30 de agosto de 2014

Você não tem idéia…

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…do efeito que tem sobre as outras pessoas.

Você não percebe que quando você está entre seus amigos e estão todos rindo é porque você disse algo, ou que eles só saem quando você marca alguma coisa, porque parece que sem você para organizar nada acontece. Você conta histórias banais como se fossem contos épicos e eles te escutam como se escutassem o próprio Homero, e quando você fala algo sério, política, sociedade, cultura, eles te escutam como se você fosse uma perita do assunto.

Quando você está com a sua família e eles estão pegando no seu pé de novo, por qualquer motivo, na verdade é o jeito de eles mostrarem o amor que sentem por você. Ou você nunca reparou que se você se atrasa eles começam a te ligar desesperados achando que você não vai? E se você não está, eles estão falando de você. Parece que eles tem toda a admiração do mundo por você. Já reparou que cada vez que você conhece algum amigo de um familiar eles sempre sabem quem é você? Sempre já ouviram muito falar, e ouviram mesmo, contam histórias em que você está, te descrevem sem nunca ter te visto.

E você não percebe nada disso! Não percebe que quando você entra na sala o lugar se ilumina, que quando você sorri o mundo para de girar e que sua gargalhada muda é a melhor música do mundo. E que sua ansiedade com sua própria vida se transforma em um mar de paciencia quando se trata de ajudar os outros, escutar os problemas das outras pessoas. Porque entre todas as brincadeiras com os amigos e alfinetadas dos familiares você é o porto seguro, aquela que aconselha, consola e ameniza as dores de todos.

Eu adoro te observar assim de longe, dominando o ambiente, encarando todas as brincadeiras com leveza e falando com propriedade e conhecimento de causa das coisas sérias. As vezes sinto como se você fosse um quadro, ou um personagem de um livro romântico, ideal demais para ser de verdade, perfeita demais para ser minha.

20 de agosto de 2014

E aí?

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Mas e se eu for falar com aquele cara que eu sempre vejo no ônibus? Se eu finalmente conseguir dizer oi e eles responder? E se ele na verdade não for um idiota que só fala de proteína, mas um cara legal, com quem eu goste de conversar? E se eu começar a conversar todos os dias com ele no ônibus e logo, por whatsapp? E se um dia ele me chamar para almoçar e eu for?

E aí?

E nós nos divertimos e então marcarmos um cinema, depois emendar um jantar e eu achar que passar esse tempo com ele foi a melhor coisa que me aconteceu em meses? E se quando nós nos despedirmos ele me der um beijo? E se eu corresponder?

E aí?

E se depois do primeiro beijo vierem outros beijos? Outros encontros, mãos dadas, logo corpos colados e no fim nós nos dermos conta de que estamos juntos? E se eu perceber que realmente gosto dele? E se eu me der conta que estou absurdamente feliz com ele? E se eu quiser passar o resto da minha vida com ele? E acordar um dia e perceber que há tempos não penso em você e não perder nem um minuto nesse pensamento?

Eu te pergunto: E aí?

Será que aí você você vai estar pensando em mim? Será que você estará se perguntando o que poderia ter sido da gente? Será que você estará arrependido do que não fez? Me culpando pelo que eu não fiz? Será que você faria alguma coisa para mudar o curso da minha história então? E da sua história?

Do jeito que você é bonzinho você provavelmente me veria feliz com outro e me deixaria ali, absurdamente feliz nos braços de outro, porque ao final das contas é a minha felicidade que importa.

Mas eu não quero isso, eu não quero me apaixonar por outro, ser absurdamente feliz com outro e nem planejar meu futuro com ele. Eu não me importo com o que poderia ser de mim com ele, porque é você quem eu quero.

Eu quero ser absurdamente feliz com você, planejar nosso futuro e não deixar espaço para você se perguntar o que poderia ter sido da gente. Eu quero mais, eu quero sentir um frio na barriga e uma vontade louca de fugir antes de te encontrar no nosso primeiro encontro. Eu quero ficar sem saber o que fazer quando você se inclinar para´me beijar da primeira vez e me sentir perdida no dia seguinte, sem saber como agir ao seu lado.

Então eu te pergunto de novo: E aí? E agora?

15 de agosto de 2014

Leap of faith

Não há exatamente u a tradução para essa expressão, mas acho que podemos traduzir como "voto de confiança", mas é um voto de confiança meio no escuro.  E eu me dei conta que na vida é extremamente necessário dar esse salto no escuro, principalmente no que tange conhecer alguém.  Na verdade eu acho que o amor é um grande leap of faith, porque você entrega seu coração na mão de outra pessoa, sem ter certeza nenhuma de como ela vai cuidar daquele bem tão precioso. Nas mãos de outra pessoa seu coração pode se machucar, pode ganhar cicatrizes, em alguns casos pode quebrar e as vezes nunca mais voltar a ser um só,  e você não poderá fazer nada, você estará completamente vulnerável a sentir tudo isso, porque você perdeu o controle, quando entregou para a outra pessoa.

