28 de dezembro de 2014

2015 vem aí



O ano que vem está chegando, com ele vem aquela enxurrada de coisas que eu quero fazer, que eu quero ser. Todas as promessas que eu me faço e no fim tento ao máximo cumprir, algumas já faço a alguns anos e nada, quem sabe esse é o ano? Outras tão logo faço, cumpro. E junto as promessas esse ano, como todos os outros, traz desejos de coisas que estão um pouco acima do alcance da minha mão, mas que talvez com algum esforço eu consiga. 
2015... Eu me sinto esperançosa com você, confesso isso. Talvez seja a virada em um lugar tão diferente, talvez seja eu que esteja diferente, talvez eu só precise dessa esperança... Eu sempre me alimentei de sonhos e esperanças. E para esse ano que vem aí eu tenho algumas vontades bem cotidianas como mudar de emprego, ganhar mais, continuar a terapia e talvez, quem sabe, uma academia e me esforçar com força de vontade real para comer melhor. O primeiro é que vai decidir tudo e é o que mais me assusta, mas eu sei que perto de mim tem uma boa quantidade de pessoas com quem eu posso contar e que no final sempre dá tudo certo. O lema do meu irmão e que sempre me acalma, porque eu sei que é a mais pura verdade.
E para 2015 eu também reservo algumas vontades mais sonhadoras, que são bobas, mas eu considero sonhadoras porque vão me encaminhar para a pessoa que eu quero ser, a primeira delas é fazer um curso de fotografia, um fim de semana que seja, eu vou fazer. Também adoraria fazer meu curso de escrita ou teatro, mas antes preciso organizar minha grade. Minha mãe quer que eu comece o alemão, mas eu estou inclinada a deixar para o próximo semestre e fazer as aulas de escrita criativa agora... Veremos. Também quero viajar, recife, guarujá e algum outro lugar. E quero também que em 2015 eu seja mais capaz de receber carinho, me ver como uma adulta e reconhecer que essa insegurança da inexperiência não me faz menina, menor ou boba, só me faz insegura. Talvez com essa concientização eu seja capaz de finalmente ter aquele amor que a tanto tempo espero.
Em 2015 eu quero dar um passo na minha carreira profissional, ser mais saudável mental e fisicamente e dar um passo em direção aos meus sonhos. Não é muito, mas o ano também não é tão longo. 




24 de dezembro de 2014

Então é natal?

Mais um evento social no Facebook, dessa vez é o natal. Para mim ele veio devagarzinho, primeiro com o frio e a neve e hoje ele me acordou com chuva, ainda que esteja mais quente. Natal de casas iguais que se distinguem apenas pelas luzes decorativas, natal de novos amigos, de Joyeux Noël e Merry Christmas! Natal longe de casa e da família. E talvez por isso que, mesmo com as luzes, a neve, os votos no facebook e os filmes na televisão, não parece natal. Não tem nostalgia por causa da distância nem nada, só não parece natal. Não fico triste por estar longe da minha família no natal porque para mim o natal é estar com a família. Então não, não estou depressiva, não se preocupe, e feliz natal para vocês, o meu eu vou ter quando voltar para o Brasil.

9 de dezembro de 2014

Paquera na era moderna

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Acho que não sei brincar de paquerar. Aliás, acho não, tenho certeza! Pessoalmente sempre acabo falando besteira, não sei fazer aquelas brincadeiras que trazem tensão sexual, não sei ser sutil e provocativa, na verdade o que eu faço é exatamente o oposto. Eu afasto a tensão sexual, porque afinal, ela me deixa tensa, e nessa de não ficar tensa eu também acabo afasto a sutileza, porque se tem uma coisa que eu já não sou é delicada, imagina quando estou tensa? E a provocatividade… Bom, acho que ela precisa da sutileza e da tensão sexual para funcionar e eu já eliminei as duas no começo do jogo então…

Aí resolvi tentar usar esses aplicativos de paquera que estão super na moda, no meu caso eu escolhi dois: Tinder e Flert. Os dois são legais, bacanas, fáceis de usar, tem gente legal e gente chata como qualquer outra situação da vida, tem gente bonita e feia, gente sem papo e gente que nem se dá ao trabalho de começar a conversa… tudo como na vida real, mas ao alcance do toque do meu dedo. Achei que seria interessante testar, afinal na vida real como ela é eu não conheço muita gente nova, não sei paquerar em voz alta… quem sabe escrevendo eu seja melhor?

Bom, eu tentei. Até saí com um carinha e pretendo usar em Montreal, mas é isso. Não consigo conceber a idéia de que vou conhecer um futuro namorado ou namorada no tinder. Eu preciso de mágica e não consigo ver isso com ninguém lá. É tudo tão plano, mecânico… artificial, sabe? E tem aquela conversinha morna com a outra pessoa, você ou ela tentando puxar assunto, criar intimidade e descobrir semelhanças… eu não tenho paciência para esse tipo de coisa. Esse papinho me dá uma preguiiiiça.

Então é isso. Vou ter que sair da porta sozinha, vou ser obrigada a enfiar meu rosto na vida real e parar de me esconder atrás de aplicativos. 2015 aí vou eu.

27 de novembro de 2014

Primeiras vezes

Decidi fazer da minha viagem ao Canadá uma viagem de primeiras vezes. Dessa vez estou mais segura, mais preparada e um pouco experimentada nessa coisa de viajar sozinha. Na viagem ao Peru eu me deixei levar, decidi tudo na hora, conheci muito de mim mesma e me percebi completa sozinha, dessa vez quero me descobrir um pouco mais com os outros. Quero tentar fazer nessa viagens coisas que eu nunca fiz aqui e não teria coragem.
Quero sair com uma menina, beijar uma menina na boca, quero sair com um cara e beijar esse cara, quero tentar me depilar em algum lugar, quero ver neve, esquiar, fazer um boneco de neve e falar francês. Quero me experimentar com os outros! Vai ser difícil por causa da língua,  mas em último caso vou fugir para o inglês, porque preciso dessas primeiras vezes lá fora, preciso delas lá para tentar me desenvolver aqui. Não pretendo extrapolar as primeiras vezes, mas fazê-las acontecer em quantidade suficiente para que eu consiga dar continuidade aqui.
Eu vou pro Canadá aprender francês, mas, principalmente, me aprender com outro

26 de novembro de 2014

As palavras que você me diz

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Ora são carinhosas, ora são espinhosas. Provocações e carícias sem razão alguma que as justifique. Nada do que eu faço pode servir como motivação para definir uma ou outra, você as joga em mim ao seu bel prazer e eu… Eu só recebo suas palavras cheia de expectativa e curiosidade. Nunca sei como reagir a elas, seja qual for a natureza, e na verdade, sempre acabo achando que deveria ter te respondido outra coisa. Fico tentando entender o que cada uma diz, qual traduz melhor a sua impressão de mim, qual é aquela palavra, frase, brincadeira, que vai me mostrar como você realmente se sente, o que você de fato acha. Mas nenhuma delas me satisfaz. Nenhuma das suas palavras se iluminam, quase como se fossem todas mentiras bem pensadas para me atingir, ou verdades bem medidas para não me derrubar. Nunca consigo decidir se você é espontâneo e naturalmente doce ou malandro e repetidor de boas palavras feitas.

Ah… as palavras que você me diz que me fazem flutuar por oras com a cabeça nas nuvens, saboreando lentamente cada uma, tentando decifrar as intenções escondidas por de trás delas. Ah… as palavras que você diz e que eu ecoam nos meus ouvidos por horas sempre com a mesma questão girando ao redor delas: será que você sabe, tem alguma idéia do efeito que elas me causam?   

21 de novembro de 2014

Ela tem tudo

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Ela é loira e tem o cabelo curto, a cor dos olhos um mistério, mas eles eram levemente puxados, o rosto redondo e ela era alta, magra, a blusa larga não mostrava curvas, mas a calça justa fazia a imaginação voar. Ela estava em um grupo, duas mulheres e quatro homens, mas a outra moça, que devia ser um pouco mais nova, nem aparecia, quem dominava o ambiente era ela, seus 30 e poucos anos e seu riso fácil.

A banda começou a tocar e ela que já estava de pé logo começou a dançar, braços no alto, um sorriso na boca e o corpo se mexendo no ritmo da música.  Ela dançava com um colega, abraçava o outro, ria de alguma coisa do terceiro, eles falavam entre eles e com ela, todos juntos e se divertindo. Todos de social, já estavam ali há algumas horas, happy hour de véspera de feriado que se prolongou, e a diversão rolava solta, regada a muita cerveja, músicas e risadas. Ela parecia estar com todos, parecia ser de um só, parecia ser de ninguém.

Com um deles havia mais intimidade, uma química rotineira de casal casado, a garçonete até comenta, ambos dizem que estão juntos, são casados, mas ela não acredita e vai embora dando risada enquanto eles ficam ali rindo também. Depois do segundo set de músicas eles se sentam, ela está de pé chega ao pé do ouvido do “marido” cochicha alguma coisa, faz um sinal. Ele balança a cabeça em negação, ela diz mais alguma coisa, ele faz não com a mão. Ela não se abala, dá um selinho nele, vai até o outro colega e puxa ele pela mão, ambos se dirigem para longe do grupo, mas antes, ela, por cima do ombro e lançando um olhar de maliciosa vitória para o “marido” mostra o dedo do meio. Ele ri, dá os ombros e continua conversando com os outros. Não está com ela, não é dela e não queria ficar com ela naquela noite, sem ressentimentos e ela sabia disso, todos ali sabiam, inclusive o que foi. Minutos depois ela está encostada na parede de algum canto do pub, o o que foi está na sua frente, e os dois estão se beijando com vontade e voracidade.

Ninguém a julga. Sua leveza, sua vontade, sua alegria, seu sexo, seus amigos, sua vida. Ela faz o que quer e não se permite censurar por ninguém, é segura de si e sabe escutar um não sem se deixar abalar. Ela é a mulher moderna, a que todas as jovens querem ser, livre, leve, solta e feliz. 

O outro lado da vida

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Você passa por eles todos os dias e não nota, ou prefere fingir não notar. A segunda opção é melhor, acredite, pelo menos ela diz que você não está totalmente perdido, que você ainda tem dentro de si um pouco de compaixão pelo próximo, você finge não notar para não se sentir mal por eles. Você está mentindo para si mesmo, você é um hipócrita por isso, sente pena, mas não faz absolutamente nada para mudar a realidade do outro, ou torná-la menos terrível. Mas se você fosse parte do primeiro grupo seria pior ainda, porque quer dizer que você perdeu a capacidade de sentir pena, que você não os percebe e que você não se importa. Não se importar é horrível da sua parte.

