25 de fevereiro de 2014

Depois do fim

7799lagrima1 Nossos olhares se cruzaram, foi apenas por um momento, um segundo longo o suficiente para que ele desviasse o olhar constrangido, desconfortável. Eu sei porque eu me senti assim também. É engraçado, e um pouco triste, talvez seja uma daquelas coisas que são engraçadas e trágicas ao mesmo tempo, como um filme francês daqueles que nós costumávamos assistir juntos. Então ele voltou toda a sua atenção a mulher ao seu lado, tirou o cabelo de seu rosto e lhe fez carinho. Em um acordo tácito nós decidimos fingir que não nos notamos e eu passei reto, fingi que não o vi naquela mesa, com aqueles amigos que um dia foram nossos e com aquela mulher que agora talvez fosse dele.

Não consegui evitar, fiquei imaginando se ela era ciumenta, se ela faria uma cena se visse a nossa troca de olhares. Se daria certo entre eles, se ele estava feliz, se ela o fazia feliz como eu fiz um dia. Eu queria saber se ela sabia aproveitar as pequenas surpresas que ele preparava para ela, se ela agradecia aos bombons que ele deixava em sua bolsa pela manhã, ou pela vitamina de mamão na geladeira. E se ela sabia que ele adora bolo de cenoura com cobertura de chocolate e se faz de vez em quando só para vê-lo lambusado e parecendo uma criança arteira.

Eu sei que tive minha chance e que perdi. Eu lembro do nosso fim e de tudo o que nos levou a ele, lembro de suas imperfeições e das minhas também, e principalmente, lembro de tudo o que vivemos juntos. E por lembrar de tudo isso, das coisas boas e ruins, eu gostaria de odiá-lo, ou de ser totalmente indiferente, mas não consego. Durante um longo tempo nós caminhamos juntos e eu não consigo fingir que nós não nos conhecemos. Não consigo deixar de desejar que ele seja feliz com quem quer que seja, porque eu sei que, apesar de tudo, ele merece. Eu mereço.

É difícil deixar de amar alguém por completo, eu sempre vou amar um pouquinho ele, mesmo estando completamente apaixonada por outro. E acho que ele sente o mesmo, acho que ele se pergunta o mesmo e é por isso que nossas trocas de olhares ao acaso nunca mais vão ser confortáveis.

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