5 de agosto de 2014

De corpo e alma

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Minha psicóloga diz que a terapia não vai me trazer as respostas prontas, mas sim me ajudar a pensar em meus problemas e nós duas juntas encontraremos as respostas. Ela, na verdade, me ajuda a pensar, propõe as questões e, no fundo, acho que quem encontra as respostas sou eu.

Bom, acho que encontrei mais uma resposta. Solidão nunca foi um problema para mim, mas o tempo todo busco alguém, sempre quis um namorado, ser um pouco mais como todo mundo, ainda que ser diferente não me desagrade. E eu quero esse companheiro e nunca encontro, ninguém é bom o suficiente,´todos tem algum defeito e  eu sigo sozinha. Me perguntei várias vezes se eu achava que não era boa o suficiente, mas eu me acho, tenho altos e baixos, mas me acho uma garota incrível e sei que outros também acham. Me perguntei se era falta de oportunidade, mas oportunidades sempre tem, todos são oportunos. Me perguntei se escolhia demais e sei que sim, mas comecei a mudar, a desencantar meus príncipes. E me questionei se era medo, do desconhecido, do diferente, do outro e percebi que na verdade é medo de mim mesma.

Meu problema é me sentir vulnerável, não é o único, mas nesse aspecto acho que é o crucial. Eu não sou totalmente eu com ninguém, nem com as meninas, nem com o pessoal da faculdade, nem com a minha família e nem com a psicóloga. Eu tenho esse medo terrível de que as pessoas realmente me conheçam, porque aí eu vou ficar vulnerável. É como se ao deixar a pessoa me conhecer eu estivesse dando a corda para ela me enforcar.

Eu falo sobre coisas do dia a dia, conto toda a minha vida, dou risada e faço rir, conto meu passado e meus sonhos de futuro, mas eu nunca digo como me sinto a respeito de nada disso. Meu sentimentos se restringem a esse blog, eu guardo todos eles a sete chaves e depois deposito aqui, com calma e subjetividade, com a garantia do segredo. Ninguém sabe o endereço do blog, ninguém consegue realmente me identificar, ninguém conhece todos esses sentimentos que coloco aqui. Todos esse amor que eu sinto pelas minhas amigas? O ciúmes que eu sinto de alguns amigos? Ainda que com outros amigos? Meus medos e como eu sempre tenho medo de tudo? Minhas angustias com a minha família?

Ninguém sabe.

E para ter um namorado, para ter esse companheiro, eu teria que ficar vulnerável. Não tem como não ficar, eu vou estar colocando meu coração na mão dessa pessoa e ela vai poder fazer o que quiser com ele. Eu tenho medo disso. Por isso as paixões platônicas, porque eu não preciso abrir mão do meu coração. Nunca foi sobre viver no encanto da minha interpretação sobre o outro, ou sobre o amor utópico e sim sobre esse escudo que eu criei em volta de mim.

Eu tenho orgulho da minha resiliência, da minha força agora, mas acho que essas coisas não vieram sem um preço. Eu tenho orgulho de ter sofrido e superado diversas adversidades, eu sei sobreviver e sou boa nisso, gosto disso sobre mim, mas acho que isso me bloqueou um pouco. E agora eu preciso achar algum jeito de me permitir amar de verdade, de deixar esse escudo de lado e me permitir viver as alegrias e dores da vida. Vai machucar, vai ser até desesperador, mas eu já sei que sei sobreviver, sou boa nisso, mas não quero só isso. Eu preciso aprender a abaixar a guarda e me envolver.

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