17 de junho de 2013

5º Contra o Aumento da Passagem

680_568725873168534_1534066122_n

Hoje ocorreu em São Paulo e em outras cidades do Brasil o 5º ato contra o aumento da passagem do ônibus, organizado pelo Movimento Passe Livre, mas hoje esse movimento foi diferente. Já desde o terceiro ato que já não se trata apenas de uma manifestação contra o aumento de 20 centavos da tarifa e sim de uma insatisfação geral que pairava no ar, cujo aumento do transporte aliado à violência policial que reprimiu os primeiros atos desencadeou uma reação da população.

No começo éramos vândalos e baderneiros, hoje fomos uns 100mil em SP, 75mil no Rio, invadiram o Congresso nacional de Brasília e tiveream atos e várias outras cidades como Salvador e Porto Alegre. Em algumas cidades houve vandalismo, mas em SP eu fui e não vi nada, não teve violência, tinha MUITA gente, gritávamos diversos hinos e os principais eram: “vem, vem pra rua vem, contra o aumento”, “o povo acordou”, “olha que coincidencia: sem polícia não teve violência”, “1, 2, 3, 4, 5 mil, a copa que vá pra puta que o pariu”, “o povo unido, é gente pra caralho”, “da copa eu abro mão, eu quero é dinheiro em saúde e educação” e “não são só 20 centavos”.

E eu não me importo se você é a favor, ou se você é contra, mas eu quero que todos saibam que eu fui neste quinto ato e é muito mais que 20 centavos. É o povo parando a cidade, mostrando para as autoridades que nós somos controláveis, manipuláveis e até bobos, mas não vamos aguentar tudo de cabeça baixa. Até o brasileiro tem um limite e os 20 centavos foram o estopim de uma revolta que a muito tempo fazia nó na garganta da gente. É a minha geração mostrando que o povo ainda sabe protestar, é a geração anterior mostrando que a ditadura está muito mais presente na memória deles do que nós pensamos, é o brasileiro se mostrando como dono do destino do próprio país. Eu saí as ruas hoje não pelos 20 centavos, por eles também, mas principalmente para me sentir capaz de fazer a diferença, ou pelo menos de tentar fazer a diferença, porque compartilhar imagens no facebook e reclamar na mesa do bar já não me bastava. Eu saí as ruas e voltei rouca, dolorida e ouvindo gente no ônibus da volta dizer que éramos desocupados e que não íamos mudar nada, mas eu não me importei porque eu sei que pelo menos eu tentei e se tiver mais atos vou continuar a tentar, me chame de egoísta mas eu desejo um país melhor pra mim e pretendo lutar por isso...

Nunca fui patriota, nem ufanista, mas o sentimento que me bateu no coração na volta pra casa, quando a ficha caiu e eu estava na estação pinheiros, mais lotada que a sé em horário de fico, e todos gritavam "ooo o povo acordoooou o povo acordoooou ooo" e o eco fez aquilo soar tão maravilhoso, e eu gritava junto... Nada se compara aquele sentimento. Deu vontade de chorar e ainda dá. Deu um orgulho de ser brasileira, de fazer parte daquele povo!

Pode ser que esteste protestos não deem em nada. Que a tarifa não baixe, que a saúde, educação, transporte e etc… continue uma merda, mas eu fui, tentei e acho que amanhã, se tiver outro, vou de novo. Eu tenho que pra mim que saindo as ruas mostro aos políticos quem manda aqui, pode ser uma ilusão minha, mas aquele sentimento não foi e quem sente aquele sentimento quer mais.

16 de junho de 2013

Um espiral sentimental

 

351203

É engraçado que ao mesmo tempo em que estou extremamente orgulhosa da minha mãe estou também extremamente dolorída por ela.

Dolorida porque no ano passado ela reencontrou um amigo da época em que ela trabalhava no banco e desde então manteve contato com ele, mesmo ele sendo casado, com a desculpa de que ela não tinha certeza de que ele e a mulher realmente estavam juntos. Ela disse mais de uma vez que ele foi o amor da vida dela. Hoje, contra toda a minha vontade, eu fui na casa dele, conheci a família dele e ele e tive bastante certeza de que ele está casado e bem casado, a esposa dele fez questão de mencionar isso umas duas vezes. Até aí, esse desapontamento com a minha mãe estar interessada em um homem casado, tudo bem, eu entendo, consigo engolir. Mas me recuso a engolir minha mãe, na volta para casa, comparando ele ao meu pai e dando só crédito a esse cara e só criticando meu pai. Ele não era perfeito, talvez até fosse péssimo marido e pai, mas era meu pai e talvez seja glorificação pos mortem, mas hoje eu sei que, dada a história dele, ele fez o melhor que pode. Discuti com a minha mãe, cheguei a soltar algumas lágrimas e fiquei dolorida por ve-la desmerecendo meu pai, dizendo que o outro foi o amor da vida dela… isso dói.