Você pode estar no segundo grupo, pode estar em um terceiro grupo, daqueles que fazem alguma coisa, por menor que seja, para aliviar sua culpa e a pena que sente do outro. Pode ser que você não se importe, mas faça alguma coisa, o que te torna um hipócrita também e é horrível porque você não se importa, ainda que você ajude, se você não se importa isso é ruim. Para ele pode ser bom receber sua ajuda, mas a maior parte precisa de mais que ajuda, precisa de alguém que se importe. Todos precisamos de alguém que se importe.

E ele, aquele ali dormindo na rua, poderia ser você. Um dia li em um livro uma moradora de rua que disse que quem mora na rua está o outro lado da vida. Ela não quis dizer nada espiritual, só que é um outro tipo de vida muito diferente dessa que a maior parte das pessoas vive e que existe uma fronteira muito tênue entre os dois lados, uma fronteira que pode ser ultrapassada por diversos motivos, mas que depois é muito difícil de voltar, quase impossível. E cada vez que tudo está impossível no lado de cá é necessário que nós paremos para lembrar que aqui pode ser bem ruim, mas no outro lado da vida  a luta diária é bem mais difícil e os monstros muito mais implacáveis.

Por isso não se importar é o pior sentimento, porque aquele poderia ser você, poderia ser sua mãe, seu irmão, sua namorada, seu amigo, poderia ser qualquer um, basta um golpe da vida, as vezes um golpe nem tão certeiro assim, e pronto: você está do outro lado da vida. No livro eu aprendi que na maior parte das vezes é um processo, mais lento ou mais rápido, mas um processo e qualquer coisa pode desencadeá-lo, qualquer pessoa pode sofrê-lo. Por isso você deve se importar, porque quando você não se importa você esquece o fator humano, eles são todos humanos, seus semelhantes, a sua empatia é o que te torna humano e se você não possui essa empatia com eles você deixa de ser humano.

Tem muita gente por aí que já deixou de ser humano, as vezes isso também é um processo, as vezes isso é patológico, pode acontecer com qualquer um e nesse caso pode nem ser notável. Mas eles, aqueles que estão desse outro lado da vida, eles são humanos, eles precisam de ajuda, as vezes não do jeito que eles pedem e as vezes eles nem vão saber receber a ajuda, mas o principal é você não esquecer: eles são humanos. Não deixe que eles esqueçam também.

8 de novembro de 2014

Preciso te dizer

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Te falar de qualquer jeito algumas, talvez derradeiras, palavras.

Em primeiro lugar você precisa saber que sim, eu te acho bonzinho, mas que não, isso não faz de você alguém inferior, como eu acho que você acha, muito pelo contrário. O mundo deveria valorizar mais os bonzinhos, mas acho que enquanto isso não acontece você vai ter que se contentar só com o valor que eu te atribuo mesmo.

Outras coisa que é muito importante que tenho a te dizer é obrigada. Obrigada por todas as conversar politico-social-filosóficas que nós tivemos, elas me ajudaram a crescer muito neste ano que passei aqui. Mas mais do que isso, muito obrigada por ser coerente as suas opiniões emitidas nessas conversas, suas atitudes refletem muito os seus pensamentos e essa coerência é difícil de encontrar em um mundo tão contaminado de hipocrisia. E outra coisa incrível que eu vi e agradeço é que além de problematizar as coisas, pensando sobre o mundo e, principalmente as pessoas, de uma forma geral, você não perdeu a esperança e isso traz alguma paz para meu jovem coração que morre de medo do cinismo que pode me acometer no futuro.

Esse ano que eu passei por aqui foi um dos mais incríveis em termos de crescimento pessoal e profissional e você é uma das pessoas que fez isso possível, muito obrigada!

Ah… como eu sei que você vai sentir minha falta, ainda que de maneira obtusa, afinal eu sou uma estagiária mediocre, pode me mandar uma mensagem quando a saudade bater e a gente marca de sair.

E queria…

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Eu queria que minha vida fosse mais complicada, desesperadora, sofrida. Eu queria ser capaz de experimentar todo aquele sofrimento que as estrelas de Hollywood tieveram em algum momento, e queria fazer como elas, fugindo para as drogas. Eu queria que depois disso eu me recuperasse e mostrasse para o mundo todo como eu sou forte e me tornasse um exemplo de força e sucesso. E queria ser capaz de levar isso para meu trabalho na música, nas artes cênicas, nos livros, desenhos… E ser idolatrada ou odiada por milhões.

E eu poderia ser assim, mas se eu fosse não seria eu. Eu sou forte e responsável, jamais teria coragem de usar drogas, apesar de sempre ter tido vontade de perder o controle. E me dá raiva perceber que eu não consigo perder o controle e fazer alguma idiotice e ser um pouco mais como eu gostaria. Eu sei que nunca vou influenciar milhões com a minha história de superação, mas eu queria chegar em algum lugar nesse caminho.

Eu queria escrever livros que fossem lidos, encenar peças ou atuar em filmes materializando as histórias dos outros, e queria ser bem sucedida com isso. Quera também ter uma vida tranquila, numa casa confortável, com filhos, marido e tranquilidade, ao mesmo tempo que essa idéia de tranquilidade me apavora porque me soa como sinônimo de chatisse.

Eu tenho em mim essa voz que me diz que meu lugar é nas artes, no teatro, nos livros, no mundo, que a rotina de advogada, por mais que seja segura, é chata. É uma voz que não se conforma com o normal, com o comum, que quer que eu viva mais intensamente e que está começando a realmente se fazer ouvida. O meu medo de tudo e de todos ainda existe, mas essa voz também e isso me acalma, porque o que vai me matar é não ter mais essa voz dentro de mim.

Essa é a voz do meu coração, que eu sempre sufoco, mas que é insistente. É a minha voz revolucionária, guerreira, artística e sonhadora. É por causa dela que eu sigo em frente nessa vida comum, o que faz com que ela as vezes fica frustrada, cabisbaixa, se conformando com menos, mas sempre viva e quando eu menos espero ela volta com força total para me trazer de volta a vida. 

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  Cada uma de um jeito, cada uma chegou em um momento, cada uma se tornou algo diferente, cada uma está em um lugar, cada uma é alguém completamente independente das outras, mas cada uma tem as outras ao alcance uma mensagem:

“vamos sair?”

E não é necessário dizer muito, poucas palavras bastam para as outras saberem a extensão do problema, da dor, o que é necessário para a solução e como a outra vai lidar com tudo. Porque elas estão juntas desde sempre, elas se entendem, se conhecem, como ninguém. Certas coisas nem precisam ser ditas, aquele cara de quem uma delas está a fim, ela nem precisa dizer que está a fim, depois de alguns dias as outras já sabem, já dão conselhos, já brincam, e elas nunca o viram, nunca falaram com ele, nunca escutaram a amiga dizer como se sente, mas não precisa, elas já sabem. Elas sentem umas as outras.

E também brigam, quando não concordam com as atitudes de uma, ou com as palavras ditas por outra, quando aquela não se mexe, ou esta está perdida. Brigam umas com as outras tentando empurrá-las para frente, sempre considerando o jeito de cada uma, com paciência e sinceridade.

O ciúmes das outras já não existe, a afinidade maior com uma não exclui as outras porque na verdade elas se completam. Elas são irmãs, uma amizade muito mais firme do que podiam imaginar ter um dia, uma amizade que não se cansa de ser descrita, pensada e contada. Uma amizade dessas que dá orgulho e que você vai fazer de tudo para levar com você pela vida toda, porque a vida sem elas nunca seria são boa. 

2 de novembro de 2014

O Feminismo nos liberta!

 

Faz mais ou menos um ano e meio que comecei a me interessar pela luta feminista e hoje li um texto que me fez refletir sobre isso.

Eu odeio rótulos, esquerda/direita, comunista/capitalista, boa/má, vadia/santinha e etc., mas nesses últimos tempos me rotularam de feminista e ainda que em um primeiro instante eu tenha estranhado e repudiado esse rótulo, hoje, conhecendo o atual movimento feminista, eu não só passei a aceitar ser chamada de feminista, como me sinto orgulhosa de mim mesma quando me chamam assim. Eu não sou militante, sinto vergonha de admitir, mas nunca fui em uma marcha, nem colaboro com nenhum blog/página do Facebook. No entanto, tenho feito o que posso para mudar um pouco a mente daqueles ao meu redor, e mais importante, tenho me policiado para mudar o meu próprio pensamento.

Eu cresci no seio da família da minha mãe, onde, apesar da autoridade soberana ser minha avó e ela ter tido 9 filhAs e 3 filhOs, reina o machismo. Minha mãe me ensinou desde pequena a guardar a roupa do meu irmão (seis anos mais velho que eu) no gurada roupa dele, arrumar a cama dele, lavar a louça dele, entre outras coisas. O engraçado é que meu pai, dez anos mais velho que minha mãe, achava ridículo eu ter que fazer essas coisas por ele e me incentivava a me libertar, o que eventualmente, a muito contra gosto da minha mãe, aconteceu. E não era só aí que o machismo estava presente. Na casa da minha avó as mulheres fazem a comida, põe a mesa e lavam a louça, os homens ficam na sala vendo futebol. E as mulheres da minha família são guerreiras que não perceberam ainda o próprio potencial, e por isso não fazem nada sem a aprovação do marido, ou do irmão, mesmo se ele for mais novo.

E com oito anos um dos meus tios me disse que eu não deveria usar shorts muito curto, mesmo no verão, porque chamava a atenção dos homens. E eu, com 21 anos, avisei minha prima de 10 que ela não deveria usar shorts muito curto, não era legal, talvez se ela morasse na praia, mas em São Paulo não. Claro, que eu não disse isso para ela com o mesmo intuito do meu tio, ele achava que se eu usasse shorts curto era porque queria estimular o olhar masculino. Não, quando eu falei com a minha prima falei do mesmo jeito que meu pai me disse para não usar biquini muito pequeno, para me proteger, para proteger a ela, de ser vista como adulta e receber aqueles olhares desagradáveis dos homens. No fundo meu tio me via como agente e queria evitar o assédio, meu pai me via como vítima e queria evitar o assédio, eu via minha prima como uma criança que não merecia receber aquele olhares tão lascívos em tão tenra idade. Mas no fundo… Dá no mesmo né? Eu não pude usar o biquini que eu queria, ela não pôde usar o shorts que ela queria.

