30 de setembro de 2013

20 e poucos anos

Ontem eu li um texto, num blog qualquer, era uma lista de 20 coisas que todo jovem de vinte e poucos anos devia fazer. Em resumo a lista mandava que nós fizessemos aquilo que temos vontade, pois depois tudo custará muito mais caro. Então eu me lembrei da minha lista de coisas para fazer antes de morrer e percebi que não quero ser uma daquelas pessoas quedeixa para realizar as coisas dessa lista no último minuto do segundo tempo, até porque eu não sei até que minuto eu vou jogar. Então decidi me expor, enquanto é tempo, enquanto eu tenho quem me segure se eu cair, enquanto eu tenho uma saúde boa para cicatrizar rápido.

Então eu vou falar com o bonitinho, dar chance para quem eu acho que não tem nada haver comigo, andar de balão,  voar de parapente, gritar na paulista, me apresentar de um jeito diferente para um estranho... vou fazer alguma loucura, só porque deu vontade, mesmo sabendo que é loucura, só pe, a graça de fazer uma besteira. É tudo inocente. É tudo uma grande brincadeira e depois vou poder contar para minhas amigas, meus netos, e dar risada da idiotice daquele momento.

Agora é o momento de arriscar, o momento em que eu já sei um pouco melhor quem sou eu, que já não tenho os mesmos rompantes e medos da adolescência,  mas ainda não tenho as certezas, compromissos e responsabilidades dos trinta. Agora é o momento de fazer uma viagem inútil, um intercâmbio, um curso de nada útil... É o momento de fazer acontecer, de correr atrás da vida e viver ela do jeito que eu quero, porque ali na frente eu vou ter que vivê-la do jeito que eu precisar.

Eu tenho 20 e poucos anos, vou começar a agir um pouco de acordo com a minha idade.

23 de setembro de 2013

Um pouco assim, um pouco só

As vezes me sinto assim, meio só, meio triste. Mas eu estou bem, entende? Com um pouco de medo do futuro, mas não sei porque, ele não me parece reservar nada de ruim, mas eu nunca fui uma daquelas pessoas que sente quando a mudança chega, não,  na minha vida a mudança sempre dá um jeito de chegar de surpresa, fazendo barulho, de forma bem indesejada. E também não sei porque me sinto assim só,  estou bem com minhas amigas, uma delas está para se mudar, mas isso não me apavora mais, é a vida, como ela é,  nós crescemos e nos afastamos, mas não deixamos de nos amar. Nossa amizade vai continuar, vou trabalhar para isso.
Talvez esse medo do futuro venha das provas, eu não estudei muito esse semestre, isso me deixa com medo das notas. E a solidão pode ser tpm, ou o tempo... tempo de chuva sempre me deixa meio pra baixo. Mas eu acho mesmo que é culpa da França. Ela, que vai sair mais caro do que eu pensava, que é o exemplo de como as coisas não estão saindo do jeito que eu quero. Não consegui a bolsa de intercâmbio que queria, não consegui um novo emprego, continuo sem dinheiro, acho que minha mãe vai dar um passo errado em relação aos processos do hotel, é setembro e não apareceu ninguém na minha vida...
Eu sei, nunca consegui as coisas do jeito fácil, e meus planos em geral não dão certo, mas é desanimador do mesmo jeito. Tento pensar que tudo acontece por um motivo, que o destino reserva outra coisa para mim, mas como ele ainda não deu as caras eu fico com medo. Acho que isso foi uma das coisas que eu achei estranho na viagem ao peru, eu planejei e fui e isso deu certo! Tive probleminhas e mudei de planos, mas nisso eu já estava lá,  o que tornou os problemas mais assustadores, mas me deixou mais corajosa.
Sempre que estou com problemas, ou com medo, me lembro do meu irmão,  o lema de vida dele é que no final dá tudo certo, se não deu é porque ainda não é o final. E ele tem razão,  esse ano eu aprendi a viver um pouco mais um dia de cada vez, mas esses dias de chuva, essas provas e essa tpm...