Por outro lado me enche de orgulho dizer que ela é a favor das manifestações do Movimento Passe Livre, que estão ocorrendo e mobilizaram umas dez mil pessoas que clamavam por diversas coisas. Começou com o aumento da passagem, 0,20 centavos e o movimento foi contra, mas agora cresceu e o povo está indo as ruas pedindo melhoria nos transportes, saúde, educação, fim da corrupção, reivindicando contra a copa e todo dinheiro que foi gasto nela e poderia ter sido investido em outras coisas e também a diminuição do preço da passagem. Acho que na verdade o povo está indo as ruas porque está cansado de pagar impostos, ver os preços subirem desde o começo do ano, e não terem nada em troca. Acho que eles estavam cansados de não se juntar e brigar por alguma coisa, então agora pegaram toda a frustração guardada ao longo de anos e saíram as ruas. Acho que a juventude sai as ruas porque quer um Brasil melhor, mas também para poder acreditar que nós ainda somos capazes de nos juntar e sair as ruas brigando pelo nosso país, pelo que nós queremos para o nosso país e para nós mesmos. Mesmo que a polícia venha reprimindo esse movimento e que muita gente, que depois de ver a ação violenta da polícia passou a ser uma minoria, acho que é vandalismo de gente vagabunda. É por isso que eu vou na manifestação que terá amanhã, para mostrar que eu quero mais, mereço mais, vou brigar por mais e ninguém pode cercear esse meu direito. E minha mãe entende tudo isso, concorda, estava louca para ir junto, dizendo que não fez parte do movimento dos caras pintadas e se arrepende disso. Eu proibi ela, não sei se ela vai acatar minha proibição, mas eu preferia que ela não fosse, pois se houver repressão da polícia ela pode se machucar e ela já tem certa idade, pode ser perigoso. Mas só o fato de ela concordar, querer ir, enquanto as mães em geral são contra, enquanto a geração dela acha que é vandalismo, enquanto os irmãos dela acham um movimento ridiculo… Isso me encheu de orgulho.

Acho que mãe é isso, não tem como não amar incondicionalmente, mas o sentimento é sempre complexo demais, cheio de poréns que na hora que precisa são zerados pelo simples fato de que ela é a minha mãe.

2 de junho de 2013

Ah! A Vida

 

orgulho-e-preconceito02

Um dia entrei no Orkut do meu irmão e o texto de apresentação dele era a narração de uma manhã em que ele acorda para ir para a faculdade, mas resolve matar aula com os amigos e acaba indo a praia surfar. Eu adorei esse texto, lembro trechos dele até agora e assim que o li, não sei se por admiração ou inveja resolvi escrever o meu. Meu texto era sobre um dia em que eu acordo para ir prestar o vestibular e acabo pegando um ônibus sem rumo nenhum, sem prestar o vestibular, só fugindo daquilo tudo, da minha vida, dos meus pais, do meu futuro. No meu texto eu tive essa coragem, mas a verdade é que essa fuga me assusta, o mundo me dá medo.

É tanta coisa diferente, a língua, os hábitos, a rotina, as pessoas que serão completos desconhecidos, o fato de que mesmo a um e-mail, ou mensagem de facebook, eu ainda vou estar distante de todos, de toda a referência que eu tenho… Isso tudo me dá medo. Eu quero ir pro Peru, preciso disso, é uma forma de realizar aquele sonho de fuga que eu sempre tive, é a distância que eu preciso para saber quem eu sou sem nenhuma referência por perto. O Peru é uma forma de liberdade sem riscos, de um certo ponto de vista não tem o que dar errado, vou levar dinheiro, as roupas e se algo der errado eu gasto um pouco mais, tudo bem, tenho dinheiro guardado para isso, mas por outro lado… Tenho medo de não gostar do trabalho voluntário, de não conseguir me virar em Espanhol, de gastar demais e prejudicar meu intercâmbio para França ano que vem, de me entediar por lá, de não fazer amigos, de não conseguir me divertir direito, de me perder demais, de me machucar fisicamente, de ser roubada ou trapaceada, de odiar o hostel, de aproveitar essa liverdade sem riscos! Eu sei que todos os meus medos são de fácil resolução, entendiada? vai pra um bar dançar. não sabe espanhol? se vira no inglês ou português. gastou demais? tudo bem, a França espera mais um semestre. odiei o hostel? vai pra outro. odiei o trabalho? pede desculpas e sai. a saudade está demais? se machucou? troca a passagem e volta antes.

É por isso que eu preciso desse mês fora. Para me virar sozinha, para ver que ficar longe de casa não é tão ruim, para perder um pouco meu medo do desconhecido, para realizar um sonho antigo. E eu vou. Eu realmente vou, mas como tudo ultimamente vai ser uma coisa que eu vou fazer sabendo que estou indo de encontro direto com meus medo, assim como a faculdade, o trabalho, o carro, as baladas e tudo o mais. Na verdade eu acho que esses anos todos eu vivi dentro de uma bolha e só agora eu estou saindo dela, então tudo me é desconhecido, tudo me dá medo, mas eu tenho que continuar vivendo eu tenho que enfrentar, porque não quero só sobreviver, quero viver!