Em outra ocasião, uns dois anos atrás, minha prima de dez anos, agora com 13, veio até mim chocada, uma outra prima nossa disse a ela que a camisa um pouco transparente dela era vulgar. Ela tinha 13 anos, a outra 19 e eu 21. Eu disse que não era bem assim, só que depende do lugar que ela iria, para uma balada a camisa transparente e um soutiã estavam ok, para o trabalho ou escola era um pouco demais. Nesse dia eu lembro de ter pensado muito antes de responder e quando respondi achei que estava tudo bem, mas minha prima de 13 anos ficou chateada ainda assim. Essa semana fui com ela ao ginecologista, ela vestia um soutian rosa chock cuja alça estava aparente debaixo da regata cinza. Eu perguntei se ela achava que isso era certo, mostrar o soutian por aí. Ela respondeu que sim, que ele era confortável. Eu dei risada, disse: é isso aí, e se alguém censurar sua roupa você manda se fuder, a roupa é sua, o corpo é seu e a vida é sua! Ela deu risada, já me escutou dizendo isso algumas outras vezes desde o episódio da camisa vulgar.

Acho que aquele foi o último episódio em que eu cerceei o direito alheio com base no machismo, desde então muita coisa mudou, sem mudar quase nada. É que a mudança foi dentro de mim, meu pensamento, meus sentimentos. Eu comecei a conhecer os movimentos feministas depois da polêmica do Tubby/Lulu, porque foi com ele que eu percebi que era oprimida e oprimia todo dia e nem percebia. Desde então eu parei de julgar as meninas que vão para faculdade de shorts curto, parei de julgar as meninas que vão de regata muito aberta, camisa transparente ou mini saia. Passei a usar o shorts que eu queria, a blusa que eu queria e a não me preocupar tanto com o que os outros pensam sobre isso. Se aquela menina abraça todos os meninos o tempo todo o problema é dela e deles, se aquela outra ficou com cinco mil numa noite, ou deu pra um cara no meio da festa o problema é dela e dele. Assim como o problema é dela se ela quiser casar virgem e não trabalhar fora para ficar em casa cuidado dos filhos. O problema é de cada um, desde que seja por vontade própria e não forçada, ou para atender os desejos dos outros. Hoje, quando eu ando na rua, ao invés de me sentir oprimida e desconfortável com as cantadas indecentes e constrangedoras, eu mostro o dedo do meio, chamo de babaca e sigo andando. Não posso negar que ainda me sinto desconfortável com certos olhares e que não xingo todos que me passam cantadas, longe de me sentir lisonjeada, mas alguns são “mais educados”. Talvez essa seja outra mancha na minha ficha feminista, acho que existe uma diferença clara entre um olhar lascívo que me despe por inteira e um olhar impressionado que me admira.

Esse é o feminismo moderno, que quer a igualdade real do homem e da mulher, que respeita os desejos de cada um e que permite não só que as mulheres usem as roupas que quiserem, mas que elas possam se amar como são. O feminismo moderno quebra e combate os padrões de beleza estipulados pela sociedade e permite que você se ame do jeito que você é, ele busca a emancipação sexual feminina, além da profissional e outras tantas. O feminismo moderno liberta os homens também, quando diz que ele não tem que pagar a conta sozinho nunca, que ele não precisa de carro para ficar com uma garota, que ele pode chorar, que ele pode ser vaidoso, que ele não precisa pegar todas, nem ser o provedor da família e nem nada disso! E é por isso que eu acho que o feminismo liberta, depois de ler e entender ele um pouco melhor eu repensei minha visão de mundo e me livrei de inúmeros preconceitos, julgamentos e inseguranças.

E eu passei a passar essa mensagem para meus amigos, quando eles julgam a menina do mini shorts, e para minha prima quando ela quer usar mini saia, e cada vez que falam alguma coisa minimamente machista perto de mim todos que me conhecem param o que estão fazendo o me lançam um olhar de expectativa, porque eu não vou ficar calada. Eu não vou deixar os outros serem oprimidos perto de mim do mesmo jeito que eu não quero mais ser oprimida em lugar algum. O feminismo nos liberta quando nos possibilita não viver sob os padrões machistas da sociedade, que na maior parte das vezes estão tão incrustrados na gente que nós nem percebemos mais.  

28 de outubro de 2014

Nua

mulher_nua_na_janelaQuando todos seus segredos estão abertos ao mundo você se sente nua com a mera possibilidade de que eles se tornem conhecidos por quem te conhece. Porque se alguém sabe os seus sentimentos mais secretos, o que resta mais? Quem conhece seus sentimentos sobre os pontos mais importantes da sua história tem todas as armas que precisa para te ferir sem nunca te tocar.

A simples idéia me apavora, me enche de uma vergonha da qual eu fugiria com a maior infantilidade do mundo. Porque eu me dispo de todos meus sentimentos e fico nua, roupas jogadas ao chão, junto com essas palavras que eu creio perder ao vento. Cada palavra é uma peça, cada peça um sentimento, cada sentimento uma arma fatal. E uma vez aqui essas palavras não me dão o direito ao esquecimento, me ameaçam com a publicidade e me atormentam com a vulnerabilidade a que me exponho. Eu sei que preciso dessa nudez, preciso jogar essas palavras ao vento, só assim consigo me conhecer, me compreender, me ajudar. No entanto, essa minha necessidade de ficar nua não quer dizer que eu não tenha vergonha de exibir meu corpo nu.

Eu até tento me cobrir com alguma coisa, um véu que seja, sempre no meio fio entre a publicidade e o anonimato, entre o medo e a coragem. Cada texto é uma peça que vai ao chão, uma luz que acende em algum lugar. Cada palavra é uma vulnerabilidade maior a que me exponho. E talvez um dia eu jogue tudo no ventilador, espalhe pro mundo ou suma de vez… por enquanto vou deixando as peças jogadas no chão e as palavras soltas ao vento.

26 de outubro de 2014

Dejá-vu

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Meu tio está doente, está internado no hospital. Acompanhei minha mãe até lá um dia, fiquei apenas na recepção, mas em algum momento, antes de todos os outros da família chegarem, minha mãe me ligou da enfermaria e disse o estado dele. Eu desliguei o telefone e fui lá fora, o vento frio batendo no meu rosto e meu peito apertado, um aperto que me subiu pela garganta e saiu pelo olhos e pela boca.

Era como se eu tivesse 19 anos de novo, como se meu pai estivesse lá dentro e eu sentisse novamente tudo aquilo que senti antes. Eu sei que sou um dos portos seguros, ninguém realmente se preocupa como eu me sinto e espera que eu ofereça apoio aos outros. Eu não me importo, gosto de ser assim, faz com que eu me sinta forte. Mas ali, sozinha, eu lembrei tanto do meu pai, foi um dejá-vu tão forte, um momento assustadoramente semelhante aquele outro sábado em que quem estava internado era meu pai…

Fico flutuando entre as lembranças e a preocupação, cada uma pesando mais que a outra e só piora quando bate a saudade do meu pai e o medo de que meu tio também morra. Eu sei que fui construída para saber lidar com esses sentimento, e eu sei, mas isso não quer dizer que não doa. Engraçado pensar que semana passada lembrava do meu pai no sentido mais freudiano possível, quase num complexo edipiano.

Uma semana muda tudo, sempre. Não é um dia, uma hora ou um mês, minha vida sempre muda de uma semana para a outra, meus sentimentos tem esse ciclo. E esse aperto provocado pelo dejá-vu vai passar logo, alguma distração me leva pra longe dele num instante, a saudade é que não vai passar nunca.

23 de outubro de 2014

Ah! As memórias!

E de uma hora para outra acabou. Sem motivo, sem culpa e nem perdão. Fim. Só restaram as memórias, insistentes, dolorosas e repletas de amor.
É por isso que machuca, cada memória me espeta o coração como o espinho de uma rosa espeta o dedo de quem a segura. As lembranças se acumulam no meu peito, o seu sorriso, sua doçura, suas palavras me consolando quando eu precisei, me fazendo rir quando eu estava brava. Eu acho que nunca fiquei realmente triste perto de você, porque só de sentir seu cheiro meu mundo parava de cair.
Ah, seu perfume!
E foi tão abrupto, tão inesperado... semana passada mesmo nós estávamos fazendo planos para janeiro: Nova York, neve, compras... Sabe aquela música que a gente gosta? "I wanna know, have you ever seen the rain, coming down in a sunny day?" Não me sai da cabeça que ela realmente é nossa música. E todos os nossos momentos bons ficam reprisando em loop na minha cabeça com o refrão dessa música como trilha sonora. Todas as vezes que nós tivemos discussões acaloradas sobre política, cinema, música e sociedade, todos achavam que nós estávamos prestes a nos matar, mas tão logo a euforia passava nós concordávamos em discordar e depois não conseguíamos tirar as mãos um do outro.
E cada momento é um espinho novo, mais um momento que me confunde, que em algum lugar oculta a razão do nosso fim. E eu não sei se é pior não saber a razão de fim tão inesperado ou saber que nunca mais teremos esses dias incríveis. Porque acabou de uma hora para a outra, sem motivo algum, por culpa de ninguém e sem ter que perdoar qualquer um, só restaram as memórias.

12 de outubro de 2014

Tanta mudança que tudo fica igual

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Sábio era Bob Marley! Eu nunca escutei uma música sua, mas me deparei um dia com essa frase e desde então acho que ele é um sábio. Sábio por respeitar o coração de uma mulher, ainda que separar homens e mulheres seja algo que me incomode, então digamos apenas que “a maior covardia de uma pessoa é despertar o amor de outra sem ter a intenção de amá-la”. Assim é melhor.

E eu trago essa frase porque logo depois de escrever um texto sobre mudanças que estão por vir e sobre como eu mudei levei um soco no estômago. Um soco porque percebi que a mudança não foi tão grande, e porque o que escutei me doeu como um soco.

O que escutei foi que foi algo bobo, foi um cara dizendo que conhece certo personagem porque a namorada dele comprou um presente para sobrinha que era daquele desenho. E o que doeu foi uma palavra como qualquer outra: namorada. Depois nem consegui conversar mais com ele, por sorte estávamos em grupo. Namorada? Para mim que está tentando decidir até que ponto eu gosto dele, que está tentando descobrir se eu acho que ele gosta de mim porque gosto dele, ou se eu acho que gosto dele porque acho que ele está afim de mim. Namorada? Eu não esperava por aquilo, foi um soco no estômago que veio sem nenhum aviso prévio e doeu mais do que eu esperava. Aliás, doeu. Acho que doeu porque eu coloquei muitas esperanças nisso, porque eu tinha mais certeza do que pensava que você tinha algum interesse em mim, doeu porque me tirou das alturas, eu subi tão alto, sozinha, que quando escutei aquela palavra caí de mil metros. E doeu. Fiquei triste o resto do dia, depois fui tomada por uma determinação doida de sair com outros caras, de demonstrar mais meu interesse, de me fazer valer, de me fazer tentar, de me fazer falar. E aí eu tive um plim, daqueles que vem de lugar nenhum, mas fazem algum sentido, sabe?

