29 de outubro de 2013

Cabeça, ombro, joelho e pé

Na minha cabeça se passam as coisas mais malucas e sempre se passa algo. Uma hora são histórias, onde eu controlo todos os personagens, crio destinos e amores, sou responsável por aquelas vidas, sou dona delas e gosto disso. Outra hora penso em uma lista de coisas a fazer, em seguida penso em como fazer essas coisas, me organizo mentalmente, arranjo minha vida de uma maneira que ela dê certo. Aí eu sonho. Sonho sobre a minha vida que dá certo, sonho com amores, também crio personagens e falas, me apaixono e desapaixono com um piscar de olhos. A minha cabeça está sempre em movimento e talvez por isso...
Meus ombros esteja  sempre pesados. É como se eu carregasse o peso do mundo nas minhas costas, só que essa responsabilidade sou eu que me coloco. Essa tensão que sinto, essa dureza dos meus ombros é resultado direto do que se passa em minha cabeça, dos sonhos que não dão certo, das histórias que não são escritas, das coisas a fazer que eu não faço direito, ou simplesmente não faço, ou não dão certo porque o mundo também tem dessas coisas. Então meus ombros seguem duros, pesados, doloridos, com o peso do meu mundo todo nele.
E meus joelhos também me refletem, me mostram que eu tenho que fazer mais exercícios, pois cheguei na tenra idade em que eles começam a ficar doloridos com certos movimentos. Mas com todos esses sonhos, histórias e coisas para fazerne planejar, com todo esse peso em meus ombros, quem tem tempo para se dedicar a exercícios? Ainda mais eu que nem gosto de exercícios.
Meu pé, meu pezinho lindo que me aguenta o dia inteiro, esse pobre é mal tratado. Eu nunca gostei de pés e os meus são gandes e feios e eu não cuido deles e aí não gosto ainda mais de pés. Acho que neles ainda tem um resquício dessa minha displicência com a feminilidade. Nunca fui do tipo de garota que faz pés e mãos, que faz balé e entende tudo de maquiagem. Minha mãe tentou, mas a verdade é que eu gosto de andar descalça, maquiagem leve e simples e não tenho saco para fazer o pé toda semana, malemá faço a mão e já me leva um tempo absurdo, mas é mais um hobbie do que uma obrigação.
Meu corpo reflete minha personalidade, meu estilo de vida, minhas escolhas e falta de tempo. Meu corpo não é um templo, não é uma arma se sedução e tampouco é um lixo, mas é meu corpo, meu espelho.

21 de outubro de 2013

Seguindo os passos de Rita Lee

Você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas". Eu li essa frase num livro adolescente, o mocinho disse isso pra mocinha e eu, como boa leitora, imediatamente me identifiquei. Porque é verdade, eu não tenho idéia do efeito que causo nas pessoas e é uma dessas coisas que me deixa maluca, não saber o que os outros pensam de mim. Na verdade eu passei minha vida toda achando que eu era invisível, aquela que vê tudo e todos, mas nunca é notada. Não sei se pensava assim devido a baixa auto estima ou se era só como eu me sentia, mas mais ou menos uns 4 anos atrás eu me dei conta que eu sou sim notada, e desde então percebi que sou cada vez mais notada. 


Tudo começou com uma menina perguntando a um amigo se ele havia estudado no etapa, ela disse que sempre via ele nos corredores, com aquela menina loira, que usava vermelho. Eu não uso só vermelho, mas tenho plena consciência de que causo certo efeito quando uso, nesse dia tive mais certeza disso. Depois disso comecei a reparar que era capaz de virar algumas cabeças na rua, atrair o olhar de alguns professores no cursinho e no fim comecei a fazer a terapia e isso só ajudou a me conscientizar de que eu não sou invisível, que na verdade eu sou tudo menos invisível.

