23 de janeiro de 2013

E que venha 2013

 

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Já faz algum tempo que eu procuro descobrir minhas metas para 2013, planos gerais já tenho, vou viajar no carnaval, em julho e tentar viajar no ano novo, de verdade dessa vez, mas metas... Não sei. Pretendo ler um livro por mês, ver uma peça de teatro e/ou filme cult por mês, continuar a natação, o francês e não pegar dps na faculdade, cultivar minhas amizades, sair um pouco mais, talvez pegar o carro sozinha e tentar um intercâmbio, só por tentar mesmo.mas minhas metas...

Sei lá. Quero me divertir mais, sair mais, amar mais, dar mais gargalhadas de doer a barriga e tambem ter crises convulsivas de choro, quero viajar mais, ver mais coisas belas, fazer alguma coisa para mudar as coisas feias, ser mais receptiva e ajudar quem estiver ao meu alcance. Quero dar mais presentes, receber mais presentes, ter surpresas boas e sonhar mais e que aquilo com o que eu não sonhe se realize, e quero cantar alto uma música sem me importar se estou desafinada e dar risada de mim mesma no final, quero dançar e espantar todos meus males e gritar, gritar bem alto de algum lugar qualquer meio isolado, gritar até cansar. Eu acho que a palavra de ordem de 2013 é querer. Em 2013 eu quero ser mais.

Eu sempre quero ser mais, todo começo de ano, mil planos, metas e vontades e no fim apenas algumas delas são cumpridas, mas aí que está a coisa, eu tinha tudo isso para 2012 e acabei me surpreendendo, tendo realizados planos que não eram meus, mas que foram bons, fiz coisas que não pretendia, mas que me fizeram bem, tive decepções com as quais não contava mas sobrevivi e hoje estou feliz. É isso que eu quero de 2013, ser surpreendida positivamente e me divertir, pensar menos e aceitar mais as oportunidades que me aparecem, esse ano aprendi que essas oportunidades podem ser bastante boas e agradáveis. E quero também um amor, como sempre, até que eu ache um que me agrade, um de verdade, que exista e se concretize.

13 é um número de azar para muita gente, bom, que para mim seja um número de sorte… a year of fun, joy and love.

17 de janeiro de 2013

O sentimento do livro

 

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Acho que um bom livro, um bom autor, é aquele que passa o sentimento através da escrita. Quando nós, leitores, conseguimos nos sentir exata,exatamente como a personagem do livro é que nós podemos dizer que o livro é bom, que o autor é bom. E tem autores tão bons que passam para a agente o sentimento predominante no livro e esse sentimento fica conosco mesmo quando não estamos lendo ou ainda depois que já terminamos o livro. Federico Moccia é um autor que me passa isso, Khaled Hosseini também, o primeiro sempre me passa o sentimento de leveza, o ar poético de Roma e eu fico querendo andar a pé pela cidade, ou de vespa, ouvindo música em italiano e cantando alto, dando risada com meus amigos, fico com vontade de pular, de fazer uma surpresa e ser surpreendida pela vida e isso vem do livro, até porque eu geralmente odeio surpresas. o Khaled Hosseni me passa aquele sentimento pesado, tristeza, decepção, frustração, eu fico com vontade de ficar sozinha, fico irritadiça e triste, vejo tudo cinza. Eles são autores bons, seus livros podem não ser viciantes a ponto de você ficar lendo dia e noite, até por serem pesados, mas eles entram na sua alma e essa é a coisa mais poderosa que alguém pode conseguir, fazer com que suas palavras, suas idéias, entrem na alma dos outros. Eu adoro ler e não vivo sem escrever, mas tenho medo de nunca alcançar esses grandes mestres, de não ser tão boa quanto as vezes acho que sou, tão profunda quanto gostaria de ser ou mesmo tão viciante. Mas esse ano resolvi tentar, posso nunca publicar e pode até ser que fique uma droga, mas pelo menos vou estar escrevendo um romance. Sei que tenho que tomar cuidado para não complicar demais a história, para que ela não fique carregada demais ou tenha muitos tons diferentes, preciso de algo uniforme e estou tendo dificuldades porque ainda não sei o tom da minha mocinha, não tenho certeza do que ela quer, mas estou escrevendo e tentando descobrir porque percebi que se ficar com ela só na cabeça ou no planejamento vou descobrir o que ela quer e me cansar e nunca escrever sua história.

