22 de julho de 2014

Extrovertida!

Quem diria que um dia eu, que tive dificuldades minha vida toda para fazer amigos, seria chamada de extrovertida.
Aconteceu assim, como se fosse nada, ela disse com naturalidade, opondo meu comportamento ao dela, ela que não me conhece direito e nem sabe da minha história. E eu acho que é assim que todos eles me vêem, meus colegas e amigos também. Eu acho que não tenho idéia do efeito que exerço sobre os outros. Não tenho idéia de que os três gostam de falar comigo, que ele gosta de mim (sabe deus de que forma), que outros já gostavam de conversar comigo e gostavam de mim. Não tenho idéia do porque, ainda que minha parte racional saiba, não tenho idéia do como, ainda que minha parte extrovertida saiba, não tenho idéia do quando, ainda que... Não, quando eu não sei mesmo.
Não sei quando me tornei extrovertida, quando consegui expor ao mundo esse meu lado carismático, quando consegui vencer essa minha timidez, ou mesmo quando me tornei essa pessoa que pode ser querida por aqueles a quem ela admira. Eu não sei mesmo. Mas estou contente de que tenha acontecido. E me sinto estranha também, como se agora eu estivesse em um pequeno pedestal e tivesse que começar a tomar cuidado para não cair.
Extrovertida. Logo eu que sempre fui tão tímida, tão insegura...que ainda sou assim.
Na verdade acho que aquilo que dizem da coragem, que a coragem não é ausência de medo, mas a consciência de que é necessário vencer o medo, serve para a extroversão. Ser extrovertida não quer dizer que eu não seja tímida, mas que eu tenho consciência de que preciso vencer minha timidez para viver mais feliz.
E eu gosto de ser extrovertida, de ser o centro das atenções, gosto dessa nova realidade e de ter me livrado daquela etiqueta de tímida que me aprisionava em mim mesma

11 de julho de 2014

Vícios

  Eu não sei, acho que tenho um problema muito sério com vícios. Não que eu seja viciada, não sou, em nada, mas principalmente porque eu não uso nenhuma substância que vicie. Meu pai era alcolatra, meu avô materno, diversas tias e mesmo nunca tendo visto meu pai beber, nem ter conhecido meu avô materno, eu também nunca vi nenhum vício trazer algo bom. Eu nunca provei nada, então a sensação boa eu nunca tive, eu só fiquei de fora observando e nunca vi ninguém ficar mais legal porque bebeu, ou usou drogas. O que eu sempre vi nas minhas tias foi elas ficarem mais chatas, implicantes, donas da verdade e irritadiças, elas passam a ter desentendimento por erros bobos de interpretação, de comunicação. Minha mãe disse que meu pai ficava violento, por isso, quando eu era bebê, tinha medo dele. Por aí não são poucas histórias de agressão depois de beber, seja do marido na mulher e nos filhos, ou seja no meio de uma briga de bar entre amigos.
  E quando as pessoas ficam bêbadas perto de mim eu fico insegura, com medo do que pode acontecer porque eu acho que as pessoas bêbadas perdem o bom senso, não sabem mais o que fazem e podem acabar fazendo qualquer coisa. Eu nunca vi nada de bonito acontecer no fim de festa open bar. E a quantidade de coisas ruins que acontece não para aí, temos quem bebe e pega o carro, quem perde emprego devido ao vício, quem não consegue manter a família,  quem perde tudo. Eu nunca vi um vício trazer nada de bom, só coisas ruins, de situações embaraçosas até morte, passando por doenças e miséria.
  Eu confesso que já senti vontade de experimentar vinho, champagne, maconha, ecstasy... Mas meu medo é muito maior do que a vontade, porque eu sempre lembro que pode ser bom, por um momento me fazer sentir bem, mas depois... As desgraças que pode trazer para minha vida não compensam. Entenda: estou longe de ser a pessoa mais saudável do mundo, mas não consigo ver nenhum benefício naquilo que pode se tornar um vício

