3 de outubro de 2013

Real

3955_1188667928    Esses dias descobri um site que se chama Casal Sem Vergonha, é quase o melhor site do mundo, aliás, quem eu estou enganando? Ele é o melhor site do mundo. Lá encontrei textos sobre tudo, de pessoas normais, que dão sua opinião sobre coisas que afligem todos nós, todos os dias. Um dos textos que eu li falava de amor próprio e como hoje em dia temos essa mania de nos menosprezar, não sabemos aceitar elogios e nunca estamos bem o suficiente. Outro falava do tempo, de como não podemos deixar as coisas para depois. Tinha também sobre como sempre nos boicotamos por medo da felicidade. E mais uns tantos escritos por homens, sobre a visão deles sobre o amor, o sexo e a mulher.

E sabe porque eu gostei tanto destes textos? Porque eles desconstroem essa minha, essa nossa, visão plastificada sobre a vida. Eu não tenho o corpo perfeito, mas nem por isso devo me desvalorizar, me autosabotar e me esconder. Na vida real ninguém é perfeito e verdade seja dita se todos fôssemos perfeitos a vida seria muito chata. É como se os textos se complementassem para que nós possamos ter uma visão mais real da vida, menos influenciada pelos filmes, séries e livros, onde as heroínas são perfeitas e os heróis incríveis. Na vida real temos defeitos, gordurinhas, cabelos rebeldes, voz fina demais, ou grossa, pés grandes, um dedo torto… mas nem por isso somos menos incríveis, nem por isso merecemos menos o amor, o emprego ou a diversão que a vida tem a nos oferecer.

Esses textos me lembraram que eu não tenho nada a perder se eu levar um toco do meu bonitinho do ônibus, que eu acho super gostoso, mas nunca tive coragem de conversar por não achar que faço o tipo gostosa. Me lembraram que eu já fiz várias entrevistas e não fui chamada, mas que nem por isso não sou boa suficiente, só aconteceu de não dar certo. Me lembraram que eu já passei por coisas e decepções por uma vida inteira, mas nem por isso tenho o dever de ser infeliz, pelo contrário, tenho que saber mais do que ninguém a importância da felicidade e agarrá-la quando ela aparecer, sem ficar achando que vai durar pouco. Esses textos me deram coragem, me lembraram da minha força, ainda que tenham me deixado ligeiramente carente, mas uma carencia boa, ativa, com coragem de dar um jeito e suprí-la.

Talvez eu esteja exagerando, vendo pelo em ovo, mas sinto que entre essas leituras, os tapas na cara das entrevistas e a viagem para Cusco, esse ano eu amadureci bastante, não no sentido força, resiliência, mas no sentido crescimento. Estou vendo o mundo de um jeito um pouco mais real, mais possível. Tomara que não seja uma impressão.

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