30 de agosto de 2013

Com 14 anos

Sozinha%20praia

Estou lendo Meg Cabot, revendo Verônica Mars, assistindo flashes do remake de Chiquititas, lendo notícias de Cuidado con el angel e ansiosa para a reprise de Rebelde. Estou afundada no meu passado.

Sempre fui saudosista, gosto de rever o que me fez bem, o que me fez sonhar, ter idéias, ter vontade e preguiça de escrever. Gosto do meu passado e sou apegada a ele, mas essa nostalgia me mata. Ao mesmo tempo que quero evoluir e viver minha vida adulta sinto vontade de largar tudo, entrar em uma máquina do tempo e correr de volta ao passado. Aquele passado onde eu só me preocupava com as notas, via televisão escondida, vivia brigando com a minha mãe, era a filhinha do papai.

É engraçado, parece que a morte do meu pai é o marco inicial da minha vida adulta… Ainda me lembro de ir ao hospital visitá-lo dizendo para mim mesma que ele não ia morrer, pois eu não queria ser orfã de pai aos 19 anos. Um pensamento que eu sabia, já naquela época, ser egoísta, mas não é disse que se trata a tristeza com a morte? Ficamos tristes por perder a pessoa amada, nem nos importamos se ela gostava de estar aqui, ou se está melhor agora, choramos do mesmo jeito. Depois da morte do meu pai eu cresci muito, continuo boarderline depressiva, pensativa, autoanalítica, tumultuada e indecisa, mas… adulta.

E uma adulta triste, uma adulta que se ressente um pouco por não ter seguido seus sonhos, que ressente um pouco seu próprio tumulto, seus medos, que lembra do passado e fica triste, pois naquela época imaginava que os dia de hoje seria bem diferente. Não que hoje seja um dia especial, mas essa época… Quando eu tinha 14 anos eu esperava que com 22 eu seria menos encanada, mais pegadora, menos responsável, já teria escrito um romance muito legal, teria amigos mais malucos, talvez morasse longe de casa… esse era o sonho maior! E hoje… Hoje moro em casa, sou tão responsável que ninguém se preocupa comigo, sou tão certinha que nunca bebi, nunca usei drogas, nunca fiz sexo, nunca fiz uma loucura, fugi quando tive a oportunidade de morar longe de casa, nunca terminei um romance original (e isso é promessa de ano novo há alguns anos agora), meus amigos são como eu e não consigo pensar em um sonho que eu tenha realizado. Talvez fazer trabalho voluntário, viajar sozinha, fazer faculdade de direito, mas de resto? Nada!

E aí olho a televisão, o livro, o computador e me ressinto por não ser o que eu queria ser com 14 anos, e por não ter sido com 14 o que eu queria ter sido. É como se eu sempre quisesse ser algo que não sou e isso é ruim, ainda que as vezes me sinta infinita assim, do jeito que eu sou. Essa insatisfação me mata, esse não saber se me aceito, mas acho que se eu ficasse satisfeita ia me acomodar e viver a vida acomodada é pior do que não ser o que eu achei que seria. A boa notícia é que eu tenho perdido o medo, tenho tentado mais, sonhado coisas mais reais e isso já é um passo, quem sabe amanhã não é dia de dar outro passo?

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