9 de março de 2013

Senta que lá vem a história…

mar%20e%20lua

  Minha amiga me chamou para ir à uma feira mística com ela, não tinha idéia do que podia ser, mas aceitei, afinal não tinha nada melhor para fazer e eu estava com minha melhor amiga, nada é tão ruim quando você está com uma melhor amiga. A feira era uma feira, em local fechado, com stands de roupas, bijouterias, bolsas, palco para dança e umas barraquinhas com pessoas que liam a mão, ou as cartas, ou as runas ou outras coisas. Eu adoro essas coisas de saber o futuro, então resolvi ir lá e pagar 40,00 para saber um pouco do meu, afinal, mesmo minha mãe já tendo sido enganada por vários eu ainda seria enganada, mas gastaria menos do que ela.

  A mãe de santo cigana pegou minha mãe e já me perguntou da minha situação familiar, afirmou que ela era tumultuada e me perguntou se eu estava rompida com alguém, eu disse que sim, meu irmão, e ela disse que era uma coisa karmica, que mais para frente nós teríamos que resolver isso, mas que agora ainda não era hora. Depois ela me perguntou se eu queria exercer advocacia, eu disse que sim, que fazia direito, e ela disse que eu seria boa juiza, mas para isso teria que deixar de julgar tanto as pessoas. Que um dos regentes da minha cabeça era um orixá, e qual era não me lembro bem, mas acho que era xangô, e que minha curiosidade por esse assunto vem da infância, da minha insegurança e facilidade em me desprender do mundo material e me perder no mundo espiritual, que é ele que me dá confiança. Aí ela olhou minha mão de novo e disse que meu coração estava bem solto, eu confirmei e ela completou me dizendo que eu tinha várias possibilidades mas estava rejeitando-as todas, dei risada enquanto confirmei mentalmente o que ela dizia e ela disse que isso ia mudar. Em setembro vai chegar alguém na minha vida, que se eu quiser vai vir para ficar, e que vai ser uma reuinão de coisas que já vem lá de trás. que vai ser forte. E aí ela começou a tirar as cartas, pedindo para que eu mentalizasse as questões. Perguntei se minha mãe ia encontrar alguém, ela disse que sim, se minha mãe parar de comparar o mundo ao meu pai ela vai. Disse também que meu irmão está passando por uma fase, mas que ele é um cara de sorte e se souber aproveitar essa sorte vai se dar bem, ele também precisa amadurecer um pouco. Disse que parece que eu já estou encaminhada para a área de direitos humanos e que vou me dar bem nessa área pois é uma área muito familiar e terminou falando que as coisas, na área financeira, iam melhorar, mas que para isso as atitudes em casa tem que ser mudadas. 

Não sei se é verdade, mas achei incrível que ela me dissesse tantas coisas específicas sem saber nada de mim, como sobre meu coração ou sobre a sorte do meu irmão, ou sobre eu fazer advocacia e se eu estava rompida com alguém da minha família. Talvez ela seja uma mentirosa muito boa no que faz, mas saí dali com a forte impressão de que ela era verdadeira, espero que ela esteja certa, pois ela previu coisas boas em geral. E no fim a feira foi a melhor parte do dia ^^

6 de março de 2013

Diferente

 

1237190 

Não sei, as vezes acho que minha mãe não tem orgulho de mim, que ela gostaria que eu fosse um pouco mais como meu irmão, ou minhas primas. Eu vejo minhas qualidades em relação a eles, entendo perfeitamente o porque de eu nunca poder ser como eles, mas acho que ela não vê, ela não entende.

  Ela não entende que independente da minha antisocialidade, que eu sempre tive, não é isso que me faz não ter namorados ou sair todo fim de semana, é simplesmente o fato de que eu não bebo. A maioria dos garotos da minha geração bebe e quando eu saio e eles vem falar comigo eu quero dar um soco na cara de cada um que está fedendo a álcool. E os que não bebem não vão em baladas e bares, são raras as exceções. Outra coisa é que eu sofro de falta de dinheiro, uma noite na balada, no barzinho ou qualquer coisa do tipo sai por 100,00, poois além da comida, bebida e/ou entrada ainda tem o táxi e/ou estacionamento. Eu não tenho como gastar 100,00 numa noite. Por último há a minha personalidade antisocial, que sempre esteve aqui, sempre se fez presente e notada e faz com que eu não goste de ficar em lugares muito cheios, muito escuros e onde eu não conheça muita gente. Por isso prefiro dez mil vezes um barzinho com os amigos do que uma balada.

  Pior que ela vem tocar nesse assunto bem quando eu ando tão bem comigo mesma, não 100%, nunca 100% afinal sou uma garota, mas uns 99% e aí começo a me perguntar se não tem nada de errado comigo! Será que vou ficar assim para sempre? Porque eu rio, brinco, faço piada e centenas de autoanalises, mas no fundo essa dúvida persiste: será que vou ser uma solteirona como minhas tias? Como a joci? Eu não queria isso para mim e me acho muito legal, mais legal que a joci, então eu não mereceria isso certo? Será que meus padrões são muito altos? Eu sonho demais, eu sei, mas estou tentando baixar um pouco esses padrões, o problema é que cada vez que baixo um pouco me sinto meio mal, como se no meu âmago eu achasse que mereço melhor. Talvez seja mais certo dizer que estou mais realista, parando de fantasiar o homem perfeito, mas isso leva um tempinho, estou trabalhando nisso, mas exige tempo. E por último sempre tem o medo, medo de deixar alguém ver todas as minhas fraquezas tão bem escondidas, de ficar vulnerável, dependente, de sofrer, de pagar mico…. Medo. Estou trabalhando nisso também, mas leva muito mais tempo então começo a fantasiar que quando o cara certo chegar eu não vou me sentir rebaixada, nem vou ter medo, só vou me deixar levar. Será que é assim mesmo? Eu só gostaria que meu eu do futuro aparecesse para mim agora e me dissesse que vai ficar tudo bem, que esses sentimentos são parte da vida, mas que eu sim, vou encontrar o cara certo, talvez mais de um e vou ser feliz, talvez até sofra no caminho, mas a felicidade está lá no fim do túnel sim.

Engraçado, eu que já caí tanto na minha infância, me decepcionei tanto na minha adolescência e me frustrei tanto na minha juventude tenho medo de me machucar. A essa altura já devia ter aprendido que o machucado, não importa o tamanho, nem a profundidade, dói, mas sara e depois de um tempo você só vê a cicatriz e lembra do tombo, mas nem lembra mais o quanto doeu.