29 de janeiro de 2014

Centro do universo

 

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O meu problema é que eu quero todos. Não tenho vontade  de namorar com todos, mas quero a atenção e o carinho de todos. Talvez porque eu esteja sem paixão platônica no momento, talvez porque eu goste de ser o centro das atenções, ou talvez simplesmente por capricho, quem sabe? A coisa é que eu não posso ver um par de calças sem querer ser especial, só Freud pode explicar.

Meus professores da natação deve prestar atenção em todos os exercícios que eu faço, fazer brincadeiras comigo e rir das minhas piadas, tem que treinar comigo e se eu não tiver aula com eles, que eles ao menos mostrem que perceberam minha presença. Entre os namorados das minhas amigas eu tenho que ser a amiga mais legal. Entre meus amigos homens eles devem saber exatamente como eu funciono, devemos ter uma química invejável e encontros exclusivos. Entre meus primos eu devo ser a preferida, e esse é, na verdade, um ponto de frustração, pois tenho plena consciência da minha função coadjuvante em relação a Aline perante meus primos, me salva o fato de eu ser a principal para ela e para mais um ou dois primos. Meu irmão deve ter ciúmes de mim sim, sou especial demais para ele não se importar. E no trabalho eu devo ser a única estagiária a desbravar os limites sociais e ter uma relação amistosa com os advogados, os homens. Sem contar que todos devem saber meus problemas e se preocuparem se eu os resolvi ou não.

Daí o fato de eu ter ido de vestido hoje na faculdade, vestido, salto e cabelo solto. Primeiramente pelo acaso de encontrar o bonitinho no ônibus e em segundo para que meu amigo, e apenas amigo, uma vez que não sinto atração por ele, para de achar uma outra amiga linda e perceba que eu sou linda. Deus do céu, ele é meu amigo, eu não deveria querer a atenção dele assim! Mas eu quero a atenção de todos assim, dos meus primos, meus amigos, colegas de trabalho, por alguma razão desconhecida e francamente assustadora eu quero ser a personagem principal na vida de todos, principalmente dos homens.

Meu coração está leve e voa solto e eu acho que isso faz com que eu queira a atenção de todos, mas o que me preocupa mesmo é que na maioria das vezes eu consigo. So much por tentar ser menos mimada.

As delícias de ser inteligente

 

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Ela está sentada em seu computador, local de trabalho e ela concentrada. Uma discussão começa, fatos corriqueiros do dia a dia são discutidos, notícias de jornal comentadas, o governo criticado e ela ali concentrada, alheia ao olhar dele que a cada nova exposição, a cada novo assunto lhe observa. Um olhar por vezes discreto, de soslaio, outras vezes ele vira a cabeça sem pudor nenhum e ainda tem aqueles momentos em que ele descaradamente vira seu corpo em direção a ela e diz em voz alta o que todos aqueles olhares furtivos queriam dizer: o que você acha disso?

Ele não deseja seu corpo, ainda que ela seja bastante atraente, e não pretende o seu amor, até porque ele anda muito feliz no relacionamento em que ele está, mas ainda assim ele não consegue mais ficar sem olhar para ela. A atração que ela exerce nele é bem diferente. E ele percebe que ela sente o mesmo por ele, aqueles olhares furtivos também partem dela em direção a ele. E ela espera ele chegar, anseia por escutar as opiniões dele também, por ter um debate, por ele ser alguém que pensa mais ou menos como ela em meio a tantos outros que não veem o mundo como eles.

Perceber nele o desejo pelo seu corpo, e principalmente pela sua opinião é quase afrodisíaco. O olhar dele difere dos olhares que ela recebe de estranhos na rua, ultrapassa o desejo, transborda admiração e demonstra acima de tudo respeito. E ela adora o olhar dele, e gostaria que todas as mulheres fossem olhadas assim sempre, mesmo que por estranhos na rua, independente de suas roupas, cores ou classes sociais. Porque a grande maioria das pessoas não percebe, mas mais do que o desejo do outro por você, a inteligência é afrodisíaca, talvez até seja o maior dos afrodisíacos.  E as pessoas deviam valorizar mais isso, a beleza tem validade, some em determinadas ocasiões, mas a inteligência, o conteúdo prevalece. 

E sabe qual é o maior desejo dela? O maior desejo dele? Que homens e mulheres descobrissem as delícias de ser inteligente.

24 de janeiro de 2014

2014

 

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  E então 2014 chegou, de mansinho, sem fazer barulho, sem trazer grandes mudanças. Eu sinto que esse não vai ser um ano de acontecimentos, vai ser um ano de preparos. Em 2014 eu vou me preparar para 2015. Vou juntar dinheiro para o intercâmbio, me dedicar mais ao francês, tirar o passaporte alemão, fazer um curso de férias de fotografia, vou me inscrever na faculdade para o intercâmbio, procurar alojamento, fazer malas, distribuir “tchaus” e logo no comecinho de 2015 entrar no avisão. Não vai ser fácil, vou precisar de foco e coragem, mas acho que vai valer a pena, é o que eu quero. Me dá  medo, eu quase nunca consigo o que quero, então as coisas podem sair erradas, mas não vou deixar a possibilidade de algo dar errado me fazer desistir.

  E 2014 me prometeu mais que planejamentos, me prometeu amor, reencontros com amores passados e encontro com novos amores, um novo amor que pode ser verdadeiro. Mas a verdade é que ainda que eu sinta a esperança e a vontade de ter esse amor eu acho que se ele vier agora pode dar mais dor de cabeça do que borboletas no meu estômago. Um novo amor agora, “as vésperas” de um intercâmbio, quando eu tenho tantos planos… O amor sempre é bem vindo, sempre é desejado e quase nunca vem quando podemos e queremos, mas se vier como prometido, esse ano, pode me tentar a mudar de planos e eu não acho que isso seria o melhor para mim.

Eu estou ali na beiradinha do trampolim, esperando para dar o salto, estou com a vontade, estou ganhando coragem, estou buscando alguma mudança e ainda que eu sinta que 2014 deva ser um ano de preparos eu estou sentindo que pode ser um ano de mudanças, eu secretamente desejo isso, mas sem saber que mudanças poderiam ser. Eu não sou o tipo de pessoa que consegue o que quer, no final o destino me dá limões e eu faço uma limonada deliciosa, eu me viro e me adapto, mas das últimas vezes eu consegui sentir a mudança chegando e não foram mudanças fáceis de lidar, é isso que me assusta sobre 2014, esse sentimento de que esse ano alguma coisa vai mudar.