Eu percebi que meu problema não era chamar os caras para sair e sim o medo de eles aceitarem, porque se eles disserem não eu vou estar na minha zona de conforto, mas se eles disserem sim… Se eles disserem sim eu vou estar tentando me ligar a alguém que não deve ter nada haver comigo, porque eu sempre tive para mim que eu sou diferente. Eu estabelesci isso muito cedo, porque eu era timida e insegura, e eu me dizia que era assim porque era diferente e me fiz diferente para alimentar essa minha timidez. E nunca achei que pertencia a grupo algum, mas nesse plim percebi que pertenço e que não tenho que ter medo de que as pessoas não vão gostar de mim por eu não ser igual a todo mundo. Eu não sou igual a todo mundo e ao mesmo tempo que eu tenho muito orgulho disso eu percebi que também tenho insegurança, medo das pessoas não gostarem de mim por eu não ser como todo mundo. Nesse plim eu me dei conta de que é exatamente por isso que eu não falo com o bonitinho, por medo de ele não gostar de mim, já que eu sou diferente. Mas sabe?´Eu gosto de ser diferente, tenho orgulho disso e preciso enfrentar isso, preciso ser um pouco mais como todo mundo agora, sair com alguém, gostar de alguém, me decepcionar, passar vergonha, experimentar. Essa diferença entre eu e o resto do mundo até existe, mas não é tão grande quanto eu pensava e eu não preciso ter vergonha dela.

E eu espero que esse plim seja o plim que me ajude a sair de trás da porta. Que me perceber um pouco como todo mundo e me dispor a ser do jeito que eu sou me dê a coragem que eu preciso para colocar minha cara no mundo, para fazer a mudança e aceitar a mudança.

10 de outubro de 2014

Winter is coming

Verdade seja dita: não sei se será o inverno metafórico, mas o real está chegando, pelo menos no Canadá e é para lá que eu vou em algumas semanas.
Em geral não sou o tipo de pessoa que sente quando a mudança está chegando, ela sempre me pegou desprevenida e me forçou a me adaptar as novas condições, resiliência.  Agora não,  agora eu estou sentindo ela chegar há algum tempo e isso me apavora um pouco, nunca lidei bem com mudanças. Ontem essa sensação de que a mudança estava chegando me encheu o peito na saída do trabalho, eu olhei a paisagem, os prédios do centro da cidade à meia luz do por do sol, aquele povo de todas as etinias passando por mim e a brisa batendo no meu rosto de leve, não sei o que nessa paisagem me fez sentir, mas eu senti: a mudança está chegando.
Logo eu vou para o Canadá passar as férias, depois eu volto e vou estar no quarto ano da faculdade, sair do francês e fazer outro curso, voltar à natação, quem sabe? Vou mudar de emprego, buscar um escritório e conviver com outras pessoas. Isso assusta, mas eu vou fazer isso, preciso dessa mudança e eu sei que ela vem para me fazer crescer, mas assusta.
E pela manhã eu já senti esse ar de mudança, passando pela Paulista, a caminho da faculdade, a meia luz do nascer do sol me lembrou do fim do ano de 2012, quando eu ainda trabalhava no TRF e no fim da tarde sempre caminhava pela Paulista, e lembrando disso eu percebi o quanto mudou desde então. Eu fui para Cusco, para Salvador e Aracaju, conheci Brasília, Joinville e Paraty. Mudei de emprego e comecei a conhecer minha área mais na prática. Percebi que causo muito mais efeito nas pessoas do que eu ummdia sonhei. Perdi um pouco a timidez, voltei a fazer terapia, ganhei amigos, minha casa começou a ser reformada e logo vai terminar, talvez quando eu estiver no Canadá. Então talvez a mudança esteja acontecendo, e eu nem percebi, desde de 2012. Mas mais importante do que essas mudanças de rotina eu percebi naquela manhã o quanto eu mudei.
Hoje eu me sinto mais capaz, mais dona da minha vida, me sinto um pouco menos ingênua e um pouco mais mulher. Talvez minha esperança no mundo esteja um pouco abalada, a minha esperança e achismo em ser diferente dos outros é certamente menor. Eu estou menos hipócrita, menos preconceituosa, judgemental, um pouco mais livre, coerente e feminista. Minha idéia sobre relacionamentos amadureceu também, já não tenho aquela idéia romântica das coisas, mas um pouco mais real, cotidiana. Ontem eu ainda me via muito como uma menininha, uma adolescente tentando se achar e descobrir a si mesma, hoje já me sinto mais mulher, tenho mais certeza de mim mesma e coragem para enfrentar a vida, coragem que antes nunca tive, porque antes eu tinha coragem de fazer dar certo, hoje tenho coragem de quebrar a cara, me arriscar mesmo sabendo que tudo vai dar errado.
Ontem pela manhã eu percebi que as coisas mudaram na minha vida, que eu mudei. Ontem de tarde me dei conta de que mais mudança vem aí. Hoje eu descobri que eu estou absolutamente pronta para abraçar essa mudança.

9 de outubro de 2014

Ele falou comigo!

Não, não foi aquele cara lindo por quem eu arrasto um bonde. Também não foi aquele cara fofo por quem eu me derreto. Foi um cara que eu nunca tinha visto na vida. Ele carregava um carrinho de recolher lixo e eu o vi agradecendo alguma coisa às pessoas que saiam da igreja no fim do culto. Eu estava com a Tuka, passeando, e parei no farol para atravessar a rua, ele estava parado ali.
- Desculpa, senhora, esse cachorro é de que raça? 
Eu disse que era vira lata e ele começou a falar de que os animais são coisas maravilhosas, que ele não gosta de ver as pessoas maltratando a eles, perguntou qual a diferença de um cachorro de raça para um vira lata, eu disse que não tinha diferença, que o temperamento do cão depende do dono. Ele perguntou do pitbull, eu disse que tinha conhecido uns bonzinhos, que a Tuka mesmo era agressiva com estranhos, com os outros cachorros e ele disse que era porque ela quer me proteger. O que me chamou a atenção mesmo foi quando ele pediu desculpas ao contar um caso:
- A senhora me desculpa que eu trabalho assim catando...
- Magina, é digno, é um trabalho digno - eu disse, então ele contou o que viu na televisão, que se passou na Inglaterra, um cachorro que salvou a dona pulando em cima dela depois de ela ter um infarto.
Foi um pouco como o Flávio, ele tinha pleno conhecimento da sua posição social, uma humildade que é quase que derivada da constante humilhação que ele deve ter sofrido mundo a fora. E ele só queria conversar, falar um pouco, então eu fiquei ali, conversando um pouco com ele, a Tuka estava tranquila e fiquei fazendo carinho na cabeça dela até ele dar uma parada e eu achar que já estava na hora de seguir em frente.
Ele falou comigo, conversamos um pouco e eu descobri que esse estranho que eu provavelmente nunca mais vou encontrar é um cara simpático, com conhecimento de mundo e algumas  histórias interessantes para contar.

4 de outubro de 2014

O peso do racismo

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Ele anda curvado, como se levasse o peso do mundo nas costas, olhando para o chão, cuidando de sua própria vida, não faz barulho, come o que tiver e não briga com ninguém. Usa um boné, quase que se escondendo, roupas largas provavelmente doadas dadas as condições delas, seu único problema é a cachaça, mas nem ela faz com que ele saia de sua concha, pelo contrário, bêbado, ele se esconde ainda mais. Ele poderia ser o Amarildo, poderia ser confundido com um mendigo ou com um bandido.

Ele chama Flávio, é pedreiro, alcólatra, negro, pobre e trabalha na minha casa. As vezes ele me parece um bicho acuado e isso me lembra que deve ter sofrido muito preconceito na vida. Esse preconceito que está tão arraigado na nossa sociedade, mas que aos olhos de todos não existe, o fez perceber desde cedo seu lugar no mundo, na sociedade, e volta e meia ele sofre mais uma enquadrada da polícia para não esquecer.

Ele trabalha de dia e vira e mexe dorme aqui, já faz uns 5 meses que ele é figurinha carimbada na minha vila, mas tem gente que o acha um “homem estranho à vizinhança”. Hoje a polícia entrou aqui, um vizinho chamou, pois esse “homem estranho” entrou junto com o carro do amigo dele. Minha mãe viu os policiais, entrou com eles na vila, e veio para casa enquanto os policiais olhavam debaixo dos carros. A construção que está acontecendo na minha casa é na casa da frente, e ao passar por ali minha mãe encontrou o Flávio, no escuro, em um canto da casa, bêbado e no chão sujo e frio. Ela, logo que o viu, percebeu que ele era o “homem estranho”, aquele homem que praticamente mora aqui há cinco meses. Os policiais o viram, identificaram a roupa dele, que batia com a do homem denunciado, minha mãe explicou que ele não era estranho, ele mostrou os documentos, o vizinho que fez a denúncia mostrou os dele. O vizinho explicou porque fez a denuncia, disse que não conhecia o Flávio e que ele tinha entrado junto com o carro, ele ficou preocupado e chamou a polícia… Ele não pediu desculpas.

Em um primeiro momento, ao escutar o que se passou, achei comum, depois tive um estalo. Será que o vizinho teria chamado a polícia se o homem que tivesse entrado com o carro fosse meu irmão? Ele não conhece meu irmão, mas acho que ele não teria chamado. Será que ele teria chamado a polícia se fosse uma tia minha? Ele não conhece minhas tias, mas acho que não. Ele nunca chamou a polícia para a minha ajudante ou os filhos dela, que nunca carregam a chave da vila e sempre aproveitam o portão dos carros. Não. Ele chamou a polícia para o Flávio porque o Flávio é negro e é pobre, é o esteriótipo do bandido. Meu irmão é branco, minha tia é branca, a Dona Cida e seus filhos são brancos… O Flávio é negro. Eu não pude deixar de pensar que talvez se ele fosse branco a polícia não teria sido chamada. Também passou pela minha cabeça que eu poderia estar tão fixada nesse assunto de Direitos Humanos e minoriais que estou treinada a ver maldade onde não tem. Mas como eu posso não ver o racismo aí? Ele foi confundido com um bandido sem ter feito nada! Foi chamado de “homem estranho” sendo que já mora aqui há cinco meses! Não consigo não achar que isso foi, ainda que inconcientemente, racismo do meu vizinho. E fiquei mortificada, morrendo de vergonha da atitude dele e com vontade de pedir desculpas ao Flávio em nome dele, porque o Flávio, com todos os seus defeitos, não merecia NUNCA ter que dar seus documentos a polícia sem motivo algum, ser confundido com um possível bandido!