Talvez seja o fato de eu ter me desprendido dessa visão que meu irmão e minha mãe tinham de mim que de um up na minha auto estima, talvez seja a terapia, acho que nunca vou saber, provavelmente foi os dois ao mesmo tempo, e o resultado é que eu comecei a perceber o efeito que causo nas pessoas. E hoje, hoje eu ganhei um like de um cara muito bom. Sei que falando assim parece bobo, mas nunca me vi como o tipo de garota que atrai likes de caras muito bons. Ainda tenho dificuldade de me ver como uma garota atraente e desejável, tenho mais facilidade em me ver como a garota inteligente, e gostaria de ser vista como a garota sarcástica e divertida. 

Bonita? Gostosa? É difícil, o trabalho tem ajudado, mas é em tom de brincadeira, esse like foi em tom sério, foi uma ficha caindo no cofrinho da minha auto estima em um momento que eu realmente estava precisando dessa moedinha. 

"Você não tem idéia do efeito que causa nas pessoas". É, eu não tenho, venho tomando consciência há algum tempo de que causo efeito, mas ainda não sei qual. Estou descobrindo aos poucos, tirando proveito e explorando devagarinho, me divertindo e me surpreendendo a cada passo. O objetivo é sentir na pele aquela música das Frenéticas, sabe?
" eu sei que eu sou/bonita e gostosa/e sei que você/me olha e me quer..."

Ah o verão!

Eu odeio o frio, principalmente se vem acompanhado por chuva. No inverno e nos dias de chuva, já que em São Paulo esses dois quase não coincidem, eu me sinto incompleta, como se um pouco mais triste, mais preguiçosa, mais desmotivada. No verão, por outro lado, eu me sinto infinita! Tenho vontade de botar em prática tudo aquilo que eu vinha cozinhando na minha cabeça,  sinto que as coisas vão andar e que vai dar tudo certo, que eu posso fazer tudo dar certo. No verão, com o sol e o calor, eu posso e aconteço.
Posso estudar sem preguiça, passar de semestre sem dp, fazer exercícios, comer melhor, juntar mais dinheiro, ser chamada para um novo emprego, emagrecer, me divertir... No verão eu acredito mais em mim mesma, no universo. É quase como se eu fosse uma planta que só fotossintetizasse com a presença do sol e florisse apenas com o calor.
É por isso que eu, sempre que penso em um futuro e em morar em outra cidade, fico balançada. Porque seis meses em Grenoble parecem ótimos, mas lá faz frio e de algum modo eu vou acabar pegando o inverno. Morar em curitiba também parece bom, mas a cidade é cinzenta, chove mais que qualquer outra coisa. Talvez por isso eu tenha gostado tanto de Salvador, porque lá tem sol e calor o tempo todo, Salvador tem verão o ano todo, aquele clima brasileiro de festa mesmo fora do carnaval, aquele sotaque ininteligível musical... De todas as cidades que eu conheci até hoje eu gostei mesmo de Salvador.  Cusco foi legal, mas frio e no verão é só chuva. Florianópolis é um pouco como São Paulo, mas no inverno é mais frio. Parati foi só chuva, mas me encantou, não como Salvador, mas me encantou. Agora vou conhecer Aracaju no carnaval, lá deve ser verão também. 
Será que eu conseguiria viver em verão o ano todo? Será que eu conseguiria viver para lá?  No nordeste? Enquanto isso vou vivendo aqui e conhecendo lá,  quem sabe um dia eu deixe de ser essa paulista orgulhosa e me renda a algum outro canto do Brasil? Do mundo talvez?

13 de outubro de 2013

Amor, diversão e felicidade

 

maos Sonhei com você essa noite. Você parecia o bonitinho do ônibus, mas eu sabia que não era ele, que era o amor da minha vida, e eu sabia disso porque nós tínhamos química, afinidade e estávamos nos divertindo. Então eu acordei e percebi que é isso, que o amor da minha vida tem que ser leve, divertido, fácil, porque se não for divertido é chato, se não for fácil é difícil e uma coisa chata e difícil fica pesada e aí não é amor, é drama. E você, meu amor, sabe que eu não aguento drama por muito tempo.

