31 de março de 2014

Freiar e fugir.

Talvez ainda seja auto estima baixa, insegurança, algum pedaço de mim que eu ainda não encontrei.
Porque se eu fosse normal deixaria correr, aproveitaria, me divertiria e veria no que pode dar. Sei lá. Eu desconfiava que ele estava afim de mim e agora tenho quase certeza, mas e daí? Parte de mim acha que eu sou essa garota incrível que merece todo amor que pode receber e que eu deveria deixar rolar, até investir um pouco e ver no que vai dar, afinal ele é muito bonzinho e educado, bonito, maduro e tantas outras coisas.
Aí chega a outra parte de mim que também acha que eu sou incrível, mas que sabe que ele acabou de se divorciar, então ele só quer curtir e... Bom, em português chulo, ele só quer me comer e eu sou virgem, não vou deixar ele me comer tão fácil, não idealizo minha primeira vez mas espero que ocorra mais vezes depois, com alguém em quem eu tenha uma expectativa de relacionamento e com ele? Bláh, ele só quer me comer. Ninguém em sã consciência se separa e já quer ir para outro relacionamento e eu me recuso a ser uma dessas garotas que acha que vai mudar o cara, que fica tentando criar um relacionamento onde não tem terreno fértil para isso.
Aí vem de novo a minha outra metade e diz que eu nunca vou saber se tem terreno fértil se não tentar. E eu fico nessa de não ter coragem de tentar, mas querendo saber o que podia ser. Por isso acho que tem que ter algo errado comigo, algo que só a psicológa que eu vou ver amanhã vai poder me dizer o que é e me ajudar a me arrumar.
Enquanto isso vou tentando ignorar o medo e me forçando a deixar rolar sem instintivamente arranjar um modo de freiar e fugir.

Por que precisa ter um porquê?

Tem que ter um tempo certo para alguma coisa? É engraçado que quando eu fiz a tatuagem, ou agora que eu pintei metade do meu cabelo de vermelho, uma das minhas melhores amiga ficou me perguntando e se perguntando "por que agora?" e eu não soube responder. A verdade é que deu na telha e agora bateu a coragem, mas esse questionamento dela faz eu me perguntar se não existe um motivo oculto, algo que eu não estou vendo.
No trabalho me disseram que mulher, quando muda o cabelo, é porque quer arrumar namorado. Sendo sincera isso é algo que eu quero faz tempo e não mudei o cabelo até agora. Talvez eu esteja instisfeita com a minha vida e tenha mudado um pouco o visual para ter a sensação de mudança, o que é bem provável. Mas essa mudança é algo que eu queria fazer há tempos e só agora tive a coragem. Eu acho que toda hora é hora de mudar e que essa mudança não deve se restringir apenas ao visual, mas também ao modo de pensar e de agir. Porque toda hora é hora de evoluir e experimentar o novo.
Eu me recuso a condicionar meu modo de agir a uma pessoa, me recuso porque antes de amar a alguém eu devo amar a mim mesma, vai lá saber se a pessoa a quem eu amo me dá o valor necessário? Então não, não tem uma razão de eu ter mudado meu cabelo, ou de eu ter feito a tatuagem. Eu fiz porque eu queria e esse foi o momento certo para mim!

30 de março de 2014

Quando eu percebi que te amava

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  Eu me dei conta de que você me amava no dia em que saí do banho e te encontrei deitada na minha cama, aquela cama de casal em que horas antes dormíamos e que ainda estava toda desarrumada. Você estava preguiçosa como sempre, se espalhava na cama como um gato, olhos fechados e se mexendo bastante, foi quando percebi que você estava no telefone. A televisão estava ligada, mas o sinal estava fora do ar, fazia mais de uma semana que estava assim, mas minha impaciência com a assistência técnica a com a telefonia da empresa de TV a cabo me impediam de arrumar o problema. Você murmurou alguma coisa no telefone do ti “tudo bem” e eu fui até o guarda roupa me trocar. Pelo espelho vi você se mexer mais algumas vezes e minha vontade era me juntar a você e ficar o dia todo na preguiça, mas eu tinha aula. Maldita exigência da sociedade e do mercado de trabalho que dá mais valor a alguém com pós graduação do que a alguém que tem a incrível capacidade de passar o dia na cama com a namorada compartilhando a preguiça dela e realmente estando ali, de corpo e alma.