Ele anda curvado como se sentisse o peso do mundo nos ombros, e sente. É o peso desse preconceito, preconceito por ser pobre e por ser negro, preconceito por ele ter um vício. E ele nem se quer ficou bravo, demonstrou ofensa, não, ele deu os documentos como sempre faz e minha mãe ficou pensando o que poderia ter acontecido se ela não estivesse presente.  O nome dele é Flávio e ele as vezes me lembra um bicho acuado, porque a vida inteira ele foi tratado assim.

 

*Não tive oportunidade de conversar com ele, minha mãe achou melhor ele ir para casa essa noite e descançar lá, mas segunda feira vou pedir desculpas em nome do meu vizinho, é o mínimo que eu posso fazer, já que não tenho coragem de fazer o vizinho pedir desculpas.

30 de setembro de 2014

Os bonzinhos

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Não. Não me importa. São todas malucas com falta de amor próprio e problemas com Freud e os próprios pais. Por quê? Porque todas elas dizem que preferem os cafajestes. Como se alguma delas pudesse mudar algum deles. Como se eles pudessem amá-las de verdade como você amaria. É você. Você que eu chamo de bonzinho e fica chateado, porque sabe que elas não gostam dos bonzinhos. Loucas. Já disse.

Os bonzinho são assim, como você. Fazem elogios principalmente inesperados, mas não deixam de fazer elogios quando esperados. São aqueles caras que nunca vão ser mal educados e se você der sorte ainda serão cavalheiros, não por acharem que você precisa de suas gentilezas e polimentos medievais, mas por quererem te agradar, fazer alguma coisa lisonjeira, ainda que pequena, por você. E são eles que vão reconhecer sua força, ou seu potencial, ou qualquer de suas qualidades, com orgulho, não inveja ou ciúmes. E quem disse que os bonzinhos não tem pegada? Melhor do que um cara com pegada é aquele que te surprende com a pegada… Deixa o bonzinho te surpreender. Porque bonzinho não quer dizer idiota. Bonzinho quer dizer pessoa doce, com um coração grande. E se você tem um coração grande, ou é uma pessoa doce, não quer dizer que você não entenda as malícias da vida cotidiana, só quer dizer que em alguns casos, você é capaz de esquecer delas.

Mas uma coisa não posso negar, em alguns casos os bonzinhos são os piores. Porque os cafajestes são previsíveis e você sabe que eles vão te conquistar e depois quebrar seu coração sem se importar, algumas vezes até de propósito. Na verdade eu sei, com os cafajestes meu coração quebrado, no fundo, é culpa minha que entregou para o cara errado. Os bonzinhos não. Os bonzinhos como você vão conquistando aos poucos, as vezes intencionalmente, as vezes não, e quando quebram nossos corações nós nem conseguimos ficar magoadas com vocês, porque é quase certo que foi sem a intenção. Com você, meu coração quebrado é culpa sua, que quebrou, mas é responsabilidade minha, que, mesmo sem convite, te amou.

Olha ali

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Nesse exato momento, olhando para trás, nada muito longe, logo ali atrás, eu percebo que estou deixando um pouco de lado minhas expectativas. Aliás, mais importante do que isso, deixando de lado minhas frustrações diante de expectativas não cumpridas. Não estou mais me cobrando tanto a realização de certas coisas, estou um pouco mais paciente e tolerante comigo mesmo. Claro, ainda sinto aquela sede louca de futuro, aquela raiva de não conseguir o que eu quero ou não fazer o que queria fazer, mas passei a aceitar um pouco mais minhas limitações. Isso não quer dizer que eu não vou fazer nada para sair dos meus limites, pelo contrário, quer dizer que antes de sair me forçando a empurrá-los eu vou estudar, entender e então achar um jeito um pouco menos dolorido de romper essas barreiras.

Eu fiz algumas coisas importantes esse ano e é extremamente necessário reconhecer isso! Eu falei com o bonitinho, pelo face, mas falei. Eu saí com um cara, e eu nem conhecia ele antes. Eu descobri o feminismo e isso me ajudou a aceitar melhor meu corpo, respeitar minhas vontades e me despir de julgamentos. Eu parei de me desesperar com coisas pequenas, aceitar melhor minhas responsabilidades e culpas. Eu passei a entender um pouco mais da sociedade e as pessoas ao meu redor. Eu parei de me cobrar tanto.

Eu ainda quero mais algumas coisas antes do fim do ano. Eu quero falar pessoalmente com o bonitinho. Eu quero beijar um desconhecido, talvez em uma balada no Canadá. Eu quero sair com o Cadú, mas isso eu duvido que realize. E quero continuar sem me cobrar tanto, viver essa vida sem tanto stress, não me importar tem um quê de leveza que só me tras alegria. E eu posso nem realizar essas coisas, mas hoje sinto uma coragem que vem só do tentar e não da esperança de alcançar, isso é motivador.

Pensar só no agora pode ser algo desesperador nos outros, mas as vezes é exatamente isso que nós precisamos.

1 de setembro de 2014

Seu vocabulário inusitado

Bonita. Vanguardista. Pitoresca. Legal. Eu gosto de você.

Eu guardo todas elas, essas palavras que chegam aos meus ouvidos através de elogios inusitados. As vezes acho que você não percebe o quão inusitados eles são, ou o quão doce eles soam. E não sei se você os diz de coração ou para me encantar. Sabe? Eu tenho muito medo de me enganar sozinha, mas mais medo ainda de você me enganar.  

Porque você tem esse jeito doce que me confunde por inteira, eu fico sem saber se você é assim e só isso, ou se você é assim e só comigo. Quando você não aparece eu sinto a sua falta, sinto saudades do seu carinho e quando você está ao meu lado eu me sinto perdida, sem saber como te responder.  

Então eu vou indo, vou cedendo aos poucos, vou seguindo um pouco suas deixas, me apoderando do que eu posso, dominando algumas cenas e um dia eu me faço por inteira e aí me doou por completo.

30 de agosto de 2014

Você não tem idéia…

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…do efeito que tem sobre as outras pessoas.

Você não percebe que quando você está entre seus amigos e estão todos rindo é porque você disse algo, ou que eles só saem quando você marca alguma coisa, porque parece que sem você para organizar nada acontece. Você conta histórias banais como se fossem contos épicos e eles te escutam como se escutassem o próprio Homero, e quando você fala algo sério, política, sociedade, cultura, eles te escutam como se você fosse uma perita do assunto.

Quando você está com a sua família e eles estão pegando no seu pé de novo, por qualquer motivo, na verdade é o jeito de eles mostrarem o amor que sentem por você. Ou você nunca reparou que se você se atrasa eles começam a te ligar desesperados achando que você não vai? E se você não está, eles estão falando de você. Parece que eles tem toda a admiração do mundo por você. Já reparou que cada vez que você conhece algum amigo de um familiar eles sempre sabem quem é você? Sempre já ouviram muito falar, e ouviram mesmo, contam histórias em que você está, te descrevem sem nunca ter te visto.

E você não percebe nada disso! Não percebe que quando você entra na sala o lugar se ilumina, que quando você sorri o mundo para de girar e que sua gargalhada muda é a melhor música do mundo. E que sua ansiedade com sua própria vida se transforma em um mar de paciencia quando se trata de ajudar os outros, escutar os problemas das outras pessoas. Porque entre todas as brincadeiras com os amigos e alfinetadas dos familiares você é o porto seguro, aquela que aconselha, consola e ameniza as dores de todos.

Eu adoro te observar assim de longe, dominando o ambiente, encarando todas as brincadeiras com leveza e falando com propriedade e conhecimento de causa das coisas sérias. As vezes sinto como se você fosse um quadro, ou um personagem de um livro romântico, ideal demais para ser de verdade, perfeita demais para ser minha.

20 de agosto de 2014

E aí?

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Mas e se eu for falar com aquele cara que eu sempre vejo no ônibus? Se eu finalmente conseguir dizer oi e eles responder? E se ele na verdade não for um idiota que só fala de proteína, mas um cara legal, com quem eu goste de conversar? E se eu começar a conversar todos os dias com ele no ônibus e logo, por whatsapp? E se um dia ele me chamar para almoçar e eu for?

E aí?

E nós nos divertimos e então marcarmos um cinema, depois emendar um jantar e eu achar que passar esse tempo com ele foi a melhor coisa que me aconteceu em meses? E se quando nós nos despedirmos ele me der um beijo? E se eu corresponder?

E aí?

E se depois do primeiro beijo vierem outros beijos? Outros encontros, mãos dadas, logo corpos colados e no fim nós nos dermos conta de que estamos juntos? E se eu perceber que realmente gosto dele? E se eu me der conta que estou absurdamente feliz com ele? E se eu quiser passar o resto da minha vida com ele? E acordar um dia e perceber que há tempos não penso em você e não perder nem um minuto nesse pensamento?

Eu te pergunto: E aí?

Será que aí você você vai estar pensando em mim? Será que você estará se perguntando o que poderia ter sido da gente? Será que você estará arrependido do que não fez? Me culpando pelo que eu não fiz? Será que você faria alguma coisa para mudar o curso da minha história então? E da sua história?

Do jeito que você é bonzinho você provavelmente me veria feliz com outro e me deixaria ali, absurdamente feliz nos braços de outro, porque ao final das contas é a minha felicidade que importa.

Mas eu não quero isso, eu não quero me apaixonar por outro, ser absurdamente feliz com outro e nem planejar meu futuro com ele. Eu não me importo com o que poderia ser de mim com ele, porque é você quem eu quero.

Eu quero ser absurdamente feliz com você, planejar nosso futuro e não deixar espaço para você se perguntar o que poderia ter sido da gente. Eu quero mais, eu quero sentir um frio na barriga e uma vontade louca de fugir antes de te encontrar no nosso primeiro encontro. Eu quero ficar sem saber o que fazer quando você se inclinar para´me beijar da primeira vez e me sentir perdida no dia seguinte, sem saber como agir ao seu lado.

Então eu te pergunto de novo: E aí? E agora?