Então o bom autor, o bom livro, passa um sentimento predominante ao leitor, preciso descobrir qual é o meu e fazer meu melhor para passar ele para meus leitores, porque eu sei que rica nunca serei como autora, mas quero mesmo é ser realizada.

11 de janeiro de 2013

Olhando pra trás…

 

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… Eu percebo que esse blog é uma das coisas mais importantes da minha vida e ele começou, se não me engano, depois de uma briga com meus pais, quando eu tinha 15 anos. Acho que a briga era por causa do horário que eu cheguei em casa… Hoje eu leio muitas coisas e dou risada de mim mesma, da minha revolta, de outras coisas sinto saudade, de algumas paixões, de alguns momentos, até de algumas reclamações, porque como não poderia deixar de ser, hoje sinto que a vida naquela época era mais fácil. E realmente, deve ser muito mais fácil ser adolescente do que adulta. Meu deus. Hoje sou uma adulta, prestes a fazer 22 anos! Esse blog me ajudou a extravasar, a desabafar aqui quando ninguém mais me entendia, hoje me ajuda a ver como eu cresci, como eu mudei de opinião, como achava que nunca ia mudar, como eu consegui superar várias situações que me julgava incapaz de superar, como o mundo ao meu redor mudou, como minhas prioridades são outras… Eu cresci. Antes eu me preocupava com brigar com meus pais, com meninos e primeiros beijos, com recuperação e passar de ano. Hoje me preocupo em dar conta do estágio, da faculdade e do fracês sem pegar dp, não por causa da bronca como antes, mas pelo dinheiro e pelo medo do futuro como profissional, me preocupo com o bem estar da minha mãe ao invés de suas broncas, me preocupo com homens e primeiras vezes, com ter alguém para sempre. Acho que hoje me preocupo muito mais com o futuro do que com o presente, mas aprendi a aproveitar o presente também, a não surtar tanto, a fazer menos tempestades e engolir mais sapos. Mas acho que tem uma coisa que continua igual, aliás, algumas coisas: continuo gostando e precisando da escrita, continuo sendo essa sonhadora, que não importa o quão ruim seja o hoje amanhã já consegue bolar um novo plano, um novo sonho… Talvez nem tenha mudado tanto assim, mas acho que no fundo nem poderia, eu sou quem eu sou, minha essencia não vai mudar nunca, o que vai mudar é o mundo, minhas idéias vão se transformar conforme eu aprendo a viver, conforme as circunstâncias, mas minha essencia vai ser sempre a mesma.

Olhando para trás eu percebo que ainda tenho um longo caminho a percorrer e que quero que este blog continue me acompanhando, a cada passo, a cada novo drama, cada nova alegria e principalmente a cada novo sonho.

Lawyer to be

 

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Acho que não foi aqui que escrevi o encontro estranho que tive com um desconhecido poucos dias antes do meu pai morrer. Foi estranho porque eu passeava com a minha cachorra, como em qualquer outro dia, no fim da tarde, não tinha mais sol, mas estava quente e no meio da segunda quadra do passeio passei por um senhor. Pelo que eu me lembro ele usava uma camiseta branca e um shorts bege, mas não tenho certeza, posso estar enganada. De qualquer modo passei por ele com minha cachorra e ele puxou assunto, perguntou se era fêmea, que raça era e nós começamos a bater papo, a Tuka até que se comportou, ficou parada, ou obedecia quando eu mandava. Nós falamos sobre cachorros e outros animais, ele disse que tinha ido visitar alguém ali perto e agora ia encontrar com o filho dele, que vinha buscá-lo. Eu achei ele simpático e comentei, por alguma razão que me foge a memória, que não estava passeando muito com minha cachorra porque meu pai estava doente no hospital e todo fim de tarde, que era o horário do passeio dela, eu ia visitá-lo. Ele pareceu tocado e perguntou o que meu pai tinha, eu respondi que era câncer, com naturalidade, sem tristeza na voz nem nada. Foi quando ele começou a chorar, pediu desculpas e se afastou imediatamente. Nunca mais o vi, mesmo que ele tenha dito que sempre passava por ali. Isso ficou gravado na minha memória, o modo como ele saiu chorando em desespero, quase como se tivesse acabado de perder alguém para a mesma doença. Imaginei que a esposa dele devia ter morrido de câncer recentemente, mas parte de mim também entender aquilo como um sinal. Um sinal de que meu pai iria morrer de câncer, de que aquele choro do desconhecido era por mim, pela perda que eu iria sofrer e sofri logo em seguida. Acho que nunca mais vou esquecer esse desconhecido.