Eu queria saber como você é, que idade você tem, se seus gostos são iguais aos meus, seu signo, se você é filho único, se sua família é grande, se você é do tipo tímido ou é a alegria da festa, ou os dois, por que não? E eu queria saber mais, saber tudo o que eu posso sobre você, porque você é o amor da minha vida e eu queria te conhecer e estar preparada para quando isso acontecer. Mas se eu já soubesse essas coisas de você não teria muita graça, porque eu também quero ser surpreendida. Quero que você seja alguém desconhecido, que me mostre um mundo novo, que seja parecido comigo, mas também diferente, que me complete, mas que não nos deixemos acomodar, quero que sejamos um, mas nunca deixemos de ser dois. Quero sentir vontade de sorrir só de te olhar, quero sentir que seu olhar me derreta, mas também me queime, quero que você sorria quando me veja. Que nós nos reconheçamos assim que nos cruzarmos a primeira vez, ou não, que você entre na minha vida e só depois eu te perceba.

Quero uma história para contar e quero logo, mas ao mesmo tempo quero que demore a chegar, porque ainda tenho muito a conquistar sozinha. Quero me divertir solteira, mas quero você aqui logo. Eu sinto saudades de você sem nem te conhecer, mas eu aguento mais um pouco, tenho que aguentar, porque quando eu te conhecer quero estar inteira sozinha, só assim poderei te dar o que quero que você me dê: amor, diversão e felicidade.

3 de outubro de 2013

Real

3955_1188667928    Esses dias descobri um site que se chama Casal Sem Vergonha, é quase o melhor site do mundo, aliás, quem eu estou enganando? Ele é o melhor site do mundo. Lá encontrei textos sobre tudo, de pessoas normais, que dão sua opinião sobre coisas que afligem todos nós, todos os dias. Um dos textos que eu li falava de amor próprio e como hoje em dia temos essa mania de nos menosprezar, não sabemos aceitar elogios e nunca estamos bem o suficiente. Outro falava do tempo, de como não podemos deixar as coisas para depois. Tinha também sobre como sempre nos boicotamos por medo da felicidade. E mais uns tantos escritos por homens, sobre a visão deles sobre o amor, o sexo e a mulher.

E sabe porque eu gostei tanto destes textos? Porque eles desconstroem essa minha, essa nossa, visão plastificada sobre a vida. Eu não tenho o corpo perfeito, mas nem por isso devo me desvalorizar, me autosabotar e me esconder. Na vida real ninguém é perfeito e verdade seja dita se todos fôssemos perfeitos a vida seria muito chata. É como se os textos se complementassem para que nós possamos ter uma visão mais real da vida, menos influenciada pelos filmes, séries e livros, onde as heroínas são perfeitas e os heróis incríveis. Na vida real temos defeitos, gordurinhas, cabelos rebeldes, voz fina demais, ou grossa, pés grandes, um dedo torto… mas nem por isso somos menos incríveis, nem por isso merecemos menos o amor, o emprego ou a diversão que a vida tem a nos oferecer.

Esses textos me lembraram que eu não tenho nada a perder se eu levar um toco do meu bonitinho do ônibus, que eu acho super gostoso, mas nunca tive coragem de conversar por não achar que faço o tipo gostosa. Me lembraram que eu já fiz várias entrevistas e não fui chamada, mas que nem por isso não sou boa suficiente, só aconteceu de não dar certo. Me lembraram que eu já passei por coisas e decepções por uma vida inteira, mas nem por isso tenho o dever de ser infeliz, pelo contrário, tenho que saber mais do que ninguém a importância da felicidade e agarrá-la quando ela aparecer, sem ficar achando que vai durar pouco. Esses textos me deram coragem, me lembraram da minha força, ainda que tenham me deixado ligeiramente carente, mas uma carencia boa, ativa, com coragem de dar um jeito e suprí-la.

Talvez eu esteja exagerando, vendo pelo em ovo, mas sinto que entre essas leituras, os tapas na cara das entrevistas e a viagem para Cusco, esse ano eu amadureci bastante, não no sentido força, resiliência, mas no sentido crescimento. Estou vendo o mundo de um jeito um pouco mais real, mais possível. Tomara que não seja uma impressão.