15 de agosto de 2014

Leap of faith

Não há exatamente u a tradução para essa expressão, mas acho que podemos traduzir como "voto de confiança", mas é um voto de confiança meio no escuro.  E eu me dei conta que na vida é extremamente necessário dar esse salto no escuro, principalmente no que tange conhecer alguém.  Na verdade eu acho que o amor é um grande leap of faith, porque você entrega seu coração na mão de outra pessoa, sem ter certeza nenhuma de como ela vai cuidar daquele bem tão precioso. Nas mãos de outra pessoa seu coração pode se machucar, pode ganhar cicatrizes, em alguns casos pode quebrar e as vezes nunca mais voltar a ser um só,  e você não poderá fazer nada, você estará completamente vulnerável a sentir tudo isso, porque você perdeu o controle, quando entregou para a outra pessoa.

Eu odeio perder o controle. Só a ideia já me apavora. E esse deve ser um dos motivos que eu não me apaixono de verdade, porque enquanto for platônico o coração está em minhas mãos, quando for real vai para as mãos de outro. Só que no platônico eu controlo até certo ponto, porque só o fato de não ser real e não acontecer de verdade me machuca também, talvez em menor escala, mas ainda dói. E é isso que eu preciso fazer, dar esse salto, me atrever a demonstrar meus sentimentos a outro, me permitir gostar do outro e ele gostar de mim, I have to take a leap of faith. E isso vai exigir coragem, vai exigir muita coragem, coragem que eu não sei se tenho agora, mas que estou decidida a encontrar.

9 de agosto de 2014

Ela

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  Eu posso ficar minha vida toda olhando para ela. Passar semanas só observando o modo que seu cabelo cai sobre seu rosto e como os olhos dela brilham e ficam lindos sob determinada luz. E o modo como ela sorri, franzindo um pouco o nariz, levando a mão ao rosto um pouco tímida, quando ela faz isso eu ganho o dia. Aliás, posso passar o resto da minha vida com o reprise da risada dela em loop sempre diante de mim que acho que não iria enjoar. Mas também adoro quando ela me olha irritada, ou com raiva de alguma besteira que eu fiz, nessas horas eu fico com vontade de jogá-la na cama, segurar seus braços e beijá-la por inteiro, até ela se acalmar. E mesmo quando ela fica triste, ou está cansada, eu acho ela perfeita, sinto um desejo incontrolável de abraçá-la e nunca mais soltar, de fazer tudo tudo para que a vida dela melhore, ou de simplesmente fazê-la deitar no meu ombro e fazer carinho nos seus cabelos até ela adormecer.

  Eu posso ficar minha vida toda conversando só com ela. Porque quando acontece um desastre, ou alguma coisa incrível, é para ela que eu quero contar. E quando alguém me conta uma piada eu tenho vontade de encontrá-la logo, ou falar mesmo ao telefone, só para escutar a risada dela. E adoro quando ela me conta alguma coisa boba do dia a dia dela com aquela cara séria, como se fosse a coisa mais surpreendente e chocante do mundo. Ou o som da voz dela, logo depois de ela acordar, antes de aquecer as cordas vocais. Só ela me faz escutar uma história de vinte minutos antes de saber o resultado de alguma situação, ou a decisão que tomou, ou a conclusão a que chegou. E se ela quiser eu espero a noite toda acordado para saber como a história termina.

  Eu vou construir todo meu futuro com ela. Comprar um apartamento para nós morarmos juntos, um cachorro pequeno para nós cuidarmos, um vaso de planta para nós esquecermos de regar e até visitar os pais dela nos fins de semana e participar das festas de família com entusiasmo, porque sem eles ela não existiria. Vou buscar nossos dois filhos na escola, porque ela está trabalhando e de noite, quando eles estiver cansada vamos fazer o jantar para ela comer. Quando ela estiver doente ou preguiçosa nós vamos levar o café da manhã na cama e ficar com ela vendo reprises de filmes na televisão, nós também vamos fazer isso, só nós dois, quando nossos filhos saírem para uma festa e nós não conseguirmos dormir até eles voltarem. E quando nossos filhos saírem de casa, para estudar, casados ou pela liberdade, nós vamos ficar ali, juntos, sentados na cama deles lembrando suas travessuras, rindo das nossas preocupações e vendo os álbuns de todas as fotos que nós fizemos em nossas viagens pelo mundo.

  Eu estou casando com ela e vou não consigo pensar em nenhuma outra decisão que tomei na minha vida que tenha sido melhor que essa.

5 de agosto de 2014

De corpo e alma

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Minha psicóloga diz que a terapia não vai me trazer as respostas prontas, mas sim me ajudar a pensar em meus problemas e nós duas juntas encontraremos as respostas. Ela, na verdade, me ajuda a pensar, propõe as questões e, no fundo, acho que quem encontra as respostas sou eu.

Bom, acho que encontrei mais uma resposta. Solidão nunca foi um problema para mim, mas o tempo todo busco alguém, sempre quis um namorado, ser um pouco mais como todo mundo, ainda que ser diferente não me desagrade. E eu quero esse companheiro e nunca encontro, ninguém é bom o suficiente,´todos tem algum defeito e  eu sigo sozinha. Me perguntei várias vezes se eu achava que não era boa o suficiente, mas eu me acho, tenho altos e baixos, mas me acho uma garota incrível e sei que outros também acham. Me perguntei se era falta de oportunidade, mas oportunidades sempre tem, todos são oportunos. Me perguntei se escolhia demais e sei que sim, mas comecei a mudar, a desencantar meus príncipes. E me questionei se era medo, do desconhecido, do diferente, do outro e percebi que na verdade é medo de mim mesma.

Meu problema é me sentir vulnerável, não é o único, mas nesse aspecto acho que é o crucial. Eu não sou totalmente eu com ninguém, nem com as meninas, nem com o pessoal da faculdade, nem com a minha família e nem com a psicóloga. Eu tenho esse medo terrível de que as pessoas realmente me conheçam, porque aí eu vou ficar vulnerável. É como se ao deixar a pessoa me conhecer eu estivesse dando a corda para ela me enforcar.

Eu falo sobre coisas do dia a dia, conto toda a minha vida, dou risada e faço rir, conto meu passado e meus sonhos de futuro, mas eu nunca digo como me sinto a respeito de nada disso. Meu sentimentos se restringem a esse blog, eu guardo todos eles a sete chaves e depois deposito aqui, com calma e subjetividade, com a garantia do segredo. Ninguém sabe o endereço do blog, ninguém consegue realmente me identificar, ninguém conhece todos esses sentimentos que coloco aqui. Todos esse amor que eu sinto pelas minhas amigas? O ciúmes que eu sinto de alguns amigos? Ainda que com outros amigos? Meus medos e como eu sempre tenho medo de tudo? Minhas angustias com a minha família?

Ninguém sabe.

E para ter um namorado, para ter esse companheiro, eu teria que ficar vulnerável. Não tem como não ficar, eu vou estar colocando meu coração na mão dessa pessoa e ela vai poder fazer o que quiser com ele. Eu tenho medo disso. Por isso as paixões platônicas, porque eu não preciso abrir mão do meu coração. Nunca foi sobre viver no encanto da minha interpretação sobre o outro, ou sobre o amor utópico e sim sobre esse escudo que eu criei em volta de mim.

Eu tenho orgulho da minha resiliência, da minha força agora, mas acho que essas coisas não vieram sem um preço. Eu tenho orgulho de ter sofrido e superado diversas adversidades, eu sei sobreviver e sou boa nisso, gosto disso sobre mim, mas acho que isso me bloqueou um pouco. E agora eu preciso achar algum jeito de me permitir amar de verdade, de deixar esse escudo de lado e me permitir viver as alegrias e dores da vida. Vai machucar, vai ser até desesperador, mas eu já sei que sei sobreviver, sou boa nisso, mas não quero só isso. Eu preciso aprender a abaixar a guarda e me envolver.

2 de agosto de 2014

Acho que essa sou eu

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Eu cresci muito ultimamente, evolui de verdade, dei passos que a um ano atrás pareciam impossíveis, mas a cada passo que eu dou me deparo com novos problemas.

Eu adicionei o bonitinho no facebook, depois de um ano e meio só olhando eu finalmente dei um passo, e até fui falar com ele. Conversamos um pouco e não deu em nada. Eu comecei a tentar conversar de verdade com os caras do Tinder, conversei com alguns, fugi do encontro com uns e finalmente fui em um encontro com um. Acho que ir nesse encontro, que falar com o bonitinho, isso foram passos importantes, passos difíceis, que eu pensei muitas vezes em nem dar, mas que por saber que era o que precisava ser feito, eu dei.

As aulas estão voltando e eu não sei se vou conseguir reunir coragem para falar com o bonitinho pessoalmente, mas vou tentar, sem expectativas, só pelo tentar, pelo crescer, pelo fazer algo que me foi proposto, ainda que por mim mesma, para provar para mim mesma e para os outros que eu posso. E foi com essa mesma perspectiva que eu fui no encontro ontem. Eu tinha um nó no estômago, vontade de desistir a todo segundo, vergonha, medo, insegurança, mas eu sabia que precisava ir, quebrar essa barreira. Nós não ficamos, ele é divertido, é um cara legal, mas por alguma razão não me senti atraída por ele e a ideia de nos beijarmos me deixou um pouco nauseada. Não sei se é porque ele se parece muito com um amigo meu, porque não era para ser, ou sei lá, nunca vamos descartar a ideia de eu ser lésbica né? Eu sinto atração por homens, mas nesse exato momento estou tão confusa, tão tentando me descobrir, que vai saber!

E depois do encontro eu parei para pensar se eu conseguiria dar um beijo nele, no cara de quem eu acho que estou afim, na minha mais nova paixão platônica, não tão platônica assim. E sabe o que eu acho? Que eu não sei. Minha barriga fica meio gelada com a ideia de beijá-lo, como fica quando ele se aproxima demais, mas não tenho certeza se eu conseguiria ficar com ele. Talvez eu veja ele também só como amigo, do mesmo jeito que vejo o cara de ontem. E o pior é que eu acho que só vou descobrir na hora que acontecer, se acontecer.

Talvez tenha a ver com admiração, que eu sinto pela paixão platônica, mas não pelo cara de ontem, afinal, já disse Mr. Darcy: "as mulheres tem uma mente muito fértil, passam da admiração para o amor em um piscar de olhos".

22 de julho de 2014

Extrovertida!

