21 de fevereiro de 2014

Ao meu redor

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  Eu não sei como faço isso. Não sei se é só impressão minha, afinal, que nem diz a Nati, eu tenho síndrome de perseguição, acho que tudo é comigo. No meu grupo de amigos da faculdade já não é tanto assim, no quarteto não dá para falar disso há um bom tempo, mas mesmo nestes grupos, assim como nos dois trabalhos, no cursinho, no colégio, isso acontecia. Mas eu, que apesar de muito convencida, tenho uma modéstia bem trabalhada, sempre achei que fosse coisa da minha cabeça. Eu não posso ser o centro do grupo, ele existiria sem mim. Mas será mesmo? Será que eu não sou o centro do grupo? Que sem mim o grupo teria se formado?

  No começo eu ficava brava, no colégio, reclamava que se não fosse eu a chamar ninguém sairia, mas depois me acostumei, até hoje é assim, na minha família ou em qualquer outro grupo de que eu faça parte. Eu sou muito tímida, mas uma vez vencida essa barreira tenho a tendência a liderar, a chamar as pessoas para sair, entro em conversas que não me dizem respeito e dou atenção as pessoas. No meu antigo trabalho eu era a estagiária central, pelo menos até que o Zocca chegasse, mas mesmo depois que ele chegou, ele era o preferido, mas eu era a preferida dele. E hoje no trabalho…

  Eu entrei faz quase três meses, mas converso com todos, brinco com todos, tiro sarro e deixo que tirem sarro de mim. Três dos advogados, entre eles meu chefe, que são os mais inteligentes e cultos dali, adoram conversar comigo, estão sempre tirando sarro de mim, mas coisas legais, nada ofensivo. Eu brinco, faço drama, digo que é bullying, mas na verdade dou risada, retruco. Hoje, eu contei que minha prima disse que não me respeitam no trabalho, aí eu disse que mudei de trabalho… mas continuo sem ser respeitada. Falei brincando, dei risada, mas um dos advogados, o mais velho do grupo, que não tem nem 40 anos ainda me respondeu em tom sério: “Não, isso é interesse. Nós brincamos com você porque você é interessante, se você não fosse interessante nós nem íamos ligar, íamos deixar você em um canto e nem conversar”. Foi o ponto alto da minha semana.

  Foi uma coisa que eu sempre pensei se mim mesma, mas por modéstia, não me permitia afirmar em voz alta. Não é à toa que, tirando o quarteto, algumas outras meninas no colégio me odiassem, eu era o centro, eu era uma das meninas populares sem saber. Sem saber, sem ser convencional, eu acabei me tornando aquela garota que eu sempre achei que nunca seria, com a diferença de que ela atrai a atenção de pessoas comuns e eu tenho ao meu redor pessoas realmente inteligentes, cultas, legais em muitos sentidos diferentes. Eu sou interessante, isso explica tantas coisas, como tantas conversas se desenrolam ao meu redor, o porquê do meu ex-chefe ficar uma hora falando comigo quando eu achava ele inteligente demais para me dar ao luxo de bater papo, o porque nesse trabalho eu estou no meio da conversa entre os advogados mais legais, porque um deles as vezes parece entrar ali só para falar comigo…

  O crédito não é todo meu, eu sei que minha formação cultural e intelectual se deve aos meus pais e meus irmãos, inteiramente, mas mesmo assim, deu certo… eu sou interessante.

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