30 de setembro de 2014

Os bonzinhos

2014-08-28 19.11.14

Não. Não me importa. São todas malucas com falta de amor próprio e problemas com Freud e os próprios pais. Por quê? Porque todas elas dizem que preferem os cafajestes. Como se alguma delas pudesse mudar algum deles. Como se eles pudessem amá-las de verdade como você amaria. É você. Você que eu chamo de bonzinho e fica chateado, porque sabe que elas não gostam dos bonzinhos. Loucas. Já disse.

Os bonzinho são assim, como você. Fazem elogios principalmente inesperados, mas não deixam de fazer elogios quando esperados. São aqueles caras que nunca vão ser mal educados e se você der sorte ainda serão cavalheiros, não por acharem que você precisa de suas gentilezas e polimentos medievais, mas por quererem te agradar, fazer alguma coisa lisonjeira, ainda que pequena, por você. E são eles que vão reconhecer sua força, ou seu potencial, ou qualquer de suas qualidades, com orgulho, não inveja ou ciúmes. E quem disse que os bonzinhos não tem pegada? Melhor do que um cara com pegada é aquele que te surprende com a pegada… Deixa o bonzinho te surpreender. Porque bonzinho não quer dizer idiota. Bonzinho quer dizer pessoa doce, com um coração grande. E se você tem um coração grande, ou é uma pessoa doce, não quer dizer que você não entenda as malícias da vida cotidiana, só quer dizer que em alguns casos, você é capaz de esquecer delas.

Mas uma coisa não posso negar, em alguns casos os bonzinhos são os piores. Porque os cafajestes são previsíveis e você sabe que eles vão te conquistar e depois quebrar seu coração sem se importar, algumas vezes até de propósito. Na verdade eu sei, com os cafajestes meu coração quebrado, no fundo, é culpa minha que entregou para o cara errado. Os bonzinhos não. Os bonzinhos como você vão conquistando aos poucos, as vezes intencionalmente, as vezes não, e quando quebram nossos corações nós nem conseguimos ficar magoadas com vocês, porque é quase certo que foi sem a intenção. Com você, meu coração quebrado é culpa sua, que quebrou, mas é responsabilidade minha, que, mesmo sem convite, te amou.

Olha ali

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Nesse exato momento, olhando para trás, nada muito longe, logo ali atrás, eu percebo que estou deixando um pouco de lado minhas expectativas. Aliás, mais importante do que isso, deixando de lado minhas frustrações diante de expectativas não cumpridas. Não estou mais me cobrando tanto a realização de certas coisas, estou um pouco mais paciente e tolerante comigo mesmo. Claro, ainda sinto aquela sede louca de futuro, aquela raiva de não conseguir o que eu quero ou não fazer o que queria fazer, mas passei a aceitar um pouco mais minhas limitações. Isso não quer dizer que eu não vou fazer nada para sair dos meus limites, pelo contrário, quer dizer que antes de sair me forçando a empurrá-los eu vou estudar, entender e então achar um jeito um pouco menos dolorido de romper essas barreiras.

Eu fiz algumas coisas importantes esse ano e é extremamente necessário reconhecer isso! Eu falei com o bonitinho, pelo face, mas falei. Eu saí com um cara, e eu nem conhecia ele antes. Eu descobri o feminismo e isso me ajudou a aceitar melhor meu corpo, respeitar minhas vontades e me despir de julgamentos. Eu parei de me desesperar com coisas pequenas, aceitar melhor minhas responsabilidades e culpas. Eu passei a entender um pouco mais da sociedade e as pessoas ao meu redor. Eu parei de me cobrar tanto.

Eu ainda quero mais algumas coisas antes do fim do ano. Eu quero falar pessoalmente com o bonitinho. Eu quero beijar um desconhecido, talvez em uma balada no Canadá. Eu quero sair com o Cadú, mas isso eu duvido que realize. E quero continuar sem me cobrar tanto, viver essa vida sem tanto stress, não me importar tem um quê de leveza que só me tras alegria. E eu posso nem realizar essas coisas, mas hoje sinto uma coragem que vem só do tentar e não da esperança de alcançar, isso é motivador.

Pensar só no agora pode ser algo desesperador nos outros, mas as vezes é exatamente isso que nós precisamos.

1 de setembro de 2014

Seu vocabulário inusitado

Bonita. Vanguardista. Pitoresca. Legal. Eu gosto de você.

Eu guardo todas elas, essas palavras que chegam aos meus ouvidos através de elogios inusitados. As vezes acho que você não percebe o quão inusitados eles são, ou o quão doce eles soam. E não sei se você os diz de coração ou para me encantar. Sabe? Eu tenho muito medo de me enganar sozinha, mas mais medo ainda de você me enganar.  

Porque você tem esse jeito doce que me confunde por inteira, eu fico sem saber se você é assim e só isso, ou se você é assim e só comigo. Quando você não aparece eu sinto a sua falta, sinto saudades do seu carinho e quando você está ao meu lado eu me sinto perdida, sem saber como te responder.  

Então eu vou indo, vou cedendo aos poucos, vou seguindo um pouco suas deixas, me apoderando do que eu posso, dominando algumas cenas e um dia eu me faço por inteira e aí me doou por completo.