Quem diria que um dia eu, que tive dificuldades minha vida toda para fazer amigos, seria chamada de extrovertida.
Aconteceu assim, como se fosse nada, ela disse com naturalidade, opondo meu comportamento ao dela, ela que não me conhece direito e nem sabe da minha história. E eu acho que é assim que todos eles me vêem, meus colegas e amigos também. Eu acho que não tenho idéia do efeito que exerço sobre os outros. Não tenho idéia de que os três gostam de falar comigo, que ele gosta de mim (sabe deus de que forma), que outros já gostavam de conversar comigo e gostavam de mim. Não tenho idéia do porque, ainda que minha parte racional saiba, não tenho idéia do como, ainda que minha parte extrovertida saiba, não tenho idéia do quando, ainda que... Não, quando eu não sei mesmo.
Não sei quando me tornei extrovertida, quando consegui expor ao mundo esse meu lado carismático, quando consegui vencer essa minha timidez, ou mesmo quando me tornei essa pessoa que pode ser querida por aqueles a quem ela admira. Eu não sei mesmo. Mas estou contente de que tenha acontecido. E me sinto estranha também, como se agora eu estivesse em um pequeno pedestal e tivesse que começar a tomar cuidado para não cair.
Extrovertida. Logo eu que sempre fui tão tímida, tão insegura...que ainda sou assim.
Na verdade acho que aquilo que dizem da coragem, que a coragem não é ausência de medo, mas a consciência de que é necessário vencer o medo, serve para a extroversão. Ser extrovertida não quer dizer que eu não seja tímida, mas que eu tenho consciência de que preciso vencer minha timidez para viver mais feliz.
E eu gosto de ser extrovertida, de ser o centro das atenções, gosto dessa nova realidade e de ter me livrado daquela etiqueta de tímida que me aprisionava em mim mesma

11 de julho de 2014

Vícios

  Eu não sei, acho que tenho um problema muito sério com vícios. Não que eu seja viciada, não sou, em nada, mas principalmente porque eu não uso nenhuma substância que vicie. Meu pai era alcolatra, meu avô materno, diversas tias e mesmo nunca tendo visto meu pai beber, nem ter conhecido meu avô materno, eu também nunca vi nenhum vício trazer algo bom. Eu nunca provei nada, então a sensação boa eu nunca tive, eu só fiquei de fora observando e nunca vi ninguém ficar mais legal porque bebeu, ou usou drogas. O que eu sempre vi nas minhas tias foi elas ficarem mais chatas, implicantes, donas da verdade e irritadiças, elas passam a ter desentendimento por erros bobos de interpretação, de comunicação. Minha mãe disse que meu pai ficava violento, por isso, quando eu era bebê, tinha medo dele. Por aí não são poucas histórias de agressão depois de beber, seja do marido na mulher e nos filhos, ou seja no meio de uma briga de bar entre amigos.
  E quando as pessoas ficam bêbadas perto de mim eu fico insegura, com medo do que pode acontecer porque eu acho que as pessoas bêbadas perdem o bom senso, não sabem mais o que fazem e podem acabar fazendo qualquer coisa. Eu nunca vi nada de bonito acontecer no fim de festa open bar. E a quantidade de coisas ruins que acontece não para aí, temos quem bebe e pega o carro, quem perde emprego devido ao vício, quem não consegue manter a família,  quem perde tudo. Eu nunca vi um vício trazer nada de bom, só coisas ruins, de situações embaraçosas até morte, passando por doenças e miséria.
  Eu confesso que já senti vontade de experimentar vinho, champagne, maconha, ecstasy... Mas meu medo é muito maior do que a vontade, porque eu sempre lembro que pode ser bom, por um momento me fazer sentir bem, mas depois... As desgraças que pode trazer para minha vida não compensam. Entenda: estou longe de ser a pessoa mais saudável do mundo, mas não consigo ver nenhum benefício naquilo que pode se tornar um vício

9 de julho de 2014

Perdida

  As vezes eu fico perdida em meio a recordações, sonhos e histórias não escritas, fico sem saber o que fazer, andando em rumo e sem um sentimento definido. Nessas horas eu ando pela casa sem realmente fazer nada e meu pai, sempre que me via assim, me perguntava se eu estava perdida. Eu tenho lembrado bastante dele essa semana, acho que por causa da copa, era uma coisa nossa, sabe? Um momento em que eu torcia para a Alemanha, mesmo sem nunca ter realmente me identificado com a cultura alemã,  até por não conhecê-la. E hoje, pela primeira vez, eu sinto vontade de aprender alemão,  de tentar me conectar com essas raízes,  é uma coisa que minha mãe sempre quis, e hoje eu quero, hoje eu acho que o alemão vai ser mesmo minha quinta língua. E no fim, sem querer vou falar as mesmas línguas que meu pai, mas aprendendo na ordem exatamente inversa... a vida é uma coisa meio louca mesmo.
  As vezes fico assim sem saber o que vai ser de mim, mas sem desespero, só esperando o futuro chegar, ainda que um pouco impaciente, desejando mudança, mas nada muito radical. Tem que ser um passo de cada vez e nada depende só de mim. A terapia tem ajudado um pouco, eu acho, fiz alguns movimentos pequenos, estou com menos medo e sinto que não estou fugindo tanto. Na verdade sinto exatamente como naquela frase: coragem não é ausência de medo e sim consciência de que é preciso superar o medo para chegar a algum lugar. Não era exatamente assim, mas algo do tipo. Tenho feito pequenos movimentos na escrita também,  tentando achar meu estilo, escrever essas histórias que eu tenho para contar. Uma já está pronta na minha cabeça, só preciso parar de protelar e escrever.
  E as vezes eu fico assim, perdida entre o não fazer nada e o fazer o que não interessa e acabo não fazendo o que devo. É uma vontade de fazer tudo e no fim não fazer nada. Preciso me organizar, estabelecer metas e datas e seguir esse plano, não importa o que aconteça na confusão da minha cabeça!

4 de julho de 2014

Vem vindo

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Vem crescendo, primeiro discretamente e devagar, depois quase de forma sufocante e tão rápido que cega. É uma vontade de sair daqui, de correr para qualquer lugar, de manter distância de tudo isso, de perder raízes mesmo. Porque perder raízes pode ser desesperador, mas também pode ser libertador, até saudável. E a saudade bate, dói as vezes e é constante, mas será que não vai ser melhor sentir saudade do que deixar a relação desgastar com o tempo? As vezes acho que a proximidade constante estraga qualquer relação. As coisas que são boas se tornam ruins com o tempo e as que são ruins se tornam insuportáveis.

Talvez eu funcione diferente, mas as vezes preciso de um tempo sozinha, um tempo só meu, longe daqueles que encontro todos os dias. Um tempo para respirar, para sentir saudades, para descansar, para me libertar. Depois eu volto, eu acho que sempre volto e meu medo é um dia não querer voltar. Decidir catapultear toda minha vida e começar do zero. Na verdade as vezes tenho a sensação que é isso que o destino reserva para mim, um segundo de coragem onde eu vou mudar tudo, abandonar tudo e fazer algo completamente inesperado. Mas esse segundo nunca vem. Não vem porque eu sempre penso além, sempre penso no que vai ser de mim alguns anos depois desse segundo e sempre acho que vou ser infeliz. Acho que prefiro ser medianamente infeliz aqui cercada de conforto do que me ver infeliz fazendo algo que amo e passando a odiar aquela coisa, me arrependendo do segundo de coragem.

Quem sabe um dia? Talvez em alguns anos eu largue meu trabalho de advogada, assuma em tempo integral meu papel de atriz e jornalista, ou escritora e passe a viver disso. Viver de momento, não de futuro e expectativas. As vezes acho que as expectativas dos outros sobre mim é o que me sufoca. Acho que tenho que parar de ver tantos filmes, ler tantos livros e sonhar tanto, mas é que a vida anda meio parada e aquela vontade de largar tudo está meio sufocante.

22 de junho de 2014

Passo a passo

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  Bate uma insegurança de repente, você apaga tudo o que escreveu e desiste de falar o que queria, o medo te faz achar que não vale a pena, não vai dar em nada. Mas então vem uma súbita onda de coragem que te dá o empurrão que você precisava e você fala o que queria e envia a mensagem que pretendia e diz “foda-se” para as consequencias. Depois você se questiona se fez certo, acha que não vai receber resposta, ou que a resposta recebida não é boa o suficiente. Pede conselhos para todos que conhece, “o que eu faço?”, “o que você acha?”, mas uma hora passa. Uma hora você supera essa fase e percebe que pode não ser tão ruim.

Uma hora você deixa de se lembrar apenas dos tropeços e pedras no meio do caminho, se lembra das flores e das coisas boas que aconteceram, então começa a sair de fininho de trás da porta, a sair bem discretamente. Você ainda não se jogou, mas deu o primeiro passo em direção ao pulo, isso já é ótimo. Pode ser que não dê certo, que você se machuque e que as coisas não saiam exatamente como você gostaria, as possibilidades são muitas e você não sabe o que vai acontecer, mas pelo menos você saiu um pouco de trás da porta. Você começou a se permitir ter aquilo que você quer, você se abriu um pouco e se mostrou ao mundo e viu que não era tão ruim, você pode fazer isso outras vezes.

O importante é reconhecer o quanto você fez até aqui. Você sabe, de maneira racional, que você é boa o suficiente para quem for, agora só precisa se permitir sentir isso emocionalmente. O machucado não é tão insuportável, aliás ele não é nada se comparado a alcançar o seu objetivo. Você pode fazer isso, você vai conseguir, está caminhando e logo logo vai ser capaz de se jogar sem olhar para trás.

7 de junho de 2014

Mais um sonho com você

E mais uma vez eu te encontro nos meus sonhos, mais uma vez foi uma aparição aleatória, quase romântica, que eu não sei direito de o de vem. Eu não sei se eu sonho com você porque você sempre vai ter um espaço reservado para você no meu coração, se é porque é através dos sonhos que o destino me lembra o que é certo para mim, se é porque eu simplesmente não consigo te esquecer, mesmo achando que já esqueci, ou se é o acaso, simples assim.
Dessa vez estávamos em um estacionamento, você vestia um jeans e uma jaqueta e estava atrás do carro, indo em direção a porta do motorista, eu estava indo embora quando resolvi virar e falar tão sinceramente quanto nunca faria na realidade
- Então é isso né?
- O que? - ele perguntou parando, eu me virei para ele e também parei
- Nós dois. Não leva a mal, você é bonito e educado, mas nós nunca daríamos certo juntos - eu disse dando os ombros. Ele sorriu.
- Quem sabe? - ele disse em resposta, uma resposta que nos meus ouvidos soou como se fosse um "um dia a gente descobre juntos".
E eu me acho boba por acreditar que esse sonho é um sinal do destino me dizendo que ele é minha alma gêmea ou algo do tipo, mas eu sonhei com ele na noite que descobri que minha prima está namorando o amor de infância dela. Mas eu não lembrei dele até acordar hoje, depois de sonhar com ele. Eu não sei, às vezes acho que ele se tornou um babaca e que provavelmente é menor que eu. Outras vezes lembro que ele era incrível.
Talvez meu problema seja falta de um amor real para se viver

4 de junho de 2014

Sua total indiferença

10320474_662898880449869_7107545634638566342_n   Acho que se você me odiasse seria menos dolorido. Se você não fosse bonzinho. Se você não tivesse esse olhar infantil e esse sorriso doce. Por que eu sempre me derreto pelos que tem olhar infantil? Pelos que me provocam, me irritam, me fazem dar risadas e tem um coração enorme? E eu notei isso agora, agora que acho que eu sou indiferente para você, que eu acho que você não dá a mínima para mim, no sentido que eu gostaria que desse. Só agora que estou desiludida e cabisbaixa me dou conta de como você preenche todos aqueles itens da lista que, sem querer, todos os caras que eu gosto tem em comum.