9 de julho de 2014

Perdida

  As vezes eu fico perdida em meio a recordações, sonhos e histórias não escritas, fico sem saber o que fazer, andando em rumo e sem um sentimento definido. Nessas horas eu ando pela casa sem realmente fazer nada e meu pai, sempre que me via assim, me perguntava se eu estava perdida. Eu tenho lembrado bastante dele essa semana, acho que por causa da copa, era uma coisa nossa, sabe? Um momento em que eu torcia para a Alemanha, mesmo sem nunca ter realmente me identificado com a cultura alemã,  até por não conhecê-la. E hoje, pela primeira vez, eu sinto vontade de aprender alemão,  de tentar me conectar com essas raízes,  é uma coisa que minha mãe sempre quis, e hoje eu quero, hoje eu acho que o alemão vai ser mesmo minha quinta língua. E no fim, sem querer vou falar as mesmas línguas que meu pai, mas aprendendo na ordem exatamente inversa... a vida é uma coisa meio louca mesmo.
  As vezes fico assim sem saber o que vai ser de mim, mas sem desespero, só esperando o futuro chegar, ainda que um pouco impaciente, desejando mudança, mas nada muito radical. Tem que ser um passo de cada vez e nada depende só de mim. A terapia tem ajudado um pouco, eu acho, fiz alguns movimentos pequenos, estou com menos medo e sinto que não estou fugindo tanto. Na verdade sinto exatamente como naquela frase: coragem não é ausência de medo e sim consciência de que é preciso superar o medo para chegar a algum lugar. Não era exatamente assim, mas algo do tipo. Tenho feito pequenos movimentos na escrita também,  tentando achar meu estilo, escrever essas histórias que eu tenho para contar. Uma já está pronta na minha cabeça, só preciso parar de protelar e escrever.
  E as vezes eu fico assim, perdida entre o não fazer nada e o fazer o que não interessa e acabo não fazendo o que devo. É uma vontade de fazer tudo e no fim não fazer nada. Preciso me organizar, estabelecer metas e datas e seguir esse plano, não importa o que aconteça na confusão da minha cabeça!

4 de julho de 2014

Vem vindo

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Vem crescendo, primeiro discretamente e devagar, depois quase de forma sufocante e tão rápido que cega. É uma vontade de sair daqui, de correr para qualquer lugar, de manter distância de tudo isso, de perder raízes mesmo. Porque perder raízes pode ser desesperador, mas também pode ser libertador, até saudável. E a saudade bate, dói as vezes e é constante, mas será que não vai ser melhor sentir saudade do que deixar a relação desgastar com o tempo? As vezes acho que a proximidade constante estraga qualquer relação. As coisas que são boas se tornam ruins com o tempo e as que são ruins se tornam insuportáveis.

Talvez eu funcione diferente, mas as vezes preciso de um tempo sozinha, um tempo só meu, longe daqueles que encontro todos os dias. Um tempo para respirar, para sentir saudades, para descansar, para me libertar. Depois eu volto, eu acho que sempre volto e meu medo é um dia não querer voltar. Decidir catapultear toda minha vida e começar do zero. Na verdade as vezes tenho a sensação que é isso que o destino reserva para mim, um segundo de coragem onde eu vou mudar tudo, abandonar tudo e fazer algo completamente inesperado. Mas esse segundo nunca vem. Não vem porque eu sempre penso além, sempre penso no que vai ser de mim alguns anos depois desse segundo e sempre acho que vou ser infeliz. Acho que prefiro ser medianamente infeliz aqui cercada de conforto do que me ver infeliz fazendo algo que amo e passando a odiar aquela coisa, me arrependendo do segundo de coragem.

Quem sabe um dia? Talvez em alguns anos eu largue meu trabalho de advogada, assuma em tempo integral meu papel de atriz e jornalista, ou escritora e passe a viver disso. Viver de momento, não de futuro e expectativas. As vezes acho que as expectativas dos outros sobre mim é o que me sufoca. Acho que tenho que parar de ver tantos filmes, ler tantos livros e sonhar tanto, mas é que a vida anda meio parada e aquela vontade de largar tudo está meio sufocante.