira na praia cantando com meus amigos, de andar a beira do mar com meu marido, de continuar para sempre sendo parte do quarteto, amiga da aline, da nádia, do thiago, do meu irmão, da zuleika, da neide e do paulinho. Gostaria de dizer para alguém de quem eu estivesse afim: prazer, mulher da sua vida. De ficar com um estranho, ou não, em uma balada. De beber vinho, ir a Paris, fazer uma guerra de comida, fazer aulas de teatro, cantar sem vergonha em um karaoke ou ao som alto de uma música quando sozinha, ou apenas com os amigos. Entrar em uma briga, mas uma briga de homem, de verdade. Ver o sol nascer, acordar só pra isso, e ver a neve, gritar a plenos pulmões em um lugar absolutamente deserto e alto, e sonhar sempre, escrever um livro, mesmo que ele seja ridículamente ruim e fazer uma poesia de uma amor correspondido à alguém…

São coisas bobas e perfeitamente realizáveis, mas coisas que nem todo mundo tem a chance de fazer. Eu quero fazer, vou fazer uma lista e realizar essas coisas bobas para quando minha hora chegar eu não me arrepender de ter deixado de fazer as coisas que eu queria. Talvez eu carregue esta lista sempre comigo e vá fazendo aos poucos, talvez tire um ano para fazer tudo, ou a maioria, o importante é fazer.

9 de março de 2013

Senta que lá vem a história…

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  Minha amiga me chamou para ir à uma feira mística com ela, não tinha idéia do que podia ser, mas aceitei, afinal não tinha nada melhor para fazer e eu estava com minha melhor amiga, nada é tão ruim quando você está com uma melhor amiga. A feira era uma feira, em local fechado, com stands de roupas, bijouterias, bolsas, palco para dança e umas barraquinhas com pessoas que liam a mão, ou as cartas, ou as runas ou outras coisas. Eu adoro essas coisas de saber o futuro, então resolvi ir lá e pagar 40,00 para saber um pouco do meu, afinal, mesmo minha mãe já tendo sido enganada por vários eu ainda seria enganada, mas gastaria menos do que ela.

  A mãe de santo cigana pegou minha mãe e já me perguntou da minha situação familiar, afirmou que ela era tumultuada e me perguntou se eu estava rompida com alguém, eu disse que sim, meu irmão, e ela disse que era uma coisa karmica, que mais para frente nós teríamos que resolver isso, mas que agora ainda não era hora. Depois ela me perguntou se eu queria exercer advocacia, eu disse que sim, que fazia direito, e ela disse que eu seria boa juiza, mas para isso teria que deixar de julgar tanto as pessoas. Que um dos regentes da minha cabeça era um orixá, e qual era não me lembro bem, mas acho que era xangô, e que minha curiosidade por esse assunto vem da infância, da minha insegurança e facilidade em me desprender do mundo material e me perder no mundo espiritual, que é ele que me dá confiança. Aí ela olhou minha mão de novo e disse que meu coração estava bem solto, eu confirmei e ela completou me dizendo que eu tinha várias possibilidades mas estava rejeitando-as todas, dei risada enquanto confirmei mentalmente o que ela dizia e ela disse que isso ia mudar. Em setembro vai chegar alguém na minha vida, que se eu quiser vai vir para ficar, e que vai ser uma reuinão de coisas que já vem lá de trás. que vai ser forte. E aí ela começou a tirar as cartas, pedindo para que eu mentalizasse as questões. Perguntei se minha mãe ia encontrar alguém, ela disse que sim, se minha mãe parar de comparar o mundo ao meu pai ela vai. Disse também que meu irmão está passando por uma fase, mas que ele é um cara de sorte e se souber aproveitar essa sorte vai se dar bem, ele também precisa amadurecer um pouco. Disse que parece que eu já estou encaminhada para a área de direitos humanos e que vou me dar bem nessa área pois é uma área muito familiar e terminou falando que as coisas, na área financeira, iam melhorar, mas que para isso as atitudes em casa tem que ser mudadas. 

Não sei se é verdade, mas achei incrível que ela me dissesse tantas coisas específicas sem saber nada de mim, como sobre meu coração ou sobre a sorte do meu irmão, ou sobre eu fazer advocacia e se eu estava rompida com alguém da minha família. Talvez ela seja uma mentirosa muito boa no que faz, mas saí dali com a forte impressão de que ela era verdadeira, espero que ela esteja certa, pois ela previu coisas boas em geral. E no fim a feira foi a melhor parte do dia ^^