  Por outro lado acho que você deve ser um babaca, fico me perguntando porque seu último relacionamento não deu certo, qual seu defeito, e achando vários pequenos problemas com você. Problemas estes que obviamente somem quando você faz graça, me olha e sorri. Sorri sem saber que eu me derreto, sem ter a menor noção de como você afeta as pessoas. Seria melhor se você fizesse de propósito, para me machucar, para se achar… É tão mais fácil não gostar dos outros. Achar que eu sou simplesmente indiferente à você dói mais, achar que você só me vê como uma amiga e não como eu te vejo, como eu achava que você me via. Talvez você nunca tenha se quer pensado em mim dessa forma e isso é uma droga. Eu preferiria seu ódio a sua indiferença.

  Mas claro que insatisfeita como eu sou só penso tudo isso porque perdi o que achei que tinha, se você gostasse de mim eu provavelmente iria achar você morno ou qualquer coisa do tipo, só para não sair da minha zona de conforto.

17 de maio de 2014

Foi diferente

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De todas as paixões platônicas que eu tive, por medo de me apaixonar de verdade e me machucar demais, você deve ser a que mais me dói. Cada vez que me contam algo de você e é uma daquelas coisas fofas e doces que você faz sem perceber, eu sinto que uma partezinha do meu peito derrete. Mais do que quando você me elogia e olha que eu me derreto toda quando você me elogia.

Verdade seja dita: eu não achava que eu realmente gosto de você, achava que você era mais uma das minhas inúmeras paixões de passatempo e alimentava meu platonismo com seus elogios delicados, seus sorrisos tímidos, suas brincadeiras bobas… Então um dia me dei conta de que talvez a única pessoa do mundo que não achava que você gostava de mim podia estar certa. Ela que te conhece e sabe seu jeito paternal, ela que disse que era só seu jeito de ser. Mas eu estava tão alimentada de platonismo que ignorei, achei melhor me achar diferente dos outros, afinal, ela te conhece, mas nunca viu você comigo. Até que eu caí, caí na real de uma altura de mais de cem metros e machucou. Machucou mais do que deveria, porque eu achava que não gosto de você, até começar a achar que você não gosta de mim, que esse alimento que eu dei o tempo todo para meu coração não existe e eu me iludi sozinha.

Foi diferente das outras vezes, porque das outras vezes era platônico, mas era atração, era sonho, era mais platônico, não tinha esperanças de ser real. Dessa vez eu diria sim se você me chamasse para sair e eu esperava que isso fosse acontecer a qualquer momento. Só que agora me dei conta de que não vai acontecer, de que você não tem interesse em mim, mais do que de amizade, de que você é simplesmente fofo com todo mundo e eu não sou minimamente especial como achei que fosse. Dessa vez me doeu fundo e me desanimou, fez eu me sentir a criatura mais boba do mundo, como uma verdadeira menininha ingênua que nunca passou pela minha cabeça ser. 

E o pior é que eu ainda lembro de algumas coisas que você disse e sorrio sozinha, que eu ainda penso em querer te impressionar, ainda me questiono se não tenho chance mesmo, ainda ajo como se você tivesse todo interesse do mundo por mim. O pior é que afeição você tem, mas não a que eu estava desejosa de receber de você.

15 de maio de 2014

Me deixa em paz com meu desamor

tumblr_lb6kpmzLnD1qbxpl6o1_500 Eu queria que você me ligasse, que você me mandasse mensagem, me marcasse em alguma publicação do Facebook, aparecesse na minha casa... Eu queria que você nunca mais saísse da minha vida. Que a noite de ontem e o dia de hoje pudessem se prolongar por toda a eternidade. Que eu nunca tivesse pegado aquele segundo ônibus que passou ou que você pedisse para que eu não fosse embora, porque era capaz de eu deixar todo o resto da minha vida em modo de espera só para passar mais uma noite com você. Porque eu sei, eu saberia, que seria a última. E eu não queria que fosse, eu não queria a noite que eu passei com você tivesse sido a última, não queria que o estrogonofe que eu cozinhei tivesse sido o último ou que você tivesse me dado aquele curto abraço depois da nossa última vez. Eu queria que aquele abraço durasse para sempre.

Como você pode me dizer que a gente não tem química? TUDO o que a gente tem é química! Eu te pedi, eu te implorei para que você fosse sincero, para que você me dissesse o que você queria comigo, se era só sexo ou se você queria realmente tentar. Você disse que queria tentar. Por que? Não ia mudar nada, eu e meu desamor teríamos deixado isso acontecer, porque a verdade é que eu faria qualquer coisa para manter você na minha vida. E nossa vida juntos, tentando, se resumia àquele quarto, àquelas paredes que escutaram tantos gemidos meus, porque você nem precisava sair de casa para ficar comigo. E eu estava bem com isso, eu não me importava em encontrar seu irmão no corredor do banheiro me julgando, porque eu ia virar a direita e te encontrar, ficar com você depois de todas as coisas erradas que você já tinha me feito.

EU tentei, eu realmente tentei. Eu me forcei a confiar, resisti a impulsos ciumentos e tentei driblar a sua falta de interesse, porque você disse que queria tentar. E disse mais de uma vez, disse todas as vezes que eu tentei terminar. Você me pedia para ficar com a mesma facilidade com que me dizia que não estava com mais ninguém. E eu acreditei, tentei acreditar e quando não consegui mais descobri que estava certa, que você estava me enganando de novo. Mas ainda assim te dei mais uma chance.

Porque eu me apaixonei por você. Eu te amo tanto que acho que nunca mais vou gostar de ninguém assim. Eu te amo até quando você me conta todas essas verdade sobre sua patológica falta de capacidade de se comprometer. E dói. Esse amor me dói muito e eu não desejo a ninguém isso, nem a você. E eu só queria ficar em paz com meu desamor, sem ter ninguém me julgando por te amar tanto, sem que ninguém brigasse comigo por ter essa vontade louca de te ligar e implorar para você ficar comigo. Mesmo sabendo que eu não posso. Não posso passar por isso de novo, não posso levar isso assim para sempre, não posso continuar me machucando dessa maneira.

E ainda que agora eu saiba que nós nunca poderemos ser nada, eu vou te ligar e me humilhar, expor meu desamor e voltar a gemer para aquelas paredes mudas, provando a cada gemido a nossa química. E você ainda vai me procurar e, mesmo dolorida, meu desamor vai dizer sim para o que você quiser, porque ele supera meu bom senso, ele só quer saber de te amar.

Se as feridas cicatrizarem, esses tantos machucados que você imprimiu em meu peito, se isso acontecer eu talvez construa um muro para me proteger e nunca mais sofrer assim. Um muro que impedisse você de voltar para a minha vida e que permitisse que você me deixasse em paz com meu desamor.

26 de abril de 2014

Maybe we are meant to be

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  A primeira vez que ouvi falar de você foi quando a minha melhor amiga começou a ficar afim do seu melhor amigo. Ou o contrário. Vocês estudavam juntos e ela mencionou que você dava carona para ele e ela. Foi em um e-mail que eu só lebrei de ver depois de já te conhecer, anos mais tarde. Ela sempre comentava de você, ela adora você e sempre falava bem e carinhosamente, então eu me afeiçoei por osmose, passei a ficar curiosa querendo saber quem era você. Quando eu estava prestes a te conhecer fiquei nervosa, já fazia uns dois anos que ouvia falar de você, não que ela tentasse despertar meu interesse, pelo menos acho que não, mas eu fiquei curiosa. Então eu te conheci e nós nos demos bem, tão bem quanto seria normal, já que nossos melhores amigos estão juntos. Você é divertido e leve e todo mundo precisa disso na vida, mas você não tem um objetivo e isso me assusta. De qualquer modo você me marcou, foi doce comigo e essas coisas me marcam. Não te vi mais por um tempo, tentei falar com você algumas vezes, mas acho que talvez eu não tenha te marcado ou despertado seu interesse/curiosidade, então aceitei isso. Depois ainda te vi, rapidamente, mais umas duas vezes, uma delas você nem ligou a outra pareceu buscar amizade, mas foi rápido o encontro. Desde de então não te vi mais.

Mas ela ainda fala de você. E fala de um jeito que parece de leve querer atrair minha atenção. E ela consegue. Não sei se ela quer que nós fiquemos juntos, pode até ser, se for, ela sabe me “jogar” muito bem. Mas não sei se ela merece tal crédito, porque parte de mim acha que ela não faz de propósito, mesmo. Outra parte de mim não entende porque eu tenho esse interesse inexplicado por você, se é ela que sabe me “jogar” bem ou se é… se é o destino. Às vezes acho que nosso destino é ficar juntos, não se assuste, eu nem te conheço e não sei muito sobre você, a não ser os depoimentos dela que são tendenciosos, mas você não faz exatamente eu tipo e tem essa falta de objetivo na vida que me apavora em qualquer pessoa, mas ainda assim eu me sinto atraída por você como um imã. Mesmo sabendo que você pode me dar alguma dor de cabeça, afinal a lei do menor esforço diz que é mais fácil ficar com quem já está construído do que ajudar alguém a se construir. Mas você deve ser o polo negativo do meu imã, porque mesmo sendo adepta da lei do menor esforço sinto uma força me puxar a você. De novo, não sei o crédito que ela merece, não sei o quão genial ela deve ser para me fazer me interessar por você de maneira tão sutil ao longo de tantos anos sem realmente empurrar um ao outro como cupido, coisa que se ela fizesse me afastaria de você.

Então eu fico assim, sem entender se ela pretende alguma coisa, sem saber da onde vem essa atração e me questionando se realmente existe um destino por aí colocando você no meu caminho.