E hoje lembrei dele porque hoje tive mais um estranho encontro com um desconhecido, ou desconhecido, um mexicano. Desde o começo dessa semana estava com vontade de tomar um capuccino, ou uma bebida do tipo e hoje, saindo do trabalho, resolvi ir até o Viena do conjunto nacional, lá pedi um bolo de chocolate e um cappucino, mal tinha recebido meu bolo e ele parou do meu lado. Ele pediu uma coca zero e um salgado, depois me perguntou como se dizia canudo em português, apontando o canudo ao invés de falar. Respondi educada e maravilhada por falar com um estrangeiro. Depois ele perguntou se o bolo estava bom, puxando assunto e eu, timida, respondi que sim. Ele então me disse que era do méxico e estava no Brasil visitando a lazer, que ele ia conhecer, ou já tinha conhecido, o Rio, Foz do Iguaçu e São Paulo. Era seu primeiro dia aqui, ele tinha alugado um apartamento e pegado o metrô para ir até a livraria Cultura, que ele adorou por ser bem grande. Eu disse que trabalhava ali no Tribunal e ele disse que trabalhou muitos anos no tribunal, no México, eu expliquei que fazia direito e era estagiária e ele se surpreendeu com a coincidência: ele também era advogado. Acho que ele devia ter por volta de uns 40 ou 50 anos e ele me contou que trabalhou em genebra também, na OMC, mas que tinha se cansado, assim como se cansou do tribunal. Quando perguntou o que eu pretendia seguir e eu disse que não tinha certeza, ele sugeriu fiscal e eu disse que dava dinheiro, por isso era uma opção, então ele me disse algo muito legal: não escolha pelo dinheiro, escolha pelo gosto, siga seu coração que o dinheiro seguirá você. Ele disse que foi algo que ele aprendeu ao longo de sua vida e disse muitas outras coisas legais, disse que no méxico já não se vê muitos mexicanos, que os EUA tomaram o país, assim como outros estrangeiros, que virou uma colônia anglo-saxônica, que havia gostado do Brasil e que aprender várias linguas era legal porque era como conhecer vários campos, você passava a ver o mesmo fenômeno de diferentes maneiras e no fim ele pegou um guardanapo e disse que eu deveria escrever meu nome nele e em baixo escrever “lawyer to be”, para dar sorte. Então hoje, chegando em casa eu fiz isso e guardei na minha pasta de recordações, espero que dê sorte.

Gosto desses encontros estranhos com desconhecidos, sinto que cada um deles deixa uma marca pequena e agradável em mim, que me acrescentam em algo, mesmo sem saberem, mesmo sem que eu saiba seus nomes. Depois, se minha interpretação do meu encontro com o senhor estava certo, talvez este também esteja, talvez eu realmente siga meu coração e o dinheiro me siga… Talvez seja meio bobo esse modo de ver, mas em “O Auto da Compadecida” o João Grilo, o Chicó e a Rosinha, depois que João ganha uma nova chance, andam pelo sertão, pobres e com apenas um pedaço de bolo para os três comerem, então eles encontram outro pobre, sem comida, que lhes pede misericórdia, algo para comer, João nega, diz que eles já tem muito pouco para dividir, mas Rosinha diz que eles devem dar e os outros dois acatam, então depois que o mendigo vai embora ela diz que sempre devemos dividir, por mais que tenhamos pouco, pois as vezes quem pede é Jesus disfarçado, testando a bondade dos homens. Naquele caso ela tinha razão, realmente era Jesus, testando João Grilo, e mesmo que eu não acredite direito em deus acho que esses estranhos podem ser enviados, que cruzam minha vida para dar recados importantes, me preparar para situações difíceis, talvez não sejam enviados de deus, mas do destino, do universo…do que quer que eu acredite. Então eu escuto e guardo na minha memória, bem neste caso guardei também o guardanapo com o que ele mandou eu escrever… só para dar uma força pro destino, pra dar sorte.