Eu terminei de me trocar e apesar de ainda ser oito da manhã eu já estava um pouco de mau humor por não poder ficar com você. Então você disse ao telefone: “pode ser das 10h as  14h, mas se puder chegar o quanto antes eu agradeço, já faz uma semana que estou sem sinal, se tiver que ficar sem almoço para resolver isso cancelo a assinatura”. Foi nesse instante que algo estalou dentro de mim. Você estava no telefone com aquela empresa de tv a cabo que eu não tenho paciência nenhuma para lidar, resolvendo o meu problema de falta de sinal e estava disposta a ficar sem comer por isso, porque eu não tinha comida nenhuma na geladeira e você sabia disso. Nesse momento eu percebi que você me amava. Você não precisou dizer, talvez nem tivesse se dado conta disso ainda, mas eu percebi. E minha vontade de ficar na cama com você só aumentou.

Talvez Freud tenha razão, talvez o que nós amamos no outro seja o reflexo de nós mesmos, talvez saber que você me amava tenha me dado a coragem de admitir para mim mesmo que eu não me importava de faltar, de perder nota ou repetir o semestre se isso significasse ficar mais algumas horas do seu lado. Então aconteceu outro “clique”. Foi como uma ficha caindo. De repente me dei conta de que te amava também, que ligaria para a tv a cabo para resolver seu problema se você tivesse preguiça e que aquela aula que eu tinha não valia tanto a pena. Então você desligou o telefone agradecendo e eu tirei os sapatos que tinha acabado de colocar e me joguei de novo na cama, bem ao seu lado, onde eu agora sabia que queria estar para sempre.

22 de março de 2014

Como um raio de sol na chuva

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É engraçado, ao mesmo tempo em que eu acho que esse ano minha auto estima e amor próprio estão sofrendo sérios abalos, também acho que esse ano foi o que eu recebi os melhores elogios da minha vida.

De um lado tem a minha mãe com a neura dela pelo meu corpo, com a raiva dela pelas minhas pontas do cabelo recém avermelhadas e minha tatuagem, com todas as críticas quanto a minha postura, falta de maquiagem decente, roupas que não lhe agradam e por aí vai. Coisas que eu sinto que estão minando a minha auto estima e que a qualquer momento eu vou implodir por causa disso.

Então tem o outro lado. Em primeiro lugar devo dizer que dei muita sorte em relação aos dois trabalhos que já tive na vida, as pessoas eram e são muito legais, meus chefes são tranquilos, colegas divertidos e ninguém enchendo o saco. É uma dinâmica parecida com a que eu tinha no hotel, onde eu era o centro das atenções por ser filha do chefe, e talvez seja uma tendência minha, ser o centro das atenções, pois eu sinto isso agora e senti no último trabalho. Faço isso nos grupos de amigos, na família, para o bem e para o mal, mas no trabalho… Eu sou só uma estagiária, entende? Não esperava isso. Mas acho que conquistar a amizade e atenção do chefe conta para alguma coisa, pois foi isso que eu fiz~, não sei como, mas fiz. Deve ser alguma coisa relacionada a minha espontanidade, que eu ainda acho que vai me ferrar um dia. E o trabalho é esse outro lado, esses raios de sol em dias de chuva. É um lugar onde eu posso chegar mal, mas os problemas dão um tempo e só voltam a me incomodar depois de eu sair dali. É dali que vem os elogios mais legais que já recebi. Porque é fácil andar na rua e ser chamada de gostosa, delícia, ô lá em casa, linda e coisas do tipo, difícil é alguém te dizer que você é madura e inteligente, heterodoxa, vanguardista. Difícil é alguém te dizer que quando você quiser pode voltar, que vão adorar te ter de volta. É receber presentes perfeitos, ter algumas vontades atendidas e ter as suas palavras escutadas pelos outros, é ser lembrada depois de um tempo em um assunto x. Elogio é alguém que não te deve nada e nem deveria prestar atenção em você (devido a cadeia alimentar no escritório) aparecer para bater papo com você, dizer coisas só para te provocar e saber que te provoca, pois presta atenção no que você diz. Elogio é ter pessoas que você admira levando você a sério, te elogiando e buscando papo com você, buscando seu trabalho, não porquê você é bonita, isso é algo inerente e relativo, mas sua personalidade não, isso é algo seu.

E cada vez mais lendo blogs e autores contemporâneos, prestando atenção no dia a dia do escritório e mesmo nos homens na rua eu sinto que minha auto estima não vai implodir e meu amor próprio não vai desaparecer, porquê apesar da minha mãe, da família em geral, eu sou uma dessas garotas incríveis, que impressionam, mais do que chamam atenção, eu sou querida do jeito que eu sou e sou também atraente e eu mesma não entendo o porque de ser vista e olhada dessa maneira, mas eu gosto desse olhar. Eu gosto de sentir e ver esses raios de sol surgindo em meio as nuvens de chuva, são eles que me fazem levantar e abrir os braços disposta a enfrentar outra tempestade.