13 de setembro de 2013

Imperecível

 

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Assim eu defino nossa amizade, uma amizade imperecível. Antes nos víamos todos os dias, depois passamos a nos ver uma vez por semana e logo uma vez por mês, agora, quem sabe? Tenho mais tempo de existencia com elas do que sem elas, com duas delas, com a outra estou chegando lá. Minhas memórias estão contaminadas com elas, memórias onde eu sei que elas não estão contém elas e todos os meus amigos sabem a quem eu me refiro quando falo “das meninas”.

Somos em quatro, já fazem dez anos que somos assim, somamos alguns, mas eles não resistiram como nós e acabaram sendo subtraídos pelo tempo, nós não. Nós resistimos, porque amizade é um pouco de resistência, resistir a tentação de deixar uma briga acabar com as relações, resistir ao tempo e a distância que fazem questão de ser cada vez maiores, resistir as tarefas e as novas rotinas. É força também, de enfrentar o orgulho, a distância, o tempo, as pequenas coisas que te irritam nas outras, a sensação que elas não te entendem tanto assim. Somos necessidade também, precisamos uma das outras, por costume, por gosto, para desabafar, para escutar, para ser uma família como somos. Minha vida é um livro aberto, mas eu sinto como se só elas tivessem folheado, ou pudessem folhear todas as folhas. E agora, mal passamos uma prova, já vem outra, para que nós tenhamos que provar que não vamos perecer com o tempo, nem com a distância.A tecnologia é nossa aliada, uma forte aliada, que possibilita que nossa amizade transponha oceanos, fronteiras e meses sem se ver.

E parte de mim tem medo, medo de que daqui a vinte anos eu sinta essa conexão de hoje, mas que meus filhos não saibam quem elas são, ou saibam, mas que a vida nos tenha feito tão distantes que eles mal se lembrem delas. Eu costumava olhar minha mãe e essas grandes amigas dela, que eu mal sei quem são, e sentir pena, achar que ela não via elas sempre, então não são tão boas amigas, afinal, amigas de verdade estão sempre ao seu lado. Hoje vejo de forma diferente, são tão boas amigas que quando ela precisou elas estavam ali, da forma que a vida delas lhes permitiu, mas estavam ali para minha mãe, resistiram ao tempo e a distância, ao casamento, aos filhos e ainda se veem de vez em quando. Pretendo ser mais próxima das minhas amigas, ter mais contato, mas sei que a vida adulta bate a porta e teremos que nos esforçar, mas já não tenho tanto medo de perdê-las, parte de mim acha que elas sempre estarão ali, mesmo que não com a mesma frequência.

Quando somos crianças nossa vida toda gira em torno dos pais, depois entram os amigos, os namorados, mais amigos, faculdade, trabalho, outros amigos, noivos, famílias dos noivos, sua famíla cresce, seus amigos mudam mais um pouco e logo você se casa, tem os amigos do marido, filhos, mais trabalho e sua vida tem então tantas coisas e pessoas que fica difícil manter contato com aqueles primeiros amigos. Alguém sempre será negligenciado, mas não quer dizer que o amor não esteja lá.

Nossa amizade é antiga, hoje a vejo como forte e resistente e imperecível, sem data de validade como eu achava que era antes. Nós nos completamos e todos ao nosso redor sabem e aceitam isso, não aceitar isso pode fazer de quem entra em nossa vida alguém que está somente de passagem. Nós conseguimos, nós somos as amigas que sempre quisemos ser e daqui para frente só podemos crescer, porque não dá mais para não ter vocês por perto. Vocês são parte da minha família, quem eu quero ter sempre em minha vida, quem eu preciso, que me aceitam por completo ainda que não me entendam por inteiro, que sabem quem eu sou quando eu esqueço, que me conhecem do avesso. Vocês são a outra parte de mim.

10 de setembro de 2013

Cruel

Bem e o mal

Talvez minha mãe tenha razão. Um dia ela me disse que quando eu brigo com as pessoas eu digo coisas muito cruéis, ponho o dedo na ferida. Na hora eu discordei, neguei e até fiquei ofendida, mas hoje eu percebo que é verdade.