Eu odeio perder o controle. Só a ideia já me apavora. E esse deve ser um dos motivos que eu não me apaixono de verdade, porque enquanto for platônico o coração está em minhas mãos, quando for real vai para as mãos de outro. Só que no platônico eu controlo até certo ponto, porque só o fato de não ser real e não acontecer de verdade me machuca também, talvez em menor escala, mas ainda dói. E é isso que eu preciso fazer, dar esse salto, me atrever a demonstrar meus sentimentos a outro, me permitir gostar do outro e ele gostar de mim, I have to take a leap of faith. E isso vai exigir coragem, vai exigir muita coragem, coragem que eu não sei se tenho agora, mas que estou decidida a encontrar.

9 de agosto de 2014

Ela

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  Eu posso ficar minha vida toda olhando para ela. Passar semanas só observando o modo que seu cabelo cai sobre seu rosto e como os olhos dela brilham e ficam lindos sob determinada luz. E o modo como ela sorri, franzindo um pouco o nariz, levando a mão ao rosto um pouco tímida, quando ela faz isso eu ganho o dia. Aliás, posso passar o resto da minha vida com o reprise da risada dela em loop sempre diante de mim que acho que não iria enjoar. Mas também adoro quando ela me olha irritada, ou com raiva de alguma besteira que eu fiz, nessas horas eu fico com vontade de jogá-la na cama, segurar seus braços e beijá-la por inteiro, até ela se acalmar. E mesmo quando ela fica triste, ou está cansada, eu acho ela perfeita, sinto um desejo incontrolável de abraçá-la e nunca mais soltar, de fazer tudo tudo para que a vida dela melhore, ou de simplesmente fazê-la deitar no meu ombro e fazer carinho nos seus cabelos até ela adormecer.

  Eu posso ficar minha vida toda conversando só com ela. Porque quando acontece um desastre, ou alguma coisa incrível, é para ela que eu quero contar. E quando alguém me conta uma piada eu tenho vontade de encontrá-la logo, ou falar mesmo ao telefone, só para escutar a risada dela. E adoro quando ela me conta alguma coisa boba do dia a dia dela com aquela cara séria, como se fosse a coisa mais surpreendente e chocante do mundo. Ou o som da voz dela, logo depois de ela acordar, antes de aquecer as cordas vocais. Só ela me faz escutar uma história de vinte minutos antes de saber o resultado de alguma situação, ou a decisão que tomou, ou a conclusão a que chegou. E se ela quiser eu espero a noite toda acordado para saber como a história termina.

  Eu vou construir todo meu futuro com ela. Comprar um apartamento para nós morarmos juntos, um cachorro pequeno para nós cuidarmos, um vaso de planta para nós esquecermos de regar e até visitar os pais dela nos fins de semana e participar das festas de família com entusiasmo, porque sem eles ela não existiria. Vou buscar nossos dois filhos na escola, porque ela está trabalhando e de noite, quando eles estiver cansada vamos fazer o jantar para ela comer. Quando ela estiver doente ou preguiçosa nós vamos levar o café da manhã na cama e ficar com ela vendo reprises de filmes na televisão, nós também vamos fazer isso, só nós dois, quando nossos filhos saírem para uma festa e nós não conseguirmos dormir até eles voltarem. E quando nossos filhos saírem de casa, para estudar, casados ou pela liberdade, nós vamos ficar ali, juntos, sentados na cama deles lembrando suas travessuras, rindo das nossas preocupações e vendo os álbuns de todas as fotos que nós fizemos em nossas viagens pelo mundo.

  Eu estou casando com ela e vou não consigo pensar em nenhuma outra decisão que tomei na minha vida que tenha sido melhor que essa.

5 de agosto de 2014

De corpo e alma

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Minha psicóloga diz que a terapia não vai me trazer as respostas prontas, mas sim me ajudar a pensar em meus problemas e nós duas juntas encontraremos as respostas. Ela, na verdade, me ajuda a pensar, propõe as questões e, no fundo, acho que quem encontra as respostas sou eu.

Bom, acho que encontrei mais uma resposta. Solidão nunca foi um problema para mim, mas o tempo todo busco alguém, sempre quis um namorado, ser um pouco mais como todo mundo, ainda que ser diferente não me desagrade. E eu quero esse companheiro e nunca encontro, ninguém é bom o suficiente,´todos tem algum defeito e  eu sigo sozinha. Me perguntei várias vezes se eu achava que não era boa o suficiente, mas eu me acho, tenho altos e baixos, mas me acho uma garota incrível e sei que outros também acham. Me perguntei se era falta de oportunidade, mas oportunidades sempre tem, todos são oportunos. Me perguntei se escolhia demais e sei que sim, mas comecei a mudar, a desencantar meus príncipes. E me questionei se era medo, do desconhecido, do diferente, do outro e percebi que na verdade é medo de mim mesma.

