6 de março de 2013

Diferente

 

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Não sei, as vezes acho que minha mãe não tem orgulho de mim, que ela gostaria que eu fosse um pouco mais como meu irmão, ou minhas primas. Eu vejo minhas qualidades em relação a eles, entendo perfeitamente o porque de eu nunca poder ser como eles, mas acho que ela não vê, ela não entende.

  Ela não entende que independente da minha antisocialidade, que eu sempre tive, não é isso que me faz não ter namorados ou sair todo fim de semana, é simplesmente o fato de que eu não bebo. A maioria dos garotos da minha geração bebe e quando eu saio e eles vem falar comigo eu quero dar um soco na cara de cada um que está fedendo a álcool. E os que não bebem não vão em baladas e bares, são raras as exceções. Outra coisa é que eu sofro de falta de dinheiro, uma noite na balada, no barzinho ou qualquer coisa do tipo sai por 100,00, poois além da comida, bebida e/ou entrada ainda tem o táxi e/ou estacionamento. Eu não tenho como gastar 100,00 numa noite. Por último há a minha personalidade antisocial, que sempre esteve aqui, sempre se fez presente e notada e faz com que eu não goste de ficar em lugares muito cheios, muito escuros e onde eu não conheça muita gente. Por isso prefiro dez mil vezes um barzinho com os amigos do que uma balada.

  Pior que ela vem tocar nesse assunto bem quando eu ando tão bem comigo mesma, não 100%, nunca 100% afinal sou uma garota, mas uns 99% e aí começo a me perguntar se não tem nada de errado comigo! Será que vou ficar assim para sempre? Porque eu rio, brinco, faço piada e centenas de autoanalises, mas no fundo essa dúvida persiste: será que vou ser uma solteirona como minhas tias? Como a joci? Eu não queria isso para mim e me acho muito legal, mais legal que a joci, então eu não mereceria isso certo? Será que meus padrões são muito altos? Eu sonho demais, eu sei, mas estou tentando baixar um pouco esses padrões, o problema é que cada vez que baixo um pouco me sinto meio mal, como se no meu âmago eu achasse que mereço melhor. Talvez seja mais certo dizer que estou mais realista, parando de fantasiar o homem perfeito, mas isso leva um tempinho, estou trabalhando nisso, mas exige tempo. E por último sempre tem o medo, medo de deixar alguém ver todas as minhas fraquezas tão bem escondidas, de ficar vulnerável, dependente, de sofrer, de pagar mico…. Medo. Estou trabalhando nisso também, mas leva muito mais tempo então começo a fantasiar que quando o cara certo chegar eu não vou me sentir rebaixada, nem vou ter medo, só vou me deixar levar. Será que é assim mesmo? Eu só gostaria que meu eu do futuro aparecesse para mim agora e me dissesse que vai ficar tudo bem, que esses sentimentos são parte da vida, mas que eu sim, vou encontrar o cara certo, talvez mais de um e vou ser feliz, talvez até sofra no caminho, mas a felicidade está lá no fim do túnel sim.

Engraçado, eu que já caí tanto na minha infância, me decepcionei tanto na minha adolescência e me frustrei tanto na minha juventude tenho medo de me machucar. A essa altura já devia ter aprendido que o machucado, não importa o tamanho, nem a profundidade, dói, mas sara e depois de um tempo você só vê a cicatriz e lembra do tombo, mas nem lembra mais o quanto doeu.

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