20 de março de 2014

Como uma droga

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É como se fosse uma droga, você até demora para se deixar seduzir, resiste, sabe que não deve se deixar levar, que vai ser bom no começo, mas logo você vai estar insatisfeita e querer mais e não vai ter mais, então você vai começar a ficar infeliz, irritadiça e logo vai querer jogar tudo para o alto, largar… Mas largar não é fácil, é um processo dolorido e difícil, largar um vício, qualquer que seja, requer esforço, força de vontade e disciplina. Você tem essas coisas? Porque EU não tenho.

Eu sempre e esqueço de um vício me voltando para outro. Sempre me livro de um amor olhando para outro e me jogando de cabeça. É meu modo de agir. E eu sei, eu sei que não é certo, eu sei que temos que ser felizes sozinhos e eu sou, mas acho que com companhia poderia ser diferente, e diferente pode ser bom.

Eu também sei que sempre me volto para alguém que demonstra um mínimo de atenção para mim, eu não me apaixono por outras pessoas e sim pelo modo que elas agem comigo, pela maneira que elas me tratam e pelo que eu acho que elas sentem por mim. Então percebo que ela só está sendo legal, ou que não tem o mesmo interesse que eu tenho, então me desanimo, me autoflagelo, me reprimindo por ter caído nesse conto de novo.

E aí surge uma nova pessoa e eu imediatamente me condiciono a olhar para ela e me apaixonar por ela, porque sei que é o jeito mais fácil de me esquecer do fim do outro amor. E agora… vou buscar por aí, torcendo para dar certo.

11 de março de 2014

Meio misturada

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E se eu me jogasse em seus braços? E se eu te chamasse para sair? E se eu esquecesse sua idade e você esquecesse a minha? E se eu decidisse te conhecer melhor? E se quiser me descobrir? E seu eu gostar de você? E se eu te entregar meu coração? Assim sem medo de perder nada, sem medo de sofre, sem medo de ser feliz, sem medo de você, da opinião dos outros, esquecendo meus medos e preconceitos…

Mas eu fico esperando seu primeiro passo, não porque eu acho que o homem tem que dar o primeiro passo, longe disso, é medo mesmo, insegurança. Vai que eu te chamo para sair e você diz não? E se eu for falar com você e você me achar chata? Me ignorar? Já aconteceram outras vezes, e nunca aconteceu o contrário. Eu sempre quero quem não dá a mínima para mim, ou quem não me quer do mesmo jeito, e no fim fico lá com gosto de sal na boca e um pouquinho mais bloqueada.

Eu queria ter coragem de novo, mas cada vez que penso em fazer algo parece que existe uma cortina de ferro intrasponível entre minha vontade e minhas atitudes, então eu acabo só na vontade, do ládo de lá da cortina, onde tudo é mais seguro e mais morno. Mais do que vontade, eu queria alguém que desafiasse minha lógica, que somasse, que me entregasse um pouco da confiança que ele tem em mim e fizesse eu querer sair desse meu ninho, me arriscar a me deixar gostar dele e estar com ele. Sentir a segurança desse príncipe.

E eu sei que o problema sou eu, minha insegurança já existente, que se somou a algumas rejeições e nenhuma aceitação. Porque não adianta alguém gostar de mim, isso faz bem, ajuda, mas não combate a ferida do amor não correspondido, quem cura isso na auto estima e na auto confiança é o amor correspondido e esse não veio. E eu vou trabalhar nisso, não por esse possível futuro amor, mas por mim, para ser feliz comigo mesma mesmo sem esse amor.

É que tem uma curiosidade também, em saber como é ser amada, namorar, apresentar para a família, ter alguém que te entende, ou pelo menos aceita, com quem você faz planos, saber como é o sexo com outra pessoa, satisfazer o desejo, brincar com uma explosão de raiva e deixar ela se seguir por uma explosão de paixão… Viver essas coisas que você vê por aí, não só as de filme não, mas as que você vê em casa, entre os amigos, no trabalho, na rua…

Mas me falta paciência, eu tenho pressa, tudo o que eu quero, eu quero agora! E isso me deixa assim ansiosa, insatisfeita, meio triste, meio apressada, meio misturada.