Meu problema é me sentir vulnerável, não é o único, mas nesse aspecto acho que é o crucial. Eu não sou totalmente eu com ninguém, nem com as meninas, nem com o pessoal da faculdade, nem com a minha família e nem com a psicóloga. Eu tenho esse medo terrível de que as pessoas realmente me conheçam, porque aí eu vou ficar vulnerável. É como se ao deixar a pessoa me conhecer eu estivesse dando a corda para ela me enforcar.

Eu falo sobre coisas do dia a dia, conto toda a minha vida, dou risada e faço rir, conto meu passado e meus sonhos de futuro, mas eu nunca digo como me sinto a respeito de nada disso. Meu sentimentos se restringem a esse blog, eu guardo todos eles a sete chaves e depois deposito aqui, com calma e subjetividade, com a garantia do segredo. Ninguém sabe o endereço do blog, ninguém consegue realmente me identificar, ninguém conhece todos esses sentimentos que coloco aqui. Todos esse amor que eu sinto pelas minhas amigas? O ciúmes que eu sinto de alguns amigos? Ainda que com outros amigos? Meus medos e como eu sempre tenho medo de tudo? Minhas angustias com a minha família?

Ninguém sabe.

E para ter um namorado, para ter esse companheiro, eu teria que ficar vulnerável. Não tem como não ficar, eu vou estar colocando meu coração na mão dessa pessoa e ela vai poder fazer o que quiser com ele. Eu tenho medo disso. Por isso as paixões platônicas, porque eu não preciso abrir mão do meu coração. Nunca foi sobre viver no encanto da minha interpretação sobre o outro, ou sobre o amor utópico e sim sobre esse escudo que eu criei em volta de mim.

Eu tenho orgulho da minha resiliência, da minha força agora, mas acho que essas coisas não vieram sem um preço. Eu tenho orgulho de ter sofrido e superado diversas adversidades, eu sei sobreviver e sou boa nisso, gosto disso sobre mim, mas acho que isso me bloqueou um pouco. E agora eu preciso achar algum jeito de me permitir amar de verdade, de deixar esse escudo de lado e me permitir viver as alegrias e dores da vida. Vai machucar, vai ser até desesperador, mas eu já sei que sei sobreviver, sou boa nisso, mas não quero só isso. Eu preciso aprender a abaixar a guarda e me envolver.

2 de agosto de 2014

Acho que essa sou eu

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Eu cresci muito ultimamente, evolui de verdade, dei passos que a um ano atrás pareciam impossíveis, mas a cada passo que eu dou me deparo com novos problemas.

Eu adicionei o bonitinho no facebook, depois de um ano e meio só olhando eu finalmente dei um passo, e até fui falar com ele. Conversamos um pouco e não deu em nada. Eu comecei a tentar conversar de verdade com os caras do Tinder, conversei com alguns, fugi do encontro com uns e finalmente fui em um encontro com um. Acho que ir nesse encontro, que falar com o bonitinho, isso foram passos importantes, passos difíceis, que eu pensei muitas vezes em nem dar, mas que por saber que era o que precisava ser feito, eu dei.

As aulas estão voltando e eu não sei se vou conseguir reunir coragem para falar com o bonitinho pessoalmente, mas vou tentar, sem expectativas, só pelo tentar, pelo crescer, pelo fazer algo que me foi proposto, ainda que por mim mesma, para provar para mim mesma e para os outros que eu posso. E foi com essa mesma perspectiva que eu fui no encontro ontem. Eu tinha um nó no estômago, vontade de desistir a todo segundo, vergonha, medo, insegurança, mas eu sabia que precisava ir, quebrar essa barreira. Nós não ficamos, ele é divertido, é um cara legal, mas por alguma razão não me senti atraída por ele e a ideia de nos beijarmos me deixou um pouco nauseada. Não sei se é porque ele se parece muito com um amigo meu, porque não era para ser, ou sei lá, nunca vamos descartar a ideia de eu ser lésbica né? Eu sinto atração por homens, mas nesse exato momento estou tão confusa, tão tentando me descobrir, que vai saber!

E depois do encontro eu parei para pensar se eu conseguiria dar um beijo nele, no cara de quem eu acho que estou afim, na minha mais nova paixão platônica, não tão platônica assim. E sabe o que eu acho? Que eu não sei. Minha barriga fica meio gelada com a ideia de beijá-lo, como fica quando ele se aproxima demais, mas não tenho certeza se eu conseguiria ficar com ele. Talvez eu veja ele também só como amigo, do mesmo jeito que vejo o cara de ontem. E o pior é que eu acho que só vou descobrir na hora que acontecer, se acontecer.

Talvez tenha a ver com admiração, que eu sinto pela paixão platônica, mas não pelo cara de ontem, afinal, já disse Mr. Darcy: "as mulheres tem uma mente muito fértil, passam da admiração para o amor em um piscar de olhos".