27 de abril de 2013

Metrô – boulot - dodo

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Essa é uma expressão usada na França para caracterizar a vida burguesa, daquelas pessoas que acordam, pegam o metrô pro trabalho, trabalham o dia todo, voltam para casa e dormem. O que na verdade não é exatamente viver, mas sobreviver, vegetar.

Eu nunca quis uma vida assim, uma vida de funcionário público, cômoda, que não causa grande impacto na vida de ninguém, que vive sem grandes emoções. Eu gosto do conforto, da rotina, tenho medo de correr atrás dos meus sonhos, mas agora, vivendo um pouco assim, sei que não quero viver sempre assim. Eu não quero fazer parte da classe de pessoas que tem tempo para ser frustrada. Eu amo meu trabalho, de verdade, me divirto nele, gosto do ambiente, das pessoas que me rodeiam, do meu chefe e dos colegas estagiários, mas vejo coisas neles que não quero para mim. Eu pretendia ficar os dois anos do meu contrato, mas já aprendi tudo que tinha que aprender, sei que uma hora vou ter que arranjar coragem, perder meu estilo de vida, e aprender o trabalho de fórum, de escritório. Depois, acho que se eu ficar os dois anos eu vou acabar me irritando com pequenas coisas do comportamento das pessoas ali, como uma pessoa sendo folgada, outra sempre se elogiando e auto afirmando, ou ainda aquela que precisa ser o centro da atenção dos estagiários e que quando não é fica arisca.

No exato momento não posso sair devido ao intercâmbio no meio do ano, perderia as férias, então vou começar a procurar emprego em escritório logo depois de voltar do Peru. Sei que com isso eu teria que parar o francês, a natação, adiar a viagem que eu faria no ano que vem e perder essa minha qualidade de vida de ter tempo livre em alguns dias, de ter tempo para estudar. Mas isso é necessário e dizem que o terceiro ano é o pior, então seria melhor se eu começassse no segundo, para ir me acostumando e se eu cansar e não der certo eu saio e volto para um orgão público. Por outro lado vai ser bom pois terei mais dinheiro e com isso poderei juntar para fazer uma viagem melhor, acho que no fim vai valer a pena por isso e pelo aprendizado. Quem sabe não vai ser nesse novo emprego, em setembro, que vou conhecer o cara de quem a cartomante falou?

E é engraçado, eu querer mais e ver meu chefe, com quem me dou muito bem, que acho tão inteligente e que poderia conquistar tantas coisas mais legais, que é um pouco socialista até! se acomodar com o salário de técnico, com a vida metro-boulot-dodo. Acho que ele preferiu escolher a qualidade de vida, o emprego que paga bem, garante estabilidade e tempo para estudar outras coisas, escrever, viajar. Eu gostaria de almejar isso, mas me parece pequeno, ainda que eu seja uma covarde que não corre atrás dos próprios sonhos, não acho que conseguiria ser feliz nessa vida. Não sei como será meu futuro, não sei o que desejo para ele, mas sei o que não quero: metro-boulot-dodo

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