Não que eu seja uma pessoa má, eu sou uma pessoa boa, tenho plena consciência disso, ajudo a quem não conheço e a quem conheço, não humilio ninguém, não faço piada a custa dos outros, nem rio de piadas a custas dos outros, não exibo os defeitos de ninguém para o público e tenho paciência, uma paciência de jó, quando brigam comigo, me ofendem ou me irritam. Mas não sou idiota. Uma hora minha paciência acaba e eu fico muito brava, com muita raiva e é aí que vem o problema. Quando tenho raiva ofendo a pessoa do jeito que posso, não me lembro de medir limites, se for um grande amigo ou alguém da família eu ainda seguro alguma coisa, dependendo da raiva do momento. Aliás esse é meu limite, quando mexem com algo que é meu eu dou uma surtada, viro um leão, pode ser minha família, meus amigos, minhas coisas, meu trabalho, isso me deixa muito brava e eu ponho o dedo na ferida dos outros.

Não vejo isso como algo necessariamente ruim, pode ser ruim, mas pode ser bom. Aquela expressão “ela não é flor que se cheire” não é necessariamente má. Sou uma pessoa boa, mas como todos, eu tenho um limite e quando chego ao meu limite então você tem que aguentar aquilo que provocou. É como assumir a responsabilidade pelos seus atos, você planta o que colhe, não?

8 de setembro de 2013

Insatisfeita, ansiosa.

 

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Acho que o problema de viajar é que é viciante. Quando viajamos conhecemos pessoas novas, a nós mesmos, aprendemos coisas novas e vivemos um clima diferente, um clima que dá saudade. E o mais importante é que quando viajamos sozinhos e colocamos as coisas em perspectivas, quando voltamos a nossa vida já não nos satisfaz. Queremos aquilo de que temos saudade, mas isso logo cansa e aí buscamos algo diferente sem saber direito o que. Talvez mais qualidade de vida, talvez aquele clima, talvez um pouco dos dois.

Depois que voltei de viagem me percebi um pouco mais cansada das pessoas ao meu redor, um pouco mais sem paciência para elas, para picuinhas, para cobranças bobas, para tolerar aquilo que eu não gosto. Depois que voltei fiquei com vontade de viajar mais, passei a pensar que amar a distância é muito mais fácil, pois não precisamos aguentar o lado ruim das pessoas. Também voltei pensando mais no futuro, voltei mais ansiosa para alcançar aquilo que desejo e menos preocupada com saber lidar com o peso que estou colocando em minhas costas.

Tenho estado um pouco nostalgica com saudades da minha adolescência, estressada por não ter sido contratada em lugar nenhum ainda, impaciente com a a atitude dos outros que não me agradam, independente e um pouco irresponsável, sem pedir permissão para sair e sem me culpar muito por não cumprir certas responsabilidades. E agora tenho em mente que é setembro, que minha alma gêmea deve estar me esperando por aí e logo vamos nos encontrar, mesmo sabendo que isso é besteira, já que foi uma cigana que disse e meu histórico de consultas a ciganas prova a farsa da coisa. Tenho desejado mais diversão e menos preocupação também, tenho desejado parar de comer e começar a emagrecer, desejado deixar de ser preguiçosa e colocar meus dedos no papel para escrever algo bom logo. Tenho estada insatisfeita comigo mesma sem saber exatamente porque e sabendo que é por tudo.

Teve um momento, em alguma parte desse ano, que eu me senti infinita, completa e perfeita, ainda que não houvesse perfeição nenhuma. Agora me sinto… Insatisfeita. É uma coisa boa, é o que nos move em direção a mudança e a evolução, mas me deixa ansiosa, querendo que essa mudança, essa evolução aconteça logo. Sinto como se eu estivesse em um banco, só esperando minha vida mudar, ainda que eu esteja tentando fazer essa mudança acontecer, mas mesmo tentando, enquanto ela não acontece, parece que eu estou sentada, só esperando e essa sensação me deixa mais ansiosa ainda.